Aos bullys, com Amor.

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Todo o bully é covarde, um zero a esquerda, um perdedor. Não estou supondo, estou afirmando. O bully, por essência, é um nada, que descarrega sua mediocridade e inferioridade em uma vítima indefesa e vulnerável.

Talvez por esta afirmação é que eu não me surpreenda que a mais nova vítima de bullying seja uma menina de onze anos cujo crime seja não depilar as sobrancelhas. Uma jovem, menor de idade, inocente e sem complexos, é a vítima perfeita para um bando de fracassados que tem como objetivo de vida infernizar a vida alheia.
Eu já fui vítima de bulliyng, durante parte da infância e toda adolescência ainda no tempo em que era visto como brincadeira de jovens, e não como a agressão que de fato ela é. E eu, já no auge dos meus seis anos, entendi que um bully nada mais é do que um babaca, mais forte do que eu e que pretende me agredir, fisicamente e emocionalmente.

As marcas físicas passaram com o tempo, mas as emocionais perduram até hoje. Até hoje tenho medo de pessoas, até hoje eu tenho um sentimento de eterna inadequação. Até hoje sinto como se eu fosse um incômodo para um grupo de amigos. Até hoje eu penso que as pessoas tendem a não gostar de mim.

E eu, meus caros, tenho 25 anos de idade hoje.

A mãe de Julia Gabriele afirmou que os cyber bullys mataram sua filha após divulgar e ironizar sua imagem da internet. Muitos acharam que a moça tinha se matado. Eu nunca pensei precisamente nisso. Não é necessário um suicídio para você ter sua alma assassinada, que foi o que ocorreu aqui.
Julia tinha onze anos, era uma menina livre e sem complexos. Suas sobrancelhas e seu bigode nunca foram um incômodo para ela. Talvez ela tenha ouvido piadinhas, talvez não. O fato é que com ou sem piadinhas no ao vivo, ela era uma menina com uma boa auto estima, amor próprio e orgulho de si mesma. Tudo isso lhe foi tirado.

Julia teve sua imagem, seu nome e seus “defeitos” expostos internet afora. Por mais que ela tenha deletado as fotos, por mais que seus pais processem os babacas, por mais que ela se recupere do trauma, as sequelas estarão aí. Agora Julia sabe que do ponto de vista do patriarcado, ela é inadequada. Agora Julia raspará seu bigode, sua sobrancelha, se preocupará em estar dentro do padrão, se preocupará com que os outros pensam dela. Julia agora sabe que se ela não seguir determinados ideais, ela não será aceita. E seja em busca da aceitação, seja porque teme ser novo alvo de piadas, Julia vigiará seus passos, seus pelos, suas roupas, seu cabelo e tentará se adequar ao que a sociedade pensa dela.

Então sim, a Julia criança, ingênua, incólume que muita gente conheceu, que era satisfeita consigo mesma e tinha uma auto estima saudável, de fato, ela morreu.

Por: Samantha Pistor

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Uma resposta em “Aos bullys, com Amor.

  1. Já sofri muito bullying na minha vida,em uma época em que nem se falava disso! Quando eu era criança/adolescente,o que hoje é reconhecido como bullying,era apenas “zoação”. Sonhava com o dia em que tamanha crueldade seria punida! Hoje,como professora,combato essa prática e protejo meus alunos!

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