Reinventando a Fogueira para novas bruxas

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Uma brincadeira macabra, estão fazendo apostas na internet para lucrar com o resultado da pergunta: Quando Karina Vega vai se matar? Contando com este fato, já que o ultimo caso de bullying resultou em suicidio. Macabro… não fazem nada para romper o ciclo e ainda riem de um sofrimento tão intenso que pode culminar com a morte de alguém.

Amanda Todd vitima de cyberbullying, após um período fazendo parte de uma receita de chantagens, humilhações, perseguições, zombarias temperadas de machismo, maldade e desumanidade, Amanda se rendeu a este mundo que passou a odiá-la sem conhecê-la, a este mundo que a julgou e crucificou, retiraram apenas a inscrição I.N.R. I e substituíram por VADIA. Amanda só tinha 14 anos.

Na época em que a crucificação era legitima, somente eram condenados a este fim os criminosos mais perigosos equivalente aos que comentem crime hediondo hoje em dia, mas o crime desta menina foi muito pior, não é mesmo? Afinal ela fez algo imperdoável, mostrou os seios por alguns instantes para um homem na webcam e confiou na pessoa errada, esta pessoa errada, divulgou a imagem de Amanda, mas a culpa foi dela por confiar nele, e não dele por trair a confiança dela. Esta lógica esta errada, muito errada.

Amanda mudou de escola, de casa, de cidade, de amigos diversas vezes, durante três anos, inúmeras tentativas de fugir do erro de ter confiado em um estranho, três anos se desesperando e sofrendo com o bullying, tanto tempo e nada foi feito para salvá-la de seus agressores, que saíram da nulidade do desconhecido que publicou sua imagem, para todos que participaram dos ataques a ela, todos que riram, chamaram na de “burra por ter confiado”, “vadia, tem que se fuder mesmo”, por ter revelado uma parte do corpo que ironicamente nenhum homem recebe nome pejorativo por deixar a mostra, mas a mulher não né? Ela tem que encobrir o corpo; E lembrando também dos cinqüenta amigos aguardando na em frente à escola para chamá-la de “vagabunda” por ter se envolvido com um rapaz, que omitiu ter um relacionamento fixo, mas mesmo com mais uma traição masculina, ela foi responsabilizada. Todos, que praticaram qualquer modalidade de bullying, cyber ou tradicional, todos que fizeram parte desta “caça as bruxas” atrás de Amanda, são responsáveis pelo laço na corda que a enforcou, cada um deles tem suas digitais naquela corda e todos estes deveriam ser condenados pela sua morte.

Agora chega às redes, imagens de mais uma mulher que foi traída, Karina Veiga confiou um jogo erótico ao namorado, no qual se filmaram fazendo sexo, e na primeira oportunidade o namorado usou as cenas como vingança, diz ele que ela o traiu, então como retaliação jogou as para serem acessadas por milhões de pessoas em todo mundo.

O que este homem fez foi jogar Karina em praça publica para apedrejamento, uma nova forma de castigar a mulher que não admite ser posse do machista, que tem liberdade para com seu corpo e sexualidade. Se era monogâmica ou não a relação, isso pouco importa, ele não tem escritura do corpo dela, nem dispõe de sua vida, se houve realmente esta traição, se isto estava fora do combinado, bastava romper a relação.

Sociedade machista, patriarcal, moralista e hipócrita. A maioria das pessoas criticando, criticam por que levam a ideologia de que a mulher deve ser santa, pura e aguardar o príncipe encantado, em sono eterno, até que ele possa despertá-la. Mulheres não devem fazer sexo, mulheres não deveriam nem sentir prazer, segundo mentes machistas e retrógadas. Então é fácil adivinhar que tipo de gente esta atrás da tela do computador, usando redes sociais, como praça pública, para entregar mulheres como Amanda e Karina Veiga, a “fogueira santa da inquisição”.

Imaginem os comentários ao assistir as cenas: “Oh meu Deus, ela esta fazendo anal” como se isso fosse algo totalmente absurdo e errado, como se milhares de mulheres não fizessem a mesma coisa, a única diferença é: Karina confiou este momento à pessoa errada. Não é crime confiar na pessoa errada, só prá deixar bem claro, mas é crime divulgar imagens de uma menina menor de idade, constrangê-la, expô-la, destruí-la…

Acima de tudo o que me parece mais incrível nesta história, é que depois de se comoverem com o caso de Amanda Todd, de assistirem aonde o bullying pode levar, a história se repete, e o mesmo tratamento dado a primeira esta sendo oferecido à segunda.

Não compactuem com este mentalidade, não aceitem que façam comentários moralistas, machistas e difamatórios. Não culpem a vitima, ambas foram traídas, ambas confiaram na pessoa errada, ambas tiveram sua intimidade exposta, os machistas dizem “culpa delas, foram idiotas” e eles, estes divulgadores de imagens, foram espertos, é isso? Eles não foram espertos, foram criminosos, e são eles que devem responder. Se há alguma imoralidade nestes fatos advém da traição dos homens em que estas mulheres confiaram e não o contrário.

… E por fim, não permitam que o machismo se muna de mais uma arma para opressão da mulher, o bullying e o cyber-bullying nada mais são que apedrejamento em praça publica, nada mais que uma nova versão de fogueira para as bruxas, só que hoje as bruxas são mulheres que não cabem no rótulo social de “mulher de bem” escrava e empregada do “homem de bem” e que neste caso os apedrejadores e inquisidores, confortavelmente, covardemente e convenientemente, escondem suas caras atrás da tela do computador.

Por: Verinha Dias
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