Tirem as Placas de “Não siga” do caminho, Nós vamos passar!!!

ImagemA mulher já mostrou que pode atuar em áreas antes tidas como exclusivamente masculina ou o tal do “Lugar de homem”. Elas foram lá, mostraram competência e ficaram. Pena que este não é final da história.

Chegar lá, as mulheres chegaram, porém não são bem vindas. Exemplo de que a recepção não exatamente calorosa e temos lutar intensamente por nosso lugar ao sol é o futebol feminino. Um esporte que até bem pouco tempo atrás era exclusivamente masculino teve barreiras rompidas pelas mulheres, que chegaram lá mostrando raça e técnica, não é mesmo? Então…  Por que mesmo com toda esta competência os patrocínios são infinitamente inferiores ao do masculino?

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Dizem que isso se deve a tradição de que o futebol é um esporte masculino, mas a verdade é que mesmo com toda superação das mulheres, o machismo não as deixa avançar, machismo que traveste se de placas dizendo: “Pare! Você não vai conseguir”.

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Quanta coisa as mulheres tem que tolerar para estar nestes lugares ditos como exclusivamente de homens não é mesmo? Em 2011, quando Santos Futebol Clube, comemorou seu centenário com calendário de atletas seminuas reduzindo o belíssimo futebol das jogadoras a uma mera mercadoria de R$ 20. Engraçado eu não me lembro de um calendário de jogadores seminus, alguém ai pode me dizer se existiu?

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Vinte e seis moças seminuas, jogadoras de futebol que vem mostrando enorme competência em campo, e seu brilhantismo é ainda mais admiráveis devido às condições que enfrentam para estar nesta jogada, sem patrocínio digno, com salários infinitamente menores que os jogadores masculinos, ainda assim encontram superação e dão show de bola. Mas nada disso importa, o que importa é que são mulheres e que podem ser usadas como produto para o machismo.

Sereias da Vila este foi o nome dado ao calendário. A equipe de marketing do clube diz que trata se de uma homenagem ao time de futebol feminino, disse ele na ocasião que “assim, mostram que são craques dentro e fora do campo”.

Como assim craques dentro e fora do campo? Se a intenção é mostrar que são craques por que não fotografá – las com seus uniformes dando ênfase ao lado profissional que estas mulheres tanto buscam, e lutam diariamente por este espaço?

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Por que não tem nada a ver com homenagem, o que foi feito ali foi simplesmente usar aquelas mulheres como produto a ser oferecido para o machismo, a fim de angariar lucro sobre elas.

Para Armênio Neto, gerente de marketing do clube santista a resposta a esta pergunta, que foi dada naquela ocasião foi: “vamos turbinar as meninas e mostrar esse outro lado delas”.

Nosso país respira futebol, temos a melhor jogadora de futebol do mundo, a Marta Vieira que foi escolhida como melhor futebolista do mundo por cinco vezes consecutivas, um recorde entre mulheres e homens. Foi considerada pela Revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009.

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Após as grandes exibições de seu futebol, principalmente, nos Jogos Pan-americanos de 2007, Marta chegou a ser comparada a Pelé, mas… O clube achou que apesar de todo êxito de seu time era melhor expô – la como objeto sexual.

As mulheres estão nos lugares comuns juntos com os homens, dissemos “dane-se” para as placas de “não siga” e seguimos, superamos esta barreira, mas existe outra, ela se chama machismo. Podemos ir ao estádio de futebol, mas somos obrigadas a ouvir, o publico majoritariamente masculino aos berros com ofensas machistas e homofóbicas aos jogadores que são adversários, somos assediadas, incomodadas, com um constante “Aqui não é seu lugar, mas já que veio… aguente!”

– A mãe do Juiz é puta, como se ser prostituta fosse algo ofensivo;

– O jogador do time adversário é Veado, Gay, Mulherzinha… Como ser houvesse alguma vergonha ou algo de errado em ser Homossexual ou Mulher;

– A bandeirinha, ah esta sofre hein? Passa de gostosa para “Burra demais, tinha que ser mulher” num segundo.

Estas são as placas de “Seu lugar não é aqui” que o machismo nos impõe todos os dias, resolvi falar do futebol, mas existem muitos outros lugares, onde assédio sexual, assédio moral, violência psicológica e física, são sinalizações de que se estamos lá temos que nos submeter, por que aquele é um mundo de homens e somos “intrometidas” por estar lá, pelo menos é assim que eles querem que nos sintamos…

Não somos intrometidas, somos livres, temos potencial e conquistamos estes espaços, não temos que sair, não temos que aceitar as placas machistas que teimam em nos direcionar, nós seguiremos mesmo que tenhamos que passar por cima delas, mas o mais sensato e humano é que apenas tirem nas do caminho e nos deixem passar.

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Verinha Aguiar

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