O Machismo da Esquerda ( Critica de uma feminista da esquerda á esquerda)

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Não posso iniciar este texto, sem antes dizer que não tenho a intenção de atacar à esquerda (seja organizações ou indivíduos), para alimentar um posicionamento de direita. Muito pelo contrário, é a esquerda falando para a esquerda, ou melhor, é uma mulher de esquerda questionando o machismo que existe dentro da esquerda. Mas se há machismo na esquerda, por qual motivo continuo mantendo meu posicionamento político dentro dela? Por um simples fato:

– Não existem formas de superar a opressão e a exploração dentro do capitalismo.

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Como marxista, acredito na necessidade de superar o modo de produção capitalista, pois este tem como eixo a exploração e como consequência se utiliza da opressão para extração de mais-valia. Isto é algo muito claro e até mesmo obvio para toda a esquerda, o que, contraditoriamente, não é tão claro para todas as feministas (mesmo as não burguesas). Não as culpo, elas tem certa razão. Muitas observam a realidade e não percebem uma real intenção de transformação (pelo menos moral) da esquerda. Algumas já passaram por situações de machismo com militantes de esquerda, muitas nem conseguiram se aproximar da esquerda por avaliar que não é um ambiente muito propício para se expressar e outras olham para os países que foram socialistas e não se conformam com a situação da mulher nestes locais que romperam com o capitalismo. Elas questionam, por que concentrar energia em um processo revolucionário se a condição da mulher permanece a mesma ou pior? Sim, nós socialistas temos uma série de explicações históricas para o machismo dentro dos países socialistas, sendo o principal deles que o socialismo não existiu ainda em parte alguma, no sentido marxista clássico (Braverman).

images (1)Contraditoriamente, justamente a compreensão de que está tudo errado no capitalismo, é o que fundamenta uma permissividade ao machismo. Consciente ou inconscientemente está na cabeça destes esquerdistas: já que o machismo só vai acabar quando se colocar fim ao capitalismo, então continuarei gozando dos privilégios de ser homem, em uma sociedade patriarcal. O pior é que muitas mulheres entram na onda, deixando de lado a luta feminista e acabam reproduzindo o machismo. Estas pessoas e/ou organizações esquecem que:

“O proletariado não pode atingir a liberdade completa sem conquistar a plena liberdade para a mulher” (Lênin)

Ok, não podemos conseguir a plena liberdade, nem para os trabalhadores como um todo e nem para as mulheres no capitalismo. Mas Lênin coloca claramente que é em vão lutar contra a exploração, sem que busquemos libertar as mulheres de seus grilhões.

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Por que?

A explicação mais simples está no fato de que metade da população mundial é composta por mulheres.  Hoje, a grande maioria das mulheres faz parte da produção social e se elas não são ganhas para este novo projeto, não há mudanças sociais efetivas. Sinto muito, mas quantas mulheres irão lutar para uma transformação social, colocando em risco suas próprias vidas, se o que é possível vislumbrar é a permanência da submissão da mulher em relação ao homem.

Não dá simplesmente para deixar de lado estas mulheres, com o argumento de que falta convencimento político e ideológico, o qual é muito comum, diga-se de passagem (a velha culpabilização da mulher por tudo). Não dá para prometer que tudo vai mudar depois, afinal se é possível ter uma consciência de classe hoje, de deixar muitas vezes de ter ou buscar conquistar privilégios burgueses, por que não é possível abandonar os privilégios de homem? Obviamente que para mantê-los depois. Não venham tentar nos convencer de que acabando com o capitalismo se põe fim ao machismo, afinal este não nasceu com o capitalismo e pode ser utilizado em qualquer sistema como ferramenta para sustentar privilégios de uma parcela da sociedade, sejam eles quais forem. Afinal, voltemos ao Lênin, voltemos ao obvio, não é possível criar uma sociedade igualitária, se ainda há opressão; não há como acabar com a estratificação social, caso não se extermine de uma vez por todas com todo tipo de privilégios.

Eu, como alguém que desde 2004 está vinculada, de forma organizada ou não, à esquerda, já passei por inúmeras situações de machismo. Uma delas foi meu ex-dirigente dizendo, com toda brutalidade possível (velha tática dos homens para tentar intimidar), de que todo este meu pensamento apresentado aqui é idealista, pois a opressão só deixará de existir no socialismo. Pior que isto, este meu ex-dirigente estava querendo com isso dizer que eu deveria aceitar a situação de machismo pela qual passei. Esta situação foi descobrir que eu tinha tido relação sexual com um militante que estuprou uma companheira do partido. Este estuprador, mesmo já sancionado por este ato (estuprar uma militante) e com uma plenária de mulheres marcada (para dali 1 semana) para discutir o caso, convidou-me para sair, já que eu não era do seu setor e não sabia o que tinha acontecido. Quando descobri que eu havia transado com um estuprador (o que descobri por meios não oficiais do partido, pois este insistia em proteger o militante), a primeira sensação foi a de ânsia, depois veio a raiva e posteriormente a vontade de fazer com que as mulheres se revoltassem com a nossa situação dentro daquele partido. Foi por causa desta última parte, que precisei ouvir coisas deprimentes, como a relatada a cima sobre meu ex-dirigente, ou até mesmo de mulheres, dirigentes importantes do partido, de que a situação não era tão grave assim.

 É fato que o fim do machismo não terá seu fim com apenas mudanças ideológicas, que é preciso de condições materiais para tal, como a garantia de empregos dignos, de bons salários e de que o Estado se responsabilize pelas tarefas domésticas. Mas enquanto não chegamos neste patamar, não dá para aceitar que as mulheres continuem sendo vítimas de violência física, psicológica e moral. Assim como xs militantes de esquerda tem que ser xs primeirxs a defender xs trabalhadores dos ataques da burguesia, também tem que ser xs primeirxs a defender as mulheres contra o machismo. E isto não deve acontecer de tempos em tempos com discursos bonitos, em momentos eleitorais ou para se destacar nos movimentos. É prioritário que a batalha contra o machismo aconteça no cotidiano, pois após um discurso bonito, as relações entre homens e mulheres permanecem e é aí que será comprovada a veracidade de um discurso.

Muito mais profundo que isto, é fazer a reflexão de que, se temos uma boa compreensão sobre o materialismo dialético, sabe-se que em um processo de transição, características de uma organização social anterior estarão presentes na que estiver sendo construída. Mas o inverso também é verdade, as características da sociedade futura já devem estar presentes na atual. Em termos concretos, é preciso ir desconstruindo o machismo hoje, para criar um mundo sem machismo amanhã. No entanto, não é este o argumento que encontramos, mas sim o seu inverso: já que vivemos em uma sociedade machista, não dá para a esquerda não ser machista. Mas se a esquerda pretende ser o setor que está à frente da transformação social, esta deve ser aquilo que há de mais progressivo na atual sociedade, o espaço onde se acumula a maior quantidade de elementos da sociedade futura. Como nos auxilia Moreno:

“Nada de princípios absolutos, gerais, para a moral; a base da nossa é a revolução proletária. Tudo que a favoreça em nossa conduta é moral, entra dentro de nossos valores; tudo que a debilite ou vá diretamente contra a revolução é imoral”

 

Afim de não deixar dúvidas sobre o que é imoral dentro da esquerda, descrevo algumas situações recorrentes de machismo que devem ser completamente eliminadas, desde já:

  • Violência física contra a mulher:

Aprendi, ao longo de minha militância, que nada deve deixar de ser falado e exigido, por mais obvio que possa parecer. Como minha amiga Verinha diz, o machismo também é ruim, do ponto de vista moral, para os homens, pois eles passam a serem tratados como agressores em potencial. Então é preciso deixar bem claro, homens, vocês não podem agredir fisicamente uma mulher! Infelizmente, durante a minha militância, tive o conhecimento de alguns casos de agressões físicas contra mulheres, inclusive por parte de quadros antigos e por longos períodos (como um partido permite uma situação como esta?). Nada justifica a violência contra a mulher, mesmo que ela tenha feito algo de errado.É extremamente covarde bater em alguém que não tem condições de revidar com a mesma intensidade. Nunca utilize a força, mesmo que não vá feri-la concretamente (por exemplo, fazer com que ela permaneça em um determinado espaço). Se realmente pretendemos criar uma sociedade diferente, não podemos agir como nossos ancestrais, que há séculos atrás se utilizavam da força para domesticar a mulher com o objetivo de obrigá-la a obedecer a uma nova lógica, a da sociedade patriarcal. Caso realmente pretendemos mudar o mundo, será preciso deixar a mulher ser o que ela é, o que ela quer ser, na verdade algo a ser descoberto, pois ainda há o peso de séculos moldando as mulheres. De qualquer forma, partimos do princípio de que a mulher não pertence ao homem, isto serve para qualquer forma de relação que possa existir entre ambos. Por isso, o homem não tem o direito de “quebrar” a mulher, assim como se estatela no chão o brinquedinho que não lhe serve mais como antes. Ou seja, a mulher não é um objeto que o homem adquiriu com mais ou menos esforço. A mulher é um ser humano, que possui vontades e desejos, os quais devem ser respeitados e não reprimidos, principalmente na base da porrada.

 

  • Violência sexual contra a mulher:

Não faça sexo, moleste sexualmente ou toque uma mulher sem o claro consentimento dela!!! Se há dúvidas, pergunte. Se ela não está em condições de responder, ela não está em condições de consentir. Como já anunciei no texto, já estive bem próxima de um caso de estupro, que aconteceu dentro de um partido revolucionário. O pior é que não era segredo para alguns militantes (o grupo de amigos do estuprador) e era inclusive tema de conversas de bar. Forçar a mulher a fazer qualquer coisa que seja, trata-se novamente da objetificação da mulher, o que remete a formação da sociedade patriarcal, o que nos leva a apropriação privada dos meios de produção, algo que a esquerda coloca todos os seus esforços para destruir. Sabemos que com a apropriação privada dos meios de produção, os homens buscam, através da monogamia, transferir seus bens acumulados para seus filhos legítimos (direito de herança). Assim, parte das mulheres foi trancada em casa e, como uma de suas tarefas, deveriam ter relações sexuais com, e apenas com, o homem que a possuía. A outra parte das mulheres ficou relegada aos prostíbulos, também devendo oferecer serviços sexuais, mas estes eram trocados por dinheiro. Tanto as mulheres casadas, como as prostitutas são destituídas de seus corpos para serem usados pelos homens. Creio que não preciso argumentar muito que se o maior objetivo de um revolucionário é por fim a apropriação privada dos meios de produção, é preciso também eliminar as bases que a garante, como a objetificação da mulher. Portanto, um militante não pode se utilizar das mulheres como objeto, seja companheiras, amigas ou prostitutas (um militante de esquerda não deve comprar sexo, através da prostituição). Moreno afirma:

“  Desde o ponto de vista psicológico, sabe que assim não se satisfaz nunca a própria necessidade biológica porque transformada em um objetivo em si mesma, separada do companheirismo, do respeito mútuo, do acordo ou consciência sentimental, cultural, partidário, militante e de atividade, o ato sexual por si só não soluciona absolutamente nada, é uma variante da masturbação ou pior que ela. Somente se satisfaz quando se parte de uma relação total ou quase total.”

 

  • Violência psicológica contra a mulher:

Esta é a mais comum e a menos combatida dentro da esquerda. A lei (nº 11.340/2006) dá uma boa definição para este tipo de violência:

“ação ou omissão destinada a degradar ou controlar as ações, comportamentos, crenças e decisões de outra pessoa por meio de intimidação, manipulação, ameaça direta ou indireta, humilhação, isolamento ou qualquer outra conduta que implique prejuízo à saúde psicológica, à autodeterminação ou ao desenvolvimento pessoal.”

Este tipo de violência abrange desde piadinhas machistas até posturas autoritárias de um homem em relação a uma mulher. Às vezes penso que a dificuldade dos homens conceber e respeitar uma mulher na vida política, pode ser explicado através de relações arquetípicas. Parece que os homens ainda não superaram a concepção, formulada de forma mais acabada na Grécia Antiga, de que mulher é um ser tão inferior, sendo incapaz de colaborar politicamente e filosoficamente. Na Grécia Antiga, onde surge a democracia, em que toda a população era colocada para discutir e definir política, a mulher ficava restrita ao lar (claro que variava de polis para polis, mas a referência é Atenas). É em Atenas que se criam os princípios da democracia: isonomia, igualdade de todos os cidadãos perante a lei; isegoria, igualdade entre todos no falar, liberdade de expressão; isocracia, igualdade de todos ao poder. No entanto mulheres, escravos e estrangeiros, não partilhavam desta igualdade e da vida política. Este incômodo com a mulher que se expressa politicamente ainda é muito forte. Muitas vezes o homem se coloca em um lugar de competição, ou seja, se uma mulher dá um palpite político, ele o destrói, pois não pode conceber uma mulher que tem uma elaboração política melhor e/ou diferente da sua (tá aí um dos principais motivos de términos de namoro entre militantes). Daí todo o uso de violência psicológica para “colocar a mulher em seu devido lugar”.

É comum, por exemplo, não dar valor ou simplesmente não escutar a opinião de uma mulher. Isso aconteceu várias vezes comigo, uma das mais emblemáticas foi quando eu dizia para a direção do meu grupo político, que era preciso reunir os militantes, durante um processo de ocupação da reitoria. Não me davam a mínima trela e até um militante chegou a mandar que eu calasse a boca, com o aval de todo o grupo, inclusive do meu namorado na época. Aí chega a direção da direção (homem) e diz a mesma coisa que eu estava falando. No dia seguinte todos os militantes foram reunidos imediatamente. Este tipo de situação nos faz acreditar que nossa opinião não tem qualquer validade e acabamos tendo nossas “ações e comportamentos controlados”, normalmente reprimidos. Por isso, faço questão aqui de trazer exemplos reais. Durante muito tempo tive muita dificuldade em me expressar nos espaços políticos, claro que por motivos subjetivos (nasci e cresci em um ambiente que não estimulava este tipo de atitude), mas também meus/minhas companheirxs nunca me ajudaram a desenvolver tal habilidade, muito pelo contrário. É muito comum, ao apontar problemas e debilidades de um militante ou grupo de militantes, aparecer alguém que não nos convence por seus argumentos, mas nos cala com sua autoridade e intimidação.

Neste sentido, a esquerda que deveria ser a ponte para a total libertação da opressão e exploração, acaba sendo mais um espaço para ser oprimida, o que, portanto, afasta as mulheres da militância.

  • Não se utilize do machismo para ter ganhos políticos e/ou outros:

 É muito comum na esquerda justificar uma atitude contraditória com o velho lema: “os fins justificam os meios”. Assim, não raro, nos deparamos com homens que se utilizam do machismo, para ganhar um debate político. Como? Desqualificando a militante, utilizando-se de um discurso autoritário e intimidador e até agredindo a militante. A justificativa para este absurdo é de que com isso a política certa será acatada/implementada. Porém, Moreno relata:

“Como sabemos que tal meio ou atitude moral serve à revolução? “Os fins justificam os meios” dizia a velha moral dos jesuítas. Trotsky respondia; “sim, sempre que os meios levarem aos fins”. Ou seja, entre fins e meios há uma dialética, já que nem todos os meios são viáveis, úteis.”

 

Já foi claramente exposto aqui que o machismo nunca servirá para a revolução, já que o mesmo apenas contribui para a manutenção do status quo. Assim, o machismo não pode ser um meio para atingir os fins, pelo menos para os fins que a esquerda deseja.

Tivemos recentemente um exemplo desta situação. Duas militantes do movimento estudantil da USP, de correntes políticas diferentes, foram agredidas, inclusive fisicamente, por um militante de uma terceira corrente. Para piorar, a organização política do militante agressor, coloca suas militantes mulheres para defender seu companheiro de partido. Isto é fortalecer ainda mais a divisão entre as mulheres, um dos mecanismos chaves da manutenção do machismo. A reprodução do machismo pelas mulheres nos enfraquece, pois não permite nos reconhecer enquanto grupo que sofremos do mesmo mal e que precisamos nos unir para combatê-lo. Fica aí então um recado para as mulheres também, não reproduzam o machismo, mesmo que aparentemente tenham algum ganho com isso!!!!

Outro uso comum do machismo por parte dos militantes de esquerda para obter ganhos, está relacionado com as tarefas domésticas. Facilmente encontramos homens que se abstém das tarefas domésticas, sobrecarregando suas companheiras, com a desculpa de que precisam militar. Isto faz com que muitas mulheres deixem de militar ou nunca militem na vida. Há aquelas que acumulam todas as tarefas, trabalho, militância e o cuidado com o lar e filhos. Estas atingem nível de estresse inimaginável, pondo em risco sua saúde. Bom, não preciso nem dizer o quanto isso é desastroso para a esquerda, pois muitas mulheres, companheiras de militantes, passam a odiar os partidos, os movimentos, a política, enfim, tudo que parece colocá-la nesta condição, afinal muitas não percebem que quem está provocando esta situação é justamente seu próprio companheiro. Infelizmente isto é bem corriqueiro. Eu mesma namorei um militante, que propagava uma teoria de que oprimir a sua avó, deixando-a fazer todas as tarefas domésticas, era fundamental para que ele pudesse se dedicar a militância. Ainda bem que caí fora dessa, se o namoro fosse para frente poderia ser eu a tomar o lugar de sua avó.

Por fim, ao logo do texto, percebi que são tantos os aspectos que podem ser avaliados sobre este problema do machismo na esquerda, que seria quase impossível determinar o seu fim. O objetivo não é o de construir uma tese, mas sim o de suscitar reflexões dentro da esquerda sobre o machismo que ela mesma produz e reproduz, a luz das minhas próprias experiências.

Aí vai um pequeno manual, produzido por uma de nossas leitoras (Sharon Caleffi):

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6 respostas em “O Machismo da Esquerda ( Critica de uma feminista da esquerda á esquerda)

  1. Olá , gostei muito de seu texto, está muito eloqüente e me fez relembrar diversas situações de machismo, homofobia, racismo e outros comportamentos detestáveis que presenciei dentro de algumas organizações de esquerda. O único ponto que não convirjo com as idéias que você apresentou é com relação à prostituição. O debate da(s) esquerda(s) sobre esse tema nunca me pareceu muito aclarado, pois eu tendo a ver o problema central na relação de opressão que quase sempre envolve esta atividade, não tanto na atividade em si. Quero dizer, se for possível praticar a prostituição sem a relação de opressão porque ela continua a ser um problema? Se puder me ajudar a aclarar esse tópico agradeço. No mais, obrigado por proporcionar essa ótima reflexão!

  2. Olá Cristiano!

    Fico feliz que tenha gostado do texto!!!

    Bom, o debate a prostituição é um dos mais difíceis e que também ainda necessito de maiores discussões. Mas parto do seguinte princípio: O machismo objetifica a mulher. A mulher passa a ser vista como um objeto que pertencerá a um homem, o qual poderá ser utilizado como quiser. A mulher deixa de ter sentimentos, pensamentos, desejos, para servir ao homem. A mulher casada torna-se o objeto do homem para o resto da vida, a qual precisa ser minimamente cuidada (pelo menos sustentada) por ele para garantir sua produção e reprodução. A prostituta é a mulher que estabelece o papel de objeto de forma mais clara, ao trocar seu corpo por dinheiro. Por mais que uma mulher goste de ser prostituta (seja uma escolha), ela se relaciona como um objeto e permanece sustentando a ideia objetificada da mulher. Existe uma relação de compra e venda, a mulher perde sua autonomia em decidir sobre seu próprio corpo, pois ele pertence (pelo menos por tempo estabelecido) ao homem pagante.

    Defendo que a mulher possa ter completa autonomia sobre si mesma e de forma integral (corpo, sentimentos, desejos, pensamentos…). Por tanto, acredito que a mulher pode estabelecer relações sexuais com quantas pessoas e da forma que quiser, exceto caso ela se coloque como objeto de troca em uma relação sexual, pois é incoerente com a nossa defesa da autonomia da mulher.

    Espero ter colaborado em relação a esta questão! Vamos discutindo!!

  3. Exemplo típico desse machismo se dá tradicionalmente nas negociações sindicais. As mulheres conseguem sempre pôr o direito de creche nas pautas, mas essas são facilmente substituídas (pelas direções machistas) pelo auxílio creche de caráter pecuniário.

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