Estatuto do Nascituro: Misoginia Explicita

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“Aborto é assassinato… mimimi… por que Deus disse, por que o sopro de vida entra na concepção”; “você já viu um feto com três meses? Ele já é uma vida”; “não precisa abortar, tenha o filho e dê em adoção”.

Ouvimos este tipo de interpelação em defesa da vida do feto o tempo todo, mas ela me parece neste momento em que o ESTATUTO DO NASCITURO esta em vias de ser aprovado, ainda mais nociva, egoísta e misógina.

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O Estatuto do Nascituro é uma clara  resposta das bancadas religiosas contra a aprovação do aborto de anencéfalos e a liberação das pesquisas com Células Tronco, E é algo tão reacionário que visa impedir o aborto em qualquer situação, até mesmo em casos de anencefalia e estupro. Não bastasse esta afronta aos direitos da mulher, o estatuto ainda prevê o direito de paternidade reconhecida ao ESTUPRADOR, sentenciando a mulher a conviver com o homem que cometeu contra ela um crime hediondo.

O que dizer a quem apoia o Estatuto do Nascituro?

Primeiro: você não pode assassinar o que não esta vivo. Milhares de mulheres abortam todos os meses, óvulos fecundados que não aderem à parede do útero são eliminados, seguindo por esta lógica, milhares de mulheres são assassinas. “Ah, mas neste caso foi espontâneo né?” Segundo a bíblia cristã “não cai uma folha de uma arvore sem que Deus queira” Então Deus é assassino. É isso? Se não é reconsidere e pense, trata se de uma vida mesmo um óvulo fecundado, por que ser for, você terá que admitir que seu Deus seja um sádico assassino;

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Segundo: Dogmas religiosos não podem guiar decisões estatais. Caso você não saiba, o ESTADO É LAICO. E este Estado me deve a garantia de que dogmas religiosos, sejam eles majoritários ou não, guiem decisões estatais, estes dogmas devem ficar circunscritos a esfera partícula, ou seja, serve para você e para as pessoas que identificam se com sua fé.

Você acredita no sopro de vida, você acredita no seu Deus (seja ele lá quem for) você acredita no que você quiser, mas é necessário que este direito que você tem de CRER eu também tenha de NÃO CRER, e de manifestar minhas opiniões baseadas em argumentos científicos. Não imponha sua fé como lei sobre minha vida por eu não professo a mesma fé que você.

Terceiro: Sim eu já vi um feto de três meses. Vou te fazer uma pergunta: Sabe por que o aborto foi permitido em caso de fetos ANENCÉFALOS? Por que fetos anencéfalos não têm vida, mesmo depois de nascer, eles não sobrevivem sem o cérebro.

Este feto de três meses que você insiste em romantizar e usar argumentos falaciosos para comover, não esta vivo, ele não tem cérebro formado, não tem sequer o tubo neural formado. A morte cerebral é interpretada como fim da vida humana, por simetria, o começo da atividade cerebral marca o seu princípio. Para sua informação, hoje é consensual no Brasil e no mundo que a morte se diagnostica pela morte cerebral. A anencefalia só é possível ser detectada, por exemplo, após 12 semanas de gestação, e não é à toa: A atividade cerebral só tem inicio após o primeiro trimestre de gravidez.

Quarto: Não acho que esta decisão esteja em suas mãos “tenha o filho e depois dê para adoção” todos vocês esperam que as mulheres depois da gestação apaixonem pelo nenenzinho fofinho e assuma a maternidade, isso não acontece: Trabalho em um hospital especializado em maternidade, e muitas mulheres abandonam seus filhos no berço e se vão, para nunca mais voltar.

Estas crianças que ficam para adoção podem ou não serem adotadas. Mas não! Isso você não quer saber, né?

Você não quer saber que – calcula que haja mais de 60 mil crianças em instituições de acolhimento, a maioria não disponível para adoção, ou porque não houve a destituição do poder familiar ou porque ainda se procuram seus parentes biológicos- existem 60 mil crianças crescendo institucionalizada, sem amor, sem carinho, sem a tão adorada família dos conservadores.

Você não quer saber que, este fetiche que os conservadores têm por esta família tradicional atrapalha os processos de adoção, por que a adoção se faz por meio de um processo judicial que está sujeito à morosidade, mas uma das condutas que mais atrapalham é a do juiz que quer levar às últimas conseqüências a procura por algum parente biológico para assumir a criança que está abandonada pela família natural.

Não é você que vai passar a vida dentro de uma instituição, sobrevivendo, pensando todos os dias por que foi abandonado, por que o mundo te virou a costas… E obviamente quando sair de lá, não estará capacitado a concorrer com outras pessoas de igual para igual pela vida.

Isso que vocês pregam não é defesa da vida, é ódio a mulher e ódio ao nascido. Só defendem o feto enquanto ele está no útero, por ódio a liberdade sexual da mulher, e por isso desejam penalizá-la de forma que:

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– Morra sem assistência, ou seja, presa caso haja falhas no anticonceptivo;

– Que morra, ou seja, presa em casos de gestação de risco para a mulher ou anencefalia (seja um tumulo, gere um feto que morrerá logo após nascer, apenas para satisfazer o sadismo e misoginia dos pró-vidas)

– Morra, seja presa ou suicide – se caso seja estuprada.

Isto deveria estar nos cartazes dos pró-vidas, por que é isso que eles querem.Com a quantidade de estupros que existe, com o números de mulheres grávidas de estupradores, com a imposição de que elas tenham o filho e isso ainda as obrigue a ter contato “familiar” com o ESTUPRADOR, vai gerar uma onda de SUICÍDIOS.

Mas que morram, por que a vida delas não importa,não é mesmo? O que REALMENTE importa é a vida do nascituro (Nascituro não trata se do feto, mas do material biológico proveniente da concepção, do encontro dos gametas masculino e feminino, ou seja um óvulo fecundado é mais importante que a vida e a sanidade da mulher) e dar direito de paternidade ao homem ESTUPRADOR.

Por: Verinha 

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Uma resposta em “Estatuto do Nascituro: Misoginia Explicita

  1. Quando eu era criança e cortei o pé pisando num caco de vidro, rompeu-se uma veia e o sangue jorrava longe. Quando minha tia entrou comigo no colo daquele jeito, minha mãe, que estava grávida de uns dois meses, correu para o banheiro e, em vez de urinar,
    abortou. As mulheres da vizinhança quiseram ver como era e por fim eu, depois de socorrida, fui olhar também. Era como um fígado de galinha boiando na água. Nunca na minha vida vou comparar aquilo a uma pessoa!

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