NAS MANIFESTAÇÕES, É COM OS PARTIDOS DE ESQUERDA QUE EU VOU!!!

Por Denise Laizo

Enfim marcaram a data para a realização de um grande sonho, dia 17 de Junho, a população brasileira confirmou sua presença massiva nas ruas para protestar contra os mandos e desmandos do governo, que sempre privilegiam uma minoria em detrimento da maioria. Lá estava eu, contando os minutos a espera de estar no meio do povo, de gritar as palavras de ordens, de registrar no meu tablet novo (que ainda faltam muitas parcelas para pagar) um momento histórico. E, para mim, trata-se de um sonho um tanto antigo…

Este sonho, que já existia em mim desde a adolescência de forma muito confusa, pôde se tornar mais palpável devido a minha participação no Movimento Estudantil, no qual pude encontrar com os partidos de esquerda e em especial com o PSTU.

Muitos, que estão entrando na luta agora, precisam ter um pouco mais de humildades e realmente se colocar a disposição de entender o complexo cenário político. Quando saí para a minha primeira manifestação (greve da USP em 2004), eu não entendia quase nada do que estava acontecendo, apenas sabia que estávamos lutando por um orçamento mais digno para a educação. Só foi possível compreender tudo aquilo de fato, e todas as outras lutas que estive envolvida, graças às organizações de esquerda, em particular ao PSTU. Sem estas organizações eu estaria até hoje perdida, tentando entender o que estava acontecendo, quais eram as reais polêmicas, o que estava por traz dos argumentos, sem saber o que fazer, sem perceber em que momentos deveria radicalizar, quando correr da polícia, quais as palavras de ordem mais eficazes para gritar.

Manifestação contra a presença da PM na USP (2009)

O principal disso tudo foi minha luta deixar de ser restrita aos problemas da educação. Percebi que a base para as mudanças radicais que eu pretendia, estava na necessidade de uma  transformação total da sociedade. Comecei a entender o que era capitalismo, anarquismo, socialismo e a fazer minha opção (socialismo!!!). Entendi a luta de classes, pude estudar profundamente filosofia, economia e política marxista, foi possível conhecer os grandes revolucionários, as grandes polêmicas da esquerda (por exemplo, Reforma ou Revolução?), o que é um Governo de Frente Popular (o qual se utiliza de um representante dos trabalhadores para governar para os interesses da burguesia – o PT). Enfim, passei a ser uma militante, de repente não estava mais perdida, passei a ter consciência total e absoluta do que eu estava falando e fazendo. Tudo isso, porque estavam ali os partidos que armazenam dentro de si a história da classe trabalhadora, que passam de geração a geração suas experiências, que estão na contramão de toda a ideologia dominante. A construção destes partidos foi uma conquista da classe trabalhadora, pois por meio destes os trabalhadores passam a ter meios de se organizar para lutar por seus interesses.

Lênin, revolucionário responsável pela formação do partido bolchevique

Em nenhum momento eu fui massa de manobra, nem mesmo no período mais ingênuo da minha militância. Não são os partidos, principalmente estes que não tem propriedade sobre as instituições transmissoras da ideologia dominante, que se utiliza do povo como massa de manobra. Quem se coloca nestas condições, são as próprias pessoas que não buscam conhecer a fundo os argumentos do lado de cá e do lado de lá. Apenas reproduzem o senso comum. Por exemplo: vou votar no PT para a direita não ganhar as eleições (PT, esquerda?); não vou me manifestar para não servir de massa de manobra (acaba servindo de massa de manobra do governo, o qual deseja que você permaneça em casa); não quero partidos políticos de esquerda nas manifestações (torna-se massa de manobra da direita que quer despolitizar ao máximo o movimento). Todo apoio a quem não quer ser massa de manobra, para tanto precisam sair da zona de conforto e parar de reproduzir o senso comum. Vá atrás e tente conhecer cada grupo, mesmo e principalmente aqueles que não se identificam como organização, pois estes são os mais traiçoeiros, diluem-se no meio do povo, buscam parecer que fazem parte do povo para espalhar uma ideologia da classe dominante. Não se iludam, tem um setor de direita dentro deste movimento que representam a atual burguesia que está no poder (tanto PT, como PSDB), com o objetivo de rachar e despolitizar o movimento. Além deles, há também outros setores burgueses que se aproveitam de uma mobilização como esta, para tentar ganhar pedaços maiores do bolo.

Para quem está aí gritando “Sem Partidos!” e expulsando os partidos de esquerda, onde vocês estavam quando estas organizações enfrentavam o imobilismo da população? Onde vocês estavam, quando as organizações de esquerda se mantinham oferecendo resistência contra os cortes de direitos de todos os trabalhadores?

Oportunistas? Os partidos de esquerda? Saibam que estes não ferem seus princípios para ganhar uma maioria. Você sabia que o PSTU era uma corrente do PT, chamada Convergência Socialista e foi expulsa do PT por chamar o Fora Collor? Desde estão, já era nítida a traição do PT em relação à classe trabalhadora, pois o PT se negou a participar do Fora Collor no início do movimento. O PT foi para o Fora Collor, quando a população toda já estava nas ruas e ainda para cumprir com o papel de buscar uma solução institucional para a situação, o que abriu espaço para a direita seguir governando tranquilamente. Não se enganem, parte dos que estão puxando o “Sem Partidos”, chegaram agora no movimento e possuem a mesma intenção do PT em 1992, o de restabelecer a ordem para que a direita continue governando.

Partidos de esquerda foram extremamente minoritários quando, por exemplo, não comemoram a vitória de Lula, nas eleições de 2002. As organizações de esquerda avisavam a população de que este partido não governaria para a classe trabalhadora. Uma minoria escutava as organizações de esquerda e a maioria servia de massa de manobra para o PT, que com um novo visual e financiado por inúmeras empresas, conseguiu ganhar as eleições. As empresas não financiam um partido sem algo em troca, certo? E o PT seguiu os mandos da burguesia nacional e internacional sem qualquer questionamento. Você sabia que o PSTU, não aceita 1 centavo sequer de qualquer empresa? Você sabia que uma pessoa eleita pelo PSTU (o que é muito raro), deve ganhar um salário equivalente ao de um operário médio e o restante do dinheiro serve para financiar as lutas da classe trabalhadora? Você realmente acha que o grande projeto político do PSTU é vencer as eleições?

O projeto político destes partidos de esquerda se dá nas ruas, nas mobilizações, nas lutas por direitos, na batalha por uma transformação social. E agora os apartidários tratam os partidos de esquerda como oportunistas?! Referem-se a estes militantes valiosos, que estão há anos se esforçando dia a dia para melhorar a condição de vida dos trabalhadores? Onde estes apartidários estavam nos anos anteriores, em que o Movimento Passe Livre ia para as ruas reivindicar contra o aumento da tarifa dos transportes? Os partidos de esquerda já estavam lá!

Onde estes apartidários estavam quando a polícia foi desocupar e reprimir duramente os moradores do Pinheirinho? Os partidos de esquerda estavam lá!

Partidos de esquerda contra a desocupação do Pinheirinho.

Onde estavam os apartidários, quando foi revelado todo o esquema de corrupção do mensalão? Estes que hoje desvirtuam o movimento, dizendo que nossa pauta é nacionalista e apenas contra a corrupção, não estavam lá, mas os partidos de esquerda sim!

Partidos de esquerda contra o Mensalão em 2005

Poderia citar aqui muitas e muitas outras lutas que os partidos de esquerda já estavam envolvidos. Assim, muitos militantes de esquerda estavam esperando o grande dia dos seus sonhos, quando finalmente o Brasil resolveu parar e o povo estaria reivindicando que o seu dinheiro não fosse para copa (no país do futebol!), mas sim para garantir os seus direitos, como ter condições dignas de ir e vir. Mas de repente, o sonho virou pesadelo! Uma multidão, que começou a lutar por direitos há semanas (muitas pessoas, naquele mesmo dia), passou a rechaçar os partidos de esquerda. O que estas pessoas estavam fazendo na realidade era, de forma consciente ou inconsciente, acabar com as pautas mais valiosas do movimento. O meu primeiro pensamento foi: a direita chegou e vai minar o movimento. Muitos deixaram de expor suas exigências aos governos para cantar o hino nacional. Assim, o que até então vinha crescendo em unidade e sustentando as palavras de ordem contra o aumento da passagem, contra os governos de Alkimin, Haddad e Dilma, tornou-se um ataque ao próprio movimento com os gritos “Sem Partidos”.  Eu e meus colegas, corremos para junto dos partidos, mais especificamente no bloco do PSTU, e começamos a gritar: “Sem Fascismo”.

  • “Sem Partidos” X “Sem Fascismo”:

Muitos – aqueles que estavam sendo massa de manobra da direita, a qual é realmente fascista – olhavam sem entender muito bem o porquê estávamos falando isso (“Sem Fascismo”). Bom, recuperando um pouco da história, o fascismo/nazismo foi a forma mais louca que setores da classe dominante criaram para se manter no poder. Com a crise econômica completa que assolava países da Europa, como a Alemanha e Itália, após a 1ª Guerra Mundial, o fascismo nasceu como uma alternativa pela direita para barrar o avanço da esquerda, no caso, o socialismo. Os fascistas acabaram com qualquer rastro de organizações de esquerda, inclusive eliminando seus militantes fisicamente. Quando vejo declarações como estas no facebook,

 

(De Cristiano Lourenço)
– O que somos? Direitistas indignados!
– O que queremos? Uma polícia mais humana, menos autoritária, que garanta a nossa liberdade de opinião.
– E qual a nossa opinião? Pena de morte, redução da maioridade, aceitação de provas ilícitas, carta branca pra polícia descer bala na favela, fim dos recursos em matéria penal, carta branca pra polícia matar presidiário, polícia que limpe o centro da cidade desses menores indesejáveis, internação compulsória de crackeiros, volta da tortura como meio de prova, etc.

…não tenho dúvidas, os neonazistas estão entre nós!

  • “Sem Bandeiras” (de Partidos de Esquerda) X “Sem Nacionalismo”

No início desta semana, começou uma propaganda no meio do movimento de que as pessoas deveriam ir protestar com suas bandeiras do Brasil. Estes que erguiam suas bandeiras nacionalistas, de forma autoritária gritavam “sem bandeiras” para os partidos de esquerda. Não houve nenhum momento na história em que o nacionalismo esteve a serviço dos interesses do povo. Sempre foi em nome da classe dominante que o nacionalismo esteve presente. Foi assim com o fascismo/nazismo, o stalinismo, o integralismo, as ditaduras brasileiras. Os verdadeiros socialistas defendem uma revolução mundial, pois partem do entendimento que existe uma classe que é explorada, a qual tem que ser libertada da classe dominante. Esta classe explorada não pertence a um país restrito, não é possível resolver seu problema dentro de um único país (como bem demonstrou Stalin, o qual defendia o socialismo em um só país). O nacionalismo é mais uma fórmula fácil de manipular a população, ao afirmar que todos precisam se unir para defender o seu país. Na realidade apenas serve para criar um clima de aparente unidade, para favorecer a classe dominante deste país. Voltando a 2013, dentro do atual movimento, já é possível perceber isto. Uma amiga, que não é e nunca foi de partido nenhum, reclamava: “Nossa, esta manifestação está parecendo a festa da família brasileira!!! Onde foi parar as nossas palavras de ordem!!!”. Eu respondia: “É, minha amiga… este é o papel do nacionalismo, ou seja, distorcer as reivindicações do povo!”

  • “Sem Partidos” (dos anarquistas): “Sem Partido” é o grande lema de uma parte dos anarquistas dos dias atuais. Eles se esqueceram do seu papel revolucionário para atacar as organizações de esquerda e, assim, servir aos interesses da classe dominante. Uma vez escutei de um militante do PSTU, ex-anarquista, sobre qual era o problema do anarquismo, o que fez diluir o resto do que existia deste pensamento em mim: “Os anarquistas lutam contra o Estado, os socialistas lutam pelo fim das classes sociais”. Isto me fez entender que os anarquistas nem sempre estarão ao lado dos trabalhadores. E isso se comprova na realidade, cada vez mais existe uma ligação bizarra entre anarquistas e neonazistas. Então, os anarquistas gritavam junto com a direita “Sem Partidos” e ainda ameaçavam bater nos militantes dos partidos de esquerda. Os anarquistas que realmente estão do lado dos trabalhadores, devem defender os partidos de esquerda do anticomunismo. Devemos lembrar que o lema anticomunista foi usado pelos militares, com o objetivo de fechar o regime em 1964. Os anarquistas, responsáveis com o movimento e com a classe trabalhadora, tem que defender a presença das bandeiras vermelhas, assim como devem ser defendidas a manifestação das suas bandeiras negras.

Por isso, não vamos ser massas de manobra!!! Por isso escolhemos gritar: É com os partidos de esquerda que eu vou!

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3 respostas em “NAS MANIFESTAÇÕES, É COM OS PARTIDOS DE ESQUERDA QUE EU VOU!!!

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