Cidade do Silêncio

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O filme relata a história de Lauren Adrian (Jennifer Lopez), uma mexicana que viveu grande parte de sua vida nos Estados Unidos após ser adotada por pais norte americanos. Lauren é uma repórter de Chicago muito ambiciosa que preza sua carreira acima de tudo, ela recebe uma proposta para retornar ao México e investigar o que esta acontecendo a respeito do caso de mulheres desaparecidas na cidade Juarez. A principio ela não concorda, mas brilha seus olhos a ideia de que ir pode lhe valer o cargo de correspondente estrangeira, diante desta escalada profissional iminente ela aceita.

Ao chegar ao México, Lauren entra em contato com o também repórter, Alfonso Diaz (Antonio Bandeiras), com que já havia trabalhado em outras ocasiões. Ele, agora editor do jornal El Sol, uma mídia alternativa e questionadora que esta investigando o mesmo caso.

Diaz desconfia da versão da policia e da falta de interesse em investigar os casos, conta a Lauren que 375 mortes são só mais uma mentira da polícia, pois na verdade quase 5 mil mulheres já morreram. O repórter demonstra bastante desconforto com a ideia de que para Lauren trata-se apenas de uma matéria que vai alavancar sua carreira e demonstra claramente que para ele trata-se de busca pela verdade.

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O filme se passa no contexto do tratado do livre comércio, o acordo econômico firmado entre EUA, México e Canadá, que permite a estes países sediar suas empresas em território mexicano, com isenção de imposto a fim de promover empregos para a população. Mas não é bem assim que funciona, quem sai grandemente privilegiado com este tratado são os grandes empresários norte americanos. A combinação de mão de obra barata e produtos fabricados a baixíssimo custo geram lucros enormes aos empresários após serem enviados para vendida nos Estados Unidos e Canadá por preços altos.

A situação dos trabalhadores neste contexto é dos piores, trabalham expostos a produtos químicos, muitos deles proibidos nos EUA e no Canadá, sendo um dos principais causas de problemas de saúde. No caso das mulheres trabalhadoras é o mais degradante: Segundo Carmen Valadez, da ONG Factor X, “os direitos da mulher são violados desde o momento em que ela vai procurar emprego“. As fábricas exigem atestado de que elas não estejam grávidas e após a contratação elas são vigiadas mensalmente,  “Para não pagar a licença maternidade, algumas empresas distribuem uma pílula que proporciona menstruações mensais. Muitas fábricas exigem provas a cada três meses de que as trabalhadoras não estão grávidas“, acrescenta Carmen. Beth Robles, da Rede de Trabalhadoras Mexicanas das Maquilas, confirma esta aberração: “As mulheres são forçadas a mostrar seu absorvente higiênico sujo para provar que não estão grávidas“.

Mas este cuidado todo esta apenas relacionado ao que possa trazer perda de lucros dos empresários, os funcionários em geral não tem nenhum direito, nem saúde, nem alimentação e nem segurança. As fábricas dão preferência às mulheres ao contratar, pois as mesmas aceitam salários menores e não reclama tanto dos longos e exaustivos expedientes, muitas das fábricas operam 24 horas por dia. No retorno para casa, muitas mulheres são atacadas, estupradas e mortas, a maioria simplesmente desaparece a policia finge que não esta acontecendo nada.

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Todo este enredo vai sendo descoberto pelos dois repórteres, mas tudo fica mais evidentes quando Eva Jimenez (Maya Zapata), de 16 anos é atacada. Na saída do trabalho em uma das fábricas, Eva pega um ônibus e permanece no veiculo sendo a ultima que seria levada a seu ponto, o motorista muda a rota e a leva a um local deserto, onde ninguém poderia socorrê-la.

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Depois de estuprada e espancada, os agressores da adolescente pensam tê-la matado e se vão, mas ela sobrevive e volta para casa, denunciando todo acontecido e pedindo justiça.

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Lauren faz tudo para protegê-la, inclusive da polícia, mas Estado e policia não ligam a mínima para a situação de Eva e das mulheres de Juárez, o que leva a crer que haja conivência e envolvimento de ambos nos casos. Eva aponta o local onde foi agredida e neste mesmo local são encontrados, enterrados, centenas de corpos de mulheres dadas como desaparecidas.

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É da relação com Eva que Laura sofre uma mudança, questionando sua ambição, a identificação com Eva faz com que a repórter evolua de uma personagem fria para uma ativista engajada e idealista em busca de justiça para Eva, para si mesma e para todas as mulheres vitimadas.

O filme é de 2006, mas vale muito a pena ser visto, além de contar na ficção algo bem próximo da realidade das mexicanas até hoje. Tenso do começo ao fim, nos trás um pouco do histórico de violência e descaso das mulheres ao redor do mundo e deixa claro como a exploração capitalista é aliada do machismo, seja para lucrar sobre o trabalho das mulheres seja protegendo seus capangas contra a vitimas que denunciam as agressões sofridas.

Por:Verinha

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