Feminismo Revolucionário da Esquerda Marxista

A luta da mulher proletária por libertação não pode ser similar a luta que as mulheres burguesas travam contra homens da sua classe, pelo contrário deve ser uma luta conjunta com os homens de sua classe contra toda classe dos capitalistas. Ela não precisa lutar contra os homens da sua classe para romper as barreiras que foram levantadas contra sua participação na livre competição do mercado de trabalho… Seu objetivo final não é livre competição com o homens, mas a conquista do rumo político do proletariado. A mulher proletária luta punho a punho com o homem de sua classe contra a sociedade capitalista. (Zetkin, apud Foner, 1984: 77).

Muita gente vem me perguntando o que é este tal de Feminismo Revolucionário da Esquerda Marxista, bom vamos tentar esclarecer então:

A libertação da mulher tem varias formas de ser interpretada, por exemplo, temos as feministas da linha das sufragistas, movimento que emergiu nos países capitalistas avançados durante os anos 1960 e 1970 e parte da visão de que os homens sempre oprimiram as mulheres e que a constituição biológica e psíquica dos homens os leva a tratar as mulheres como inferiores.  Partindo desta conclusão, estas feministas crêem que a solução para libertação das mulheres é destruir o patriarcalismo, e somente ele, e para isso é necessário as mulheres lutarem completamente separadas dos homens.

Muitas feministas socialistas a principio aderiram esta idéia, mas com o surgimento do feminismo radical, apoiado na total separação entre mulheres e homens, as socialistas resolveram ir para dentro dos partidos socialistas e/ou comunistas, a fim de buscarem o tipo de luta que acreditavam.

Que luta é esta que as Feministas Socialistas acreditavam?

As feministas socialistas seguem uma linha de idéias anterior as sufragistas, a linha do Movimento das Mulheres Trabalhadoras. A idéia de libertação da mulher é muito, mas muito anterior as Sufragistas. Em 1848 Marx e Engels já analisavam a condição da mulher, e falavam sobre a necessidade de libertação da mesma, em seus escritos datados desta época eles demonstraram que a opressão da mulher não surge da cabeça dos homens, mas sim do desenvolvimento da propriedade privada e em decorrência dela, a urgência da formação da sociedade de classes. Para Marx e Engels, a luta pela emancipação das mulheres é inseparável da luta pelo fim da sociedade de classes, isto é, da luta pelo socialismo.

No seu primeiro papel dentro da sociedade de classes a mulher é totalmente dependente do marido, cuidadora da família e do lar. Mas, além da urgência da formação da sociedade de classes para assegurar a propriedade privada surge também sistemas econômicos voltados também para esta finalidade, o modelo mais aperfeiçoado destes sistemas que nasceram para assegura o privilégio de poucos, os poucos que eram detentores das propriedades privadas de meio de produção, é o capitalismo.

O capitalismo trouxe as mulheres de volta a produção, trabalhando em fábricas. Mas o mesmo machismo que nasce com a propriedade privada de meios de produção, que delega a mulher os cuidados do lar e papel de reprodutora de filhos dos homens com objetivo de ser herdeiro dos seus bens, aperfeiçoa esta opressão, também para as mulheres burguesas, que neste ponto mantiveram se estacionadas na forma opressiva anterior, mas principalmente para as mulheres pobres que passam de parideira de herdeiros, para parideira de exercito de reserva de mão de obra das empresas da classe dominante do meios de produção, acumula se sobre ela todas as funções antes impostas aliadas a sobrecarga do trabalho nas fábricas para ajudar a compor a renda do marido que já não era suficiente.

Para o capitalismo o machismo é muito vantajoso, esta inferiorização da mulher que nasce na surge na propriedade privada é absorvido pelo capitalismo para lucrar e manter – se. A mulher é um dos pilares significativamente importante para sustentação do capitalismo. Do ponto de vista da classe dominante é muito vantajoso pagar os homens salários muitos maiores do que para mulheres, obrigando as a abdicar da vida profissional para tornar aos afazeres do lar, assim as mulheres permanecem, gratuitamente, trabalhando para que os homens fiquem em condições de irem ao seu trabalho e garante que os seus filhos sejam criados por elas para fazer o mesmo. Suponhamos que houvesse a proposta de que um dois ficaria em casa para criar os filhos e afazeres do lar, quem teria maior condições de manter a casa financeira? Obviamente o homem que sempre este na base do privilégio deste sistema, logo nunca foi uma escolha para a mulher deixar estas funções e investir em sua carreira no mercado de trabalho formal.

Porém, dentro das contradições do capitalismo, temos que a ida das mulheres para o mercado de trabalho formal alavancou uma igualdade entre homens e mulheres, a de classe, a partir deste momento ambos tornam se integrantes da classe trabalhadora, ambos sentem na pele uma opressão em comum advinda da exploração dos capitalistas que mantém suas riquezas e lucros em cima dos salários baixos, e lucram mais ainda em cima da dupla opressão da mulher que ainda é vitima do machismo.

As feministas da linhagem das sufragistas entendem que a opressão machistas é superior a divisão da sociedade de classes, lutam por mudanças por dentro do sistema capitalista o que beneficia apenas uma parcela das mulheres em detrimento de uma grande maioria. Este movimento de libertação das mulheres sempre esteve dominado por mulheres da “nova classe média”, mulheres burguesas que conseguiram algum tipo de emancipação, enquanto as mulheres trabalhadoras exercendo subempregos eram deixados no esquecimento. Como disse Alexandra Kollontai:

“O objetivo delas é consquistar as mesmas vantagens, o mesmo poder, os mesmos direitos dentro da sociedade capitalista, que hoje possuem seus maridos, pais e irmãos. Qual é o objetivo das mulheres trabalhadoras? Seu objetivo é todos os privilégios derivados de nascimento ou riqueza”.

Mas estas mulheres, do proletariado, já haviam mostrado sua força e disposição de luta muito antes do feminismo configurar se desta forma.

A Revolução Bolchevique de 1917 iniciou se com as mulheres trabalhadoras que saíram das fábricas e ganharam as ruas em protesto contra miséria que estavam vivendo na Rússia, foram elas que iniciaram a Revolução que resultou na derrubada do Czarismo e instauração do Estado Socialista, a União Soviética. O Novo Estado Socialista por sua vez produziu uma igualdade como nunca antes se vira. Ás mulheres foi dado direito de divórcio, direito ao aborto e foi disponibilizado contracepção para todas. A educação dos filhos que antes era da família passou a ser responsabilidade da sociedade. Restaurantes, lavanderias e creches comunitárias deram as mulheres autonomia sobre suas próprias vidas. O stalinismo que assumiu o estado após a morte de Lênin, um dos lideres da revolução de Outubro, foi extremamente reacionário e puseram todas estas vitórias a perder, o que nos deixa claro que sem avançar o processo revolucionário se sem o socialismo, não é possível manter as vitórias conquistadas pelas mulheres.

As feministas da esquerda revolucionária Marxista entendem a luta contra o machismo como uma luta inseparável da luta de classes; Entendemos que o feminismo é uma parte importante da luta, pois impulsiona as demandas especificas das mulheres, mas é extremamente importante que homens entendam que a luta das mulheres deve ser apoiada por eles também, que homens e mulheres devem aliar se para a luta contra divisão de classes, contra esta (que é a verdadeira minoria) elite que se pôs ao topo do sistema econômico e se beneficia das discriminação das diferenças, inclusive fortalecendo dentro deste cenário a desqualificação da mulher  e o elogio a superioridade do homem com a clara intenção de nos separar, de nos por em guerra uns contra os outros sem notarmos que enquanto isso o inimigo real deita e rola sobre nossas costas cansadas e arqueadas do peso desta opressão que nos impuseram. Só os trabalhadores, homens e mulheres, atuando em conjunto num movimento revolucionário poderão destruir a sociedade de classes e com ela a opressão sobre as mulheres de forma definitiva.

Bibliografia

Harman, Chris. Marxismo e Feminismo http://www.marxists.org/portugues/harman/1979/marxismo/cap12.htm

Orr, Judith. Marxismo e Feminismo hoje.2011 https://docs.google.com/file/d/0B8_gvWjrwU3ZSGk1UlFNaGVIR1k/edit

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