O Genocídio Capitalista Contra a Mulher Negra

Por: Gleide Davis150814_capitalismo_racismo

Como muitos sabem, o capitalismo é um sistema econômico-político-social que não funcionou. Teoricamente, seria o sistema onde todos pudessem enriquecer livremente (com os vieses liberais) com as devidas oportunidades ao qual cada um criaria por si só. Porém, fica claro e notório que nós não possuímos as mesmas oportunidades no contexto social, existem fatores aos quais influenciam fortemente a ascensão social e econômica de cada individuo: a classe social em que ele nasceu, a educação familiar e escolar que ele recebeu, e por fim e muito importante; a sua etnia, gênero e por vezes a sua orientação sexual e até mesmo o seu estilo de vida. Nessa hierarquização de classe, gênero, etnia, o capitalismo se fortalece; porque não é benéfico para o mesmo que todos possuam as mesmas oportunidades, assim, fica impossível que a classe trabalhadora enriqueça completamente e gradativamente tal qual a dominante. O capitalismo se beneficia pela alta produção baseada em exploração do homem sobre o homem (homem = ser humano), e da falta de competitividade e hegemonia comercial.

Diante dessa hierarquia, onde podemos visualizar uma pirâmide em relação a benefícios e ascensão social, a mulher negra encontra-se na base, onde se há mais dificuldade em crescimento social e oportunidades para tal. Sabe-se que no mercado atual, a mulher encontra-se em desvantagem exorbitante no que diz respeito a carteira assinada (cerca de 72% das mulheres trabalhavam em cargos domésticos sem carteira assinada em 2012)), em relação a salários, dados divulgados, em 2011, no Anuário da Mulher apontam que, em 2009, o rendimento médio mensal dos trabalhadores não negros era de R$ 1.534,00; das mulheres não negras R$ 1.001,00; dos homens negros R$ 839,00 e das mulheres negras R$ 558,00. Logicamente que esses números aumentaram com o aumento de salário, porem o distanciamento de renda não mudou quase nada.

Em relação à família construída compulsoriamente por fatores sociais embutidos, tais como a criminalização do aborto que só atinge às camadas mais pobres da sociedade, pois a mulher negra e pobre, é a única que está submetida a morrer por falta de dinheiro para uma clinica ilegal segura e técnicas de aborto que preservem a sua vida, o aborto não deixa de acontecer em função da sua não legalidade, mas ele só mata quem não pode pagar por ele.

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Com isso, sabe-se que as mulheres negras estão em sua grande maioria, como chefes de família, por serem abandonadas ou estarem submetidas à relações de bigamia, por falta de conhecimento ou puramente por medo da solidão. (Sobre a solidão da mulher negra) – essas famílias, analisando o contexto de mercado, tem enormes chances de possuírem baixa renda, devido a pouquíssimas oportunidades de crescimento profissional, e quase nenhuma assistência do estado que ofereça amparo para que essas mulheres possam trabalhar e sustentar suas famílias, muitas precisam optar por trabalharem ou cuidar de seus filhos; obrigando-se a inserir renda familiar e sobreviver, muitas delas sem qualificação acadêmica e profissional o suficiente, acabam inserindo-se na venda de drogas, drogas aos quais são previstas em leis como ilegais, mas que logicamente só atinge as populações mais marginalizadas.

“O Brasil tem a quarta população carcerária do mundo, com 550 mil detentos, dos quais 35 mil são mulheres, o que corresponde a 7% do total, um número que vem crescendo de a forma assustadora, principalmente pelo envolvimento com tráfico de drogas, e elas sofrem com discriminação, violência e falta de assistência médica nas cadeias, segundo o juiz auxiliar da presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Luciano Losekann.”

Essa situação de encarceramento é visivelmente apontada para as pessoas negras, por questões de marginalização social e racismo inconstitucionalizado.

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“O perfil da mulher presidiária no Brasil é o da mulher com filho, sem estudo formal ou com pouco estudo na escola elementar, pertencente à camada financeiramente hipossuficiente e que, na época do crime, encontrava-se desempregada ou subempregada. Em geral, as mulheres criminosas são negras ou pardas (20.756 delas, enquanto apenas 9.318 são brancas – MACEDO, 2010 -, num universo em que a população negra ou parda é de 91 e a branca de 92 milhões de pessoas, no Brasil – SEADE, 2011:1).

Fica explícita a sobreposição de excludentes sociais, gerando grupos marginalizados em decorrência de mais de um fator.

Conforme dados do DEPEN, 60% da população carcerária feminina encontram-se presa em razão de tráfico nacional de drogas[1]. (DEPEN, 2010)”

Porém com a desvalorização da força de trabalho feminina e negra no Brasil, o número de mulheres negras em situação de encarceramento está em constante crescimento em relação ao número de homens:

“Mapa do encarceramento: O estudo demonstrou que entre os anos de 2005 e 2012 a população carcerária do Brasil aumentou 74%, principalmente em razão da prisão de jovens, negros e mulheres. Embora o número de presos do sexo masculino ainda seja maior que o do sexo feminino, o crescimento do índice de homens presos foi de 70% enquanto o de mulheres presas foi de 146%, mais que o dobro percentual.”

Essa desumanização adotada pelo capitalismo é extremamente racista e classista, beneficiando a camada social que possui mais chances de saírem de situação de riscos sociais e ilícitos, dando margem à analises que permeiam a falta de estrutura educacional e social oferecidas pelo sistema como arma para a falta de capacidade de questionamento desses indivíduos em situação de marginalização social.

A teoria comunista deixa explicita a preocupação na estatização da educação, proporcionando o viés de articulação de melhorias no sistema estrutural, que por sua vez, insere a capacidade de questionar valores e capacidade de crescimento social diante da sua colocação enquanto individuo na sociedade, bem como o poder de trabalho dado a classe trabalhadora, fechando precedentes de exploração.

Esse viés comunista, aplicado a intersecionalidade das lutas sociais atuais, aplica-se como uma estratégia perfeitamente inserida como uma luta que beneficia as mulheres trabalhadoras e por sua vez, as mulheres negras, pois são as que estão em sua grande maioria no domínio das famílias de baixa renda e de baixo apoio educacional e incentivo ao crescimento profissional.

[…] ao concentrar a riqueza nas mãos de uma minoria e ao privar de toda propriedade a imensa maioria da população, haveria de proporcionar primeiro o domínio social e político à burguesia, e provocar depois a luta de classe entre a burguesia e o proletariado, luta que só pode terminar com a liquidação da burguesia e a abolição de todos os antagonismos de classe (ENGELS).

– Gleide Fraga

Referências:

http://emporio-do-direito.jusbrasil.com.br/noticias/197060352/novo-relatorio-do-pnud-e-da-snj-afirma-que-populacao-carceraria-brasileira-cresceu-74-em-sete-anos-e-cerca-de-70-das-prisoes-sao-motivadas-por-questoes-patrimoniais-e-de-drogas-confira-a-integra-do-mapa-do-encarceramento

http://professoraalice.jusbrasil.com.br/artigos/121814131/mulheres-trafico-de-drogas-e-sua-maior-vulnerabilidade-serie-mulher-e-crime

http://agencia-brasil.jusbrasil.com.br/noticias/100658428/mulheres-sao-7-da-populacao-carceraria-no-brasil

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