Redução da Maioridade Penal – A discussão que divide a classe trabalhadora e o Sucesso da Burguesia em nos Fracionar

Por: Verinha Kollontai

latuff_maioridade_penal

Eu escrevi tanto sobre por que sou contra a redução da maioridade penal, mas parece que não foi suficiente, não consegui explicar, ou será que as pessoas não querem entender? Eu sei que é mais fácil tomar opiniões prontas e dizer “Sim, eu penso exatamente assim”. Na verdade vocês foram educados para receber o pronto, e o pronto é sempre a ideologia da classe dominante.

Todos os dias e em todos os lugares onde esta a mão do Estado, a mão do capital e da elite, você recebe uma carga de ideologia da classe dominante, e você aceita. A educação libertadora de Paulo Freire, que ensina o educando a pensar por si mesmo, e a interagir com o mundo, analisando situações dialeticamente não existe, não te ensinam a fazer isso, é de propósito, querem você como aprendiz da educação bancária, onde apenas deposita-se conhecimento pronto e acabado, e este conhecimento vem todo contaminado de providência que não defendem nem a você a nem os seus.

Um dos argumentos que eu mais vejo nos debates e admito, é um dos argumentos que mais odeio, diz assim “Você é contra até que um menor mate alguém da sua familia”. Este é um argumento muito reacionário, individualista e personificador. Eu queria falar sobre isso, queria dizer que uma das grandes sacadas da Burguesia, e jogar nós que somos da classe trabalhadora uns contra os outros.

O capitalismo produz a miséria, a exclusão, vivemos em um sistema que promete que todos nós podemos ser ricos e bem sucedidos porém, a realidade não é esta, as desigualdades entre ricos e pobres atingiram o nível mais alto desde que a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) começou a medição dos dados há 30 anos. Atualmente, nos 34 países dessa instituição, a parcela dos 10% mais favorecidos concentra 50% da riqueza, enquanto os 40% mais pobres têm acesso apenas a 3% dela. Ou seja, não temos oportunidades tais quais o sistema nos promete, e a realidade é que uma minoria concentra a riqueza, e o restante … E nós somos o restante. Nós somos muito mais próximos dos que estão aqui embaixo do que daqueles que estão lá em cima.

Mas o que sucede é que, mesmo aqui embaixo, mesmo não tendo acesso a riqueza, uma parcela da classe trabalhadora, maioria branca, consegue se estabelecer, ter casa própria, carro… o que é uma vida conquistada com muito esforço e suor, mas ainda assim é privilegiada, por que o sistema deixa aberta as portas para determinados indivíduos, que são pessoas brancas e graduadas.

Nesse ponto da discussão sempre aparece brancos dizendo que as oportunidades são iguais para todos, ou uma pessoa negra contando sua história de superação.

Primeiro: As oportunidades não são iguais para todos e; Segundo: A história individual de alguns indivíduos não é sinônimo de que traça a realidade, e não traça mesmo e nós temos os dados do Brasil para comprovar isso:

O Censo 2010 mostra que os brancos dominam o ensino superior no país: considerando a faixa etária entre 15 e 24 anos, 31,1% da população branca frequentava a universidade. Em relação aos pardos e pretos, os índices são de 13,4% e 12,8%, respectivamente. Agora vamos falar da taxa de analfabetismo? A taxa de analfabetismo entre os negros (11,5) é mais de duas vezes maior que entre os brancos (5,2).

Entre a população negra, a taxa de desemprego é maior que entre os brancos. Segundo dados do estudo Retrato das desigualdades de gênero e raça, do Ipea, enquanto o desemprego atinge 5,3% dos homens brancos, entre os negros, o índice chega a 6,6%. Entre as mulheres, a diferença é ainda maior. Entre as brancas, o desemprego é de 9,2% enquanto entre as mulheres negras, ultrapassa os 12%.

Com estes dados em mãos sabemos que dentro da classe trabalhadora existe uma parcela que vai viver de forma confortável e outra parcela que vai viver com muita dificuldade. Ainda assim estas duas parcelas,servem ao capitalismo, são trabalhadores explorados. Mas tem uma galera que apesar de servir ao capitalismo como exercito de reserva, que são majoritariamente negros e negras, não são relevantes para o sistema e por isso vivem marginalizadas, vivem de trabalhos informais, sem direitos, vivem de forma precarizada, para quem o envolvimento com o crime normalmente não é uma opção, é a unica forma de sobreviver.

Neste ponto aparecem pessoa dizendo que não é para sobreviver é para ter poder dinheiro.

Pensar assim é ilógico por que até mesmo dentro da criminalidade existe hierarquia, e por exemplo dentro do tráfico, apenas os traficantes/empresários, é que estão no topo desfrutando de todo dinheiro que a ilegalidade da venda de drogas concede, os demais são explorados, são iludidos com uma falsa sensação de poder, de pertencimento, de acolhimento… São promessas tão falsas quanto aquela de que se você se esforçar muito, trabalhar muito, um dia será rico, e mudará de classe social.

Os criminosos menores, estes que cometem crimes contra o patrimônio acabam assaltando onde é mais fácil e onde há menor resistência, que dentro da própria classe trabalhadora, acredite, eles aprendem na prática que a policia existe para proteger os ricos, que se uma viatura for chamada nos jardins ela vira em minutos, num bairro da periferia, talvez leve horas, ou nem atenda a chamada.

Pronto, descobriu por que nós da classe trabalhadora somos os mais afetados pela criminalidade? Percebeu também que a concentração de riquezas nas mãos de poucos, que as desigualdades sociais e racismo são molas propulsoras da criminalidade? Percebeu qual a cor dos jovens que serão trancafiados? Entendeu por que a medida é racista? E ai? Quem é responsável pelo embrião da criminalidade?

Reduzir a maioridade penal não vai alterar nada disto que citei, teremos o encarceramento de jovens que fazem parte do exercito de reserva do capitalismo e procuram na criminalidade ter o que todo mundo tem, mas que lhe é negado, e agora você sabe, baseado em dados estatísticos, que é negado mesmo!

Ficamos nós aqui da classe trabalhadora nos odiando, e enquanto nos odiamos a burguesia permanece no seu lugar de poder, mantendo o status quo, e com esta manutenção, novos jovens surgirão para servir a criminalidade. O medo não impedirá as pessoas de irem para a criminalidade, assim como o medo, não impede a mulher de abortar. É óbvio, que se não fizermos o corte na raiz do problema, não haverá mudança real.

Deveríamos combater a lógica dominante nos apoiando, denunciando o jogo da burguesia de nos por uns contra os outros, denunciando que quem cria a situação para que os jovens entre em conflito com a lei é o capitalismo e sua classe dominante. Mas não, as pessoas estão por ai reproduzindo o discurso da rede globo, Record, e veículos disseminadores de ideologia reacionária.

Vamos exigir que nós da classe trabalhadora tenhamos os mesmo direitos que os ricos desfrutam, que desapareçam as diferenças descaradas de salário, que exista vaga de empregos para todos, ainda que para isso reduza-se a carga horária de trabalho sem redução de salário. Estatização da educação, para que tanto os filhos da burguesia quanto a classe trabalhadora tenham as mesmas chances e oportunidades; Estatização dos serviços de saúde; Vamos exigir que existam creches com vagas suficientes para atender nossas crianças, possibilitando mães e pais irem trabalhar deixando os filhos em segurança e com pessoas especializadas; Vamos exigir que as empresas cumpram a lei que diz que a partir de 30% de funcionárias maior de 18 anos, toda empresa deve manter uma creche; Vamos exigir que as escolas além dos estudos convencionais, mantenha atividades extra – classe, como esportes, artes, cursos, que mantenham os jovens ocupados e longe da criminalidade. Vamos exigir medidas que destruam a possibilidade de existir o jovem em conflito com a lei. Trancafiá-lo não não fará com ele pare de surgir e ressurgir, gerado por um sistema injusto e excludente.

Dados mostram o abismo social entre negros e brancos
http://exame.abril.com.br/…/8-dados-que-mostram-o-abismo-so…

Desigualdade entre ricos e pobres atinge o maior nível em 30 anos
http://www.em.com.br/…/desigualdade-entre-ricos-e-pobres-at…

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s