Não basta ser mulher para nos representar

Por Verinha Kollontai

OMISSÃO, SILÊNCIO E CONIVÊNCIA COM A POLITICA CONSERVADORA E DE DIREITA EXPRESSAM QUE NÃO BASTA SER MULHER PARA NOS REPRESENTAR.

Nos últimos dias, desde 19 de novembro para ser mais exata, surgiu entre as feministas um nome de mulher, ele vem como uma exaltação da representatividade das mulheres em meio a politica. Mara Gabrilli, este é nome que preocupa pois chega ocupando  o desejo de representatividade  e ilude com facilidade pessoas que a ensejam. Mara é uma deputada do PSDB que em sessão da câmara, enfrentou Eduardo Cunha dizendo a ele que ele a cada perdia mais a legitimidade para estar lá e que ele deveria levantar-se daquela cadeira. No discurso ela parece combativa e parece que esta do nosso lado, mas elas não pede a saída de Cunha de lá pelos mesmos motivos que os nossos, aliás desconheço se ela realmente tem motivos ou se agiu ali por pura demagogia visto que a mesma integra um partido que esta de mãos dadas com o Cunha.

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Mesmo com a avalanche de provas contra o atual presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), PSDB tem selado com Cunha um acordão em troca de mantê-lo no cargo e salvar seu mandato. O PSDB conta com o Eduardo Cunha para avançar com o processo de Impeachment de Dilma e ao mesmo tempo que emitiu nota dizendo que era melhor o afastamento do deputado, por baixo dos panos se reúne com ele para traçar acordos para aprovar o impeachment em troca de vistas grossas às suas estripulias.

Os partidos não podem ser vistos como partes separadas de seus integrantes, se alguma pessoa resolve militar em um partido isso significa que ela aprova as politicas de seu partido, se Mara fosse realmente contra Cunha, abandonaria seu partido por discordar das táticas empregadas, se Eduardo Cunha ainda esta lá, é por que em parte o próprio partido dela o sustenta lá.

O PSDB é um partido conservador com características clara de orientação da direita, é necessário destrinchar o que o partido põe em suas pautas para sabermos se ele nos representa e se as pessoas que os integram nos representam. Sendo um partido conservador o PSDB é contra o aborto e teve representantes seus votando a favor do Estatuto do Nascituro, aliás a relatora do Estatuto do nascituro era também uma mulher de outro partido conservador da direita, Solange Almeida PMDB/RJ e acreditem, houveram outras mulheres aprovando como Fátima Pelaes PMDB/AP e Luciana Costa PR/SP. EstaS mulheres te representam? Estes partidos te representam?

O Estatuto do Nascituro foi fragmentado em partes e retorna ao congresso através do Eduardo Cunha, e tem votação de aprovação de outras mulheres: Gorete Pereira – ( PR/CE) e Renata Abreu – (PTN/SP). E a pergunta que não quer calar e se repete, estas mulheres te representam, o partido delas te representa?

Dai você leitora me pergunta: Tá Verinha Kollontai, mas cadê a Mara ai?
Pois é gente, eu devolvo a pergunta para vocês, cadê a Mara Gabrilli ai? Ela não estava na votação, ela não foi lá protestar contra, ela não esta se declarando contra, e nem o fará, por que existe gente do partido dela votando a favor e tanto estes que votaram quanto ela aprovam a politica conservadora de seu partido, o PSDB.

Mara é tetraplégica e por estar vivendo a situação tem empatia com as pessoas que sofrem situações similares as suas, ela tem representando e defendido o direito das pessoas com deficiência até onde ele não implica mexer no machismo estrutural e nas demais pautas conservadoras do seu partido. Mas convenhamos que é superficial falar de direito das mulheres com deficiência sem envolver-se profundamente  e passar por todas as pautas que envolvem os direitos das mulheres. Mara acaba apenas agregando sobre uma pauta individual e incompleta.

QUEM SE OMITE ESCOLHEU UM LADO E É O DO OPRESSOR.

Além disso, Mara esta conivente com a reorganização escolar que ataca os jovens pobres da periferia, uma grande quantidade de mulheres em idade escolar será prejudicada com o fechamento das escolas e períodos noturnos das escolas. Ela está lá mas não está lutando pelo direito das mulheres a uma educação de qualidade e nem o direito das mulheres de criarem seus filhos e filhas com dignidade ofertando a eles uma escola pública de qualidade.

Não podemos ter ilusões, não podemos deixar nosso desejo por representatividade, já que esta foi negada a nós mulheres por tanto tempo, nos fazer crer que qualquer mulher nos representa, que basta ela ser mulher e estar lá, por que nem todas as mulheres estão de acordo com nossas pautas.

Para nos representar a Mulher tem que encampar uma luta de Gênero, Raça e Classe. Ela tem que estar na defesa das pautas das mulheres que são mais atacadas pelo capitalismo e machismo, que são as mulheres negras e mulheres da classe trabalhadora, sem este rumo, os desvio serão usado contra as pautas das oprimidas.

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