“Esquerda branca” Não! Mais respeito com as Negras (os) da esquerda!

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Nós, mulheres negras, feministas e marxistas lutamos pela igualdade de todos e pelo fim da exploração e consequentemente pelo fim do racismo, machismo e lgtfobia, não podemos deixar de nos manifestar a respeito do texto que vem circulando na rede, que faz a critica a esquerda referindo se a opinião expressa a respeito de representatividade, onde acusa-se de ser “parte da esquerda branca” quem tem levantado a questão “Que tipo de representatividade importa”? Reivindicamos este questionamento e admitimos que não trata -se de uma parte da “esquerda branca”, mas sim negros e negras comunistas da esquerda revolucionária.

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Shirley Raposo – Administradora da página Feminismo sem demagogia – militante da esquerda no Ato “Fora Cunha!”

Nós existimos e partimos nossa análise de um outro ponto daquele que este texto que tem circulado pela rede defende. Para nós a questão negra está profundamente enraizada na estrutura social capitalista, não apenas regionalmente, mas internacionalmente, para nós somente a destruição das relações de classe existente com o poder sendo entregue a classe trabalhadora, classe esta que produz toda riqueza, atacará a raiz do problema.

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Joyce – Administradora da página Feminismo sem demagogia – militante da esquerda na Marcha das Periferias contra o genocidio do povo negro.

As mulheres negras trabalhadoras da esquerda comunistas estão na luta não é de hoje, muitos ativistas que hoje negam nossa existência e importância para luta, reivindicam Angela Davis, que foi uma revolucionária comunista integrante do partido conhecido como Panteras Negras e que teve sua luta e efeitos dela conhecido mundialmente.

Aliás, para que conste, Tratar a esquerda como “branca” é negar a luta de camaradas negros comunistas como:

– Samora Machel
– Paul Robeson
– Tereza Santos
– Diva Moreira
– Edna Roland
– Claudino José da Silva
– Minervino de Oliveira
– Frantz Fanon
– Abdias do Nascimento
– Solano Trindade
– Mumia Abu-Jamal
– Huey Newton
– Angela Davis
– Thomas Sankara

Nossa tradição Marxista teve suas falhas sim, mas os revolucionários da Revolução de Outubro demonstraram preocupação com o povo negro e reconheciam neste povo parte importantíssima da luta para emancipação do proletariado.
O avanço das pautas do movimento negro esta intimamente ligada as organizações de esquerda.

Se hoje temos os capitalistas dobrando – se para produção de bonecas negras isso deve se a a luta das mulheres negras, e somos nós parte desta conquista.Por conta da nossa militância diária que há décadas tais conquistas tem sido alcançadas. Portanto, não é vitoria reafirmarmos uma boneca desenvolvida para o lucro do patrão através de mãos negras e proletárias, mas sim que a nossa luta tem mudado a sociedade. Porém, enquanto ainda há exploração não há libertação da mulher negra. Por mais que TODAS as prateleiras estejam com bonecas negras, somos nós que ali estamos nas fábricas gerando lucro ao patrão.

Ressaltamos ainda que por detrás da fabricação desse produto, não estamos exercendo o direito que a tal representatividade caberia, portanto, a teoria de que a representatividade é abrangente não é tão verídica, tendo em vista que a representação capitalista oprime tanto quanto ou mais as crianças que ao invés de brincar, muitas vezes. precisam trabalhar. pra contribuir no sustento dessas famílias. A representatividade que importa, deve ser aquela que deve atingir a todas as camadas de classe da sociedade, logo, a representatividade não deve estar inserida e muito menos dependente do consumismo gerado por esse sistema.

Concluímos este texto reivindicando nosso lugar e voz na luta pela libertação do povo negro, exigimos respeito dos outros seguimentos da luta, que não nos tratem como “enbranquecidos” nem como “manipulados”, pois não estamos na luta de hoje e não pode ser nossa posição divergente motivo para sermos desqualificadas com ofensas e desonestidade. Sobre a militância da esquerda que é branca, sabemos que para a militância branca da esquerda é muito mais fácil, já que não tem a opressão do racismo em suas costas e reivindicamos a nossos camaradas que revejam constantemente seus privilégios e atuem conosco respeitando a nossa luta e protagonismo.

Assinam este texto as administradoras da pagina Feminismo sem demagogia – Original, mulheres negras, marxistas, da esquerda revolucionária.

Carolina Vitória
Gleide Davis
Joyce Camila
Shirley Raposo

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