A ESPERANÇA COMO UM ATO POLITICO

Por: Gleide Fraga e Thomas Angelo

Vivemos épocas de grandes controvérsias sociais. Entre a militância que acredita na construção familiar católica, caucasiana, heterossexual e classe média, há desordem na ordem natural das coisas; pois para estes, o mundo anda cada vez menos aceitável e moral aos seus ideais de valores. Já para aqueles de militância realmente igualitária, encontramos cada vez menos espaço de acordo social que beneficie a todos, cada vez mais representantes perdem suas vidas em função das opressões sociais e cada vez menos encontramos razões para continuar lutando.

Por um lado, entendemos que existe o reforço capitalista para as opressões de raça, gênero, sexualidade e classe; sabemos que elas existem, sabemos que o pensamento que as favorecem são maioria e que ainda somos o diferencial em menor numero, entendemos cada vez mais a face do machismo; porque cada vez mais vemos noticias de homens que matam, estupram, agridem suas companheiras ou qualquer mulher que lhes convir, e cria motivos (como se motivos realmente pudessem existir) pifeis para justificar suas agressões morais, físicas, psicológicas.

Por outro lado, quero dizer-lhes que, existem ainda motivos para acreditar nas mudanças realmente efetivas na sociedade; essas mudanças virão gradativamente, através da conscientização das vanguardas mais jovens; das garotas periféricas e negras que com 15 anos de idade já sabem afrontar injurias raciais com muita convicção; nos jovens de 16 anos que assumem a sua sexualidade em espaços públicos. As novas gerações que virão em forma de revolução em sua existência, que visualizam o mundo de uma maneira mais libertária, pois contemplam a esperança na sua visão de mundo.

Não quero convidar-lhes a visualizar o mundo de uma maneira utópica, como quem visualiza a sua frente um paraíso perfeito e inapto a erros e opressões, mas mentalizar a nossa realização social com um caráter de fé, nos aprofundarmos mais no amor que não exige, não se apropria, mas liberta e encoraja; um amor que aliado a esperança nos dará cada vez mais força para redigir novas linhas de uma realidade social que se parece mais com uma arvore de bons frutos e menos com uma sociedade que permanecerá racista, elitista, machista e lgbtfóbica.

Realmente é bonito ser a exceção da regra, pra quem não é, quem é sabe o peso de se carregar esse fardo nas costas, o fardo de ser exemplo, o peso de ter de sempre provar a si mesmo que você não é um erro, que não foi um erro ter sobrevivido.  Seja lá o que for fazer, não seja “Bom” naquilo, seja o melhor!

A todo aquele que vem dos extremos da simplicidade de uma capital que segrega, saiba que acreditamos em você de todo coração… Poderemos e devemos ser tudo o que quisermos. Colecionem vitórias e lágrimas de felicidade junto aos seus, tenham em si a esperança que disseram que vocês não poderiam ter por vir daqui, ensinem a eles que humildade nada tem a ver com se humilhar.

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Construímos até aqui, uma militância de caráter realista, mas que se confunde cada vez mais com o pessimismo e a pouca percepção de que dias melhores realmente podem vir; de que conhecendo o inferno de perto, temos propriedade o suficiente para tecer novos caminhos de liberdade igualitária. A sociedade que idealizamos está por vir, ela irá demorar de acontecer, talvez a nossa geração não as veja em vida, mas somos nós, a semente da liberdade que está para nascer.

Cruzem os tecidos sociais, ergam a cabeça, e andem rumo a um novo amanhecer, onde veremos nossas mães felizes em nos ver vencer…

Dum spiro spero! [Enquanto há vida, há esperança!] … Se eu fosse um dos corpos celestiais, eu olharia com completo desapego para esta bola miserável de sujeira e poeira … Eu brilharia indiferente entre o bem e o mal … Mas eu sou um homem. (…) Enquanto eu respirar, eu lutarei pelo futuro, este radiante futuro no qual o homem, poderoso e belo, se tornará mestre do fluxo incerto da História e irá direcioná-lo para um horizonte sem fim de beleza, alegria e felicidade!”  – Leon Trotsky
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Uma resposta em “A ESPERANÇA COMO UM ATO POLITICO

  1. Vou te contar uma história:
    Havia uma mocinha de 3 anos de idade que foi à escola, pra ela todos eram iguais mesmo com tom diferente. Ela percebia que a maioria era bem clara e branca em sua escola, mas não se sentia inferior.
    Ela não entendia a preocupação da mãe, ela dizia sempre pra que se alguém a chamasse de preta, que ela dissesse que preta era a cor do asfalto, que ela era negra. Ela indignada não sabia porque chamariam assim, qual o motivo se ela tinha olhos, pés, mãos, pernas assim como todos? A mãe dela sempre a alertava, menos seu irmão que era mais claro.
    A mocinha foi chamada de preta pela coleguinha, a repreendeu e tudo ficou bem.
    Em outra escola a mocinha foi chamada de macaca por sua diretora, ela ficou sem saber o que dizer sendo que ela não era um macaco e achou isso irracional, percebia que a diretora não deixava ela brincar com os brinquedos, ficar perto dos coleguinhas e a isolava completamente das outras crianças. A diretora era parda, ela disse à sua mãe que a tirou da escola, depois disso ficou insegura, pensando que não fossem gostar dela por ser preta, afinal, ninguém gostava de preto. A mãe explicou que no mundo haviam pessoas ruins que não iam gostar dela por ser escura.
    A insegurança ainda estava ali, mas mudando de escola isso nunca mais aconteceu, mas ela tinha muito receio. O tempo passou, ensino fundamental e ela soube o motivo do porquê a mãe a alertava, segundo os livros da escola ela era descendente de escravos por causa da sua cor, mas ela pensava: ´O que isso tinha a ver com ela diretamente?´ Simples, raízes históricas que nos seguem, mesmo sem ser escrava, não conhecer algum parente escravo, ainda assim as coisas a atingiam. A sociedade dizia indiretamente que seu cabelo era feio, que sua pele não era tão bonita apesar de ser como veludo, que seus traços faciais eram as únicas coisas que se salvavam em meio à sua negritude, ser negro pra sociedade era e é defeito. Ela via em farmácias que as mulheres brancas estampavam as vitrines, que nas revistas, na tv a maioria era branca. A única pessoa parecida com ela, era negra, ainda assim seus traços finos exaltados, era Taís Araújo. Só ela, mas percebia que seu país era louvado por ser lugar de mistura, mas pessoas como ela pareciam que aos olhos dos outros eram inferiores, vistos com desdém, como se ela fosse infectada. Quanto mais claro, era melhor, as pessoas o tempo todo diziam que olhos perfeitos eram claros, que cabelo bom era o mais liso possível, que os traços perfeitos eram os que a maioria das pessoas brancas tinham. Ela crescia ouvindo que seu irmão era pardo, que isso o fazia diferente dela, como se isso fosse algo aceitável, algum brinde, ela não vinha nenhuma distância do preto e pardo, chegavam até a perguntar se eram filhos do mesmo pai. Ela tentou se odiar, odiar seu próximo branco, afinal, por tudo que indicava pessoas como eles eram culpadas, mas viu que dividir por cor seria o mesmo que fizeram com ela.
    Ela foi crescendo com isso na mente, ela sabia ao longo de sua consciência que isso poderia piorar, mas sabia que devia estar preparada pra isso.
    No ensino médio, sofreu, meninos que diziam não ficar com ela simplesmente por ser preta demais, não por não ter gostado, mas por ser preta demais. Ela ouviu e teve que engolir, sempre foi uma minoria num lugar onde a maioria era branca e parda.
    Ela sempre percebeu que as brancas eram mais paparicadas, sejam crianças ou adultas. Aquilo matava ela por dentro, olhavam ela como se fosse um et.
    Os meninos usavam ela como ponto de humilhação, ela era a feia da sala, nenhum menino queria ela, ou mostravam interesse. Ela ia percebendo que as pessoas não estavam preocupadas com isso, eles eram claros, por que se preocupariam? Riam, diziam que ela estava louca vendo o que não devia, tentavam disfarçar, suavizar, inventavam nomes pra eles mesmos que não eram negros por serem um pouco menos escuros mas todos os traços serem negroides.
    Ela cresceu pensando que nunca teria namorado, nunca, isso era certo, se o social dela dizia que ser negro era ruim. A negra, que era mulher, parecia ser rejeitada até pelos seus.
    A autoestima estava ruim, mas ela sabia que devia aguentar, fugia de todo esterótipo de negra que criavam. Não tinha curvas chamativas e não era extrovertida, o que rendia mais apelidos pra ela em escola, bullying. Parecia que aproveitavam que o negro não se impunha, e soltavam os apelidos racistas. Mas não eram eles que diziam que não existia racismo?
    Pensando que tudo havia acabado, ela voltando pra casa ouviu pessoas em um galpão de trabalho gritarem ´MACACAAAAAAAAAAAAAA, MACACAAAAAA´ o que ela podia fazer? As pessoas tinham vergonha até de se assumirem negras, de andar com a cabeça erguida. Ela continuou andando, ela sabia que esse dia iria acontecer, continuou andando e só chorou quando chegou em casa e até hoje não contou aos seus pais sobre o ocorrido, a vida era pesada demais pra enchè – los com isso,
    Isso foi em 2010, eu tinha 15 anos de idade, hoje tenho 20 anos e tenho que me deparar na internet que uma pessoa branca sofre no social por ser chamada de branquela.

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