A Esquerda na Direita do direito dos LGBTQI

Eu sou Helena, nova colaboradora do blog Feminismo sem Demagogia. Eu sou uma mulher transexual. Vou aproveitar este espaço para dialogar com todos e todas, sobre as questões e pautas Transfeministas fazendo o recorte de raça e classe, pelo viés da vertente Marxista.

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Vou falar um pouco do cenário que conheço das lutas contra opressão, cenário do qual me afastei devido a intolerância da militância sobre o que eu sou, Mulher.

 Transicionei a 3 anos e a 3 anos sobrevivo nesse sistema que nos faz cada vez mais ir a margem da sociedade. Ser mulher trans no Brasil é viver com as seguintes estatísticas nas costas: 90% da população de mulheres trans e travestis estão na prostituição, que a expectativa de vida é de 33 anos, eu tenho 28 e o resto da população é de 73,62 segundo o IBGE (IBGE, 2012), a estimativa é de 43% de tentativas de suicídio entre pessoas trans, enquanto a média de suicídios bem sucedidos é 4,8 a cada 100 mil habitantes. É assim que ando e perpasso a vida com essas expectativas nas costas. Dados como esses são bem raros porque somos tão exclusas que nem em estatísticas estamos.

Direitos são negados diariamente a pessoas trans: uso do nome social como forma de evitar constrangimentos nos atendimentos e contatos entre pessoas, negação de direito a uso do banheiro de acordo com o gênero, agressões físicas e verbais.

Ao longo dessa caminhada os “compas” que me deparei ou fetichizavam minha identidade ou ainda ignoravam totalmente o fato de eu ser uma mulher. Um mulhertrans, mas trans é só mais um adjetivo. Posso ser bonita, legal, trans, cis. Mas antes de tudo sou mulher, pra eles eu era a trans.

As pautas então eram novidade, não sabem como o processo todo é burocrático e como o Estado brasileiro através de seus protocolos e falta de leis dificulta ainda mais a vida de qualquer LGBTQI. Não existe lei no Brasil que garanta que eu consiga mudar de nome, vai do juiz assim como gênero nos documentos.

Obviamente que não generalizo e muito pelo contrário encontrei pessoas muito boas e que tinham algum real conhecimento da realidade de ser trans/travesti. Mas de fato a maioria não sabe o que é, e isso me preocupa porque como minoria, quem são as LGBTQI e ocupam quanto nessa fatia de minorias, além de isso se intersecionar com outras minorias.

Não sabemos.

Enquanto um grupo de luta for deixado pra trás sem pensar em suas necessidades de cada letra que forma as LGBTQI, é um grupo a menos na derrubada do capitalismo.

E ahhh meu bem somos muitos e muitas por aí viu?!

Bora lutar nesses 5 anos de expectativa de vida que me restam segundo a expectativa de vida de pessoas trans e travestis.

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