Representatividade e empoderamento

No curso de publicidade existe uma matéria chamada “Psicologia do Consumidor”, ela tem por objetivo estudar os desejos dos potenciais compradores, basicamente oferecer aos grupos o que eles querem. Sabemos que a “propaganda é a alma do negócio”, exatamente por isso os publicitários estudam os grupos sociais, o objetivo é entender o que as pessoas buscam em um produto. Além da qualidade e preço, existem outras motivações que determinam se o produto vendido será o A ou o B.

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A publicidade é umas das principais armas da livre concorrência do mercado capitalista, além de mercantilizar e coisificar as relações humanas, transforma até os sentimentos mais sublimes, como amor e amizade, em meras mercadorias, o foco é apenas um: O lucro.

Nos últimos anos as pautas sociais têm ganhado muito espaço, principalmente entre os mais jovens, por conta do avanço das redes sociais. Temas como machismo, racismo e LGBTfóbia são muito discutidos e estão na maioria dos debates, majoritariamente entre jovens e na internet.

As “propagandas do bem” não são inocentes, as grandes marcas sabem que devem acompanhar as mudanças do público se quiserem ter destaque para o comprador, existe um novo conceito de venda: a inclusão. Seguindo a onda do “politicamente correto” um determinado público dentro dos consumidores vem crescendo, é o grupo que busca produtos que pensem na natureza, incluam minorias em suas propagandas, doe para movimentos sociais, ONGs, etc.

A publicidade mais ligada, já assimilou bem a campanha “Não me vejo, Não compro”, é bem verdade que os marqueteiros em sua grande maioria invisibilizam os negros nas propagandas, nos outdoors.

O movimento pensa em “representatividade”, mas (infelizmente), o capitalismo pensa apenas em não perder seu lucro. Se apropriando das pautas em voga para mercantilizá-las. Sem necessidade de manipulação, o “Deus Mercado” oferece apenas o que pedimos. Se por um lado temos a Avon “empoderando” mulheres e enchendo suas propagandas de mulheres fora do padrão (Negras, Gordas, etc), por outro lado temos uma empresa que explora mulheres e lucra com o trabalho de revendedoras que não possuem nenhum direito trabalhista garantido.

O empoderamento é para todas ou somente para as que possuem poder de compra?

A ativista do movimento negro Keeanga-Yamahta Taylor em um artigo da revista “In these times” nos alerta:

“Baltimore é um exemplo revelador. A prefeita Blake Rawlings pode ser afro-americana, mas, sob sua liderança, grandes áreas da Baltimore negra permaneceram pobres, desempregadas e eternamente perseguidas e abusadas pela polícia.”

Mesmo com negros em altos postos de comando, a vida dos negros pobres e oprimidos não teve nenhum avanço. O presidente negro, Barack Obama, não impediu os ataques racistas em Baltimore. Ainda sobre Obama temos o comentário de Angela Davis (feminista e comunista norte-americana).

“Eu preferiria um candidato branco, que criticasse o capitalismo, o inter-racismo e as prisões, do que um candidato negro que é do status quo”.

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Do mesmo modo, as poucas mulheres que estão em cargos de poder no Brasil, não tem olhado de maneira categórica para os problemas das mulheres. A ex-presidenta Dilma, por exemplo, barrou o projeto que descriminalizava o aborto. O governo de uma mulher não impediu que o Brasil tivesse o aborto como a quinta maior causa de morte materna no país.

Quando clamamos por representatividade, podemos cair no erro de louvar aqueles que não tem compromisso com uma mudança estrutural da sociedade. Não podemos esquecer de considerar a CLASSE. Não basta ser mulher, negro e/ou LGBT, tem que lutar pela emancipação e ser contra todas as formas de opressão e exploração.

Nós não queremos “ocupar espaços de poder” queremos destruir os espaços excludentes.

              “As ferramentas do mestre nunca vão desmantelar a casa-grande” – Audre Lorde.

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