Os padrões e as mulheres.

Por: Mariana Camara

Não é a balança ou o espelho que é inimigo da mulher, mas os padrões estéticos de uma sociedade racista, machista, gordofóbica e elitista. Sim, elitista, os padrões estéticos e o capitalismo estão interligados, os padrões são ditados pela ideologia da classe dominante, lembrando Marx em a ideologia Alemã “As ideias da classe dominante são, em todas as épocas, as ideias dominantes”.

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Por muito tempo, as mulheres, sobretudo as negras, gordas, trans, deficientes, etc., sofreram e ainda sofrem com os padrões de beleza que nos é imposto desde a infância. Quantas negras não tentaram afinar o nariz usando prendedores? Usando inúmeros truques de maquiagem? Alisando o cabelo desde pequenas? Seria mais fácil perguntas quantas não fizeram isso, e poderíamos contar, talvez, nos dedos das mãos, não é mesmo? E quantas mulheres se submeteram a dietas desumanas e cirurgias estéticas perigosas para chegar ao “corpo ideal”? Milhares. Isso acontece porque o padrão estético é branco, mesmo num país composta por negros, em sua maioria, e magro.

Atualmente, Ludmila, uma cantora negra, afinou o nariz por meio de cirurgia e isso gerou críticas e discussões sobre ela, fazendo com que muitos esquecessem que o problema não é ela, mas uma sociedade que inferioriza suas características e traços negróides.

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Isso se tornou um problema— que foi “resolvido”— que vivia na pele, tanto que sofria ataques racistas cibernéticos. Por causa disso, fora o “desejo” de ficar mais “bonita” e de bem consigo mesma, ela é uma consequência da nossa sociedade. Ela cedeu a isso para ter um pouco de paz. E isso se torna mais complicado quando é uma negra pobre e periférica que encara mais dificuldades em se encaixar nos moldes engessados pela sociedade.

Por isso esse problema não é só racista e machista mas também é um problema de classe, é uma opressão de classe. Padrões de beleza geram dinheiro e é tudo o que o capitalismo quer: dinheiro. Você precisa consumir para se enquadrar no padrão para não ser jogado à margem. Quanto mais dinheiro você possuir, mais fácil será atingir o padrão estético ora embranquecendo-se, como fez Michael Jackson, ora emagrecendo, como vemos tantas celebridades que sedem as bariátricas e cirurgias de lipoaspiração/lipoescultura etc… Muitas, nem saem da mesa de cirurgia para exibir os resultados, mesmo assim, assumem o risco, as vezes, é preferível sair morto de uma mesa de cirurgia do que viver a margem dos padrões.

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Se na maioria das vezes mulheres se submetem a se adequarem ao padrão, há também as que preferem não seguir os padrões branco, magro, de feminilidade e etc. Gabourey Ridley, uma atriz negra e gorda, que foi criticada por encenar uma cena de sexo, não se submete a isso. Ela é segura de si e é inspiração à muitas mulheres.

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Gabourey é um exemplo de superação, crítica e rompimento com padrões. Ela tem dinheiro, por que não emagrece? Porque ela não quer, porque ela é feliz consigo própria. O avanço dos movimentos sociais, como o feminismo, esse rompimento está sendo continuo. “Se todas as mulheres acordassem amando- se, quantas empresas iriam à falência?”. Por esse medo, muitas indústrias, empresas estão apoiando causas sociais porque gera lucro. Maquiagem para vários tipos de tons de pele, modelos plus size( que até é “padronizada”. A maioria tem cintura fina e não representa todas as gordas, mas é um avanço) e etc. “Mas isso não é bom?”

Há também a situação das mulheres trans e travestis que procuram se enquadrar nesse padrão para serem vistas e respeitadas na sociedade. E isso gera muita polêmica porque acham que elas se preocupam em “reforçar” estereótipos de gênero, sendo que não. Quem reforça esses padrões é o capitalismo. E isso também é muito doloroso para elas pois a maioria não têm condições financeiras para se harmonizar, etc.

É ótimo a representatividade mas ela tem uma importância diferente para a classe dominante. Queremos sim espaço e representatividade, queremos ser vistas como pessoas que merecem respeito. Não queremos só representatividade e rompimento com padrões nas novelas, mídias, propagandas. Queremos que isso acabe na vida real também, pois é muito diferente da TV à nossa realidade.

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3 respostas em “Os padrões e as mulheres.

  1. “Por muito tempo, as mulheres, sobretudo as negras, gordas, trans, deficientes, etc., ”
    Acho que “com deficiência” ficaria melhor. O termo “deficiente” deixa uma ideia de que essas pessoas não são eficientes e tal.. e o próprio Conselho Nacional da Pessoa com Deficiência já o definiu como o termo correto. Um abração, meninas!

  2. Pingback: Os padrões e as mulheres. | Cosmopolitan Girl

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