Novembro Negro e a Marcha Fúnebre prossegue

“A mulher negra chora debruçada sobre o corpo frio do filho morto, a policia atirou pelas costas, ele estava correndo, não da policia, brincava com os amigos na comunidade que nasceu, e por barbárie, ali também” (Um lugar chamado branquitude – Verinha K.)
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A mídia completamente posta do lado da Burguesia faz um serviço ao Estado ajudando o imaginário dos cidadãos a escolher um lado, e obviamente não é o lugar dos seus semelhantes, mas o da classe dominante. Enquanto rascunho este texto ouço a repórter da rede Record contar que a Cidade de Deus esta ocupada, ela relata a morte de 7 pessoas, mas deixa entender que pode ter sido uma execução ou apenas vitimas do tiroteio. Ela ardilosamente cita a ficha criminal dos assassinados, como se quisesse dizer aos telespectadores “Viu? Ainda bem que morreram, esta gente não presta”. Crimes como roubo por exemplo, foram citados e este mesmo torna aceitável a pena de morte, até daqueles que eram ficha limpa.
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Arte de Mikaela Masettias

 

Já os policiais?
Ah os policiais…eles te nome, eles deixam famílias, mães e filhos, todos choram em seus  velórios, tem currículos invejáveis… é uma tragédia a morte deles, e claro que toda morte gera comoção, mas incomoda a você, leitor, que ninguém estranhe que os sete mortos não tem mães, pais, irmãos e irmãs, esposas, filhos e filhas? Eles tem, mas a mídia omite, propositalmente para impedir a comoção e impelir a escolha de um lado.
Do que estamos falando?
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NOVEMBRO NEGRO

No mês da Consciência Negra que homenageia e relembra a resistência negra contra o racismo, e nomes como  de Zumbi, Dandara, Acotirene, Luiza Mahim, João Cândido, Solano Trindade, dos Panteras Negras, de Malcolm X, todos aqueles que lutaram contra a opressão sexual, racial, homofóbica e contra a exploração capitalista são evocados, o Brasil assiste no Rio de Janeiro, mais um episódio do genocídio da juventude negra.

 

No dia 19 de Novembro um Helicóptero caiu na cidade de Deus, estavam dando apoio pelo ar a operação terrestre que a policia fazia atrás de “traficantes”. O Helicóptero caiu, isso mesmo, caiu. Quatro policiais que estavam na aeronave morreram. Repito: Caiu. Não há sinais de perícia que aprovem que tenha sida abatida, não há tiros na aeronave, não há tiro os policiais, pode ter sido falha mecânica, pode ter sido erro humano, não importa quantos anos de experiência se tenha, um dia… a gente pode errar.
 
No dia 20 é aprovado uma invasão na cidade de Deus, se os policiais já fazem atrocidades, atiram a esmos nas comunidades como forma de intimidação, muitas vezes, tiros que encontram lugar em moradores completamente alheios a qualquer situação. (Estamos cansadas de ver isso).
 
SETE corpos foram encontrados
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Sinais de execução: Mães, esposas, irmãs, pais, tanta gente sofrendo, por que a policia resolveu RETALIAR a queda do helicóptero. Mas venhamos e convenhamos, tudo que a policia militar quer é um motivo para chacinar, verdadeiros tribunais autorizados pelo Governo, onde a pena de morte de gente preta, pobre, da classe trabalhadora é permitida.
Eles, jovens negros vitimas da Policia tem nome:

De acordo com a Polícia Civil, os corpos encontrados são de Leonardo Camilo da Silva, 30 anos, Rogério Alberto de Carvalho Júnior, 34, Marlon César Jesus de Araújo, 22, Robert Souza dos Anjos, 24, Renan da Silva Monteiro, 20, Leonardo Martins da Silva Júnior, 22, e de um adolescente de 17 anos.

 
Hoje, 21 de Novembro, há uma operação de Guerra na cidade de Deus. Sete mil alunos sem aulas, comércio fechado. Moradores apavorados, “a marcha fúnebre prossegue”, como diria Eduardo Taddeo.
Os policiais que estavam por terra no momento da queda do helicóptero eram das UPPs, defendidas pelo Estado e vergonhosamente, até por algumas figuras carimbadas da esquerda, como o Freixo.
 
A realidade é que as UPPs são carro chefe de politicas que pretendem a criminalização da pobreza, a política da UPP não resolve. O que resolve é: Saúde, educação e saneamento básico. O que resolve é a descriminalização do uso recreativo de drogas.
 
Um dos principais argumentos para criminalizar as comunidades pobres e carentes e justificar a militarização destes territórios. Vale lembrar que esta polícia foi formada historicamente para agredir e reprimir os mais pobres, movimentos sociais e etc. Não podemos nos submeter a polícia que nos mata!
 
Exigimos:
 
1- A investigação e punição de todos os culpados por este Chacina na Cidade de Deus!
2- O fim do genocídio da juventude negra e pobre das favelas!
3- O imediato investimento em saneamento básico, saúde, energia elétrica e educação nas favelas ocupadas pela UPP!
4- A legalização das drogas e o fim da criminalização da pobreza!
5- O fim da Polícia Militar, como já foi indicado até pela ONU, e a criação de uma polícia unificada e que os delegados sejam eleitos pelos trabalhadores da região em que eles vão atuar!
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