A família burguesa não nos contempla

A burguesia e conservadora e retrograda – Pensei comigo logo após começar a ler a querida Alexandra Kollontai em “O comunismo e a família”. São muitas informações que ela traz neste escrito, eu gosto de perceber que a família nunca foi algo estático, mas adaptável ao contexto histórico e social ao seu redor.

Houve época em que a família era uma mãe anciã e todos os filhos a sua volta, ouvindo e obedecendo – lhe conforme sua sabedoria houve tempo em que o pai era o líder da família, e agia como um patrão dos filhos e esposa há lugares que homens casam se com várias mulheres e é permitido por lei, formam se famílias extensas, há lugares que as mulheres são exaltadas pela quantidade de amantes que colecionou na vida (algumas tribos)… Qual e a família ideal?

O mundo muda e gira, e se expandem, novas tecnologias chegam e alavancam o futuro e tem uma classe que espera que mesmo com toda esta velocidade de acontecimentos a família patriarcal mantenha se estática e respeitada por todos, não só respeitada, mas, admirada, desejada e reproduzida, ainda que este tipo de família não corresponda em nada o que rodeia a vida de outras pessoas.

A burguesia ainda prima pela família tradicional patriarcal por que ainda tem o que proteger e manter seguro para transferir a seus herdeiros, eles são donos dos meios de produção e o que excede a produção em forma de lucro e juntado, controlado e guardado para manutenção do futuro daquela família no topo da classe social.

Para nós da classe trabalhadora que não temos nada para guardar, nem posses e nem dinheiro, para que precisamos de uma família cheia de herdeiros legítimos, com uma mãe zelosa em casa garantindo a educação destes filhos para que assumam posteriormente os negócios da família?

A família da classe trabalhadora faz muito tempo que não é a mesma imagem da família burguesa, mas devido ser a burguesia ser a classe dominante, o que se propaga como certo e perfeito é a sua moral, e suas construções. A mídia e a igreja são as principais propagandistas de que um lar equilibrado e feliz tem uma mãe zelosa e abdicada, que abandonou a carreira ou ajustou – se para poder ser mãe a profissional, os filhos sendo criados e educados pela mulher, que é uma colaboradora do homem, não só na educação e criação dos filhos, mas aconselhando o e segurando suas crises emocionais etc.

Quantas mulheres podem hoje em dia se dar ao luxo de trabalhar apenas meio período e dedicar se a criação dos filhos no restante do tempo? Quantas mulheres tem esta estrutura formada dentro de casa “mãe, pai e filhos”? Sabemos que existe uma grande quantidade de crianças que sequer tem o nome do pai na certidão de nascimento quem dirá ter a mulher apoio do homem na criação dos filhos?

Passamos muito tempo perseguindo projetos que não cabem em nossa vida, e por isso, passamos muito tempo alheios a nossas condições e sem conseguir construir para nós uma moral que nos caiba e nos represente uma moral coletiva, baseada em camaradagem, que nos faça a todos uma grande família, que supere o cla familiar burguês e se expanda em amor e cooperação com todos e todas de nossa classe.

A família montada sobre a moral burguesa é individualista, começa com um casal que terá seus filhos e ficam responsáveis pela criação e educação destes filhos, voltam se apenas para seus clãs familiares, treinando os obstinadamente para a competição do mundo capitalista, a fim de que galguem os melhores postos, as mais altas patentes…

Aqui na classe trabalhadora, seguimos este mesmo projeto, sem perceber que para que a classe dominante esteja nesta posição, somos todos explorados e do suor nosso trabalho nasce às condições da família burguesa manter sues valores e formato. O mesmo capitalismo que chamou as mulheres de volta ao mercado de trabalho, não as aliviou de suas tarefas domésticas, inviabilizando completamente a possibilidade de ser ter em casa a mãe preconizada pela burguesia. O próprio sistema econômico impossibilita a família padrão. Enquanto isso a igreja e a sociedade louvam – na.

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A classe trabalhadora aprende viver sem vida familiar, passa mais tempo com seus companheiros de trabalho do que com sua família estabelecida por contratos, acordos e laços consanguíneos. Passamos cerca de 9 horas no ambiente de trabalho, outras tantas horas presos no trajeto do trabalho até em casa, quantas horas passamos efetivamente em casa durante a semana para estabelecer relações familiares consistentes.

A família como clã no seio da classe trabalhadora não funciona, a intimidade dos membros se perde, falta tempo para o dialogo e intimidade para fazê-lo, muitas vezes amamos mais um amigo que convivemos todos os dias no ambiente de trabalho, e que se projeta para nossa vida pessoal com grande ganho de intimidade do que um irmão de laço consanguíneo.

O que estou tentando demonstrar é que a classe dominante tem uma moral conservadora para família e que expandi-la como a correta e aceita, contudo ela é impossível para nós e nos culpamos por não conseguir ter e manter esta família perseguimos ideais que são horizontes se afastando continuamente quanto mais caminhamos em sua direção.

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