Falsas acusações, fofocas, intrigas e mulher contra mulher: As mulheres no feminismo precisam também de reeducação.

No feminismo falamos muito sobre os homens precisarem de uma reeducação que os liberte das práticas machista, mas, ignoramos a reprodução do machismo que esta internalizada nas mulheres. Nós não devemos nos chocar com práticas completamente contraditórias praticadas pelas mulheres, nem de encontra-las usando mecanismos machistas para agredir outra mulher, afinal, elas também são ensinadas através da experiência de vida de opressão machista, que estes mecanismos funcionam efetivamente.

Muitas mulheres são forjadas para resistir à opressão reproduzindo seus mecanismos, de fato é fácil compreender que a opressão é exercida em cadeia vertical, do mais forte e poderoso para o mais fraco. Os homens para submeter suas companheiras usam táticas do patrão, tratando sua companheira como se fosse sua empregada, muitas vezes usando de grosseria e violência emocional para mante-la submissa, assustada e com medo de perder sua família, seu relacionamento, sua imagem construída como mulher decente, etc. O patrão por sua vez, usa de seu poder para submeter os trabalhadores, homens e mulheres, com violência moral e grosseria, garantindo trabalhadores “dentro da linha”, assustados e com medo de perderem a vaga de emprego. Não seria estranho se a mulher para sentir se dentro da mesma esfera de poder exercesse estes mecanismo com outras mulheres mais fragilizadas, com crianças e até com homens, por que não?

O Machismo é uma opressão sim, e por causa disso, as maldades que os homens fazem para trazer a mulher submetida, surgem de mecanismos e táticas que fazem parte de uma ideologia de ódio amplamente naturalizada na sociedade. Isso não quer dizer que as ações que as mulheres cometem não sejam prejudiciais e nocivas às pessoas com quem elas convivem, não é a toa que maioria dos crimes  de violência contra idosos são praticados majoritariamente por parentes, filhos e filhas ou cuidadores, a profissão de cuidador tem as mulheres como principal ingressante e atuante.

Nos não podemos criar a expectativa de que as mulheres são pessoas diferentes dos homens, e incapazes de realizar uma ação opressiva ou de reprodução da opressão, por que humanamente somos iguais, e as mulheres também tem condição de saber discernir o que e certo ou errado, se há um componente de opressão que a impele a tais praticas, podemos justificar o ato, mas ele sendo criminoso ou deletério para algum outro ser humano, ou seja, quem for, deve sim ser posto as sanções cabíveis.

Vamos ilustrar este texto para ficar mais claro, com alguns depoimentos:

INTIMIDAÇÃO

“Meu telefone tocou, era horário de serviço, (quem em horário de serviço consegue ter uma conversa tranquila?), uma mulher identificada como feminista, de um coletivo feminista, me dizia que eu seria processada. O fato é, havia uma interpretação equivocada minha sobre determinado assunto financeiro, mas minha surpresa foi que, não houve uma fala direta sobre o problema em questão para que eu fosse elucidada, a feminista em questão, começou a levantar uma série de fatos irreais e acusações levianas, tudo para conseguir o que queria que era, defender a mulher que ela representava.”

Quando digo a feminista que quem iria a festa era o homem e não a mulher, ela imediatamente muda o discurso dizendo “Você acha que um homem deve ser obrigado…” Naquele momento ela caiu em completa desmoralização para mim e não havia mais nada para ser dito a não ser a comunicação de que “Calunia e difamação são crimes, estes sim podem ser configurados facilmente na sua fala sem provas, cuidado.”

Posteriormente admiti meu equivoco sobre a questão financeira mas, não espero que a feminista que ligou em horário inapropriado e com falas carregadas de acusações sem fundo de verdade reveja sua postura de assedio moral e violência emocional, além de calunia e difamação como que admite que os meios sejam quais forem, mesmo que imorais, devem ser utilizados para se obter os fins.

VIOLÊNCIA MORAL

“A feminista dizia que o evento que eu estava organizando não tinha nada a ver com o que eu apresentava, libertação sexual da mulher, que havia inclusive uma denuncia de estupro no referido evento, que era uma violência emocional eu querer impor que a mulher fosse ao evento com medo. Nunca houve caso nenhum de estupro na realização do evento, a mulher reclamante já havia desistido de ir à festa com muita antecedência por que descobriu se grávida, e pelo teor liberal da festa, acreditou que seria melhor resguardar-se, contudo, incentivando o seu companheiro a ir. O companheiro era quem iria à festa, sozinho e ele me disse que não sentia se preparado para ir, não estava à vontade. Desistiu de ir por isso, ele mesmo declarou isso ao grupo. Quem ia a festa era o marido e não ela, mas a feminista que a representava acusava a organização da festa de violência emocional contra a mulher.”

Fofocas e intrigas

Dentro do feminismo o que existe de mais comum na era da Internet são os grupos de redes sociais, o que deveria ser um lugar saudável para as mulheres fortalecerem torna -se em questões de segundos um ambiente de fofocas e futricas, onde o alvo pode ser um homem ou outra mulher. Ali elas contam coisas sobre a outra mulher, muitas vezes mentiras, a fim de aparecerem se com o grupo, detonando moralmente a outra mulher, se estas mulher for militante da causa feminista, nada é avaliado, sequer avaliam a importância da militancia da mulher para outras mulheres.

Os grupos de mulheres atual como uma totalidade, executando julgamentos e muitas vezes sentenciando outras mulheres sem sequer ter a presença dela ali para defender – se. Grupos que formam-se para resistência das mulheres e auto-defesa, acabam servindo de ataque e destruição de outras mulheres.

O que se faz ali nada mais é do que por em prática tudo o que o machismo espera das mulheres.

Assedio Moral classista e Racista

“A patroa da minha mãe a obrigava a comer os restos do que sobrava nos pratos dos patrões. Minha mãe comia restos.”

“A patroa da minha mãe a obrigava a usar uniforme branco, em uma viajem a Portugal, minha mãe foi avisada de que deveria usar uniforme para não ser confundida com prostituta e para ficar claro que ela estava lá a serviço, além de que, mesmo ela sendo babá da criança, ela foi proibida de sair em qualquer foto da família.”

Violência emocional e psicológica contra o Idoso

Violência Psicológica: Corresponde a qualquer forma de menosprezo, desprezo, preconceito e discriminação, incluindo agressões verbais ou gestuais, com o objetivo de aterrorizar, humilhar, restringir a liberdade ou isolar a pessoa idosa do convívio social. Pode resultar em tristeza, isolamento, solidão, sofrimento mental e depressão.

Todos os dias a história se repete. Descaso, gritos estridentes, estresse e nenhum tipo de gesto amistoso ou afetivo. Tudo é na base do “não me irrite, não me encha o saco” – seguidos de palavrões e muito escárnio. Aos 84 anos, é esta a rotina de Maria (nome fictício), moradora do bairro de Itaquera, no extremo leste de São Paulo, capital. Maria é uma vitima de violência psicológica contra a pessoa idosa.1

As agressões são lideradas pela sua própria filha, de 42 anos, divorciada, mãe de três filhos adolescentes e desempregada crônica. Renata (nome fictício) passa o dia vendo televisão, principalmente os programas “mundo cão”, mostrados em vários canais da TV aberta, e conversando com as amigas por meio das redes sociais. Não ajuda a mãe em nenhuma das atividades domésticas e até as refeições faz em frente à TV.
Dona Maria chora e lamenta da sua sorte para os amigos e vizinhos que frequentam a sua casa.

Os crimes mais denunciados são: negligência e violência psicológica. “Eu sofri, sim, agressão verbal e foi muito difícil. Eu falei: ‘vou à delegacia do idoso’. Aí ela me respondeu: ‘se a senhora for, a senhora está morta para mim’”, relata uma idosa.

A lista dos crimes mais denunciados tem ainda a violência física. “A minha filha me pegou pelo braço, me jogou pelo lado de fora da porta, tem três degraus, e quase que eu caio, bato com a cabeça no chão”, conta uma senhora.

Na lista outros crimes, entre eles, negligencia e abandono, apesar de serem os filhos homens os que figuram o topo da lista de agressores, muitas vezes as mulheres são cúmplices dos homens nos maus tratos, como retrata o quadro de dona Felicidade, moradora de Belém. Segundo uma denúncia anônima, ela vivia em estado de abandono, apesar de morar com o filho e a nora. Os policiais encontraram Dona Felicidade, sozinha em uma casa de madeira. Ela estava suja e sem proteção: as paredes e o teto têm buracos, enquanto o filho e a nora vivem na casa da frente, que está passando por uma reforma.2

A nora de Dona Felicidade chega a casa. Tinha ido buscar o filho na escola. Para ela, a situação da sogra não é grave.

Policial: Você acha que isso não é grave? Você já viu a situação que ela está?
Nora: Ela tem problema de Alzheimer.
Policial: O problema dela não é esse. O problema é que ela não está sendo cuidada. A situação de maus tratos é evidente aí.

Existe sim todo um atenuante de que as mulheres muitas vezes comportam se de acordo com a atitude tomada pelos homens em decorrência das opressões, obvio que deve existir a compreensão da opressão ser fator determinante das ações das mulheres em muitos casos, mas da mesma forma que nos falamos a respeito à dos homens, nós podemos nos recusar a ver outra mulher ser tratada com desumanidade para que nos beneficiemos de algum conforto ou segurança, algo muito certo é que, se o home trata a ex – esposa, mulheres de relacionamentos passados ou a mãe com desumanidade em algum momento a atual companheira será vitima também.

 

Cúmplice de violência sexual contra mulher  

O caso de Kari,moradora de Assu, Municipio do Rio Grande do Norte é estarrecedor, a própria companheira do agressor sexual, J.D, manipulou a situação para que ela fosse estuprada por seu companheiro e assistiu da janela de seu quarto o estupro ser consumado.

 

 

 

Abuso sexual é crime se você não denuncia é cúmplice

Recentemente uma jovem se se suicidou no Maranhão, ela acusa o pai de estupro, mas ela também deixa claro o quanto o apoio da mãe que fora negado foi decisivo para ela tirar a própria vida, na carta ela diz:

Pais que estupram os filhos, mães que humilham, irmãos que rejeitam (…) Malditos. Malditos (…) Tudo isso acima faz a mente humana enlouquecer, sabia? Ela definha, fica angustiada e cheia de coisas inexplicáveis, pensamentos perigosos (…) Minha mãe me tirou minha rotina e passou a assistir tudo em total inconsciência. Eu sei que ela via, mas quem disse que ela percebia?Ela era uma mãe tão atenciosa, o que aconteceu? Porque ela ficou tão alheia? Porque ela demonstra amar mais a meu irmão? Porque ela não me ama? Porque ela não me abraça e me beija assim como ela faz com meu irmão?Porque ela me humilha por causa de um erro tão pequeno? Porque ela não pergunta como foi meu dia na escola? Porque ela não quer saber o motivo de eu estar tanto tempo trancada no quarto? Porque ela não pergunta o motivo de eu usar tanta blusa de manga comprida?”3

Em Manaus a mãe de uma criança de 9 anos foi presa por encobrir os abusos cometidos pelo marido contra a própria filha e também de agredir a criança sob a acusação de que a mesma estaria tentando lhe roubar o marido. Ora é obvio que vemos ai à reprodução de machismo, mas não podemos deixar de ver também, com sinceridade que existe crime, é injustificável o estupro e ser conivente com ele também é.

Mães abusivas

A ideia de mãe santa é uma das falsas ideias que o machismo tem perpetrado. Justamente existe este estereotipo para que as mulheres submetam se a variados tipos de sofrimentos em prol da maternidade, desde renunciar a própria vida social e profissional até aguentar maus tratos e violência.

Não vamos de forma alguma ignorar o sofrimento das mães trabalhadoras, a completa ausência de políticas publicas que tirem delas o peso de dupla e tripla jornada de trabalho. Nada disso esta sendo desconsiderado quando analisamos o caso de uma mãe abusiva que oferece violência emocional muitas vezes as filhas mulheres. Se fossem casos isolados, poderíamos dizer que é a exceção mas, não é. Os casos de mães que negligenciam e cometem crimes contras crianças são muito notificados em mídias criminais.

No ano de 2016 uma mulher foi presa em Nilópolis, Rio de Janeiro, por que ela permitia que dois indivíduos estuprassem a filha de 7 anos. Os estupradores foram presos também. A mãe disse a policia que odiava a filha e que ela merecia sofrer. Por trás deste ódio há toda uma situação de opressão a ser analisada porém, não desqualifica que houve um crime, que as mulheres também são capazes de atos desumanos e convencia com crimes hediondos.

As historias sobre mães abusivas são muitas e muitas deixam de ser contadas por medo das vitimas, afinal, a imagem da mãe perfeita e sagrada esta acima de qualquer suspeita, o feminismo muitas vezes assume o papel de duvidar da vitima mulher, para sair em defesa da mãe algoz, justiçando os atos delas como se o fato de ser vitimas, nos desse imunidade e não nos permitisse desvios imorais e não nos constituísse um caráter duvidoso.

Precisamos olhar as mulheres como humanas por todos os lados

Não podemos criar um mito de superioridade humana feminina, como se nos estivéssemos acima do bem o do mal, este tipo de visão simplista nos torna vitimas de nós mesmos, e impede que caracterizemos onde as mulheres precisam ser fortalecidas para uma mudança de postura que beneficie o coletivo.

Somos Humanas e por isso precisamos ter nossa humanidade reconhecida, tanto para que nossos direitos sejam a nos atribuídos quanto para que sejamos honestamente julgadas pelos nossos erros, sem olhar machista que nos crucifique mas sem o olhar sectário de um feminismo que quer justificar crimes e desvios de condutas graves como se fosse apenas uma demonstração do adoecimento emocional que o machismo nos impõe, e mesmo que fosse, caberia tratamento e treino para mudança de postura.

 

Sites pesquisados

  1. Denúncias de crimes contra idosos crescem quase 200% em um ano

http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2013/01/denuncias-de-crimes-contra-idosos-crescem-quase-200-em-um-ano.htm

     2. Maioria dos idosos vítimas de violência são mães e sentem-se culpadas

http://www.jn.pt/justica/interior/maioria-dos-idosos-vitimas-de-violencia-sao-maes-e-sentem-se-culpadas-5026874.html

  1. Jovem se mata e deixa carta: “Meu próprio pai me abusou”

http://www.pa4.com.br/noticias/jovem-se-suicida-e-deixa-carta-acusando-o-pai-de-abusado-sexual

  1. Mãe que batia na filha estuprada por padrasto é presa e apresentada na DEPCA

    http://www.amazonianarede.com.br/mae-que-batia-na-filha-estuprada-por-padrasto-e-presa-e-apresentada-na-depca/

 

 

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