Sobre Feminismo Sem Demagogia

O blog Feminismo Sem Demagogia - Original pertence a vertente do Feminismo Marxista. Na luta por um feminismo de Gênero, Raça e Classe.

Falsas acusações, fofocas, intrigas e mulher contra mulher: As mulheres no feminismo precisam também de reeducação.

No feminismo falamos muito sobre os homens precisarem de uma reeducação que os liberte das práticas machista, mas, ignoramos a reprodução do machismo que esta internalizada nas mulheres. Nós não devemos nos chocar com práticas completamente contraditórias praticadas pelas mulheres, nem de encontra-las usando mecanismos machistas para agredir outra mulher, afinal, elas também são ensinadas através da experiência de vida de opressão machista, que estes mecanismos funcionam efetivamente.

Muitas mulheres são forjadas para resistir à opressão reproduzindo seus mecanismos, de fato é fácil compreender que a opressão é exercida em cadeia vertical, do mais forte e poderoso para o mais fraco. Os homens para submeter suas companheiras usam táticas do patrão, tratando sua companheira como se fosse sua empregada, muitas vezes usando de grosseria e violência emocional para mante-la submissa, assustada e com medo de perder sua família, seu relacionamento, sua imagem construída como mulher decente, etc. O patrão por sua vez, usa de seu poder para submeter os trabalhadores, homens e mulheres, com violência moral e grosseria, garantindo trabalhadores “dentro da linha”, assustados e com medo de perderem a vaga de emprego. Não seria estranho se a mulher para sentir se dentro da mesma esfera de poder exercesse estes mecanismo com outras mulheres mais fragilizadas, com crianças e até com homens, por que não?

O Machismo é uma opressão sim, e por causa disso, as maldades que os homens fazem para trazer a mulher submetida, surgem de mecanismos e táticas que fazem parte de uma ideologia de ódio amplamente naturalizada na sociedade. Isso não quer dizer que as ações que as mulheres cometem não sejam prejudiciais e nocivas às pessoas com quem elas convivem, não é a toa que maioria dos crimes  de violência contra idosos são praticados majoritariamente por parentes, filhos e filhas ou cuidadores, a profissão de cuidador tem as mulheres como principal ingressante e atuante.

Nos não podemos criar a expectativa de que as mulheres são pessoas diferentes dos homens, e incapazes de realizar uma ação opressiva ou de reprodução da opressão, por que humanamente somos iguais, e as mulheres também tem condição de saber discernir o que e certo ou errado, se há um componente de opressão que a impele a tais praticas, podemos justificar o ato, mas ele sendo criminoso ou deletério para algum outro ser humano, ou seja, quem for, deve sim ser posto as sanções cabíveis.

Vamos ilustrar este texto para ficar mais claro, com alguns depoimentos:

INTIMIDAÇÃO

“Meu telefone tocou, era horário de serviço, (quem em horário de serviço consegue ter uma conversa tranquila?), uma mulher identificada como feminista, de um coletivo feminista, me dizia que eu seria processada. O fato é, havia uma interpretação equivocada minha sobre determinado assunto financeiro, mas minha surpresa foi que, não houve uma fala direta sobre o problema em questão para que eu fosse elucidada, a feminista em questão, começou a levantar uma série de fatos irreais e acusações levianas, tudo para conseguir o que queria que era, defender a mulher que ela representava.”

Quando digo a feminista que quem iria a festa era o homem e não a mulher, ela imediatamente muda o discurso dizendo “Você acha que um homem deve ser obrigado…” Naquele momento ela caiu em completa desmoralização para mim e não havia mais nada para ser dito a não ser a comunicação de que “Calunia e difamação são crimes, estes sim podem ser configurados facilmente na sua fala sem provas, cuidado.”

Posteriormente admiti meu equivoco sobre a questão financeira mas, não espero que a feminista que ligou em horário inapropriado e com falas carregadas de acusações sem fundo de verdade reveja sua postura de assedio moral e violência emocional, além de calunia e difamação como que admite que os meios sejam quais forem, mesmo que imorais, devem ser utilizados para se obter os fins.

VIOLÊNCIA MORAL

“A feminista dizia que o evento que eu estava organizando não tinha nada a ver com o que eu apresentava, libertação sexual da mulher, que havia inclusive uma denuncia de estupro no referido evento, que era uma violência emocional eu querer impor que a mulher fosse ao evento com medo. Nunca houve caso nenhum de estupro na realização do evento, a mulher reclamante já havia desistido de ir à festa com muita antecedência por que descobriu se grávida, e pelo teor liberal da festa, acreditou que seria melhor resguardar-se, contudo, incentivando o seu companheiro a ir. O companheiro era quem iria à festa, sozinho e ele me disse que não sentia se preparado para ir, não estava à vontade. Desistiu de ir por isso, ele mesmo declarou isso ao grupo. Quem ia a festa era o marido e não ela, mas a feminista que a representava acusava a organização da festa de violência emocional contra a mulher.”

Fofocas e intrigas

Dentro do feminismo o que existe de mais comum na era da Internet são os grupos de redes sociais, o que deveria ser um lugar saudável para as mulheres fortalecerem torna -se em questões de segundos um ambiente de fofocas e futricas, onde o alvo pode ser um homem ou outra mulher. Ali elas contam coisas sobre a outra mulher, muitas vezes mentiras, a fim de aparecerem se com o grupo, detonando moralmente a outra mulher, se estas mulher for militante da causa feminista, nada é avaliado, sequer avaliam a importância da militancia da mulher para outras mulheres.

Os grupos de mulheres atual como uma totalidade, executando julgamentos e muitas vezes sentenciando outras mulheres sem sequer ter a presença dela ali para defender – se. Grupos que formam-se para resistência das mulheres e auto-defesa, acabam servindo de ataque e destruição de outras mulheres.

O que se faz ali nada mais é do que por em prática tudo o que o machismo espera das mulheres.

Assedio Moral classista e Racista

“A patroa da minha mãe a obrigava a comer os restos do que sobrava nos pratos dos patrões. Minha mãe comia restos.”

“A patroa da minha mãe a obrigava a usar uniforme branco, em uma viajem a Portugal, minha mãe foi avisada de que deveria usar uniforme para não ser confundida com prostituta e para ficar claro que ela estava lá a serviço, além de que, mesmo ela sendo babá da criança, ela foi proibida de sair em qualquer foto da família.”

Violência emocional e psicológica contra o Idoso

Violência Psicológica: Corresponde a qualquer forma de menosprezo, desprezo, preconceito e discriminação, incluindo agressões verbais ou gestuais, com o objetivo de aterrorizar, humilhar, restringir a liberdade ou isolar a pessoa idosa do convívio social. Pode resultar em tristeza, isolamento, solidão, sofrimento mental e depressão.

Todos os dias a história se repete. Descaso, gritos estridentes, estresse e nenhum tipo de gesto amistoso ou afetivo. Tudo é na base do “não me irrite, não me encha o saco” – seguidos de palavrões e muito escárnio. Aos 84 anos, é esta a rotina de Maria (nome fictício), moradora do bairro de Itaquera, no extremo leste de São Paulo, capital. Maria é uma vitima de violência psicológica contra a pessoa idosa.1

As agressões são lideradas pela sua própria filha, de 42 anos, divorciada, mãe de três filhos adolescentes e desempregada crônica. Renata (nome fictício) passa o dia vendo televisão, principalmente os programas “mundo cão”, mostrados em vários canais da TV aberta, e conversando com as amigas por meio das redes sociais. Não ajuda a mãe em nenhuma das atividades domésticas e até as refeições faz em frente à TV.
Dona Maria chora e lamenta da sua sorte para os amigos e vizinhos que frequentam a sua casa.

Os crimes mais denunciados são: negligência e violência psicológica. “Eu sofri, sim, agressão verbal e foi muito difícil. Eu falei: ‘vou à delegacia do idoso’. Aí ela me respondeu: ‘se a senhora for, a senhora está morta para mim’”, relata uma idosa.

A lista dos crimes mais denunciados tem ainda a violência física. “A minha filha me pegou pelo braço, me jogou pelo lado de fora da porta, tem três degraus, e quase que eu caio, bato com a cabeça no chão”, conta uma senhora.

Na lista outros crimes, entre eles, negligencia e abandono, apesar de serem os filhos homens os que figuram o topo da lista de agressores, muitas vezes as mulheres são cúmplices dos homens nos maus tratos, como retrata o quadro de dona Felicidade, moradora de Belém. Segundo uma denúncia anônima, ela vivia em estado de abandono, apesar de morar com o filho e a nora. Os policiais encontraram Dona Felicidade, sozinha em uma casa de madeira. Ela estava suja e sem proteção: as paredes e o teto têm buracos, enquanto o filho e a nora vivem na casa da frente, que está passando por uma reforma.2

A nora de Dona Felicidade chega a casa. Tinha ido buscar o filho na escola. Para ela, a situação da sogra não é grave.

Policial: Você acha que isso não é grave? Você já viu a situação que ela está?
Nora: Ela tem problema de Alzheimer.
Policial: O problema dela não é esse. O problema é que ela não está sendo cuidada. A situação de maus tratos é evidente aí.

Existe sim todo um atenuante de que as mulheres muitas vezes comportam se de acordo com a atitude tomada pelos homens em decorrência das opressões, obvio que deve existir a compreensão da opressão ser fator determinante das ações das mulheres em muitos casos, mas da mesma forma que nos falamos a respeito à dos homens, nós podemos nos recusar a ver outra mulher ser tratada com desumanidade para que nos beneficiemos de algum conforto ou segurança, algo muito certo é que, se o home trata a ex – esposa, mulheres de relacionamentos passados ou a mãe com desumanidade em algum momento a atual companheira será vitima também.

 

Cúmplice de violência sexual contra mulher  

O caso de Kari,moradora de Assu, Municipio do Rio Grande do Norte é estarrecedor, a própria companheira do agressor sexual, J.D, manipulou a situação para que ela fosse estuprada por seu companheiro e assistiu da janela de seu quarto o estupro ser consumado.

 

 

 

Abuso sexual é crime se você não denuncia é cúmplice

Recentemente uma jovem se se suicidou no Maranhão, ela acusa o pai de estupro, mas ela também deixa claro o quanto o apoio da mãe que fora negado foi decisivo para ela tirar a própria vida, na carta ela diz:

Pais que estupram os filhos, mães que humilham, irmãos que rejeitam (…) Malditos. Malditos (…) Tudo isso acima faz a mente humana enlouquecer, sabia? Ela definha, fica angustiada e cheia de coisas inexplicáveis, pensamentos perigosos (…) Minha mãe me tirou minha rotina e passou a assistir tudo em total inconsciência. Eu sei que ela via, mas quem disse que ela percebia?Ela era uma mãe tão atenciosa, o que aconteceu? Porque ela ficou tão alheia? Porque ela demonstra amar mais a meu irmão? Porque ela não me ama? Porque ela não me abraça e me beija assim como ela faz com meu irmão?Porque ela me humilha por causa de um erro tão pequeno? Porque ela não pergunta como foi meu dia na escola? Porque ela não quer saber o motivo de eu estar tanto tempo trancada no quarto? Porque ela não pergunta o motivo de eu usar tanta blusa de manga comprida?”3

Em Manaus a mãe de uma criança de 9 anos foi presa por encobrir os abusos cometidos pelo marido contra a própria filha e também de agredir a criança sob a acusação de que a mesma estaria tentando lhe roubar o marido. Ora é obvio que vemos ai à reprodução de machismo, mas não podemos deixar de ver também, com sinceridade que existe crime, é injustificável o estupro e ser conivente com ele também é.

Mães abusivas

A ideia de mãe santa é uma das falsas ideias que o machismo tem perpetrado. Justamente existe este estereotipo para que as mulheres submetam se a variados tipos de sofrimentos em prol da maternidade, desde renunciar a própria vida social e profissional até aguentar maus tratos e violência.

Não vamos de forma alguma ignorar o sofrimento das mães trabalhadoras, a completa ausência de políticas publicas que tirem delas o peso de dupla e tripla jornada de trabalho. Nada disso esta sendo desconsiderado quando analisamos o caso de uma mãe abusiva que oferece violência emocional muitas vezes as filhas mulheres. Se fossem casos isolados, poderíamos dizer que é a exceção mas, não é. Os casos de mães que negligenciam e cometem crimes contras crianças são muito notificados em mídias criminais.

No ano de 2016 uma mulher foi presa em Nilópolis, Rio de Janeiro, por que ela permitia que dois indivíduos estuprassem a filha de 7 anos. Os estupradores foram presos também. A mãe disse a policia que odiava a filha e que ela merecia sofrer. Por trás deste ódio há toda uma situação de opressão a ser analisada porém, não desqualifica que houve um crime, que as mulheres também são capazes de atos desumanos e convencia com crimes hediondos.

As historias sobre mães abusivas são muitas e muitas deixam de ser contadas por medo das vitimas, afinal, a imagem da mãe perfeita e sagrada esta acima de qualquer suspeita, o feminismo muitas vezes assume o papel de duvidar da vitima mulher, para sair em defesa da mãe algoz, justiçando os atos delas como se o fato de ser vitimas, nos desse imunidade e não nos permitisse desvios imorais e não nos constituísse um caráter duvidoso.

Precisamos olhar as mulheres como humanas por todos os lados

Não podemos criar um mito de superioridade humana feminina, como se nos estivéssemos acima do bem o do mal, este tipo de visão simplista nos torna vitimas de nós mesmos, e impede que caracterizemos onde as mulheres precisam ser fortalecidas para uma mudança de postura que beneficie o coletivo.

Somos Humanas e por isso precisamos ter nossa humanidade reconhecida, tanto para que nossos direitos sejam a nos atribuídos quanto para que sejamos honestamente julgadas pelos nossos erros, sem olhar machista que nos crucifique mas sem o olhar sectário de um feminismo que quer justificar crimes e desvios de condutas graves como se fosse apenas uma demonstração do adoecimento emocional que o machismo nos impõe, e mesmo que fosse, caberia tratamento e treino para mudança de postura.

 

Sites pesquisados

  1. Denúncias de crimes contra idosos crescem quase 200% em um ano

http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2013/01/denuncias-de-crimes-contra-idosos-crescem-quase-200-em-um-ano.htm

     2. Maioria dos idosos vítimas de violência são mães e sentem-se culpadas

http://www.jn.pt/justica/interior/maioria-dos-idosos-vitimas-de-violencia-sao-maes-e-sentem-se-culpadas-5026874.html

  1. Jovem se mata e deixa carta: “Meu próprio pai me abusou”

http://www.pa4.com.br/noticias/jovem-se-suicida-e-deixa-carta-acusando-o-pai-de-abusado-sexual

  1. Mãe que batia na filha estuprada por padrasto é presa e apresentada na DEPCA

    http://www.amazonianarede.com.br/mae-que-batia-na-filha-estuprada-por-padrasto-e-presa-e-apresentada-na-depca/

 

 

A Violência contra a mulher na região Nordeste do país Silenciada pelo Coronelismo: Caso Kariene – O Estupro, o Silêncio das mídias e judiciário.

Vivemos uma realidade em que 90% das mulheres que são vitimas de estupro não denunciam o crime, a pergunta que não se cala é: Por quê? Será que quem questiona o fato não sabe mesmo esta resposta? O exercício é fácil, colocar se no lugar da mulher estuprada e analisar os prós e contras de ir buscar justiça pela violação de seu corpo.

Sabemos que as delegacias são extremamente despreparadas para receber denuncias de crimes contra as mulheres, desde a agressão física até estupro, as mulheres sabem que ao recorrer à formalização da denuncia serão questionadas de forma a fazerem-nas participes da própria violência que sofreram:

– Por que estava neste lugar, neste horário e com esta roupa?

– Você resistiu?

– Deixou claro que não queria?

Estas são algumas das perguntas que são feitas por profissionais da área da segurança pública que violentam a mulher emocionalmente, fazendo parte do ciclo de violência contra a mulher vitima de estupro, violência esta misógina e hedionda.

Um exemplo claro deste tipo de conduta aconteceu diante dos nossos olhos quando veio à tona o estupro coletivo de uma adolescente no Rio de Janeiro, em 21 de Maio. O delegado responsável pelo caso Alessandro Thiers, foi afastado pelo Ministério Público do Rio negligenciar o relato da adolescente violentada. O delegado adotou uma postura de questionamento da palavra da vítima e disposto a investigar seus antecedentes em vez de adotar essa conduta com os denunciados.

Outros motivos para subnotificação são: Medo de repetição da violência, quando o estuprador é um parente, amigo, namorado, alguém que a vitima tenha tido ou mantenha uma relação afetiva.

Um levantamento feito pela revista ISTOÉ mostra que apenas 3% dos casos de violência sexual contra as mulheres terminam em condenações. Ou seja, 97% dos casos de estupro no Brasil não resultam em condenação. A prisão de estupradores no Brasil é de até 10 anos, apesar de ser considerado um crime hediondo, a punição é extremamente pequena e irrelevante se levarmos em conta que o sistema prisional do Brasil não tem compromisso com a reeducação e recuperação do criminoso. As vitimas tem razão em temer passar pela mesma violência outra vez ou até ser vitima de feminicidio por vingança devido a denuncia.

Muitas mulheres decidem pela denuncia, ou pelo menos pela procura de um serviço de saúde quando o estupro resulta em gravidez, o desespero em saber – se grávida de uma situação de violência extremamente traumatizante as força a uma atitude que supera os medos.

Segundo o ginecologista Jefferson Drezett, coordenador do projeto “Bem Me Quer” do hospital Pérola Byington, na região central de São Paulo, referência no atendimento de mulheres e crianças vítimas de violência sexual. 5% a 6% das mulheres em idade fértil que foram estupradas e não usam métodos contraceptivos engravidam, doenças sexualmente transmissíveis atingem 32% das mulheres e o dano psicológico é comum para quase 100% das vítimas.

A violência contra a mulher no Brasil é extremamente naturalizada, o estupro tornou – se motivo de orgulho e ostentação, não é raro os estupradores filmarem o ato e divulgarem na internet, em alguns casos mostram o próprio rosto e deixam clara a autoria, como aconteceu no estupro da adolescente do Rio de Janeiro.

Importante que seja muito frisado que não existem monstros e nem homens vitimas de uma patologia no cenário do estupro, este comportamento, de ostentação da violência contra a mulher, revela uma sociedade criminosa e violenta contra a mulher. Que entende o corpo da mulher como se fosse feito para o homem usufruir.

Estupro no Nordeste do País é abafado pelo coronelismo, vitimas são ameaçadas.

Alguns casos ganham notoriedade na mídia sobre a violência contra as mulheres, mas normalmente, casos que geram grande comoção popular e que darão muita visibilidade não ao caso apenas, mas ao veiculo midiático que a publicou. Um exemplo destes casos aconteceu em 2015 quando o Brasil todo voltou seu olhar para o Nordeste em função dos crimes que aconteceram por lá, vamos relembrá-los:

Piauí – No dia 27 de maio, quatro adolescentes com idade entre 15 e 17 anos foram agredidas e estupradas por outros cinco jovens no município de Castelo do Piauí, a 180 km da capital Teresina.

Pernambuco – Maria Alice de Arruda Seabra, 19 anos, foi encontrada morta em um canavial na Região Metropolitana do Recife. Após cinco dias desaparecida, o corpo da jovem foi achado com a mão esquerda decepada e o rosto coberto por uma camisa. O assassino confesso era padrasto da vítima, que a criou desde os quatro anos de idade.

Paraíba – Caroline Teles Figueira, 31 anos, voltava da festa junina da creche do seu filho, ao lado da amiga Glória Silva, 42 anos. Elas estavam paradas dentro de um carro enquanto o bebê era amamentado. Dois homens em uma moto abordaram as vítimas – um deles entrou no automóvel e obrigou Glória a dirigir até a Mata da Usina Santa Tereza, no município de Goiana, já no estado de Pernambuco. Lá as mulheres foram despidas, espancadas e estupradas. Após os atos, um dos criminosos as atropelou e fugiu.

Ceará – No dia 1 de julho, na cidade de Capistrano, interior do Ceará, duas adolescentes foram estupradas. Luciana Alves de Brito, de 17 anos, foi agredida a pauladas e jogada em um poço, onde foi encontrada morta. A outra menina, de 16 anos, conseguiu fugir do local e chegou ao hospital da cidade ainda com as mãos amarradas e várias marcas de agressão. As vítimas tinham saído com um grupo de rapazes.

Estes casos ganharam muita notoriedade por causa da violência extrema que foi utilizada, e o final trágico para algumas mulheres que perderam a vida, mas em casos que as mulheres saem da situação da violência e denunciam o ocorrido à mídia ignora completamente, deixando apenas para as feministas e aliados o trabalho de não permitir que caísse no esquecimento, é o caso de Kariene, mais um caso a ser incluído na lista de crimes sexuais contra as mulheres no nordeste.

Rio Grande do Norte – O estupro cometido contra Kariene

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Um ano antes destes casos citados acima, 2014, aconteceu um crime em Assu (Assu é um município brasileiro no interior do estado do Rio Grande do Norte, situado na Região Nordeste do país) que vem sendo negligenciado pela justiça: Kariene Karla Avelino Soares foi vitima de estupro.

O crime foi denunciado por Kariene cerca de duas horas após o ocorrido, e a mesma afirma que além do homem que a submeteu ao estupro, o crime teve participação clara da esposa do mesmo, trata – se de um dentista chamado Jovane Dantas e sua esposa Andrea Dantas.

A morosidade com a situação denunciada por Kariene levou a jovem a sair do país, em seu facebook ela relata que o Homem que estuprou tem 19 armas legais em seu nome, alem de estar em liberdade possui armas e faz ameaças contra a vitima.

A investigação do caso constatou que houve estupro e indiciou tanto Jovane quanto  sua esposa, Andrea por estupro enquadrados no artigo 213 do codigo penal Brasileiro, contudo ambos permanecem em liberdade.

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Jovane Dantas é apontado por outras três vitimas, ele mantém uma campanha difamatória contra Kariene nas redes sociais onde a acusa de ser prostituta, e em outra versão diz ter tido um caso com ela, em liberdade, ele defende – se da acusação da jovem e a ameaça, assim como ameaça também as feministas que estão em apoio a ela, divulgando sua historia, já que em Assu, Jovane parece ser um coronel, do tipo que influencia a justiça e a mídia, não é a toa que ele é um dos principais patrocinador do único programa policial do município chamado “caderno de Ocorrências”.

Outro fato que nos deixa perplexas é saber que o caso de Kariene irá a julgamento e que o nome dos juízes que julgarão o caso tem o mesmo sobrenome do réu do caso de estupro, Suzana Paula de Araujo Dantas e Marivaldo Dantas de Araujo. No interior do nordeste a pratica de coronelismo ainda é vigente, não é incomum aquela região, parte de um território pertencer a uma família e outra parte a outra família, a questão dos sobrenomes iguais deve ser esclarecido, pois este julgamento merece completa imparcialidade como qualquer outro.

O depoimento de Kariene: “Fui Estuprada com consentimento da esposa do meu agressor”.

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Fui estuprada ha três anos por um dentista na minha cidade de ASSU/RN.

Eu ensinava inglês, aulas particulares, a esposa do dentista Jovane Dantas, seu nome é Andreia. Já ministrava as aulas a cerca de oito meses ou mais.

Andreia, repentinamente passou a me convidar para um banho de piscina que eu sempre recusava porque trabalhava bastante e quando chegava à noite queria ficar com meu filho.

No dia 28 de Abril de 2014 eu aceitei esse banho de piscina depois da aula. Tenho que lembrar que antes da aula começar ela tinha dito pra mim que tinha sido o aniversario do marido dela e ela iria contratar uma prostituta de presente pra ele, fiquei surpresa, contudo continuei minha aula.

Quando a aula terminou, Andreia insistia no convite, mesmo com o tempo chuvoso e chovia naquele momento. Acabei aceitando o convite mesmo assim.

Quando entramos na piscina ela me falou que eu tinha um sexappeal enorme ”que eu exalava sexo” Eu novamente achei aquilo muito sinistro, mas não sabia como sair daquela situação.

O marido dela apareceu do nada e pulou na piscina e perguntou sobre o que estávamos conversando e ela falou: “estava falando pra kari que ela tem o sexappeal enorme” então ele cheirou meu braço e disse ”SIM” fiquei muito constrangida depois ele voltou e tocou minha perna, chamei a Andrea pra perto, mas ela parecia está gostando da situação.

Pra quebrar o clima comecei a falar sobre trabalho quando ela me ofereceu o banheiro eu fui. Entendi como se ela quisesse ficar a sós com o marido. Quando voltei pra piscina ele se aproximou de mim falando sobre trabalho, me distraiu e Andrea saiu pelas minhas costas. Eu não tinha percebido e de repente ele disse ”Andrea disse que você gostaria de colocar silicone, mas por quê? Seus seios são tão lindos!” e então ele baixou a parte de cima do meu biquíni e me atacou e arrancou a parte de baixo e me penetrou.

Eu gritava por Andrea, mas ela não veio me ajudar, eu pedia pra ele parar, mas, ele me afogava e me estuprava! Depois de algum tempo eu já não tinha mais força pra me debater, eu só esperava que aquilo acabasse. Tudo que vinha a minha cabeça era sair viva e ver meu filho novamente.

“Ele me perguntou após o estupro se eu havia gostado”

Chegou a um ponto que meu choro não cessava então ele parou pegou a parte de baixo do meu biquine e me devolveu e me disse com a cara mais sínica do mundo ”você gostou?” Eu tremia e chorava eu só consegui dizer ”isso é errado”, eu temia por a minha vida.

Corri para o quarto onde eu ensinava Andrea, e lá estava ela… O quarto de frente para a piscina com uma janela de vidro, tive certeza naquele momento de que ela viu tudo.

Eu me tremendo e chorando com a voz falha disse:

”como você aceita isso?Eu confiava em você”

Ela me disse: “Nada vai mudar entre a gente, está tudo bem” ela disse isso com a expressão mais irônica do mundo. Eu já não tinha mais reação ela me puxou pra me dar um banho e eu por medo que me fizesse algo aceitamos.

Depois do banho pedi pra ir pra casa disse que iria chamar meu moto taxi de confiança, mas ela disse que iria me deixar em casa. Meu pai me ligou e disse”Onde você está? “Cuidado com esse povo” como se ele pressentisse algo, mas eu não podia dizer nada, pois ela estava do meu lado.

Ela foi me deixar em casa e seu marido já não estava mais no jardim.  Eu chorava em estado de choque. Depois ela me mandou uma mensagem no celular que dizia: ”Fique bem minha amiga eu gosto muito de você, você é uma pessoa que me faz muito bem e eu não quero perder isso”.

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Passei a noite em minha casa, pois sabia que meu pai tem o temperamento estourado e se dissesse a ele na noite ele teria ido lá e esse dentista possui um arsenal de armas em casa.  Por volta das duas horas da manhã liguei pro meu esposo que esta trabalhando na Inglaterra e ele me orientou a ir a policia, mas tive muito medo por serem pessoas influentes e perigosas.

Já se passaram três anos, desde então duas outras vítimas vieram à diante. Hoje ele responde em liberdade e eu vivo, na minha própria prisão, fora do meu país.

Estupro: A Barbárie Machista

Quando você acabar de ler esse texto, uma mulher terá sido estuprada em algum lugar do país. É esse o dado bárbaro divulgado pelo 10º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

A realidade é que a Lei Maria da Penha tem pouco efeito prático. As políticas de proteção à mulher sofrem sucessivos cortes e as mulheres, principalmente as trabalhadoras ficam à mercê da violência machista que mata mulheres todos os dias.

Os altos índices de casos de estupro em nosso pais escancaram a barbárie machista, que para além dos agressores, que devem ser punidos com rigor, devemos vislumbrar que existe uma sociedade que cria estes homens que sentem se autorizados a tratar as mulheres como se fossem objetos sexuais a disposição deles.

Os casos de estupros que escandalizam a população não podem ser vistos como casos isolados, estamos a merce de um país em que a cada uma hora uma mulher é estuprada, um país em que um deputado como Bolsonaro faz apologia aberta ao estupro e fica impune. Crimes como este e assassinatos contra mulheres, negros e negras das periferias e LGBTs acontecem todos os dias pela mão do Estado, seja diretamente pela polícia, seja pela disseminação da ideologia da opressão e pela impunidade e descaso completo com o tema, a começar pela falta de investimentos em políticas públicas mínimas.

Nós, mulheres, aprendemos, desde pequenas, que somos propriedade de alguém. Primeiro, do pai que nos dá ordens e controla nossas vidas. Depois, de um marido que nos dita regras e tem o direito velado de nos punir com agressões psicológicas e físicas. Junto com isso, a mídia dissemina a ideia de que somos objetos de consumo masculino e impõe um padrão a ser seguido. E, assim, se constrói o mito da inferioridade da mulher.
O machismo é parte essencial da sociedade capitalista: o capitalismo aproveita-se das diferenças para a impor uma condição de inferioridade à mulher e superexplorá-la. O machismo tem que acabar, é isso só vai acontecer com o fim desta sociedade de classes pelas mãos de homens e mulheres trabalhadores. Enquanto isso, porém, é preciso continuar combatendo todos os dias e não permitir que situações de opressão, das mais banais até as mais hediondas como esta, sigam acontecendo e passem impunes.

 

Sites pesquisados

  1. 90% das mulheres estupradas não denunciam agressor

http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2014-04-25/90-das-mulheres-estupradas-nao-denunciam-agressor-diz-especialista.html

  1. Por que o estupro continua impune no Brasil

http://istoe.com.br/por-que-o-estupro-continua-impune-no-brasil/

  1. Casos de estupro e assassinatos chocam o país

http://www.revistanordeste.com.br/noticia/brasil/barbarie+no+nordeste+casos+de+estupros+e+assassinatos+chocam+o+pais-11661

 

 

Sobre a Reforma da Previdência, a Greve geral do dia 28 de Abril, a relevância desta luta para as mulheres da classe trabalhadora.

MULHERES,

Quarta – feira, 26 de Abril de 2017, haverá a reunião de um comitê para preparar a greve geral do dia 28 de abril de 2017, sexta – Feira. O chamado a greve pelas centrais sindicais e para combatermos as reformas da previdência e trabalhista, que sem nenhuma duvida atingira de forma muito nociva as mulheres.

O comitê da zona sul será reunido na Rua Miguel Auza, 59, Capão Redondo. Próximo ao metro Capão.

A ultima reunião foi em 19 de Abril e recebeu militantes de algumas organizações e independentes, além de um surpresa genial, muitos alunos de escolas das redondezas saíram da sala de aula e foram para a rua ter uma aula de cidadania, de luta pelos seus direitos.

O QUE ISSO TEM A VER COM AS MULHERES?

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Limitar a discussão ao fato de que Temer e seus lacaios querem equiparar a idade mínima das aposentadorias entre homens e mulheres é uma forma de usar o machismo para encobrir problemas muito mais profundos, enquanto os homens e mulheres perdem se nesta discussão, que e proposital o que esta acontecendo:

  1. A imposição de uma idade mínima para aposentadoria
  2. O fim da aposentadoria por idade
  3. O fim da aposentadoria especial para professora e trabalhadores rurais
  4. O fim da possibilidade de acumular a aposentadoria com a pensão por morte e a desvinculação dos benefícios previdenciários ao salário mínimo, entre outras modificações.

De fato atinge a classe trabalhadora como um todo, contudo, o ataque mais brutal será sobre as mulheres devido a nossa condição na sociedade machista que já e inferiorizada, que não esta em posição de equidade, e dizer que isso não é problema da previdência resolver, e uma total falta de sensibilidade e coerência, pois que se o capitalismo se pauta no machismo para nos relegar a mercado de reserva, com os piores salários e posições, a previdência deve sim nos reparar pela nossas duplas e triplas jornadas.

Os argumentos para que passe estes taques sobre nos são argumentos machistas e que tratam nossa situação com uma total falta de conhecimento. Dizem muitas coisas, entre elas:

Que as mulheres estão vivendo mais que os homens e, se aposentando mais cedo tendem a “custar” mais para a previdência;

  1. A de que quando a diferenciação foi implementada, as mulheres compunham uma parte muito pequena da força de trabalho e por isso o impacto na previdência era pouco significativo;
  2. A de que a tecnologia reduziu o tempo dos afazeres domésticos das mulheres;
  3. E até mesmo de que a ampliação da participação na força de trabalho leva “naturalmente” à redução das desvantagens em termos de remuneração e condições de trabalho;

Tudo balela, este tipo de argumento deseja apenas suscitar o machismo dos nossos companheiros de classe homens, para que nos dividamos, e sejamos menos fortes no combate as mudanças que aprofundarão ainda mais as diferenças sociais entre homens e mulheres, levando as mulheres ao poço da miséria com mais eficácia e a dependência financeira dos homens, que alias, e um dos motivos mais evidentes do por que as mulheres permanecem tanto tempo em relacionamentos abusivos e sofrendo violência domestica.

O capital lucra enormemente com os trabalhos não remunerados que as mulher  realiza para a burguesia: Lavar, passar, cozinhar, cuidar dos filhos… São apenas algumas das situações onde a mulher usa sua força de trabalho para garantir a manutenção de si mesma como trabalhadora, de seu companheiro, seu pai, seus irmãos, filhos, estes serviços ditos como cuidados a família nada mais são do que trabalho escravo que a mulher presta ao capital. A mulher que terceiriza este serviço, usa o próprio salário para manutenção de trabalhadores que servem a burguesia. Ou seja, trabalhamos no lar para sermos capazes de vender nossa força de trabalho a burguesia e para que nossos parentes homens, sejam também.

Outra balela que estão contando e que não se confirma e de que a aposentadoria antecipada das mulheres e uma das causas do rombo da previdência. Primeiro que se existe um rombo na situação financeira não é culpa das mulheres e sim de uma quadrilha muito bem organizada e majoritariamente composta por homens que estão roubando há anos o dinheiro publico. Sempre tem dinheiro para ser roubado para abastecer o bolso da burguesia e seus luxos, mas para a classe trabalhadora, o dinheiro é sempre escasso. Salarios defasados, leis trabalhista já retrogradas e insuficientes, mas isso não basta, querem aprofundar nossa pobreza e exploração.

Quebrando Mitos

  1. Primeiro: o mito de que a aposentadoria antecipada das mulheres “custa muito” para a previdência.
    1. Segundo dados da própria previdência social, as mulheres representam 44,3% do total de contribuintes do INSS, entretanto, apenas 33% das concessões de aposentadorias por tempo de contribuição são para mulheres.
    2. Em termos monetários o percentual é ainda mais baixo, em 2014 dos R$ 8,7 bilhões pagos pela previdência aos aposentados por tempo de contribuição apenas R$ 2,1 bilhões, ou seja, 24,8%, foi destinado às mulheres.
    3. Por outro lado, as mulheres são 56,7% do total de beneficiários da previdência, mas somente 51,3% do é pago vai para elas, isso significa que o valor médio do benefício das mulheres é no geral 20% menor do que o dos homens.
    4. Além disso, quando separados por grupos de espécies e entre homens e mulheres, os benefícios em que as mulheres representam maioria, além do salário-maternidade, onde, evidentemente elas constituem 100%, são a pensão acidentária, (94,9%), a pensão por morte (79,2%) a aposentadoria por idade (62,4%) e o auxílio-reclusão (58,6%).
    5. Como os homens morrem mais cedo que as mulheres, acabam deixando uma legião de viúvas e filhos. Por outro lado, a absoluta maioria dos presos é composta por pessoas do sexo masculino, somente 6,4% da população carcerária é do sexo feminino, que, quando segurados do INSS, dão o direito às esposas/companheiras e seus filhos a receberem o auxílio-reclusão. É isso que explica porque as principais beneficiárias da pensão por morte e do auxílio-reclusão são as mulheres.
    6. Por isso, inclusive o segundo argumento, de que quando as regras foram estabelecidas as mulheres compunham uma parcela muito pequena da força de trabalho tampouco se sustenta, porque no caso do salário maternidade a mulheres, para receber tem que ser segurada, ou seja, tem que contribuir, já em relação à pensão por morte e auxílio-reclusão estão relacionados à qualidade de segurado de quem morreu ou foi preso e não de quem recebe o benefício.
    7. Outro dado é que as mulheres são maioria entre os idosos, mas o nível de proteção social delas não é igual ao deles. Enquanto a proteção social dos homens atinge 86,1% dos idosos do sexo masculino (10 milhões), entre as mulheres está estimada em 78,5%, (11,5 milhões). Desse total de idosas protegidas, 7 milhões são aposentadas (61%), 2,3 milhões pensionistas (20%) e 1,7 milhão são aposentadas e pensionistas.
    8. Essa diferença de proteção na velhice reflete a trajetória das mulheres no mercado de trabalho, em condições bem mais precárias e sujeitas a maior grau de vulnerabilidade.
    9. Por outro lado, a evolução da estrutura populacional revela que as mulheres são maioria na população e também que há uma “feminização” cada vez maior da velhice, mas, embora a esperança de vida das mulheres seja maior, há estudos que indicam que a expectativa de vida saudável delas é a mesma da dos homens, ou seja, que elas vivem mais, mas com a saúde comprometida.

  1. Quanto ao terceiro argumento, de que a ampliação na força de trabalho tende a reduzir naturalmente as desigualdades.
    1. Atualmente no Brasil a maioria das pessoas se aposenta por idade, dos cerca de 18 milhões de aposentadorias em vigor: 52% são por idade, 28%, por tempo de contribuição e 20% por invalidez. Isso é consequência, sobretudo, das características do mercado de trabalho brasileiro, com altos níveis de desocupação e subaproveitamento da força da força de trabalho e grau elevado de informalidade.
    2. A tendência cada vez mais frequente das flexibilizações e desregulamentação das leis trabalhistas (terceirização, trabalho temporário, só para citar alguns exemplos) também colabora para a redução do número de pessoas que se aposentam por tempo de contribuição pois, embora a maioria dos trabalhadores ingresse no mercado de trabalho muito cedo, permanece nele em condições muito adversas.
    3. No caso das mulheres trabalhadoras, essas situações são agravadas pela sua condição de oprimidas e duplamente exploradas. Em outras palavras, o machismo naturalizado na sociedade impõe às mulheres uma série de desvantagens no mercado de trabalho que, via de regra, às acompanha ao longo de toda sua trajetória laboral até o momento da aposentadoria: a localização nos setores mais precarizados e mais mal remunerados (divisão sexual do trabalho), diferenciação salarial entre homens e mulheres, maior dificuldade de conquistar postos de chefia e, sobretudo, a desvantagem na distribuição dos afazeres doméstico entre os sexos (dupla jornada) que faz com que a soma total da jornada de trabalho das mulheres (dentro e fora de casa) seja maior do que a dos homens.
    4. Segundo o IBGE, a renda das mulheres equivale a 76% da renda dos homens –o rendimento da mulher negra é bem mais baixo, menos de 40% do que ganha um homem branco–; e as possibilidades de assumirem cargos de chefia ou direção são menores. Entre os homens com mais de 25 anos, 6,2% ocupam posições de chefia, mas entre as mulheres na mesma faixa etária esse percentual é de 4,7%. Nesses cargos, fazendo a mesma coisa, o salário das mulheres equivale a 68% do salário dos homens.

A dupla jornada faz com que muitas trabalhadoras aceitem buscar empregos em tempo parcial por isso a jornada semanal das mulheres nas atividades remuneradas é seis horas menor do que a dos homens, entretanto, como dedicam duas vezes mais tempo aos afazeres domésticos, no total, as mulheres trabalham cinco horas a mais por semana. Cai por terra aí o quarto argumento, de que a tecnologia reduziu o tempo dos afazeres domésticos das mulheres. Ao todo, a jornada das mulheres é, em média, de 55,1 horas semanais, contra 50,5 horas dos homens.

Apesar disso, tem crescido o número de famílias chefiados por mulheres. Considerando todos os arranjos familiares, elas são a pessoa de referência de 40% dos lares brasileiros (essa proporção é ainda maior entre as famílias mais pobres, onde as mulheres negras assumem o papel de principal provedora). Entre os arranjos formados por casais com filhos, uma em cada quatro casas é sustentado por mulheres. Há também uma evidente tendência de crescimento das famílias monoparentais, especialmente aquelas formadas por mãe+filhos (o percentual de homens morando sozinhos com filhos ainda é mínimo), o que tende a ampliar o número de horas de trabalho doméstico realizado pelas mulheres.

Manter a diferença de idade para aposentadoria entre homens e mulheres é, portanto, uma questão de justiça social: ao longo de suas vidas, as mulheres ganham menos, tem menos oportunidades de ascender no trabalho e trabalham mais, pois enfrentam a dupla (às vezes tripla) jornada, no trabalho e no lar. Essa é a principal justificativa para a diferenciação nos critérios de aposentadoria: a dupla jornada combinada com os baixos salários das mulheres.

É também uma forma de compensar um trabalho que o Estado não reconhece e nem remunera. Sabe-se que a permanência das mulheres no mercado de trabalho formal é menor do que a dos homens, de acordo com dados da RAIS, as mulheres ficam em média 37 meses no mesmo emprego, já os homens, 41,7 meses. Isso está relacionado, entre outros fatores, à ausência de serviços públicos como creches e escolas em tempo integral para deixar seus filhos e instituições para cuidados com os idosos e os enfermos da família. Esse trabalho é essencial para a vida em sociedade e deveriam ser garantidos pelo Estado, mas não são e recaem quase que exclusivamente sobre a mulher. A diferença de critérios de aposentadoria tem o objetivo de compensar, em parte, essa imensa desigualdade, por isso a proposta de equiparar o tempo de contribuição para a aposentadoria trará prejuízos enormes às mulheres trabalhadoras e aumentará o já enorme abismo que separa homens e mulheres na sociedade.

Equiparar o tempo de contribuição para aposentadoria sem levar em conta as enormes desigualdades entre homens e mulheres já se configura numa enorme injustiça, mas que isso se dê em base ao aumento do tempo de contribuição para as mulheres (e não a redução para os homens) é ainda mais grave. A maioria das mulheres se aposenta por idade porque não consegue alcançar os 30 anos necessários para a aposentadoria por tempo de contribuição, tanto que a idade média das mulheres que se aposentam por essa modalidade é de 57,5 anos (somente 2,5 anos a menos do que a idade mínima para aposentadoria por idade), já entre os homens (cuja idade mínima para aposentadoria por idade é de 65 anos) é de 59,3 anos. Ao contrário do que se pensa, a média da diferença de idade de aposentadoria por tempo de contribuição entre homens e mulheres não é de 5 anos, mas de 1,8 anos apenas, isso significa que a equiparação dos requisitos para a aposentadoria vai levar, muito provavelmente, as mulheres a se aposentarem (caso consigam) com bem mais idade do que os homens.

A idade média das mulheres que se aposentam por tempo de contribuição é de 57,5 anos (a dos homens 59,3 anos). Considerando que para se aposentar dessa forma as mulheres necessitam hoje de 30 anos de contribuição (360 meses) e a idade mínima para começar a contribuir é de 16 anos, para cada ano de vida “útil” no mercado de trabalho são contabilizados em média 8,6 meses trabalhados. No caso dos homens, que precisam de 35 anos de contribuição (ou 420 meses) se utilizarmos a mesma fórmula chegaremos a 10 meses trabalhados por ano de vida “útil”. Se a reforma passar, tanto os homens como as mulheres terão de contribuir por 49 anos para ter direito a se aposentar com o valor integral do benefício (588 meses), se aplicarmos os cálculos acima, os homens teriam de trabalhar até os 75 anos. Já as mulheres até os 84 anos.

Mas o que está por trás disso não é só que praticamente ninguém mais vai conseguir se aposentar com o benefício integral, mas que as mulheres, quando conseguirem (e se conseguirem) se aposentar o farão com um valor bem abaixo do que os homens na mesma situação.

Mas se igualar os requisitos pode levar a que muitas mulheres jamais consigam se aposentar por tempo de contribuição, isso, junto com o fim da aposentadoria por idade significará, na prática, excluir de forma definitiva as mulheres do direito a se aposentar. Essa é mais uma das razões pela qual nos posicionamos veementemente contra essa infame proposta de reforma da previdência, porque prejudica de forma colossal as trabalhadoras e se aprovada aprofundará as já enormes desigualdades entre homens e mulheres na sociedade.

Por isso companheiras, não vamos baixar nossas cabeças e aceitar de Mao beijada que nos ataquem de forma tão brutal, retirando nossos direitos, com dizia a Simone de Beauvoir, em direitos não se mexe, e temos que estar atentas aos nossos direitos conquistados pois “Esses direitos não são permanentes. Você terá que manter-se vigilante durante toda a sua vida.” Simone de Beauvoir

Vamos agora sair de nossa latência, e mostrar que não somos inofensivas, não somos submetidas e nem admitiremos que uma gangue de homens corruptos nos lesem ainda mais!

TODAS PELA GREVE GERAL

PARAR OU RETROCEDER EM DIREITOS? PARAR!

FORA TEMER, FORA TODOS ELES!

 

O Dia das Mulheres

 

Introdução

NÓS VAMOS COM ÃNGELA DAVIS E ALEXANDRA KOLLONTAI, ATÉ A REVOLUÇÃO

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Por: Verinha Kollontai

Vamos postar este texto da Alexandra Kollontai hoje, por que como praticamente tudo que ela escreveu há tantos anos, é de uma atualidade espantosa e nos suscita o questionamento de que tantos anos depois continuamos no mesmo compasso, atrasados e misturadas a movimentos que pretendem reformas pontuais por dentro do sistema e que de forma alguma sanarão em sua completude a questão da opressão da mulher.

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Os recentes ataques que a classe trabalhadora vem sofrendo atingem de cheio a mulher, parte mais frágil da classe, que incorpora as filas do exercito de reserva, fora que os ataques somam se a retiradas de direitos conquistados pelas mulheres, como aposentadoria com idade inferior a do homem devido a dupla jornada de trabalho, no mercado de trabalho e em casa.

A retirada de direitos deixa claro que nada que conquistamos dentro do sistema capitalista será nosso de forma definitiva. Não por isso deixaremos de reivindicar direitos humanos para as mulheres nem deixaremos de lutar contra o machismo esperando pela revolução, mas temos que atrelar nossa luta a construção do processo revolucionário, rumo a derrubada do Capitalismo e para implantação de um novo modelo de vida numa sociedade socialista.

Por isso, não vamos hoje a Sé, nos juntarmos as mulheres que decidiram por uma luta reformista e com apoio a candidatura de Lula para 2018. Não vamos sair em defesa de reformas e de uma solução magica por dentro do sistema se sabemos que este sistema tem que ser destruído como unica opção para nossa libertaçao. Vamos ao Masp, chamando uma Greve Internacional de mulheres, em coro com ANGELA DAVIS (1) que lançou com outras intelectuais um chamado/ para uma ação revolucionária, para que a manifestação contra TRUMP, que foi a maior manifestação das mulheres que consta na nossa historia, seja arquivada como uma bela manifestação, mas que ela seja o começo de um REVOLUÇÃO.

 

O Dia da Mulher

Alexandra Kollontai

O que é o dia da Mulher? É realmente necessário? Não seria uma concessão às mulheres da classe burguesa, às feministas e sufragistas¹? Não seria nocivo à unidade do movimento operário? Estas questões ainda se escutam na Rússia, embora já não no exterior. A própria vida já deu uma resposta clara e eloquente a tais perguntas.

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O Dia da Mulher é um elo na longa e sólida cadeia da mulher no movimento operário. O exército organizado de mulheres trabalhadoras cresce cada dia. Há vinte anos, as organizações operárias não tinham mais do que grupos dispersos de mulheres nas bases dos partidos operários… Agora os sindicatos ingleses têm mais de 292.000 mulheres sindicalizadas; na Alemanha são em torno de 200.000 sindicalizadas e 150.000 no partido operário, na Áustria há 47.000 nos sindicatos e 20.000 no partido. Em toda a parte, em Itália, na Hungria, na Dinamarca, na Suécia, na Noruega e na Suíça, as mulheres da classe operária estão se organizando. O exército de mulheres socialistas tem perto de um milhão de membros. Uma força poderosa! Uma força com a qual os poderes do mundo devem lidar quando se trata do custo da vida, a segurança da maternidade, o trabalho infantil ou a legislação para proteger as mulheres trabalhadoras.

Houve um tempo em que os homens trabalhadores pensavam que deveriam carregar sobre os seus ombros o peso da luta contra o capital, pensavam que eles sozinhos deveriam enfrentar o “velho mundo” sem o apoio das suas companheiras. Porém, como as mulheres da classe trabalhadora entrando nas fileiras daqueles que vendem o seu trabalho em troca de um salário, forçadas a entrar no mercado de trabalho por necessidade, porque o seu marido ou pai estava desempregado, os trabalhadores começaram a reparar que deixar atrás as mulheres nas fileiras dos “não-conscientes de classe” era prejudicar a sua causa e evitar que avançassem. Que consciência de classe possui uma mulher que senta no fogão, que não tem direitos na sociedade, no Estado ou na família? Ela não tem ideias próprias! Todo o faz é segundo ordena o seu pai ou marido…²

O atraso e a falta de direitos sofridos pelas mulheres, a sua dependência e indiferença não são benéficos para a classe trabalhadora, e de fato são um mal direto para a luta operária. Mas, como entrará a mulher nesta luta, como acordará?

A social-democracia estrangeira não vai encontrar solução correta imediatamente. As organizações operárias estavam abertas às mulheres, mas só umas poucas entravam. Por quê? Porque a classe trabalhadora, ao começo, não vai dar por si que a mulher trabalhadora é o membro mais privado, tanto legal quanto socialmente, da classe operária, que ela foi espancada, intimidada, encurralada ao longo dos séculos, e que para estimular a sua mente e o seu coração necessita uma aproximação especial, palavras que ela, como mulher, entenda. Os trabalhadores não se vão dar conta imediatamente de que neste mundo de falta de direitos e de exploração, a mulher está oprimida não só como trabalhadora, mas também como mãe, mulher. Porém, quando membros do partido socialista operário entenderam isto, fizeram sua a luta pela defesa das trabalhadoras como assalariadas, como mães e como mulheres.

Os socialistas em cada país começam a demandar uma proteção especial para o trabalho das mulheres, segurança para as mães e os seus filhos, direitos políticos para as mulheres e a defesa dos seus interesses.

Quanto mais claramente o partido operário percebia esta dicotomia mulher/trabalhadora, mais ansiosamente as mulheres se uniam ao partido, mais apreciavam o rol do partido como o seu verdadeiro defensor e mais decididamente sentiam que a classe trabalhadora também lutava pelas suas necessidades. As mulheres trabalhadoras, organizadas e conscientes, muito fizeram para elucidar este objetivo. Agora, o peso do trabalho para atrair as trabalhadoras ao movimento socialista reside nas mesmas trabalhadoras. Os partidos em cada país têm os seus comitês de mulheres, com os seus secretariados para a mulher. Estes comitês de mulheres trabalham na ainda grande população de mulheres não conscientes politicamente, levantando a consciência das trabalhadoras e organizando-as. Também examinam as demandas e questões que afetam mais diretamente à mulher: proteção e provisão para as mães grávidas ou com filhos, legislação do trabalho feminimo, campanha contra a prostituição e o trabalho infantil, a demanda de direitos políticos para as mulheres, a campanha contra o aumento do custo da vida…

Assim, como membros do partido, as mulheres trabalhadoras lutam pela causa comum da classe, enquanto ao mesmo tempo delineiam e põem em questão aquelas necessidades e as suas demandas que lhes dizem respeito mais diretamente como mulheres, como donas de casa e como mães. O partido apoia estas demandas e luta por elas. Estas necessidades das mulheres trabalhadoras são parte da causa dos trabalhadores como classe.

No dia da mulher as mulheres organizadas manifestam-se contra a sua falta de direitos. Mas alguns dirão, por que esta separação das lutas das mulheres? Por que há um dia da mulher, panfletos especiais para trabalhadoras, conferências e comício? Não é, enfim, uma concessão às feministas e sufragistas burguesas? Só aqueles que não compreendem a diferença radical entre o movimento das mulheres socialistas e as sufragistas burguesas podem pensar desta maneira.

Qual o objetivo das feministas burguesas? Conseguir os mesmos avanços, o mesmo poder, os mesmo direitos na sociedade capitalista que possuem agora os seus maridos, pais e irmãos. Qual o objetivo das operárias socialistas? Abolir todo o tipo de privilégios que derivem do nascimento ou da riqueza. À mulher operária lhe é indiferente se o seu patrão é um homem ou uma mulher.

As feministas burguesas demandam a igualdade de direitos sempre e em qualquer lugar. As mulheres trabalhadoras respondem: demandamos direitos para todos os cidadãos, homens e mulheres, mas nós não só somos mulheres e trabalhadoras, também somos mães. E como mães, como mulheres que teremos filhos no futuro, demandamos uma atenção especial do governo, proteção especial do Estado e da sociedade.

As feministas burguesas estão lutando para conseguir direitos políticos: também aqui os nossos caminhos se separam. Para as mulheres burguesas, os direitos políticos são simplesmente um meio para conseguir os seus objetivos mais comodamente e com mais segurança neste mundo baseado na exploração dos trabalhadores. Para as mulheres operárias, os direitos políticos são um passo no caminho empedrado e difícil que leva ao desejado reino do trabalho.

Os caminhos seguidos pelas mulheres trabalhadoras e as sufragistas burguesas separaram-se há tempo. Há uma grande diferença entre os seus objetivos. Há também uma grande contradição entre os interesses de uma mulher operária e as donas proprietárias, entre a criada e a senhora… portanto, os trabalhadores não devem temer que haja um dia separado e assinalado como o Dia da Mulher, nem que haja conferências especiais e panfletos ou imprensa especial para as mulheres.

Cada distinção especial para as mulheres no trabalho de uma organização operária é uma forma de elevar a consciência das trabalhadoras e aproximá-las das fileiras de aqueles que estão a lutar por um futuro melhor. O Dia da Mulher e o lento, meticuloso trabalho feito para elevar a auto-consciência da mulher trabalhadora estão servindo à causa, não da divisão, mas da união da classe trabalhadora.

Deixe que um sentimento alegra de servir à causa comum da classe trabalhadora e de lutar simultaneamente pela emancipação feminina inspire os trabalhadores a unirem-se à celebração do Dia da Mulher.

 

Citações:

  1. Beyond Lean-In: For a Feminism of the 99% and a Militant International Strike on March 8.

<http://www.revistaforum.com.br/2017/02/07/angela-davis-e-nancy-fraser-convocam-mulheres-para-uma-greve-geral-no-dia-8-de-marco/&gt;

Notas:

1.O movimento de mulheres socialistas da época procurava se diferenciar dos movimentos feministas e sufragistas de então por estes terem uma direção e política de caráter majoritariamente burguês ou pequeno burguês. Porém, como o texto deixa claro, as socialistas não negligenciavam a causa do sufrágio feminino ou outras causas específicas das mulheres.

2. Neste texto Alexandra Kollontai levanta a questão da formação de consciência de classe da mulher que recém adentrou no trabalho assalariado, e que antes estava confinada ao trabalho doméstico, que Kollontai considerava embrutecedor.

UM ATAQUE A APOSENTARIA DA CATEGORIA QUE MAIS TEM MULHERES EM SUA CONSTITUIÇÃO

 

Aposentadoria especial dos professores será extinta. Muitas pessoas podem pensar “ah mas por que eles tem aposentadoria especial?” Pode- se de forma equivocada, acreditar que trata-se de um privilégio, mas não é nada disso. A aposentadoria especial diz respeito a exposição destes profissionais a agentes nocivos a sua saúde.

Basta um Google rápido para descobrir que a saúde mental dos professores é um assunto muito comentado, e não é a toa, O estresse é o responsável pelo exagerado número de professores que se afastam da sala de aula, por falta de tempo para planejamento e excesso em sala de aula, momentos de lazer, pela falta de valorização profissional, pela ausência de apoio da família, e até mesmo dos alunos.

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Transtornos mentais e comportamentais foram as principais causas de afastamento por doença dos professores da rede municipal de São Paulo no ano passado. Foram 4,9 mil afastamentos para uma categoria com 55 mil profissionais, o que equivale a quase 10% dos trabalhadores.

Os dados são de um levantamento que está sendo feito pelo Departamento de Saúde do Servidor (DSS) da Secretaria Municipal de Gestão e Desburocratização. O estudo aponta o crescimento de problemas psiquiátricos entre os professores. Em 1999, esses transtornos eram responsáveis por cerca de 16% dos afastamentos. Dez anos depois, a porcentagem subiu para 30% – de um universo aproximado de 16 mil afastados. (1)

O noticiário é cheio de matérias sobre salas abarrotadas de alunos, 30 a 40 alunos em salas onde o certo seria 20 alunos, no máximo. O professor é explorado, pois oferece suas aulas a um valor que comportaria uma sala de 20 alunos, mas assume 30 a 40, beneficiando o Estado ou escolas particulares populares, o professor realiza um trabalho não pago, ou seja, a área da educação extraí  também mais valia destes profissionais.

Agora, somemos isso ao fato de que a maioria do contingente de professores é feminino e temos uma bomba, pois a dupla jornada de trabalho está ali massacrando as trabalhadoras que além das salas lotadas, do estresse, do abandono, salários defasados, exploração, ainda arcam com a responsabilidade dos serviços do lar e cuidado com a família.

Apoiar a luta dos professores é apoiar as mulheres na luta pelos seus direitos e reconhecimento de que dupla jornada e exploração, somada a fatores estressantes da profissão mais do que justificam uma aposentadoria especial. Acabar com a exploração e duplas jornadas ninguém dá um pio a respeito, mas aprofundar o ataque as mulheres trabalhadoras, sempre esta em pauta para estes governantes corruptos que não tem o menor problema em atacar trabalhadores para salvar os lucros dos burgueses.

A postura dos governos é de intransigência e total descaso com as reivindicações da educação pública.É preciso garantir todo apoio e solidariedade aos professores de todo o país! Pela unificação das greves e pela realização de uma Greve Geral da Educação!
Pelo atendimento das reivindicações da categoria!

1 – Transtorno mental afeta mais professores – Problema cresce na rede municipal de São Paulo e já atinge 10% dos docentes. Disponível em: http://www.estadao.com.br/noticias/geral,transtorno-mental-afeta-mais-professores-imp-,579869.

 

Nossos terreiros também são quilombos

Por: Cássia Clovié*, de terreiro.

No mês de novembro é lembrada a morte de Zumbi dos Palmares, que ao lado de sua companheira Dandara construiu e liderou o maior Quilombo já existente no Brasil Colônia, o Quilombo dos Palmares, que chegou a abrigar mais de vinte mil pessoas, entre negras/os escravizadas/os, indígenas e brancas/os pobres, se tornando o local mais significativo da resistência negra. A morte de Zumbi é homenageada no Dia Nacional da Consciência Negra, uma data muito importante para o movimento negro, resultante de muita luta.

Para nós, essa data precisa ser reconhecida não só para comemorar, mas para resgatar nossa história e lembrar que ainda temos muito por fazer, todos os dias, não só no dia 20 de movembro. Somos o legado de Dandara e Zumbi, resistimos e lutamos diariamente pelo direito de viver, contra o genocídio do nosso povo nas periferias, contra o mito da democracia racial, por políticas afirmativas. Mas, também resistimos e lutamos com nossa identidade e ancestralidade. Esta, por vezes esquecida, precisa ser exaltada também. Nossas religiões também são expressão máxima disso. Precisamos falar do candomblé e de nossos terreiros.

O candomblé se construiu da necessidade que as diferentes tribos de negras/os trazidas/os de África para serem escravizadas no Brasil tiveram de se comunicar, já que falavam dialetos diferentes entre si. A oralidade é a principal forma de comunicação e transmissão de conhecimento, sendo utilizada até hoje. No Candomblé, as/os Orixás são ancestrais divinizados, representantes das forças da natureza com as/os quais se mantém uma forte ligação familiar. As gerações passadas e os seus conhecimentos trazem consigo enorme importância, refletindo a preocupação com a conexão entre o passado, presente e futuro. Nesse sentido, expressam um respeito à ancestralidade e ao equilíbrio da natureza.

No Brasil, que é o terceiro país mais negro fora da África, com cerca de 50,7% de autodeclarações de pretos e pardos segundo dados do IBGE de 2010, apontam que 0,3% de negras/os e pardas/os são praticantes do candomblé e/ou umbanda. É preciso lembrar que a umbanda não é de matriz africana, mas o IBGE aponta as duas religiões como iguais. A presença de mulheres nos terreiros é expressiva, no entanto, os dados colhidos apresentam um resultado bastante diferente da realidade, apontando que de um universo de 335.135 homens, 293 são adeptos do candomblé e umbanda, ao passo que de 334.391 mulheres 262 assumiram seguir as duas religiões.

Quando fazemos o recorte de raça no que tange a religião, os dados do IBGE são desconcertantes. Entre brancas e brancos o número que se assumiu enquanto praticantes do candomblé e, ou umbanda foi de 149 pessoas de um total de 159.161. Já entre negras e negros esses dados foram de 128 pessoas de 56.205.

Ainda que o número de praticantes de candomblé entre pessoas negras seja bem mais expressivo, a banalização dos rituais, vestimentas e paramentos é impactante e parte de uma apropriação religiosa por parte de não-negras/os e do racismo religioso que tem nos silenciado cotidianamente em nossos terreiros e fora deles.

Em 2015, foi lançado o pré-relatório da intolerância religiosa organizado pela parceria de pesquisas entre os interlocutores e pesquisadores da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, Centro de Articulação de Populações Marginalizadas e o Laboratório de História das Experiências Religiosas do Instituto de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Visa apresentar dados do racismo religioso, velado ou não.

Os dados do Disque 100, criado pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos, apontam 697 casos de intolerância religiosa entre 2011 e dezembro de 2015, a maioria registrada nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. No Estado do Rio, o Centro de Promoção da Liberdade Religiosa e Direitos Humanos (Ceplir), criado em 2012, registrou 1.014 casos entre julho de 2012 e agosto de 2015, sendo 71% contra adeptos de religiões de matrizes africanas, 7,7% contra evangélicos, 3,8% contra católicos, 3,8% contra judeus e sem religião e 3,8% de ataques contra a liberdade religiosa de forma geral.

Dentre as pesquisas citadas, um estudo da PUC Rio sugere que há subnotificação no tema. Foram ouvidas lideranças de 847 terreiros, que revelaram 430 relatos de intolerância, sendo que apenas 160 foram legalizados com notificação. Do total, somente 58 levaram a algum tipo de ação judicial.

O trabalho também aponta que 70% das agressões são verbais e incluem ofensas como “macumbeiro e filho do demônio”, mas as manifestações também incluem pichações em muros, postagens na internet e redes sociais, além das mais graves que chegam a invasões de terreiros, furtos, quebra de símbolos sagrados, incêndios e agressões físicas.

Com base nestes dados é possível constatar que não se trata de casos de intolerância religiosa, mas de racismo religioso, tendo em vista que a grande maioria dos casos é relacionada às religiões de matriz africana. Para minimizar os efeitos danosos deste é preciso que nos apropriemos da história religiosa através de cursos, palestras e debates e nos aprofundemos nos reflexos dessas práticas na perpetuação dos nossos rituais, na nossa auto estima e reconhecimento dos nossos terreiros como locais de professar a fé como todos os outros.

O combate ao preconceito contra as religiões de matriz africana perpassa por compreendê-lo sob a perspectiva do racismo. É preciso discutir estas religiões transversalizadas pelo debate de raça e classe e da organização do povo de Ashé, para armar nosso povo de terreiro para o enfrentamento diário do que se convencionou chamar de intolerância religiosa. E o combate ao racismo perpassa por combater a violência contra os candomblecistas e os terreiros, e isso significa lutar por leis e políticas concretas de enfrentamento a esta violência.

Para aquilombar de verdade, é preciso passar por dentro do terreiro.

Foto: Terreiro Xambá do Quilombo do Portão do Gelo

Os padrões e as mulheres.

Por: Mariana Camara

Não é a balança ou o espelho que é inimigo da mulher, mas os padrões estéticos de uma sociedade racista, machista, gordofóbica e elitista. Sim, elitista, os padrões estéticos e o capitalismo estão interligados, os padrões são ditados pela ideologia da classe dominante, lembrando Marx em a ideologia Alemã “As ideias da classe dominante são, em todas as épocas, as ideias dominantes”.

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Por muito tempo, as mulheres, sobretudo as negras, gordas, trans, deficientes, etc., sofreram e ainda sofrem com os padrões de beleza que nos é imposto desde a infância. Quantas negras não tentaram afinar o nariz usando prendedores? Usando inúmeros truques de maquiagem? Alisando o cabelo desde pequenas? Seria mais fácil perguntas quantas não fizeram isso, e poderíamos contar, talvez, nos dedos das mãos, não é mesmo? E quantas mulheres se submeteram a dietas desumanas e cirurgias estéticas perigosas para chegar ao “corpo ideal”? Milhares. Isso acontece porque o padrão estético é branco, mesmo num país composta por negros, em sua maioria, e magro.

Atualmente, Ludmila, uma cantora negra, afinou o nariz por meio de cirurgia e isso gerou críticas e discussões sobre ela, fazendo com que muitos esquecessem que o problema não é ela, mas uma sociedade que inferioriza suas características e traços negróides.

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Isso se tornou um problema— que foi “resolvido”— que vivia na pele, tanto que sofria ataques racistas cibernéticos. Por causa disso, fora o “desejo” de ficar mais “bonita” e de bem consigo mesma, ela é uma consequência da nossa sociedade. Ela cedeu a isso para ter um pouco de paz. E isso se torna mais complicado quando é uma negra pobre e periférica que encara mais dificuldades em se encaixar nos moldes engessados pela sociedade.

Por isso esse problema não é só racista e machista mas também é um problema de classe, é uma opressão de classe. Padrões de beleza geram dinheiro e é tudo o que o capitalismo quer: dinheiro. Você precisa consumir para se enquadrar no padrão para não ser jogado à margem. Quanto mais dinheiro você possuir, mais fácil será atingir o padrão estético ora embranquecendo-se, como fez Michael Jackson, ora emagrecendo, como vemos tantas celebridades que sedem as bariátricas e cirurgias de lipoaspiração/lipoescultura etc… Muitas, nem saem da mesa de cirurgia para exibir os resultados, mesmo assim, assumem o risco, as vezes, é preferível sair morto de uma mesa de cirurgia do que viver a margem dos padrões.

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Se na maioria das vezes mulheres se submetem a se adequarem ao padrão, há também as que preferem não seguir os padrões branco, magro, de feminilidade e etc. Gabourey Ridley, uma atriz negra e gorda, que foi criticada por encenar uma cena de sexo, não se submete a isso. Ela é segura de si e é inspiração à muitas mulheres.

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Gabourey é um exemplo de superação, crítica e rompimento com padrões. Ela tem dinheiro, por que não emagrece? Porque ela não quer, porque ela é feliz consigo própria. O avanço dos movimentos sociais, como o feminismo, esse rompimento está sendo continuo. “Se todas as mulheres acordassem amando- se, quantas empresas iriam à falência?”. Por esse medo, muitas indústrias, empresas estão apoiando causas sociais porque gera lucro. Maquiagem para vários tipos de tons de pele, modelos plus size( que até é “padronizada”. A maioria tem cintura fina e não representa todas as gordas, mas é um avanço) e etc. “Mas isso não é bom?”

Há também a situação das mulheres trans e travestis que procuram se enquadrar nesse padrão para serem vistas e respeitadas na sociedade. E isso gera muita polêmica porque acham que elas se preocupam em “reforçar” estereótipos de gênero, sendo que não. Quem reforça esses padrões é o capitalismo. E isso também é muito doloroso para elas pois a maioria não têm condições financeiras para se harmonizar, etc.

É ótimo a representatividade mas ela tem uma importância diferente para a classe dominante. Queremos sim espaço e representatividade, queremos ser vistas como pessoas que merecem respeito. Não queremos só representatividade e rompimento com padrões nas novelas, mídias, propagandas. Queremos que isso acabe na vida real também, pois é muito diferente da TV à nossa realidade.