Sobre Verinha Kollontai

Escritora

Trabalhadoras Domésticas Imigrantes

“Trabalhando como babá e empregada doméstica em uma casa dentro de condomínio de alta renda em São Paulo, filipina sentia fome e chegou a se alimentar da comida do cachorro, para quem ela cozinhava pedaços de carne. “Às vezes eu perguntava à minha patroa se podia pegar um ovo, e ela dizia que não”, afirma a imigrante, uma das três que estavam em situação análoga ao trabalho escravo em casas na região metropolitana de São Paulo, segundo auditores fiscais do Ministério do Trabalho. Elas chegavam há trabalhar 16 horas por dia, em jornadas que ocupavam todo o período em que estavam acordadas.”.

Repórter Brasil 31/07/2017

 

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O Brasil é um país muito diverso, desde a abolição da escravidão vivemos um boom de imigração para o território brasileiro, vieram italianos e depois alemães e japoneses refugiando-se da guerra, mas não sejamos inocentes, nenhum país recebe imigrantes apenas por que tem um coração enorme, obviamente há interesses por trás desta recepção por vezes amistosa.

Os imigrantes recebidos no Brasil pós-abolição da escravidão, por exemplo, vieram escolhidos a dedo, pois grande número de negros e mestiços, majoritários na população brasileira, causava preocupação entre a elite que queria garantir a não “africanização” do Brasil. Havia um decreto que colocava no topo do imigrante pretendido os Alemães e Austríacos, porém sem descartar Bascos e Italianos do Norte, eles serviriam para “embranquecer” o país e trabalhar nas lavouras.

Hoje em dia o Brasil continua recebendo muitos imigrantes e sempre nos parece que o nosso país esta solicito a defesa dos direitos humanos e por isso de portas abertas, e isso continua sendo um ledo engano.

Recentemente fomos surpreendidas pela noticia de que mulheres oriundas das Filipinas estavam vivendo no Brasil, morando em condomínios de luxo em situação análoga a escravidão, esta surpresa que nos assalta não deveria causar tanto alarde, afinal esta historia não são incomuns, guardada as devidas proporções elas acontecem também com mulheres e meninas migrantes, que saem de seus Estados para tentar a vida em outros Estados e passam a esta rotina definhante de cuidados do lar e cuidados de pessoas das famílias, crianças, idosos ou incapacitados, ficando expostas a todo tipo de mau trato e desumanidade.

Não são apenas pessoas ricas ou elitistas que contratam trabalhadores domésticos migrantes ou imigrantes. Depende simplesmente de quão extensa é a desigualdade econômica existente entre pessoas de diferentes partes do mundo ou mesmo dentro do mesmo país.

Nos Emirados Árabes, 88,4% da população é formada por imigrantes que vão ocupar vagas em setores como construção, manufatura, indústria do petróleo e no setor doméstico, vindos principalmente da Índia, Paquistão e Bangladesh, mas também há imigrantes da Malásia, Indonésia e Filipinas.

Os Estados Unidos é, entre as grandes potências mundiais, o país com maior número absoluto de estrangeiros. São cerca de 46,6 milhões de imigrantes vivendo em território norte-americano, o equivalente a 14,5% da população local. Não é sem motivo esta grande quantidade de estrangeiro vivendo na America do norte, concerne ao fato de que à medida que a desigualdade global aumenta mais e mais pessoas nesta região do globo podem pagar por ajuda doméstica enquanto mais e mais pessoas da região sul serão forçadas a migrar e assumir empregos como trabalhadoras domésticas.

Em síntese na medida em que as condições econômicas se deterioram, as pessoas do sul se tornam mais desesperadas e se veem forçadas a aceitar condições de trabalho irracionais e inaceitáveis. E em muitos casos, elas serão atraídas com promessas de dinheiro fácil apenas para se encontrarem presas em um país estrangeiro sem passaporte e com uma enorme dívida com a agência ou agente que lhes proporcionou o trabalho.

Então, qual o problema dos trabalhadores domésticos migrantes?

  1. A desigualdade amplifica o abuso

Sempre falamos a respeito do exército de reserva do capitalismo que fica a espera das crises para que sejam recrutadas a assumir o lugar dos empregados prioritários ganhando salários muito inferiores ao que os seus pares do sexo masculino eram gratificados, certo? Mas… Enquanto isso não acontece o que elas fazem para sobreviver? Elas submetem se aos postos de trabalhos mais aviltantes, empregos que lhes renda o mínimo para manterem-se vivas, entre estes trabalhos esta a função de “ajudante doméstica”, elas migram em busca deste tipo de posto de trabalho que exige pouca qualificação, isso significa que suas condições de trabalho se tornam cada vez mais abusivas.

Por quê?

 Por que os trabalhadores precisam mais do trabalho do que o empregador da assistência e, portanto, os trabalhadores podem ser explorados e aproveitados por causa de sua situação vulnerável. Sua sobrevivência e, muitas vezes, a sobrevivência de sua família inteira depende de manter o emprego. Enquanto isso, suas contrapartes ocidentais podem escolher e escolher entre caminhões sobre caminhões de trabalhadores domésticos migrantes e, portanto, a relação entre os dois é amplamente desigual.

  1. O espaço privado permite o abuso

Ao mesmo tempo, o local de trabalho está em uma casa particular onde o trabalhador doméstico trabalha frequentemente sozinho isoladamente e talvez nem conheça a língua do país anfitrião. Este é outro fator que deixa os trabalhadores domésticos vulneráveis ​​e alvos de abuso. O trabalho não é regulado pelas autoridades e, portanto, os padrões de salário mínimo e condições de vida não são supervisionados. As famílias que contratam trabalhadores domésticos podem fazer o que quiserem em sua própria casa, incluindo explorar e abusar de pessoas vulneráveis ​​que procuram uma vida melhor. As famílias são a raiz de todo o mal. Por onde mais começa?

  1. O problema de drenagem de cuidados

Algumas das trabalhadoras são mães que são forçados a deixar seus filhos e filhas para serem criadas por outros membros da família ou mesmo outras babás, muitas vezes irmãs mais velhas ou a própria mãe, enquanto viaja para o exterior para criar os filhos de uma casa mais rica. Isto é o que se tornou conhecido como o problema da “cadeia de atendimento / dreno de cuidados”.

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Nos países ocidentais, o problema geralmente começa com as mulheres que entram na força de trabalho sem que seu país disponha de um sistema público de assistência à infância para compensar as mulheres que já não cuidam dos filhos e da casa. A consequência do problema da “cadeia de atendimento / drenagem de cuidados” é extensa em que as gerações de crianças, de ambos os lados da cerca econômica, estão sendo criadas por estranhos que cuidam deles como parte de um trabalho, onde seus próprios pais são fora, por causa da necessidade de sobreviver ou por causa da necessidade de se realizar. O que nos leva a questionar grandemente, que família?

  1. Trabalho doméstico não é trabalho real

É altamente problemático que o trabalho doméstico e a educação infantil não sejam considerados trabalhos reais. Porque a dinâmica na relação entre homens e mulheres mudou, de modo que não são mais os homens que são os senhores de família das famílias. Muitas vezes, a melhor chance para a família ter comida na mesa é que a mulher viaje para o exterior para trabalhar como empregada ou babá. Em muitos países, as trabalhadoras domésticas sequer estão incluídas na legislação legal ou nos regulamentos de emprego.

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Para as mulheres do lado mais rico da cerca, o fato de ter entrado no mercado de trabalho como trabalhadoras totalmente participantes não alteraram as ações governamentais para apoiar significativamente as famílias. Portanto, algumas famílias se veem forçadas a contratar ajudam, outras fazem isso como um luxo.

Muitas vezes, as mulheres, nem sempre as burguesas, mas aquelas que têm um salário que compete pagar por uma empregada terceiriza a jornada do lar imposta a ela colocando outra mulher para fazer, mas utiliza – se de todo arcabouço de exploração patronal e capitalista para explorar esta outra mulher.

  1. A desigualdade econômica é tomada como certa

O trabalho doméstico migrante é um problema global, pois está ocorrendo literalmente em todo o mundo. O trabalho doméstico migrante também é resultado do aumento da desigualdade global, onde a exploração de alguns para a vida de luxo dos outros é considerada como adquirida. No final, é bastante simples: se você não quiser estar no lugar de uma trabalhadora doméstica, então por que você aceitaria isso para outra pessoa?

A única explicação é que a desigualdade econômica é considerada como adquirida. Mas a desigualdade econômica não é uma ocorrência ou desenvolvimento natural. A boa notícia é que podemos mudar. Então, qual é a solução se não queremos ter pessoas que são exploradas para fazer o trabalho doméstico e deixar seus filhos ou pessoas que são forçadas a contratar trabalhadores domésticos porque não pode fazer tudo ao mesmo tempo?

Então qual é a solução?

Arrancar a ideologia machista do seio da nossa classe trabalhadora

O Serviço domestico é desvalorizado e invisível por que e relegado a mulher como obrigação nata da mulher. Essa mentira contada milhares de vezes acabou por envenenar nossas consciências e a dos homens da nossa classe. É preciso deixar claro que o serviço da casa: Lavar roupas que usamos para trabalhar, cozinhar alimentos que nos alimentam para estarmos em pé para o labor, cuidar dos nossos filhos ou idosos, para que possamos nos dedicar a nosso trabalho é obrigação do empregador e não nossa.

Por que o empregador não arca com estas responsabilidades?

Digamos que duas fábricas de tinta empreguem somente homens. As fabricas chamam se Azul e Vermelha. Na fabrica Vermelha os homens resolveram fazer greve construísse lavanderias e restaurantes coletivos e creches. Isso aconteceu porque as esposas dos trabalhadores não aguentavam mais ter que preparar a marmita de seus maridos, lavar o uniforme da fábrica cheio de tinta de caneta, nem deixar as crianças sozinhas em casa, pois muitas delas também trabalhavam fora de casa.

Na negociação, o dono da Vermelha dizia que mulher nasceu para isso. Alguns trabalhadores se convenceram disso, mas as mulheres seguiram dizendo: “Para não perder dinheiro, o patrão está tentando nos dividir e convencer de que somos escravas de nossos maridos. Se o uniforme limpo e os trabalhadores bem alimentados ajudam a fábrica, que o dono da fábrica pague por isso”. A luta seguiu forte e venceu. Na Azul, em que não houve luta, o dono seguiu lucrando mais do que o dono da Castelinho, pois as mulheres seguiram responsáveis por fazer a marmita, lavar os uniformes e cuidar das crianças.

Ou seja se o Estado e o Patrão forem responsáveis por lavanderias coletivas, refeitórios coletivos, construção de creches e escolas, construção de ambientes onde as crianças possam passar o dia e seja oferecida atividades culturais e recreativas, tudo para dar tranquilidade para mães e pais trabalharem, e se alguém acha isso impossível, a revolução do proletário de 1917 há exatos 100 ano deu todas estas coisas as mulheres para providenciar sua imediata libertação e igualdade com os homens. Com estas medidas, o trabalho de domestica não existiria mais.

Alterar o sistema econômico

A solução mais óbvia para o problema do trabalho doméstico migrante é mudar nossos sistemas econômicos e políticos. Porque se o problema nasce do sistema atual e da maneira como ele funciona com base na desigualdade, a solução deve ser mudar o sistema na sua totalidade – ou melhor, o princípio por trás disso. A solução é um sistema que não exige desigualdade para funcionar: O Socialismo.

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Revolucionários e trabalho doméstico
Um revolucionário que acredita na transformação socialista precisa de uma conduta cotidiana que direcione todas as suas ações. Transformar sua companheira, irmã, mãe, avó em sua escrava nos trabalhos domésticos é reforçar uma ideia que só divide a classe trabalhadora.

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Por que o Capitalismo é causador de Opressão?

TENTAR EXPLICAR e compreender as múltiplas formas de opressão que existem na sociedade sem referência à natureza do sistema capitalista é um caminho certo para respostas que não respondem e explicações que não explicam.

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Preconceito individual, falta de educação ou políticas públicas pouco aconselhadas não podem explicar adequadamente os fenômenos sociais complexos. Nem o argumento circular de que existem estruturas de poder discretas para perpetuar a opressão e o preconceito por seu próprio bem, sem qualquer conexão necessária entre si ou com outras estruturas sociais. Do mesmo modo, o argumento de que a opressão não é mais do que uma raquete para proteger os privilégios de grupos sociais grandes e altamente diferenciados, como homens, brancos ou pessoas heterossexuais, é analiticamente exagerado e carente de credibilidade histórica, por mais que possa ressoar com o indivíduo  em Experiência subjetiva.

Essas explicações não podem apontar um caminho para a libertação e, como tal, acabam por reforçar o status quo.

Em contraste, as marxistas argumentam que todas as formas de opressão têm raízes na organização econômica da sociedade capitalista e nas estruturas de poder e controle que a acompanham e reforçam. Essa abordagem é freqüentemente ridicularizada como “redução” da opressão às relações de classe ou minimizando sua importância. Mas longe de simplificar o problema, uma abordagem marxista reconhece melhor a sua complexidade, levando em consideração tanto a natureza arraigada da opressão como a complexa interação da economia, das condições sociais e da ideologia que a perpetuam.

O impulso competitivo para acumular riqueza através da exploração do trabalho humano é o ponto de partida para a compreensão do capitalismo e da opressão.

EXPLORAÇÃO

Os seres humanos são o recurso mais importante do planeta para a classe capitalista. Eles são mais importantes do que todo o petróleo, o carvão, o armamento militar, o ouro e o aço juntos.

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Sem pessoas trabalhando, nada é produzido. Mesmo o robô mais high-tech deve ser projetado, produzido, mantido, alimentado e, presumivelmente, ligado em algum momento por uma pessoa que trabalhe em algum lugar. Este é também o caso do petróleo, do gás e do ouro, que são apenas de valor se houver seres humanos disponíveis para extraí-los do solo e outros para construir redes de transporte, motores e outras infra-estruturas que os tornem úteis.

Assim, a vasta riqueza acumulada por poderosos capitalistas, corporações multinacionais e governos depende inteiramente da existência de produtores compatíveis dispostos a trabalhar para criar riqueza para outra pessoa, ao mesmo tempo em que recebem apenas uma pequena proporção para si mesmos sob a forma de salários. Depende, em outras palavras, da exploração da maioria por uma minoria.

Mas porque os trabalhadores não são apenas pedaços de carvão ou feixes de fios de cobre, eles não aceitam necessariamente sua posição subordinada. As condições sociais que naturalizam e reforçam essa desigualdade devem, portanto, ser impostas. Os trabalhadores devem ser “pressionados” como a palavra opressão implica.

Isso começa com o local de trabalho, onde os trabalhadores estão sujeitos à tirania de um chefe ou gerente cuja principal preocupação é a produtividade e a linha de fundo – mesmo aqueles que professam se preocupar com o equilíbrio entre trabalho e vida. Os trabalhadores não gozam de direitos democráticos no trabalho, nem para eleger seus gerentes nem para decidir as horas ou a natureza do trabalho. Em vez disso, o horário de trabalho e os salários são altamente regulamentados e policiados, através da lei, dos tribunais e dos serviços de recursos humanos. Essa falta de controle sustenta a sensação de que a vida dos trabalhadores realmente se tornou propriedade do patrão, e suas vidas  tornam se propriedade deles  mesmos, apenas fora do horário de trabalho.

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Mas a opressão não termina fora do horário de trabalho. Os trabalhadores das condições sociais estão sujeitos – desde cuidados de saúde, habitação e educação até cultura e recreação – agem para reforçar a desigualdade de classes. Eles tendem a ser subfinanciados e inferiores aos dos ricos e privilegiados. As escolas ensinam obediência e respeito pela autoridade, enquanto a concorrência é enraizada e naturalizada através da avaliação competitiva e da concorrência pelo emprego e habitação. As comunidades da classe trabalhadora são alvo de assédio pela polícia e outras agências governamentais.

Nesta realidade social é construída uma ideologia – promovida pelos meios de comunicação de massa, políticos e autoridades – para justificá-lo: o avanço social reflete mérito e trabalho árduo, que aqueles que são ricos ou bem sucedidos são, portanto, naturalmente superiores aos demais e a isso Qualquer incapacidade por parte dos trabalhadores para atender às expectativas da sociedade deve ser resultado de falhas pessoais e não de discriminação estrutural.

Ele cria as condições em que os estereótipos sobre a inferioridade natural dos trabalhadores podem ser aceitos e perpetuados, como o tropo das massas atrasadas e preguiçosas que, sem chefes, não teriam nenhum incentivo ou inclinação para o trabalho, ou que, sem a polícia para assediar eles estarão em uma prova de crime sem fim.

DIVIDIR PARA REINAR

A relação econômica entre chefes e trabalhadores cria uma tensão social que dá origem a uma variedade de outras formas de opressão.

Os interesses dos chefes – pagar os trabalhadores o mínimo possível para maximizar seus lucros e superar seus concorrentes – e dos trabalhadores – que querem uma maior proporção da riqueza que produzem e melhores condições – são diretamente contrapostos.

Os capitalistas têm interesse em reduzir os salários dos trabalhadores. Eles fazem isso através de uma variedade de mecanismos legais e industriais, mas também, principalmente, fomentando divisões e seccionalismo dentro da classe trabalhadora, que ajudam tanto a diminuir os salários quanto a minar a força coletiva que os trabalhadores podem aproveitar para melhorar suas condições. A opressão é central para isso.

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Quer se trate de migrantes, mulheres, seções da classe trabalhadora que sejam distintivas ou de alguma forma vulneráveis ​​estão sujeitas a discriminação, salários baixos, empregos indesejáveis ​​e, por vezes, exclusão da força de trabalho como forma de forjar divisão e maximizar as linhas inferiores dos patrões. Sempre uma classe de trabalhadores tidos como preferidos sentem se prejudicados pelo exercito de reserva da burguesia e surgem nos momentos que a burguesia faz uso deste exercito a exacerbação das ideologias de ódio como xenofobia, misoginia, racismo etc.

A burguesia se utiliza das diferenças sexuais, raciais, religiosas, regionais e do estímulo à fragmentação da classe trabalhadora para melhor exercer o seu poder de exploração e extração demais-valia, e para isso, estimula a produção de falsas teorias que legitimem seu sistema de dominação. Na medida em que a massa de trabalhadores foca seu descontentamento em relação a seções específicas de trabalhadores, aqueles que são realmente responsáveis ​​pelo desemprego, condições de trabalho precárias ou serviços inadequados – os chefes – escapam escrutínio. Esta é uma função importante da opressão.

UM SISTEMA COMPLEXO

O capitalismo é mais do que uma coleção de locais de trabalho e um balanço patrimonial. É um sistema social complexo em que a acumulação de riqueza é a prerrogativa que sustenta não apenas a experiência da vida profissional, mas também as condições que caracterizam todos os aspectos da sociedade, incluindo o acesso aos serviços, o gozo da cultura e até mesmo nossas vidas pessoais.

Isso é evidente em todos os lugares. As comunidades aborígines remotas que não geram riqueza ou contribuem para o crescimento econômico são tratadas como um fardo – privado de serviços e infra-estrutura e continuamente sob ameaça de encerramento forçado. O direito de manter a cultura tradicional simplesmente não classifica em uma sociedade em que a terra é vista puramente como uma mercadoria, para ser usada para mineração, agricultura ou turismo e pouco mais.

Os grupos sociais que não contribuem para a acumulação de capital, como idosos, pessoas com deficiência, trabalhadores feridos ou comunidades indígenas tradicionais, são negligenciados ou forçados a confiar em serviços mínimos ou em instituições de caridade. O bem-estar das pessoas é uma preocupação secundária pelo capitalismo e a opressão o corolário necessário.

E aqueles que transgredem ou se recusam a respeitar as instituições do capitalismo estão sujeitos a uma opressão particularmente viciosa.

Os refugiados, por exemplo, são horrivelmente brutalizados pelo “crime” de não respeitar as fronteiras nacionais arbitrárias dentro das quais os governos e a classe capitalista são organizados. A mensagem subjacente é que as fronteiras são mais importantes do que as pessoas, e a recusa em cumprir convida e justifica o castigo mais severo.

Isso, por sua vez, legitima a repressão estatal contra vários outros grupos oprimidos que se recusam a se submeter aos ditames dos poderosos, incluindo os trabalhadores e os grupos de imigrantes não-refugiados. E promove atitudes racistas em relação a pessoas de fora do país, reforçando o nacionalismo e encorajando a visão de que pessoas vulneráveis ​​de outros países representam uma ameaça.

Isso encoraja os trabalhadores a odiar o mais impotente do que o mais poderoso, e fortalece a mão autoritária da classe capitalista para impor sua vontade à sociedade e fortalecer seu domínio político.

IMPERIALISMO, RACISMO E GUERRA

A natureza competitiva do sistema, pelo qual as empresas que não crescem continuamente e expandem suas operações a um ritmo adequado são forçadas a sair do mercado, levam a outras formas de opressão.

Frequentemente leva ao conflito militar e à guerra, uma vez que os interesses capitalistas competem pelo controle de mercados, rotas comerciais e recursos naturais tanto dentro como fora de suas fronteiras nacionais.

Isso não pode ser feito sem a opressão das pessoas que impedem o caminho: sejam pessoas com a má sorte de viver em um país alvo de guerra, pessoas que vivem em uma área de recursos naturais lucrativos ou pessoas obrigadas a aceitar os salários da pobreza porque Suas condições sociais estão desesperadas e as fronteiras impedem que elas se afastem.

Hoje, os muçulmanos sofrem o peso desta opressão, já que tem sido predominantemente países muçulmanos invadidos e destruídos como parte da “guerra contra o terror”. A motivação do Oeste tem sido conquistar o controle de uma área de importância geoestratégica para o fornecimento de energia e o comércio, e para assegurar que os blocos imperialistas concorrentes permaneçam em dívida com os interesses dos EUA quanto aos suprimentos de energia. Para conquistar o apoio a esta aventura no país, os governos ocidentais confiaram em acelerar um descontrolado ataque sobre o terrorismo vilipendiando e demonizando os muçulmanos.

E eles usaram esta campanha como capa para inaugurar uma série de medidas autoritárias repressivas que podem ser usadas para intimidar e controlar toda a população, muçulmanos e não muçulmanos.

As guerras anteriores e as ocupações coloniais trouxeram com eles medidas e ideias racistas semelhantes, daquela aos alemães na Primeira Guerra Mundial à invasão branca da Austrália em 1788. Antes da “guerra ao terror”, os muçulmanos eram um grupo social de perfil relativamente baixo, com Os asiáticos com o peso da bile racista dominante. A facilidade com que a mídia, os políticos e os ideólogos podem mudar de foco reflete as ambições imperialistas em evolução das potências ocidentais, mas também a natureza relativamente superficial do sentimento racista e, portanto, o forte potencial que existe para ser superado.

GÊNERO E SEXO

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O alto nível de controle social que caracteriza o capitalismo se estende para as áreas mais pessoais da vida.

A exploração não funcionaria eficazmente se os trabalhadores fossem livres para se deslocar, viver sem responsabilidades financeiras e realizar suas vidas pessoais de acordo com seus próprios caprichos. Em vez disso, os patrões têm interesse em que os trabalhadores permaneçam de forma confiável em empregos remunerados por décadas, sendo socializados para aceitar a vida profissional e a autoridade dos gerentes e providenciar novas gerações para substituí-los quando se aposentarem.

A família nuclear é a instituição social que melhor assegura isso. É por isso que os valores familiares e os papéis de gênero e os costumes sexuais que os acompanham são uma parte tão penetrante e duradoura do capitalismo moderno.

A família é uma instituição contraditória. Por um lado, proporciona um senso de significado e realização pessoal em uma sociedade que oferece muito pouco de outra forma. Mas também é uma fonte de miséria e opressão para muitos, em particular mulheres e pessoas LGBTI.

De fato, os papéis de gênero, as desigualdades e as expectativas que concordam com a estrutura familiar e a posição desigual que as mulheres ocupam na força de trabalho que as reforça são a base da opressão das mulheres na sociedade capitalista. Isso resulta em uma situação em que as mulheres assumem a responsabilidade primária pela assistência à infância e pelo trabalho doméstico, além de enfrentar uma grave desvantagem econômica no local de trabalho e ao longo da vida. De fato, na Austrália hoje, 40 anos após a conquista da igualdade formal, as mulheres podem esperar ganhar ao longo de sua vida cerca de metade do que seus homólogos masculinos irão fazer.

A opressão das pessoas LGBTI também está enraizada na família, cuja normalização serve para estigmatizar práticas sexuais e expressão de gênero que estão fora da “norma” heterossexual oficialmente sancionada. A divisão de gênero e a assunção da heterossexualidade são estruturadas em quase todos os aspectos de nossas vidas, desde os brinquedos das crianças até o tipo de marcos de vida que esperamos alcançar. A falta de controle que as pessoas sentem em relação às suas preocupações mais íntimas ajuda a reforçar a maior falta de controle e a natureza autoritária do sistema.

E, embora seja o caso de o capitalismo moderno se adaptar gradualmente a formas não-tradicionais da família, isso está dentro de limites rigorosos. A aceitação se estende às formas domésticas que desempenham a mesma função social e econômica básica que a família nuclear – isto é, que garante que os trabalhadores são saudáveis ​​e que tenham um incentivo para manter um emprego e voltar ao trabalho todos os dias e que novas gerações sejam levadas para Aceite o status quo.

A verdadeira liberdade sexual continua assim incompatível com o capitalismo.

RESISTÊNCIA E LIBERTAÇÃO

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Felizmente, a opressão não só cria miséria e sofrimento, mas também provoca resistência. Como disse Karl Marx “O capitalismo gera seu próprio coveiro”. Quanto mais cresce a insdustria, a classe operaria também cresce, a revolta com a exploraçao cresce, a consciência avança e em algum momento, o proletáriado será coveiro da burguesia.

Em última análise, a opressão é um produto do capitalismo. É um produto de um sistema que se baseia em reprimir a grande maioria dos sonhos e desejos das pessoas e forçá-los a atender às necessidades do capital. O sistema gera uma justificativa política e ideológica para as atrocidades que comete contra as pessoas e o ambiente natural e aproveita todas as fontes de divisão dentro da classe trabalhadora para minar um senso de interesse coletivo e propósito.

Segue-se que apenas derrubando o capitalismo pode ser conquistada a libertação total. As lutas para as reformas podem ajudar a construir a confiança, organização e consciência dos oprimidos. Mas nosso objetivo final deve ser reunir essas várias lutas em um movimento com o objetivo de destruir a sociedade capitalista exploradora. Este é o único caminho real para a libertação da opressão.

Dois pesos e duas medidas: A criminalização da pobreza.

A violência e preconceito de Classe por á parte das pessoas da classe trabalhadora veio à tona nestes últimos dias com dois episódios a respeito de jovens envolvidos com uso de drogas e crimes de menor periculosidade.

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Primeiro Caso – Andreas von Richthofen chegou à unidade de saúde escoltado por PMs após invadir imóvel na Zona Sul.”

 

Esta era a noticia que apareceu a respeito do jovem de classe alta, estudado, filho de uma família rica que acabou tragicamente quando a filha Suzane e os irmãos Cravinhos assassinaram seus pais.

A comoção por Andreas foi geral, todos entenderam de imediato que ele passou por um evento extremamente traumático e que o levou a procurar fuga da dor nas drogas. Andreas foi preso tentando pular o portão de uma casa, o que será que ele, sobre efeito de drogas ou abstinência iria fazer? Roubar para trocar o produto do roubo por mais drogas? Pode ser que sim, mas a toa ele não estava ali, pulando aquele portão. Ou será que estava? Será que ele faria mal a alguém? O beneficio da dúvida foi muito encontrado nas opiniões de internautas.

O caso se desenrola com muitas entrevistas na mídia, pessoas que conheciam e admiravam Andreas, falando de como ele era um rapaz querido etc.

Andreas foi pego pulando um portão de uma casa, isso configura invasão de propriedade privada, não? Será que Andreas também mereceria ser dominado por alguns moradores e levado para dentro de uma das casas onde seria tatuado na sua testa “Invasor de propriedade”?

Claro que não, NE?

Andreas é diferente, tem uma história de vida trágica, traumas profundos, uma vida interrompida por um crime brutal praticado pela própria irmã. Ele é inteligente, Andreas, que é doutor em química pela Universidade de São Paulo (USP),  é um “bom menino” de 29 anos de idade, “esta apenas desorientado”.

Ok, completo acordo com tudo isso, ele não merecia ser dominado, trancafiado, torturado e exposto. Ele não merecia ter uma marca na testa que o condenaria para sempre por algo que ele fez num momento de surto psiquiátrico devido ao uso de drogas. Quem merece?

Segundo Caso – A barbárie da Tatuagem na testa “Sou ladrão e vacilão”

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Na ultima semana um vídeo viralizou na internet, tratava se de um rapaz de apenas 17 anos, ele estava tendo sua testa tatuada por dois homens, as inscrições eram “Sou ladrão e vacilão”. O tio do adolescente relatou que o rapaz não roubou e nem tentou roubar a bicicleta: “Infelizmente, ele é usuário de drogas, estava alcoolizado, viu a porta aberta, entrou e parou na bicicleta. Quando a bicicleta caiu e ele foi pegar para levantar, o rapaz (vizinho da pousada) viu. Achou que ele estava roubando, chamou o tatuador e nessa já prendeu o moleque, perguntando se ele queria fazer uma tatuagem. Ele, meio alcoolizado e na inocência, falou para os caras que poderiam fazer a tatuagem” — conta o tio.

Segundo o julgamento popular na inquisição da Internet, o jovem de 17 anos apenas, periférico e que ninguém conhecia sua história, este merece todos os castigos físicos que lhe impuseram. O jovem que aparece nas imagens da sessão de tortura sendo tatuado por dois criminosos, está apático, obviamente sobre efeitos de drogas ou com sintomas de algum transtorno psiquiátrico. Ele não demonstra nenhuma resistência física e quando os criminosos dizem a ele “O que você quer tatuar” e forçam a resposta ele diz “Ladrão”.

Andreas foi preso pela policia e conduzido a um hospital onde foi constatado que ele esta com higiene precária e olhar vidrado. Foi conduzido a uma clinica de recuperação onde permanece sem previsão de alta. Lá passara pelo processo de desintoxicação e tentativa de restauração de seu equilíbrio.

O outro rapaz, ele sim que é um menino, tem apenas 17 anos, envolvido com drogas e acusado por dois criminosos, de ter TENTADO roubar uma bicicleta na região, trata-se da palavra de dois criminosos contra a de quem? Ninguém. Ninguém mais sabe deste suposto roubo. Não teve B.O, nada.

O que aconteceu foi que dois homens, Maycon Wesley Carvalho dos Reis, 27 anos, e o vizinho Ronildo Moreira de Araújo, 29 anos, supuseram que aquele adolescente havia tentando cometer um crime de roubo (Andreas cometeu um crime, invasão de domicilio), naquele momento de suposição, ambos resolveram que era correto sequestrar, manter em cárcere privado, torturar e expor um adolescente. Qual a diferença entre Andreas e o adolescente de 17 anos?

A esmagadora maioria das pessoas julgando o adolescente não sabia nada sobre sua vida, não sabiam e não deram ouvidos aos depoimentos de vizinhos que disseram que ele era muito bom e muito querido na vizinhança, ninguém deu ouvidos aos pais que disseram que ele estava desaparecido desde 31 de Maio e que estavam a sua procura, nada disso bastou para uma avaliação da situação.

Qual a diferença entre Andreas e o Adolescente de 17 anos?

Constituição Brasileira, Art. 5º “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”.

A diferença e a criminalização da pobreza. O que um jovem da classe alta faz sempre haverá justificativas, mas um jovem, filho da classe trabalhadora sempre será visto como bandido, daqueles que “Bandido bom é bandido morto”, contrário aos da classe alta que são apenas pessoas com problemas momentâneos, altamente justificáveis por qualquer motivo.

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Importante lembrar que a pobreza é fruto da existência de uma classe dominante e impiedosa de culpabilizar e banir a classe pobre de suas cidades. Nossos jovens, filhos da classe trabalhadora, estão vulneráveis a todo tipo de violência e figuram as cruéis estatísticas em que se aponta um verdadeiro genocídio da juventude periférica, e esta vulnerabilidade existe devido ao ordenamento e diretriz de uma economia na qual proporciona a divisão de classes e de raça.

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Na nossa sociedade a pobreza não obtêm direitos civis e sociais em uma determinada lógica de higienização racista, por isso, “bandido bom é bandido morto”, desde que não sejam os bandidos da elite, estes sempre existe a crença de que podem mudar e devem ser assistidos neste processo. Mas… os da classe trabalhadora, que morram. A classe trabalhadora reproduz o ódio da burguesia contra sua própria classe, são manipulados pela ideologia da classe dominante que usa a violência estatal e a mídia burguesa para prover esse acirramento e produto de um ódio sem procedentes sobre os pobres.

Feministas, convido as ao debate fraterno, principalmente todas que fizeram coro com esta atitude de ódio praticada contra um adolescente.

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Uma mãe desesperada em busca de um filho que tem problemas vinculados ao uso de drogas tais como álcool e crack. Vocês viram esta imagem antes de fazer coro sádico com os reacionários?

Muito- se fala no feminismo a respeito da maternidade, na nossa análise, até mesmo de uma forma romantizada que exalta o sofrimento materno como amor, contudo quando ocorrem casos como estes, as mulheres, parte delas mães, esquecem-se completamente da figura materna sofredora por trás de uma adolescente em conflito com a lei.

Outra reflexão que considero importante propor é que, um homem capaz de fazer o que fez com um adolescente sobre efeito de drogas e vulnerável, o que fariam diante de uma mulher com a mesma condição? O adolescente teve a testa tatuada e uma adolescente, o que eles fariam? Qual seria o castigo dela? Seria sexual? Vocês aprovariam?

Vale a pena relembrar um caso que aconteceu em 2013, quando um tatuador norte-americano de Dayton, Ohio, se vingou da namorada que o estaria traindo fazendo uma enorme tatuagem em suas costas com a imagem de fezes com moscas voando em volta, segundo o site “Very Weird News”.

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Homens convencidos de que estão acima da lei e que podem julgar, condenar e punir um adolescente, como fizeram, tem a mesma mentalidade para mulheres e nós feministas, que eu me lembre, somos contra castigos físicos para mulheres que cometem erros, ou seria justo uma mulher que trair um desses homens tem na testa tatuado “Puta”?

Os jovens pobres e periféricos não estão em situação de vulnerabilidade à toa.

Vamos relembrar que as mulheres são socialmente responsabilizadas pela educação dos filhos, ao mesmo tempo em que são chefes de família ou cooperam com a composição da renda que sustenta a família, trabalhando no mercado formal de empregos, permanecendo cerca de 12 horas fora de casa, entre horário trabalhado e deslocamento de casa indo e voltando, quando há a presença do genitor/pai, ele também cumpre a mesma jornada, diferenciando se da mulher por que ela acumula os cuidados com a casa e educação dos filhos.

A ausência de apoio de serviços públicos para garantir o desenvolvimento sadio corpo e mente dos filhos da classe trabalhadora são ausentes e quando existem não cobrem a todos os que precisam destes serviços. Não há vagas em creches, mulheres periféricas relatam que esperaram até um ano ou mais para conseguir uma vaga, as mulheres que não podem esperar retiram de seu salário para bancar algo que é obrigação do governo e dos capitalistas.

Com a ausência materna e a ausência de serviços públicos, muitas crianças são criadas sem acompanhamento, muitas acompanhadas por outra criança, e encaminharem se para um mundo marginal não parece tão distante quando observamos esta situação.

Os adolescentes em conflitos com a lei tem MÃES.

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“Meu filho não é um animal”

As mães perdem seus filhos, batalham para dar o material e não conseguem fazer o acompanhamento afetivo e corretivo da infância. E quando enfim estão em conflito com a lei, elas são chamadas a responsabilidade e julgadas por sua “maternidade imperfeita”.

Imagine-se, você mãe, ao encontrar seu filho saber que ele foi torturado e marcado para sempre?

O adolescente revelou que teve o cabelo cortado e teve os pés e as mãos amarrados por Ronildo e Maycon. “Eu comecei a puxar o cabelo para frente para tentar esconder e eles então cortaram meu cabelo.”

As opressões de classe e todas as demais se entrelaçam para manter a classe trabalhadora estagnada no mesmo lugar social e econômico, a estratégia mais eficaz da burguesia é fazer a gente pensar que existe uma divisão de classe entre os pobres e os miseráveis, mas não há, todos somos vitimas das opressões em maior ou menor grau.

Vivemos em uma sociedade de classes que cria a pobreza, cria a marginalidade, cria os miseráveis desejosos da vida que os ricos tem, e acredite, nenhum rico chegou a esta escala social trabalhando, chegou explorando a classe trabalhadora. Certeza.

O mundo das drogas esta como caminho aberto a nossos jovens, e quando isso se abate sobre nós, a resposta do governo é a perseguição aos usuários e a batalha contra o narcotráfico, os alicerces da política proibicionista do Estado brasileiro. Com esta direção de “combate” os grandes empresários do tráfico mantém lavando os lucros do comércio ilegal das drogas no sistema financeiro internacional, enquanto o pequeno traficante, o polo varejista, é brutalmente reprimido e a classe trabalhadora é sem duvida o alvo mais atingido por esta guerra, pois fica refém da luta entre as facções do tráfico, milícias e Polícia.

Um lembrete importante é que a legislação brasileira, alterada no governo do PT, ao deixar a diferenciação entre tráfico e consumo ao arbítrio da Justiça e da PM, aprofunda essa realidade. Nas interpretações mais comuns das autoridades, jovens de classe média com cem gramas de maconha são consumidores, ao mesmo tempo em que jovens pobres e negros com a mesma quantidade de drogas são traficantes, portanto, criminosos. Rafael Braga está ai e não nos deixa esquecer que de fato a criminalização é da pobreza.

 

O que nós Feministas Marxistas defendemos como solução imediata?

  1. Defendemos, além de descriminalizar o uso e o comércio das drogas ilícitas, a legalização de todas as drogas, colocando a grande produção e a comercialização sob o controle do Estado.
  2. Estender o regime estatal de produção e distribuição às demais drogas hoje legalizadas, como os fármacos, o tabaco e o álcool, impedindo os instrumentos de incitação ao consumo, principalmente os publicitários.
  3. Que os lucros da venda das substâncias psicoativas devem ser colocados a serviço dos interesses da população, como investimentos em Saúde Pública, programas de tratamento de dependentes e campanhas contra o consumo compulsivo.
  4. Criação de vagas imediatas em creches que acolha todas as crianças em idade deste cuidado enquanto a mãe trabalhadora esta em seu labor diário.

Um caso de amor ou um Caso de Abuso?

O caso de Emilly e Marcos, no programa Big Brother, mostrou as duas faces do machismo: A mulher oprimida e o homem opressor, em cadeia nacional, o homem agiu de forma natural, atuando com posturas agressivas e manipuladoras contra a mulher, ele não sente vergonha e nem remorso, afinal a sociedade romantiza o machismo.

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Emilly chora durante almoço e Marcos consola: ‘Faz exame de consciência’

Quando os homens encenam arrependimento, sofrimento, dor… O mundo tem piedade deles, mesmo que tudo isso, seja apenas uma forma de manipular a parceira e não a verdade de seus sentimentos, prova disso é o fato de que, em pouco tempo eles retornam ao mesmo comportamento.

A violência emocional é uma das modalidades iniciantes do relacionamento abusivo que pode chegar à violência física. Normalmente as pessoas só pensam em abuso e violência quando existem hematomas, sangue e morte, mas bem antes de tudo isso aparecer, existe um abusador e uma abusada, existe uma pessoa que sabe exatamente como destruir a outra para que ela submeta-se completamente as suas vontades.

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Não sejamos inocentes, os homens machistas sabem que as posturas deles causam dor e sofrimento, eles fazem mesmo assim, e fazem por que sabem que a habilidade de manipular manterá a parceira aprisionada neste ciclo de violência.

Alguns depoimentos que recebo de mulheres são todos muito parecidos, e mostram que existe modo de operar comum a todos os homens que utilizam – se de machismo para oprimir suas companheiras.

Um manipulador emocional, quem e ele?

Um manipulador emocional é uma pessoa que sempre sai pela tangente quando comete um erro. Por exemplo, ele esqueceu seu aniversário e você vai cobrá-lo disso. Ele prontamente inverte a situação e diz que lamente você pensar que ele esqueceria, que o fato é que ele esta há semanas com depressão, sofrendo sozinho, e não quis te contar por que sabe que você já tem tantos problemas, e creia-me no final deste papo, você estará morrendo de pena da dor dele, e querendo saber mais sobre a dor dele, e querendo ajuda-lo a sanar esta dor, dispondo se a procurar ajuda especializada para ele… Cuidados que ele nunca teria com você. A sua dor? Você engole.

Sempre te deixa insegura e com medo

Por mais estável e duradoura que a relação pareça, você não tem paz, vive insegura, vive a espera da próxima mancada dele, vive a espera do próximo rompimento, da próxima dor, decepção… Sempre tentando se fortalecer para o próximo abuso. Você começa a tentar resistir os impactos, vivendo prisioneira dos ciclos de Lua de Mel e abuso.

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Sempre te diz SIMS que raramente se cumprem

Um manipulador emocional é aquele cara que tudo que você pede, ele se dispõe de pronto a fazer. Você diz a ele “Vamos?” e ele responde “Vamos!”, e você ficará na maior euforia imaginando o lugar que vão e as coisas que vão fazer, você fica feliz por que estará do lado dele, curtindo uma situação boa. Mas ele repentinamente desmarca. Ele começa a dar sinais de que não vai acontecer, pisando nas suas expectativas e dando desculpas das mais furadas até as que culpam você por ter dado errado.

Como conta Ana Clara:

“Quantas vezes ele marcava de vir na minha casa me ver, quantas vezes o pai ligou para ele ir buscar no serviço, a irmã ficou doente, a mãe ficou doente, o pneu do carro furou, a família queria ir a algum lugar e ele teria que levar. Ele marcava comigo, eu deixava de marcar outras coisas no final de semana, ele não vinha, eu ficava sozinha e muitas vezes chorava de decepção, ficava mal, sofria… Ele? Depois do termino do namoro soube que ele sempre saiu com várias mulheres nas minhas costas, eu estava em casa chorando e ele estava por ai transando, gozando e sendo feliz, e tratando mulheres de forma utilitarista, como objetos que existiam para satisfazer seu prazer e ego”.

Um manipulador é um cara que distorce a realidade. Você já pensou em algum momento que deveria ter um caderno de anotações sobre tudo que conversou com seu parceiro para que quando fosse cobrá-lo do que ele disse, tivesse certeza absoluta de que ele disse mesmo? Se isso acontece com você, seu relacionamento é abusivo. O que ele esta fazendo com você chama –s e gaslight e trata – se de tentar te enlouquecer.

Ana Clara:

“Eu perguntei para ele varias vezes se ele estava saindo com outras mulheres. Ele dizia que não. Um dia eu estava muito certa de que era mentira, então eu disse a ele “Se você esta saindo com outras mulheres eu quero saber”. Eu sabia, ele dava indícios, eu ligava para ele e o telefone estava ocupado, sendo que ele raramente me ligava, eu o percebia on line boa parte do dia no whatsapp e ele não me chamava pra conversar. Neste dia ele me mandou uma mensagem dizendo:” Eu não estou ficando com ninguém, mesmo que você não confie em mim”. Senti-me péssima e me desculpei. Após o termino do namoro, descobri que ele tinha TINDER desde Dezembro, e estava conversando e saindo com mulheres desde então, nas minhas costas”.

Ana Clara:

“Um dia eu percebi algo importante demais, como se fosse um estalo em minha consciência: Todas as vezes que ele fazia algo errado ele terminava o relacionamento comigo, dizia que não me amava que o fato dele errar assim, era por que ele não sentia mais amor por mim, não estava apaixonado. Imediatamente, o foco da conversava saia da cobrança ao erro dele, para um convencimento dele de que ele estava enganado, que nós nos amávamos sim, e desta forma, ele saia de cena, me deixando completamente deprimida e com a autoestima arrasada, para dali algumas semanas ele retornar, arrependido, dizendo que me amava sim, que queria ficar comigo.”

Na manipulação emocional, o homem confunde a mulher, ela não quer o termino da relação, ela quer discutir o erro dele, e chegar a um ponto que ele faça uma autocrítica sincera e mude, ele por sua vez, quer apenas desestabilizá-la e sair da situação culpando a por suas ações, afinal de contas se ele não ama, deve ser culpa dela, talvez até por que ela faça tantas cobranças, será que e por que ela não é bonita o bastante, por que ele não a amaria? O que tem de errado nela para não ser amada?

Neste ponto instala se uma confusão gigantesca na cabeça da mulher, ela perde se da realidade e entra na antessala do inferno da manipulação, culpando-se pelos erros do abusador. De repente ela se vê implorando para ele perceber as qualidade dela e não ir embora, o erro dele, nem importa mais.

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Os manipuladores são muito hábeis em fazer promessas e não cumprir. Um depoimento pode ilustrar isso:

                            Ana Clara

“Nós nos separávamos quase sempre com o mesmo discurso dele, de que não me amava, de que não queria este relacionamento, normalmente ele fazia isso e sumia uma semana ou duas, mas me mantinha perto, me chamando no whatsapp, querendo saber de mim, conversar… Até que um dia as conversas enveredavam para a saudade que sentimos um do outro, os momentos bons que passamos juntos, e ele aceitavam todas as minhas imposições para voltar, prometia que não faria nem isso e nem aquilo outra vez. Era mentira, em poucas semanas ele fazia tudo de novo.”

Ainda falando de manipulação:

“Ele arrumava brigas do nada, um dia havíamos combinado dele passar o final de semana em casa, ele decidiu na ultima hora que não iria, me deixando muito triste, eu havia pensando aquele final de semana durante toda semana, imaginando as coisas legais que faríamos, e ele não veio. Ele me ligou de manhã dizendo que iria a uma feira de aparelhos de ginástica, desligou o celular, não atendia mensagens, não dava um posicionamento, eu entrei em crise de choro e fiquei muito mal, ele não veio, ele não respondeu as mensagens, ele não ligou de volta. Passamos duas semanas sem nos ver, e ele me disse que aquele dia saiu com outra garota, que eles transaram que ele queria sentir se amado, desejado…”

O resultado de todo esse tempo vivendo um relacionamento com um homem abusivo:

“Eu era professora, estava no auge da minha carreira, era muito admirada pelos meus alunos, isso me fazia muito feliz, mas de repente (não era tão de repente, mas eu não percebi acontecer) comecei a perder a concentração, ter dificuldades para reter conhecimento, dificuldade para elaborar respostas para os alunos. Os pensamentos dentro da minha cabeça pareciam raios passando rapidamente de um lado para o outro. Comecei a ter crises de choro, tremores no corpo, não dormia mais, passava a noite fitando o teto. Fui levada por uma amiga ao psiquiatra que me diagnosticou com Transtorno de ansiedade generalizada (TAG). Fui ao médico com uma amiga por que ele mesmo sabendo do que estava acontecendo comigo, nunca se dispôs a me ajudar”.

“Ele passou a usar meu transtorno, que foi instalado devido ao tratamento que ele me dava, abusivo, para justificar as posturas dele, e ele dizia que ‘Como eu posso ir morar, ter uma relação estável com uma mulher que é instável e perde o controle com tanta facilidade? ’ Eu me sentia culpada, eu acreditava que a forma que eu agia era o motivo dele não querer estar do meu lado e nem me assumir como namorada.”

Depois de um tempo de agressão dissimulada, outro nome dado à violência emocional, a mulher realmente esta destruída emocionalmente, esta incapaz de sozinha de sair do ciclo de violência, ela sente uma louca, uma pessoa sem beleza, sem nada de especial, ela não sabe para e nem como ir, ela não consegue ter atitudes racionais por que o seu emocional esta berrando em seu cérebro 24 horas por dia. A famigerada pergunta “Por que as mulheres não abandonam estas relações?” Pode ser respondida com o adoecimento emocional e psíquico que o abuso machista causa na mulher.

Joana nos relatou:

“Meu vizinho foi buscar uma mulher na Bahia, queria casar com uma moça “decente”. Ele voltou de lá com Dalva, uma mulher negra linda, sem estudos, sem emprego, sem profissão, sem amigos e sem família aqui, completamente dependente dele. Fez 04 filhos nela, e toda vez que ela engravidava, deixava a abandonada em casa e ia para bares ou sair com outras mulheres…”.

“Ele humilhava-a. Ouvia da minha casa ele dizer que ela era repugnante, feia, burra… Ele dizia que ela Só servia para parir. Eu era adolescente, não sabia o que fazer. Um dia ela enlouqueceu. Saiu na rua arrancando as roupas, ficou nua e saiu correndo pelas ruas… O que ele fez? Mandou ela de volta para a família dela na Bahia, junto com os filhos e seguiu a vida dele, tranquilamente.”

IMPORTANTE

Senso de responsabilidade é algo que não existe em manipuladores emocionais. Eles não assumem para si a responsabilidade do seu comportamento, e muitos surgirão como uma autocrítica brilhante, dizendo que é um homem criado em um mundo machista, e que acabou por internalizar estes valores e reproduzi-los. Ou seja, ele fez tudo que fez sem consciência nenhuma do sofrimento que estava causando.

Os manipuladores emocionais sempre parecem pessoas frágeis, confusas, que precisam desesperadamente de alguém para ajudá-los a ser uma pessoa melhor. Fuja se encontrar este tipo. Para exemplificar, Ana Clara nos diz que “Ele me dizia que eu tirei ele da zona de conforto dele, que eu o fiz questionar a sociedade, que hoje ele era uma pessoa muito melhor do que antes de me conhecer. Eu na verdade, acreditava que eu havia criado um monstro, dado a ele armas para mentir e manipular com mais eficiência.”

As mulheres têm adoecido e perdido muito tempos de suas vidas em relacionamentos abusivo, é importante fortalecer as mulheres para que aos primeiros sinais de relacionamento abusivo, retirem-se da relação. Mas se elas não conseguirem e forem engolidas por esta fera manipuladora, é importante ter uma rede de apoio que esteja disposta ajudá-la sem julgamentos:

Ana Clara:

“Um dia, eu achei que enlouqueceria de tanta dor. Nós fomos a uma festa e ele me traiu na minha cara com outra mulher. Não, ele não beijou outra mulher, ele fez sexo com ela, na minha cara. Eu vi. Eu fiquei muito mal. Sofri uma dor lancinante. Nos dias que se seguiram a isso ele não conversava comigo, mesmo sabendo que tenho Transtorno de ansiedade, ele me manteve em estado de espera por dias, ate que apareceu e disse mais uma vez que não me amava, e isso foi a ultima coisa que eu precisava ouvir. Liguei para um amigo, e disse a ele que precisava de uma rede de apoio para sair de um relacionamento abusivo. Ele acionou outras pessoas e estas pessoas se prontificaram. E desta forma, ele saiu da minha vida.”

Importante salientar aqui que a traição nunca é sem querer, não somos animais irracionais que agem por impulsos instintivos. Temos plena capacidade de controlar nossos impulsos sexuais e dizer não a qualquer investida. A pessoa que traí sabe que esta quebrando um acordo do casal e estará fazendo mal a outra pessoa.

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“Quem foi traído sofre pela traição em si e pela dor de ver a confiança no parceiro quebrada. O indivíduo se sente magoado, triste, e o episódio provoca insegurança e baixa autoestima”, declara o psicólogo Thiago de Almeida.especialista no tratamento às dificuldades do relacionamento amoroso, de São Carlos (SP).

Os manipuladores pulam de uma vitima para outra e são pessoas que mentem de forma patológica, mesmo quando não há a menor necessidade de mentir, eles mentem, e fazem sempre com a intenção de fazerem se de vitimas para causar a pena de outras mulheres e despertar nelas a necessidade de acolhê-lo.

Ana Clara:

Quando terminamos soube que ele havia dito para varias mulheres que nunca me namorou. Que ele apenas ficava comigo. Ele disse também que eu o humilhava que ele vivia correndo atrás de mim e que eu vivia dando perdido nele, que ele estava cansado de sofrer por minha causa e agora queria sair com outras pessoas, e que só agora eu estava dando valor a ele e correndo atrás dele.

Leiam com muita atenção estes depoimentos e explicações e se te parecer familiar estas situações: Foge! Pede ajuda! Procure uma forma de sair desta relação doentia, onde só quem perde é você.

Chacina em São Paulo mata 10 jovens

Essa noite, 4 de abril 2017, aconteceu mais uma chacina em São Paulo, mais uma vez jovens homens, negros em sua maioria, pobres e periféricos. Os Jovens estavam em bares em dois extremos de São Paulo, 07 deles estavam no Jaçanã, Zona Norte, e 03 deles estavam em Campo Limpo extremo Sul. O que liga os dois casos é o fato de que aconteceu no mesmo espaço de tempo, como se tivesse sido orquestrado, e com o mesmo modus operandi, um motoqueiro não identificado que se aproximou e abriu contra os jovens.

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Diante da Barbárie contra o povo negro, pobre e periférico, algumas considerações devem ser feitas:

 Outra vez o cenário de violência contra a população negra e periférica grita na nossa cara que vidas negras não importam e que podem ser eliminadas tendo isso como naturalizado e acompanhado de julgamentos como “só pode ser bandido”, ou “ O que estava fazendo no bar a esta hora?” Isso acontece por que a sociedade é racista, e enxerga todo negro como provável criminoso. E sim, o modus operandi da opressão é o mesmo, desqualificar as vitimas para dar razão ao opressor, nós mulheres estamos muito familiarizadas com este tipo de julgamento quando somos vitimas da opressão machista, não é mesmo?

A Política do Estado de criminalização da pobreza faz vitimas.

Só para ilustrar e quantificar o quadro da situação existe um genocídio de pessoas negras no Brasil, dados do Ministério da Saúde mostram que mais da metade (53,3%) dos mortos por homicídios em 2010 no Brasil eram jovens, dos quais 76,6% são negros. Para os que duvidam do termo genocídio, é bom lembrar que, entre 2002 a 2010, foram registrados 272.422 assassinatos de negros. Mais do que em muitas guerras. E para fechar aqui a materialidade dos fatos, o número de negros mortos é 132,3% maior do que o de brancos.

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Existe misoginia e machismo embutido na ação de genocídio da Juventude negra

Com este cenário e estes dados, pensemos agora nas mulheres que mais uma vez foram impedidas de exercer a maternidade de forma plena, tendo arrancado de si, pela violência contra a juventude periférica, seus filhos.  Quantas mães perderam seus filhos e filhas?

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Maria Eduarda Alves da Conceição, 13 anos, adolescente negra foi morta dentro da escola, na quadra de educação física, cinco dias após esta ocorrência, Hosana Oliveira Seissa, 13 anos, foi morta por “tiro perdido” no mesmo bairro. No dia em que Maria Eduarda morreu, policiais foram filmados executando dois jovens que estavam rendidos e deitados no chão. E quem se lembra de Luana, Amarildo, Claudia e o dançarino DG?Wilton Esteves Domingos Júnior, de 20 anos, Wesley Castro Rodrigues, de 25 anos, e os amigos Cleiton Corrêa de Souza, de 18 anos, Carlos Eduardo da Silva de Souza, de 16 anos, e Roberto de Souza Penha, de 16 anos, estavam em um carro que foi atingido por mais 100 tiros, alvejados pela policia militar, os jovens foram fuzilados… São muitos casos… Incontáveis.

A morte de jovens negros parecem algo que não seria uma pauta feminista, mas sim do movimento negro, porém, a defesa da vida dos homens negros é sim uma pauta feminista, explico por que, é necessário o entendimento de que discutir a maternidade de forma política significa tratar de todos os aspectos, tanto o direito da mulher de ser mãe e de vivenciar a maternidade plena, vendo seus filhos nascerem bem assistidos, desenvolverem-se em todas as fases da sua vida de forma saudável, e chegarem a vida adulta em segurança. As mães periféricas e pobres, não tem este direito garantido.

Para as mulheres da classe trabalhadora o direito a maternidade Plena não existe

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Para as mulheres Burguesas, as garantias à maternidade são compradas com o dinheiro da exploração da classe trabalhadora, os filhos da burguesia são assistidos desde a gravidez em excelentes hospitais e clinica, o nascimento se dá em luxuosos hospitais que mais parecem hotéis de luxo, as mães podem optar por retomar a vida profissional ou não, se retomarem a vida profissional deixar seus filhos e filhas em cuidado especializado, tanto contratando uma babá, ou deixando em escolas caras que chegam a custar cerca de 1700 a 2000 a mensalidade. Os filhos da burguesia são mantidos em locais seguros, como as ilhas construídas para manter a elite longe da realidade social, ilhas chamadas condomínios.

Estas garantias não são aplicadas, para as mulheres pobres a maternidade é usada como forma de oprimir. O Estado nunca deu garantias mínimas para que as mulheres pudessem exercer plenamente e humanamente sua experiência maternal. Não existem creches o suficiente para que as mulheres possam deixar seus filhos e filhas em segurança para retomar a vida profissional, não existe apoio, e ainda assim cobram dela uma educação perfeita que supere todas as dificuldades e leve a criação de um ser humano exemplar. Para que isto aconteça de forma que elas não se rebelem, a opressão vem naturalizar o sofrimento da maternidade.

Como a opressão caminha ao lado da maternidade?

Exigem da mulher 100% de dedicação aos filhos, ser mãe e pobre é renunciar a própria vida para dedicar se aos filhos.

  • Ser mãe e sair com as amigas? Não pode. É uma desnaturada mesmo.
  • Ser mãe e amar a si mesmo procurando formas de trazer bem estar físico e psicológico a si mesma?Não pode. Tem que pensar no filho, só no filho.
  • Ser mãe e solteira (mesmo que tenha sido covardemente abandonada pelo companheiro?), é puta.
  • Ser mãe e ter um novo relacionamento com outro homem? Se ele maltratar a criança de alguma forma, a mãe é culpada, quem mandou ir atrás de macho? (Muitas mulheres não tem um novo relacionamento com medo de que isso interfira negativamente na criação do filho (a) e ela seja responsabilizada).
  • Ser mãe e ter contatos para sexo casual? É puta.
  • Ser mãe e ter sonhos? Vixe! esquece seus sonhos, depois que torna – se mãe, os sonhos são para os filhos e não para si mesma.

Depois que a sociedade impõe estas condições à mulher e depois de toda renuncia que ela oferta para dedicar se a criação dos filhos, o ESTADO permite a ação genocida contra seus filhos, e as mulheres que deixaram suas vidas para trás e não tiveram realizações em si mesmas, e tem na vida dos filhos seu maior feito, perdem o que lhe confere “valor social”. Não que este “valor social” seja algo que devemos considerar, pelo contrário, devemos repudiar a opressão que a sociedade patriarcal impõe as mulheres, principalmente ás pobres, mas temos que caracterizar e admitir que é assim que elas sentem- se, como se tivessem perdido a própria vida, e convenhamos, perderam, toda uma vida de dedicação ao projeto “Criar o filho (a)”.

Nos do movimento feminista temos que tomar para nós como pauta junto ao movimento negro classista, a defesa da vida dos homens negros, tanto em repudio o racismo, quanto ao repudio ao machismo e misoginia embutidos na ação genocida contras estes homens, com total apoio do estado, que arma um lado e outro, tanto a policia, como criminosos. A conivência do Estado tira o direito ao futuro desses jovens negros da periferia ceifando suas próprias vidas. Pra eles, e para suas mães, o primeiro ato de resistência é sobreviver.

 

Uma nova moral para o Amor

A moral do Amor

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O amor vem sido contado de variadas formas, e são vários os tipos de amor que elencaram para nossas vidas: Amor materno, amor paterno, amor fraterno, amor apaixonado, os altruísmo… Todas as formas de amor são exaltadas e idealizadas, como se qualquer passo a fora do que foi previsto para o amor fosse uma heresia, uma profanação a sagrada religião do amor, com castigo de ser excomungado do templo onde ele habita.

Parece um exagero, mas é assim que o amor vem sendo tratado, como uma religião sagrada que tem neste sentimento um rito que deve ser cumprido á risca. O tipo de amor que mais causa espanto quanto a estas considerações, é o amor materno, mas o amor entre pares também não esta livre, não é livre.

Vem direcionado a nós através das mídias e artes em geral, o amor romântico servido ao mundo como algo inevitável, irresistível, imutável, sofredor, apaixonado, eterno… São algumas das características que compõe o amor. Nada disso é uma verdade absoluta, pode ser que seja assim para alguns povos vivendo em determinadas localidades onde este tipo de construção foi eleito a forma plena de amar, mas não se aplica a o mundo todo de forma imutável.

O amor não é algo nato, que nos salta aos olhos a primeira vista do outro. É sabido que a paixão provoca reações químicas no cérebro e corpo, nos levando a uma súbita atração pelo outro, mas que este episódio de atração chama se paixão e pode ser comparado a um Cio animais não humanos. Por meio do mapeamento cerebral, foi descoberto que o estado mental alterado pela paixão dura, geralmente, de 18 a 48 meses.  É um período breve para a construção de um amor, nem sempre se concretizam, os pares se separam quando cessam as doses de hormônios que são liberadas pelo período apaixonado quando a construção do amor não é alicerçada.

O amor são as conexões que aparecem durante o período que a paixão une o par, seja homem e mulher, sejam casais homoafetivos. A evolução da espécie na verdade não enxerga a sexualidade dos indivíduos, apenas temos internalizado as formas de unirmos – nos em pares para perpetuação da espécie. O amor é uma construção social que traduz – se para cada época, para cada sociedade, para cada ideologia dominante de uma época.

O nascimento do amor

Algumas explicações de com o nasce o amor já nos mostra bem que tipo de construção nos reserva. Na mitologia Grega, Eros nasce de uma Deusa chamada Penúria, extremamente miserável, que vivia sedenta e faminta. Aconteceu que haveria uma festa e Penúria não foi convidada, esfomeada, ela chega ao término da festa e come e bebe os restos, come tanto que se farta de migalhas.

Penúria, encontra um Deus chamado Poros, dormindo embriagado (pobrezinho) e mesmo sendo considerado astuto e engenhoso dono de uma personalidade envolvente, ele é abusado por Penúria, que faz sexo com ele “inconsciente”. Desta noite te sexo, nasce EROS, o Deus do amor, aquele menininho loiro de cabelos encaracolados que atira flechas nas pessoas, flechas envenenadas de paixão e amor.  Eros, numa genética fantástica, viria a conciliar em sua essência tanto a carência e a miséria de sua mãe Penúria, como a abundância e a prosperidade de seu pai Poro.

Para Platão: “Com efeito, o saber está entre as coisas mais belas é o Amor é o desejo do belo; portanto, forçosamente o amor é filósofo e, sendo filósofo está situado entre o sábio e o ignorante. Ainda é sua origem a causa disso, pois é filho de um pai sábio e industrioso e duma mãe ignorante e apalermada”.

Os homens não amam?

O que podemos tirar desta fabula da mitologia grega? Que a figura que remete ao amor em construção feminina é a de fome, tanta fome, que as migalhas lhes bastam, a sedução e altivez ficam por conta da figura masculina e não só isso, ela o conheceu por que era um Deus convidado para festa, logo era abastado, para ter os privilégios de uma vida plena, a mulher precisa lutar ou enganar o homem para conquistá-la, e engravidar do homem seria uma forma de garantir um espaço neste céu de deidades.

O amor nasceria da fome e da miséria, do desespero e da desonestidade do ser humano do gênero feminino, que precisa ser abraçado e envolvido pela sedução, riqueza e beleza alheia para saciar – se. Impossível imaginar o amor dentro desta perspectiva, pois ela traz a dependência como imagem de amor. Ou saciar se do outro, ou morrer de fome. A riqueza, a prosperidade, tudo de maravilhoso esta na outra pessoa e precisaríamos desta pessoa permanentemente ao nosso lado para sermos melhores e completas.

Importante ter em vista que o amor tem sido algo remetido como algo próprio da mulher, sendo ele feminino, tanto que as qualidades do amor são minimizadas em discursos machistas como sendo “preocupações de mulher”. Simone Beauvoir disse que “O amor foi apontado à mulher como uma suprema vocação e, quando se dedica a um homem vê nele um deus […]”. E tem sido assim, tanto que “o mais medíocre dos homens julga-se um semideus diante de uma mulher”, e infelizmente,  o amor transformou-se em uma arma do machismo para submeter às mulheres.

Do amor degenerado ao Amor pleno

O amor que conhecemos hoje, e fruto de várias construções ideológicas de classes que foram e das que são dominantes ainda hoje. Durante a passagem da linha do tempo, encontramos o “amor” sempre atrelado a promover equilíbrio e beneficiar a moral das famílias e do fator econômico da classe. Esta forma degenerada de caracterizar o amor foi destruindo – o em sua essência e moldando o para suprir interesses alheios aos anseios humanos.

Atualmente temos a humanidade aprisionada sobre os signos da paixão e enganosamente chamando a este sentimento de amor, a avidez em devorar o outro em tudo que ele é para saciar lhe a fome, ate que a fome passa e o ser humano que antes lhe dava sensações incríveis é abandonado para que enfim, a busca por outro que lhe dê novamente as sensações anteriormente sentidas.

Alexandra Kollontai, em sua obra, a Nova Mulher e a Moral Sexual, descreve a condição da humanidade daquela época, que se assemelha incrivelmente com a de hoje ainda, dizendo:

 “A época atual caracteriza se pela ausência da arte de amar. Os homens desconhecem em absoluto a arte de saber conservar relações amorosas, claras, luminosas, leves. Não sabem todo valor que encerra a amizade amorosa. O amor para os homens de nossa época é uma tragédia que destroça a alma (…). É preciso tirar a humanidade deste atoleiro (…). A psicologia do homem não estará aberta para receber o verdadeiro amor (…) até que passe pela escola da amizade amorosa.”

O amor é uma construção social. Engana- se quem acredita que o amor é algo nato, que é um dom, não é. O amor esta na história que desenvolvemos com nossos pares no decorrer do encantamento da paixão, são as afinidades mutuas o espírito de solidariedade com o outro, a cumplicidade, lealdade, a os momentos felizes e os de superação. Todos estes elementos transformam a relação em uma ponte de acesso livre, por onde um caminha até o outro, uma ponte sólida que consegue suportar o peso que é descobrir o outro assim como ele é, sem as idealizações da paixão, sem mascaras.

O que temos hoje é um amontoado de ideologias sobre o amor que nos confundem e nos impedem de compreender e viver plenamente o sentimento. Para Alexandra Kollontai,

“A solução para este complicado problema só é possível mediante uma reeducação fundamental de nossa psicologia, reeducação esta que, por sua vez, só é possível por uma transformação de todas as bases sociais que condicionam o conteúdo moral da humanidade.”

Bibliografia

KOLLONTAI, Alexandra. A nova mulher e a moral sexual. Expressão Popular, 2003

BEAUVOIR, Simone de. O segundo sexo. Venda Nova: Bertrand, 1976.

BRANDÃO, Junito de Souza. Dicionário mítico-etimológico da mitologia grega. Petrópolis, R.J: Vozes, 1991.

PLATÃO. Diálogos. Trad. e seleção Jaime Bru

A família burguesa não nos contempla

A burguesia e conservadora e retrograda – Pensei comigo logo após começar a ler a querida Alexandra Kollontai em “O comunismo e a família”. São muitas informações que ela traz neste escrito, eu gosto de perceber que a família nunca foi algo estático, mas adaptável ao contexto histórico e social ao seu redor.

Houve época em que a família era uma mãe anciã e todos os filhos a sua volta, ouvindo e obedecendo – lhe conforme sua sabedoria houve tempo em que o pai era o líder da família, e agia como um patrão dos filhos e esposa há lugares que homens casam se com várias mulheres e é permitido por lei, formam se famílias extensas, há lugares que as mulheres são exaltadas pela quantidade de amantes que colecionou na vida (algumas tribos)… Qual e a família ideal?

O mundo muda e gira, e se expandem, novas tecnologias chegam e alavancam o futuro e tem uma classe que espera que mesmo com toda esta velocidade de acontecimentos a família patriarcal mantenha se estática e respeitada por todos, não só respeitada, mas, admirada, desejada e reproduzida, ainda que este tipo de família não corresponda em nada o que rodeia a vida de outras pessoas.

A burguesia ainda prima pela família tradicional patriarcal por que ainda tem o que proteger e manter seguro para transferir a seus herdeiros, eles são donos dos meios de produção e o que excede a produção em forma de lucro e juntado, controlado e guardado para manutenção do futuro daquela família no topo da classe social.

Para nós da classe trabalhadora que não temos nada para guardar, nem posses e nem dinheiro, para que precisamos de uma família cheia de herdeiros legítimos, com uma mãe zelosa em casa garantindo a educação destes filhos para que assumam posteriormente os negócios da família?

A família da classe trabalhadora faz muito tempo que não é a mesma imagem da família burguesa, mas devido ser a burguesia ser a classe dominante, o que se propaga como certo e perfeito é a sua moral, e suas construções. A mídia e a igreja são as principais propagandistas de que um lar equilibrado e feliz tem uma mãe zelosa e abdicada, que abandonou a carreira ou ajustou – se para poder ser mãe a profissional, os filhos sendo criados e educados pela mulher, que é uma colaboradora do homem, não só na educação e criação dos filhos, mas aconselhando o e segurando suas crises emocionais etc.

Quantas mulheres podem hoje em dia se dar ao luxo de trabalhar apenas meio período e dedicar se a criação dos filhos no restante do tempo? Quantas mulheres tem esta estrutura formada dentro de casa “mãe, pai e filhos”? Sabemos que existe uma grande quantidade de crianças que sequer tem o nome do pai na certidão de nascimento quem dirá ter a mulher apoio do homem na criação dos filhos?

Passamos muito tempo perseguindo projetos que não cabem em nossa vida, e por isso, passamos muito tempo alheios a nossas condições e sem conseguir construir para nós uma moral que nos caiba e nos represente uma moral coletiva, baseada em camaradagem, que nos faça a todos uma grande família, que supere o cla familiar burguês e se expanda em amor e cooperação com todos e todas de nossa classe.

A família montada sobre a moral burguesa é individualista, começa com um casal que terá seus filhos e ficam responsáveis pela criação e educação destes filhos, voltam se apenas para seus clãs familiares, treinando os obstinadamente para a competição do mundo capitalista, a fim de que galguem os melhores postos, as mais altas patentes…

Aqui na classe trabalhadora, seguimos este mesmo projeto, sem perceber que para que a classe dominante esteja nesta posição, somos todos explorados e do suor nosso trabalho nasce às condições da família burguesa manter sues valores e formato. O mesmo capitalismo que chamou as mulheres de volta ao mercado de trabalho, não as aliviou de suas tarefas domésticas, inviabilizando completamente a possibilidade de ser ter em casa a mãe preconizada pela burguesia. O próprio sistema econômico impossibilita a família padrão. Enquanto isso a igreja e a sociedade louvam – na.

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A classe trabalhadora aprende viver sem vida familiar, passa mais tempo com seus companheiros de trabalho do que com sua família estabelecida por contratos, acordos e laços consanguíneos. Passamos cerca de 9 horas no ambiente de trabalho, outras tantas horas presos no trajeto do trabalho até em casa, quantas horas passamos efetivamente em casa durante a semana para estabelecer relações familiares consistentes.

A família como clã no seio da classe trabalhadora não funciona, a intimidade dos membros se perde, falta tempo para o dialogo e intimidade para fazê-lo, muitas vezes amamos mais um amigo que convivemos todos os dias no ambiente de trabalho, e que se projeta para nossa vida pessoal com grande ganho de intimidade do que um irmão de laço consanguíneo.

O que estou tentando demonstrar é que a classe dominante tem uma moral conservadora para família e que expandi-la como a correta e aceita, contudo ela é impossível para nós e nos culpamos por não conseguir ter e manter esta família perseguimos ideais que são horizontes se afastando continuamente quanto mais caminhamos em sua direção.