Sobre Verinha Kollontai

Bióloga, amante de felinos, gorda, gayzista, feminazy da esquerda revolucionária, Marxista, Leninista,Trostskista e Morenista. Profundamente convencida de que ser radical é ir as raízes do problema.

Uma nova moral para o Amor

A moral do Amor

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O amor vem sido contado de variadas formas, e são vários os tipos de amor que elencaram para nossas vidas: Amor materno, amor paterno, amor fraterno, amor apaixonado, os altruísmo… Todas as formas de amor são exaltadas e idealizadas, como se qualquer passo a fora do que foi previsto para o amor fosse uma heresia, uma profanação a sagrada religião do amor, com castigo de ser excomungado do templo onde ele habita.

Parece um exagero, mas é assim que o amor vem sendo tratado, como uma religião sagrada que tem neste sentimento um rito que deve ser cumprido á risca. O tipo de amor que mais causa espanto quanto a estas considerações, é o amor materno, mas o amor entre pares também não esta livre, não é livre.

Vem direcionado a nós através das mídias e artes em geral, o amor romântico servido ao mundo como algo inevitável, irresistível, imutável, sofredor, apaixonado, eterno… São algumas das características que compõe o amor. Nada disso é uma verdade absoluta, pode ser que seja assim para alguns povos vivendo em determinadas localidades onde este tipo de construção foi eleito a forma plena de amar, mas não se aplica a o mundo todo de forma imutável.

O amor não é algo nato, que nos salta aos olhos a primeira vista do outro. É sabido que a paixão provoca reações químicas no cérebro e corpo, nos levando a uma súbita atração pelo outro, mas que este episódio de atração chama se paixão e pode ser comparado a um Cio animais não humanos. Por meio do mapeamento cerebral, foi descoberto que o estado mental alterado pela paixão dura, geralmente, de 18 a 48 meses.  É um período breve para a construção de um amor, nem sempre se concretizam, os pares se separam quando cessam as doses de hormônios que são liberadas pelo período apaixonado quando a construção do amor não é alicerçada.

O amor são as conexões que aparecem durante o período que a paixão une o par, seja homem e mulher, sejam casais homoafetivos. A evolução da espécie na verdade não enxerga a sexualidade dos indivíduos, apenas temos internalizado as formas de unirmos – nos em pares para perpetuação da espécie. O amor é uma construção social que traduz – se para cada época, para cada sociedade, para cada ideologia dominante de uma época.

O nascimento do amor

Algumas explicações de com o nasce o amor já nos mostra bem que tipo de construção nos reserva. Na mitologia Grega, Eros nasce de uma Deusa chamada Penúria, extremamente miserável, que vivia sedenta e faminta. Aconteceu que haveria uma festa e Penúria não foi convidada, esfomeada, ela chega ao término da festa e come e bebe os restos, come tanto que se farta de migalhas.

Penúria, encontra um Deus chamado Poros, dormindo embriagado (pobrezinho) e mesmo sendo considerado astuto e engenhoso dono de uma personalidade envolvente, ele é abusado por Penúria, que faz sexo com ele “inconsciente”. Desta noite te sexo, nasce EROS, o Deus do amor, aquele menininho loiro de cabelos encaracolados que atira flechas nas pessoas, flechas envenenadas de paixão e amor.  Eros, numa genética fantástica, viria a conciliar em sua essência tanto a carência e a miséria de sua mãe Penúria, como a abundância e a prosperidade de seu pai Poro.

Para Platão: “Com efeito, o saber está entre as coisas mais belas é o Amor é o desejo do belo; portanto, forçosamente o amor é filósofo e, sendo filósofo está situado entre o sábio e o ignorante. Ainda é sua origem a causa disso, pois é filho de um pai sábio e industrioso e duma mãe ignorante e apalermada”.

Os homens não amam?

O que podemos tirar desta fabula da mitologia grega? Que a figura que remete ao amor em construção feminina é a de fome, tanta fome, que as migalhas lhes bastam, a sedução e altivez ficam por conta da figura masculina e não só isso, ela o conheceu por que era um Deus convidado para festa, logo era abastado, para ter os privilégios de uma vida plena, a mulher precisa lutar ou enganar o homem para conquistá-la, e engravidar do homem seria uma forma de garantir um espaço neste céu de deidades.

O amor nasceria da fome e da miséria, do desespero e da desonestidade do ser humano do gênero feminino, que precisa ser abraçado e envolvido pela sedução, riqueza e beleza alheia para saciar – se. Impossível imaginar o amor dentro desta perspectiva, pois ela traz a dependência como imagem de amor. Ou saciar se do outro, ou morrer de fome. A riqueza, a prosperidade, tudo de maravilhoso esta na outra pessoa e precisaríamos desta pessoa permanentemente ao nosso lado para sermos melhores e completas.

Importante ter em vista que o amor tem sido algo remetido como algo próprio da mulher, sendo ele feminino, tanto que as qualidades do amor são minimizadas em discursos machistas como sendo “preocupações de mulher”. Simone Beauvoir disse que “O amor foi apontado à mulher como uma suprema vocação e, quando se dedica a um homem vê nele um deus […]”. E tem sido assim, tanto que “o mais medíocre dos homens julga-se um semideus diante de uma mulher”, e infelizmente,  o amor transformou-se em uma arma do machismo para submeter às mulheres.

Do amor degenerado ao Amor pleno

O amor que conhecemos hoje, e fruto de várias construções ideológicas de classes que foram e das que são dominantes ainda hoje. Durante a passagem da linha do tempo, encontramos o “amor” sempre atrelado a promover equilíbrio e beneficiar a moral das famílias e do fator econômico da classe. Esta forma degenerada de caracterizar o amor foi destruindo – o em sua essência e moldando o para suprir interesses alheios aos anseios humanos.

Atualmente temos a humanidade aprisionada sobre os signos da paixão e enganosamente chamando a este sentimento de amor, a avidez em devorar o outro em tudo que ele é para saciar lhe a fome, ate que a fome passa e o ser humano que antes lhe dava sensações incríveis é abandonado para que enfim, a busca por outro que lhe dê novamente as sensações anteriormente sentidas.

Alexandra Kollontai, em sua obra, a Nova Mulher e a Moral Sexual, descreve a condição da humanidade daquela época, que se assemelha incrivelmente com a de hoje ainda, dizendo:

 “A época atual caracteriza se pela ausência da arte de amar. Os homens desconhecem em absoluto a arte de saber conservar relações amorosas, claras, luminosas, leves. Não sabem todo valor que encerra a amizade amorosa. O amor para os homens de nossa época é uma tragédia que destroça a alma (…). É preciso tirar a humanidade deste atoleiro (…). A psicologia do homem não estará aberta para receber o verdadeiro amor (…) até que passe pela escola da amizade amorosa.”

O amor é uma construção social. Engana- se quem acredita que o amor é algo nato, que é um dom, não é. O amor esta na história que desenvolvemos com nossos pares no decorrer do encantamento da paixão, são as afinidades mutuas o espírito de solidariedade com o outro, a cumplicidade, lealdade, a os momentos felizes e os de superação. Todos estes elementos transformam a relação em uma ponte de acesso livre, por onde um caminha até o outro, uma ponte sólida que consegue suportar o peso que é descobrir o outro assim como ele é, sem as idealizações da paixão, sem mascaras.

O que temos hoje é um amontoado de ideologias sobre o amor que nos confundem e nos impedem de compreender e viver plenamente o sentimento. Para Alexandra Kollontai,

“A solução para este complicado problema só é possível mediante uma reeducação fundamental de nossa psicologia, reeducação esta que, por sua vez, só é possível por uma transformação de todas as bases sociais que condicionam o conteúdo moral da humanidade.”

Bibliografia

KOLLONTAI, Alexandra. A nova mulher e a moral sexual. Expressão Popular, 2003

BEAUVOIR, Simone de. O segundo sexo. Venda Nova: Bertrand, 1976.

BRANDÃO, Junito de Souza. Dicionário mítico-etimológico da mitologia grega. Petrópolis, R.J: Vozes, 1991.

PLATÃO. Diálogos. Trad. e seleção Jaime Bru

A família burguesa não nos contempla

A burguesia e conservadora e retrograda – Pensei comigo logo após começar a ler a querida Alexandra Kollontai em “O comunismo e a família”. São muitas informações que ela traz neste escrito, eu gosto de perceber que a família nunca foi algo estático, mas adaptável ao contexto histórico e social ao seu redor.

Houve época em que a família era uma mãe anciã e todos os filhos a sua volta, ouvindo e obedecendo – lhe conforme sua sabedoria houve tempo em que o pai era o líder da família, e agia como um patrão dos filhos e esposa há lugares que homens casam se com várias mulheres e é permitido por lei, formam se famílias extensas, há lugares que as mulheres são exaltadas pela quantidade de amantes que colecionou na vida (algumas tribos)… Qual e a família ideal?

O mundo muda e gira, e se expandem, novas tecnologias chegam e alavancam o futuro e tem uma classe que espera que mesmo com toda esta velocidade de acontecimentos a família patriarcal mantenha se estática e respeitada por todos, não só respeitada, mas, admirada, desejada e reproduzida, ainda que este tipo de família não corresponda em nada o que rodeia a vida de outras pessoas.

A burguesia ainda prima pela família tradicional patriarcal por que ainda tem o que proteger e manter seguro para transferir a seus herdeiros, eles são donos dos meios de produção e o que excede a produção em forma de lucro e juntado, controlado e guardado para manutenção do futuro daquela família no topo da classe social.

Para nós da classe trabalhadora que não temos nada para guardar, nem posses e nem dinheiro, para que precisamos de uma família cheia de herdeiros legítimos, com uma mãe zelosa em casa garantindo a educação destes filhos para que assumam posteriormente os negócios da família?

A família da classe trabalhadora faz muito tempo que não é a mesma imagem da família burguesa, mas devido ser a burguesia ser a classe dominante, o que se propaga como certo e perfeito é a sua moral, e suas construções. A mídia e a igreja são as principais propagandistas de que um lar equilibrado e feliz tem uma mãe zelosa e abdicada, que abandonou a carreira ou ajustou – se para poder ser mãe a profissional, os filhos sendo criados e educados pela mulher, que é uma colaboradora do homem, não só na educação e criação dos filhos, mas aconselhando o e segurando suas crises emocionais etc.

Quantas mulheres podem hoje em dia se dar ao luxo de trabalhar apenas meio período e dedicar se a criação dos filhos no restante do tempo? Quantas mulheres tem esta estrutura formada dentro de casa “mãe, pai e filhos”? Sabemos que existe uma grande quantidade de crianças que sequer tem o nome do pai na certidão de nascimento quem dirá ter a mulher apoio do homem na criação dos filhos?

Passamos muito tempo perseguindo projetos que não cabem em nossa vida, e por isso, passamos muito tempo alheios a nossas condições e sem conseguir construir para nós uma moral que nos caiba e nos represente uma moral coletiva, baseada em camaradagem, que nos faça a todos uma grande família, que supere o cla familiar burguês e se expanda em amor e cooperação com todos e todas de nossa classe.

A família montada sobre a moral burguesa é individualista, começa com um casal que terá seus filhos e ficam responsáveis pela criação e educação destes filhos, voltam se apenas para seus clãs familiares, treinando os obstinadamente para a competição do mundo capitalista, a fim de que galguem os melhores postos, as mais altas patentes…

Aqui na classe trabalhadora, seguimos este mesmo projeto, sem perceber que para que a classe dominante esteja nesta posição, somos todos explorados e do suor nosso trabalho nasce às condições da família burguesa manter sues valores e formato. O mesmo capitalismo que chamou as mulheres de volta ao mercado de trabalho, não as aliviou de suas tarefas domésticas, inviabilizando completamente a possibilidade de ser ter em casa a mãe preconizada pela burguesia. O próprio sistema econômico impossibilita a família padrão. Enquanto isso a igreja e a sociedade louvam – na.

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A classe trabalhadora aprende viver sem vida familiar, passa mais tempo com seus companheiros de trabalho do que com sua família estabelecida por contratos, acordos e laços consanguíneos. Passamos cerca de 9 horas no ambiente de trabalho, outras tantas horas presos no trajeto do trabalho até em casa, quantas horas passamos efetivamente em casa durante a semana para estabelecer relações familiares consistentes.

A família como clã no seio da classe trabalhadora não funciona, a intimidade dos membros se perde, falta tempo para o dialogo e intimidade para fazê-lo, muitas vezes amamos mais um amigo que convivemos todos os dias no ambiente de trabalho, e que se projeta para nossa vida pessoal com grande ganho de intimidade do que um irmão de laço consanguíneo.

O que estou tentando demonstrar é que a classe dominante tem uma moral conservadora para família e que expandi-la como a correta e aceita, contudo ela é impossível para nós e nos culpamos por não conseguir ter e manter esta família perseguimos ideais que são horizontes se afastando continuamente quanto mais caminhamos em sua direção.

Novembro Negro e a Marcha Fúnebre prossegue

“A mulher negra chora debruçada sobre o corpo frio do filho morto, a policia atirou pelas costas, ele estava correndo, não da policia, brincava com os amigos na comunidade que nasceu, e por barbárie, ali também” (Um lugar chamado branquitude – Verinha K.)
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A mídia completamente posta do lado da Burguesia faz um serviço ao Estado ajudando o imaginário dos cidadãos a escolher um lado, e obviamente não é o lugar dos seus semelhantes, mas o da classe dominante. Enquanto rascunho este texto ouço a repórter da rede Record contar que a Cidade de Deus esta ocupada, ela relata a morte de 7 pessoas, mas deixa entender que pode ter sido uma execução ou apenas vitimas do tiroteio. Ela ardilosamente cita a ficha criminal dos assassinados, como se quisesse dizer aos telespectadores “Viu? Ainda bem que morreram, esta gente não presta”. Crimes como roubo por exemplo, foram citados e este mesmo torna aceitável a pena de morte, até daqueles que eram ficha limpa.
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Arte de Mikaela Masettias

 

Já os policiais?
Ah os policiais…eles te nome, eles deixam famílias, mães e filhos, todos choram em seus  velórios, tem currículos invejáveis… é uma tragédia a morte deles, e claro que toda morte gera comoção, mas incomoda a você, leitor, que ninguém estranhe que os sete mortos não tem mães, pais, irmãos e irmãs, esposas, filhos e filhas? Eles tem, mas a mídia omite, propositalmente para impedir a comoção e impelir a escolha de um lado.
Do que estamos falando?
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NOVEMBRO NEGRO

No mês da Consciência Negra que homenageia e relembra a resistência negra contra o racismo, e nomes como  de Zumbi, Dandara, Acotirene, Luiza Mahim, João Cândido, Solano Trindade, dos Panteras Negras, de Malcolm X, todos aqueles que lutaram contra a opressão sexual, racial, homofóbica e contra a exploração capitalista são evocados, o Brasil assiste no Rio de Janeiro, mais um episódio do genocídio da juventude negra.

 

No dia 19 de Novembro um Helicóptero caiu na cidade de Deus, estavam dando apoio pelo ar a operação terrestre que a policia fazia atrás de “traficantes”. O Helicóptero caiu, isso mesmo, caiu. Quatro policiais que estavam na aeronave morreram. Repito: Caiu. Não há sinais de perícia que aprovem que tenha sida abatida, não há tiros na aeronave, não há tiro os policiais, pode ter sido falha mecânica, pode ter sido erro humano, não importa quantos anos de experiência se tenha, um dia… a gente pode errar.
 
No dia 20 é aprovado uma invasão na cidade de Deus, se os policiais já fazem atrocidades, atiram a esmos nas comunidades como forma de intimidação, muitas vezes, tiros que encontram lugar em moradores completamente alheios a qualquer situação. (Estamos cansadas de ver isso).
 
SETE corpos foram encontrados
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Sinais de execução: Mães, esposas, irmãs, pais, tanta gente sofrendo, por que a policia resolveu RETALIAR a queda do helicóptero. Mas venhamos e convenhamos, tudo que a policia militar quer é um motivo para chacinar, verdadeiros tribunais autorizados pelo Governo, onde a pena de morte de gente preta, pobre, da classe trabalhadora é permitida.
Eles, jovens negros vitimas da Policia tem nome:

De acordo com a Polícia Civil, os corpos encontrados são de Leonardo Camilo da Silva, 30 anos, Rogério Alberto de Carvalho Júnior, 34, Marlon César Jesus de Araújo, 22, Robert Souza dos Anjos, 24, Renan da Silva Monteiro, 20, Leonardo Martins da Silva Júnior, 22, e de um adolescente de 17 anos.

 
Hoje, 21 de Novembro, há uma operação de Guerra na cidade de Deus. Sete mil alunos sem aulas, comércio fechado. Moradores apavorados, “a marcha fúnebre prossegue”, como diria Eduardo Taddeo.
Os policiais que estavam por terra no momento da queda do helicóptero eram das UPPs, defendidas pelo Estado e vergonhosamente, até por algumas figuras carimbadas da esquerda, como o Freixo.
 
A realidade é que as UPPs são carro chefe de politicas que pretendem a criminalização da pobreza, a política da UPP não resolve. O que resolve é: Saúde, educação e saneamento básico. O que resolve é a descriminalização do uso recreativo de drogas.
 
Um dos principais argumentos para criminalizar as comunidades pobres e carentes e justificar a militarização destes territórios. Vale lembrar que esta polícia foi formada historicamente para agredir e reprimir os mais pobres, movimentos sociais e etc. Não podemos nos submeter a polícia que nos mata!
 
Exigimos:
 
1- A investigação e punição de todos os culpados por este Chacina na Cidade de Deus!
2- O fim do genocídio da juventude negra e pobre das favelas!
3- O imediato investimento em saneamento básico, saúde, energia elétrica e educação nas favelas ocupadas pela UPP!
4- A legalização das drogas e o fim da criminalização da pobreza!
5- O fim da Polícia Militar, como já foi indicado até pela ONU, e a criação de uma polícia unificada e que os delegados sejam eleitos pelos trabalhadores da região em que eles vão atuar!

A desumanização das vitimas de FEMINICIDIO

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A violência doméstica mata:

  •  Por hora 5 mulheres em todo mundo (Action Aid)
  • Por dia 119 mulheres (Nações Unidas)
  • No Brasil, por dia são 15 mulheres assassinadas.
  • O Brasil é de 84 países, o quinto que mais mata mulheres, superando a Síria.

Não bastou no Brasil que exista uma lei, a de numero 8.305/14 que classifica o feminicídio como crime hediondo e modificou o Código Penal, incluindo o crime entre os tipos de homicídio qualificado… Ás mulheres seguem morrendo assassinadas por companheiros e ex- companheiros e até mesmo por homens com quem nunca se relacionaram, mas que não aceitam o fato de serem rejeitados.

Um fato muito interessante sobre o crescimento da mortalidade das mulheres por este tipo de crime é que elas tornam – se números, são apenas estatísticas, sem rosto, sem história e sem humanidade. Se tantas mulheres morrem da mesma forma no Brasil, por que não vemos divulgado na mídia a perda de cada uma delas?

Assistindo o Jornal, destes sensacionalistas, nos admiramos com a quantidade de mulheres assassinadas por maridos, ex-maridos, namorados, ex-namorados e até mesmos desconhecidos em ataques sexuais e ás vezes por motivos completamente inacreditáveis, motivo nenhum… É só por ser mulher mesmo. Os casos amontoam – se.

Comumente caracterizados com crime “por amar demais”, crime por “paixão”, a mídia deseduca a população que assiste os noticiários sangrentos com mortes brutais, onde não há nada de ação de amor ou paixão, mas deixam muito claro o teor de ódio e de como os homens são ensinados pela cultura machista a não amar mulheres, mas amar  o poder que tem sobre elas, o poder de submetê-las a seu bel prazer, compreendendo -nas como seres inferiores que devem suas vidas a eles e assim eles dispõem da vida das mulheres, quando acreditam que não estão obedecendo suas ordens ou não servem mais as seus propósitos.

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Em 11/11/2016 uma mulher pobre, moradora de uma comunidade, tudo que ela teria era um barraco e um filho. Maristela Nicolau, de 58 anos, foi espancada até a morte pelo companheiro, após uma briga ocorrida na madrugada desta sexta-feira dia 11. O caso acabou sendo noticiado no dia 12 de Novembro, um pouco antes de ser noticiado o caso de Edna.

Em 12/11/16 Edna morreu, alvejada por 4 tiros, dentro de seu apartamento na região Centro sul de Sampa, bairro do Paraíso. Após divorciar-se de seu ex-marido partiu de Goiás para São Paulo onde recomeçaria a vida longe do homem que já teria uma medida restritiva que o impedia de aproximar-se dela. O homem, Hugo, viajou de carro de Goiás a São Paulo para matá-la e feriu um amigo dela que estava no apartamento.

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Mariana Menezes de Araújo Costa Pinto, sobrinha-neta de SARNEY, foi encontrada morta em casa. Lucas Leite Ribeiro Porto, cunhado da vítima, é o principal suspeito.

“Violentamente espancada”, “ferida com golpes de facão”, “amarrada dentro da própria casa”, “incendiada pelo marido”. A violência contra a mulher está presente em todos os estados, em todos os estratos sociais.

A diferença é a humanização que as vitimas burguesas recebem a ausência de investigação da vida pregressa delas, a admissão do crime e repúdio. Varias imagens das vitimas são veiculadas, a imagem dos rostos, é o que nos humaniza e desperta a empatia.

Quantas matérias sobre femicidio de mulheres pobres sequer se mostra o rosto delas? Não há imagem nem dela e nem do agressor, quantas matérias com citação da vida pregressa vitima, buscam fatos que justifiquem a brutalidade sofrida pela vitima.

Desde dia 12 vários canais falam da sobrinha neta de Sarney e falam de Edna, e não é que não devessem falar, mas deveriam falar de todos, dar rosto as vitimas, dar nome, citar suas histórias e a interrupção de seus planos e sonhos, ou os planos e sonhos que nunca vingaram por causa da miséria imposta sobre elas e que para o desfecho infeliz, morrem nas mãos do homem que depositaram confiança e esperança de pelo menos o verdadeiro amor terem encontrado e vivido.

#SomostodasJoana?

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Acontecido em 5/10/16 ,um caso que merecia ser divulgado a exaustão foi o de  Joana de Oliveira Mendes, professora, de 34 anos, tinha dois filhos: um adolescente de 14 anos, fruto do primeiro casamento, e um menino de apenas 2 anos, fruto do seu relacionamento com o homem que tirou a sua vida, Arnóbio Henrique Melo. A vítima teve seu rosto completamente desfigurado, comprovando que o autor do crime, que lhe deferiu 31 facadas, tinha o intuito, não só de tirar a vida, mas desfigurar a mulher. Destruir sua imagem.

As tragédias das burguesas são relatadas de forma humanizada, quando falam sobre, até parece que é algo raro, que não acontece todos os dias, que não se trata de milhares todos os anos, perguntamos – nos, por que algumas vidas (ricas) valem tanto e vidas pobres recebem a banalidade e o “é assim mesmo”, como se a pobreza nos tornasse pessoas brutas que convivem naturalmente com a morte violenta acometida por ódio e como se o mesmo não pudesse acontecer na burguesia por seu refinamento e superioridade.

Na democracia Burguesa, a proteção e justiça têm endereço certo e não mira as periferias.

As mulheres da classe trabalhadora são as maiores vitimas da violência machista e as que menos tem destaque nas emissoras de tv e rádio, dependentes do Estado para obter proteção e algum tipo de justiça, espera na lei Maria da Penha, o fim da violência que as acomete, contudo  a Lei Maria da Penha, que foi a principal política dos governos petistas para as mulheres, não pode ser plenamente aplicada por falta de estrutura. Menos de 10% dos municípios brasileiros têm delegacias especializadas, e pouco mais de 1% com casas-abrigo. Seria possível, já hoje, construir centros de referência e casas abrigo, realizar campanhas contra a violência, desmistificar a cultura do estupro, ampliar o atendimento médico e psicológico, entre outras medidas. Com 1% do PIB anual investido no combate à violência contra a mulher, tudo isso poderia se tornar realidade.

Hoje o investimento do governo por mulher é de aproximandamente 0,23 centavos. Estamos a beira de um ataque a população da classe trabalhadora que nos fará retroceder de forma que nossa mente sequer pode alcançar a dimensão. A PEC 241 que agora chega ao senado como PEC 55, que pretende congelar gastos públicos por 20 anos, fala muito sobre como os governantes estão, com o perdão da palavra, cagando para a situação aberrante da mulher brasileira frente a violência machista.

Assistiremos passivamente o congelamento do andamento das ações públicas que possam minimizar os ataques aos direitos humanos das mulheres?

É necessário organizar as mulheres e sairmos as ruas, contra a PEC que nos assalta de nossos direitos, roubando 20 anos de investimentos em áreas prioritárias para a classe trabalhadora, principalmente para as mulheres da classe trabalhadora, devemos exigir que os investimentos sejam proporcionais ao tamanho do problema da violência a fim de proteger a vida das mulheres.

 

Padrão de beleza um ataque ao Gênero e a Classe das Mulheres

Ninguém nasce odiando a si mesmo, somos ensinadas a isso, para algumas mulheres este ensinamento começa nos primeiros anos da infância, as mulheres negras, creio, desde o nascimento, outras no decorrer da vida, mas existe, um perfil do que é ser bonita que está engessado socialmente, servindo para distorcer a imagem das mulheres diante do espelho a ponto delas terem medo do espelho e ódio a própria imagem.

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Pra quem dúvida e desdenha da afirmação de que os padrões de beleza são enfiados na cabeça das mulheres desde a infância, dê uma conferida se existem princesas da Disney que sejam gordas, muito recentemente com o clamor por representatividade, surgiram uma ou duas negras, uma ou duas corajosas e valentes, a maioria é: Branca, magra, delicada, traços finos, esguia, e dócil. Recado dado: “Você não é uma princesa se não estiver dentro destes padrões.”

Hoje a beleza tem padrão eurocêntrico: A beleza é branca, alta, magra, dócil, obediente…

Dando uma passada pela evolução histórica dos padrões de beleza, temos que no período renascentista, entre século XIV e XVI, a mulher que era admirada com exemplo de beleza era gorda.  Por que isso acontecia? Somente as mulheres que pertenciam às famílias mais abastadas eram gordas. Ou seja, a beleza retratava a classe dominante. Só lembrando que o Renascimento, começa na Itália, o padrão vem exportado de lá, onde eram comuns mulheres gordas, brancas, altas, olhos claros, loiras e cabelos lisos.

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No Século XIX, a revolução industrial passa a dar uma qualidade de vida melhor para o proletariado, permitindo uma alimentação mais adequada e abastada para as classes subalternas, neste período, a classe dominante que é a burguesia, passa a escolher o que o que acha belo, era as mulheres gordas, brancas, de rosto corado. O corpo elogiado era o que teria a forma de ampulheta e as mulheres para obtê-lo, começaram a usar espartilhos, desconfortáveis e apertados.

Depois aparece o padrão de beleza com corpo magro, não por acaso, um corpo possível para a elite, e um corpo alcançável para as mulheres da classe trabalhadora através de muito esforço, e uma frustração sem remédio, para as mulheres que não tem biótipo para serem magras. Nos anos 20 além de execrada, a gordura era vista como atributo de classe inferior.  Existiam umas charges que corriam soltas, onde as mulheres de baixa renda, normalmente retratadas com domésticas, eram gordas, eram feias, desarrumadas, relaxadas. Enquanto isso, as patroas, eram representadas como esbeltas, esguias, altas, postura corporal ereta, delicadas…

A beleza sempre será a representação da classe dominante, antes as mulheres gordas eram tidas como mulheres belas, por que a fartura de comida era um atributo da nobreza, porém a classe subalterna tem suas formas de manter a sobrevivência, e a alimentação baseada em carboidratos passa a lhes dar a forma volumosa desejada pelo padrão. O que a classe dominante faz? Passa a escolher para padrão as mulheres gordas com rosto corado, era comum nas odes e travas, ouvir os poetas cantando para “minha senhora, branca e rosa”.

A alimentação das pessoas pobres com base em carboidrato não lhes conferia boa saúde, muitas eram anêmicas e descoradas, na classe dominante, isso era mais raro. Mas nem para as mulheres da classe dominante era tão fácil assim, elas teriam que reformular seu corpo para ter a forma de ampulheta, que era o desejado. Ou seja, o padrão dele beleza é o da classe dominante e ditado pelos homens, é o que eles desejam e é nisso que a mulher deve transformar-se, afinal, a utilidade das mulheres, desde a invenção do patriarcado, é de servi-los.

O padrão magro esta em voga há muito tempo. Mais precisamente em 1960, entra para o padrão mulheres com quadril estreito, umas das propagandas veiculadas na época diziam que mulheres não devem parecer – se com uma pêra. Que era o ideal de beleza passado, conseguido com ajuda dos corseletes, né? Lembram?

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Em 1970 Farrah Fawcett torna-se garota propaganda do padrão de beleza: alta, magra e rainha da dança. Era permitido na época de tudo para que as mulheres chegassem a este padrão, inclusive, fumar. A propaganda de cigarro dizia que “fumar emagrece” (não diziam que o câncer provocado por cigarro emagrece, mas sim que fumar consumir aquele produto danoso a saúde, para parecer ter um corpo saudável).

Em 1990, o corpo é pequeno e fino. Em 2000, o corpo é malhado. Em 2010 passa se a aceitar corpos com bunda grande, até desproporcional, como a Valeska Popozuda, mas segue renegado pela indústria da moda, afinal é um padrão das classes subalternas, a elite continua magra e sem formas abundantes.

O grande mote dos dias atuais é que o corpo magro é padrão por que é saudável e harmônico.

É muito interessante notar que todos os padrões que passaram pela linha histórica dos tempos é como ele surge ditado pelas classes dominantes e como a as classes subalternas precisam seguir aquele ideal mesmo sem ter as condições para isso. As mulheres da classe dominante, também sofrem com esta opressão estética, mas elas têm capital para investir no corpo padrão, além de contratarem treinadores particulares, que montam treinos específicos para cada uma, elas têm a sua disposição medicações e tratamentos estéticos variados para atingir a meta do corpo magro, mesmo que não tenha nada de saudável no resultado final de sua busca desenfreada.

As mulheres pobres por sua vez encontram se desprovidas do capital e de um dos critérios importantíssimos para o investimento num corpo padrão: Tempo.  As mulheres da classe trabalhadora ao contrário das burguesas começam a trabalhar muito cedo, passam o dia exercendo atividades remuneradas para ajudar a compor a renda da família, isso quando não é arrimo da família. Ganham salários baixos que muitas vezes cumprem apenas a função de manutenção da casa sem sobrar um centavo para cultura, diversão e muito menos para tratamentos estéticos e academias. As mulheres da classe trabalhadora não têm sequer a sua disposição lugares públicos bem iluminados específicos para exercitarem… Para nós tudo isso é negado.  Desta forma, o jeito mais simples de emagrecer é entupir se de remédios, e esquecer a fome, e muitas mulheres tem optado pela cirurgia bariátrica. O elogio a magreza é sádico.

Além desta observação, vamos além: O Brasil é um país onde a miscigenação é um traço que deve ser levado em consideração. Exportar um padrão de beleza Europeu, e impô-lo as mulheres Brasileiras é, de novo, sádico. Nós não temos o biótipo lá de fora, somos diferentes, temos nossos traços e sobre eles devemos ser elogiadas, e não sobre traços alheios a que somos. Por exemplo, no Brasil existe uma grande colônia Italiana, o padrão destas mulheres é o renascentista: Brancas, loiras, gordas e de rosto rosado. Não é por que o padrão de beleza mudou, ditado pela classe dominante, que o padrão de beleza destas mulheres deve mudar.

Todas NÓS deveríamos estar representadas como Tipos de beleza, sem padrão, mas ai vem à burguesia, o capitalismo, o machismo e unificados, usam deste ditame para lucrar em cima das nossas fragilidades, do nosso auto – ódio.

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A burguesia tem usado o ódio que nos ensinam desde muito cedo para lucrar. Consumimos desvairadamente produtos que nos prometem de forma fácil o corpo padrão, e quando nos frustramos sem conseguir, nos enfiamos e morremos em clinicas de lipoaspiração em busca do corpo perfeito, submetemos – nos as bariátricas, mesmo que não tenhamos indicação para esta cirurgia de grande porte entre outras medidas desesperadas, mulheres que são diabéticas, reduzem o uso da insulina, correndo riscos atrelados à ausência da mesma no organismo, para emagrecer. A classe dominante nos quer assim, completamente fora da realidade, obstinadas com um padrão impossível, enquanto eles dominam a política, dominam a economia, dominam o mundo em mantém o Status quo inalterado, assim eles enriquecem explorando-nos com base em nossa opressão.

UM DEPOIMENTO PESSOAL

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Eu, que vos escrevo, sou uma mulher gorda, sempre fui uma mulher gorda, e senti na pele desde a infância a rejeição ao meu biótipo, ao meu corpo, as minhas medidas, as minhas banhas. Muitas vezes fugia do espelho com medo de encontrar-me comigo mesma ali e reforçar o que eu pensava que aconteceria, eu sabia que odiaria a pessoa que veria refletida.

Meu padrão é o renascentista, minha ascendência é de Italianos da Calábria. Sou alta, branca, gorda, loira, cabelos lisos.

Nem sempre eu me odiei e foi um processo muito longo até eu deixar de me odiar. Tudo começou com o primeiro xingamento na pré-escola, eu não sabia que era diferente das outras crianças e nem que era inferior ou feia, até me dizerem que eu era uma “baleia”. Depois disso, foi ficando cada vez mais comum ouvir insultos, pessoas adultas me diziam as coisas mais dolorosas, como uma tia que “brincando” me dizia: “Você tem rosto de princesa e corpo de velha”. As amigas que não deixavam andar na bicicleta delas por que “você é muito gorda vai afundar minha bicicleta”. O professor de educação física que disse “Vai correr sozinha em volta desta quadra inteira para emagrecer e ficar como as outras meninas, magrinha”, as mulheres na igreja que atormentavam minha mãe dizendo a ela que ela deveria fazer algo com relação a isso, que eu ser gorda daquele jeito ela responsabilidade dela; Os amigos do meu irmão que diziam a ela que eu era linda de rosto, mas muito gorda, fazendo com que ele tivesse vergonha de mim e passasse boa parte do dia dele me torturando com rótulos e criticas que me destruíam.

Eu diante do espelho e não conseguia ver uma pessoa feia, eu me achava bonita, eu amava o que eu via, mas o mundo odiava o que eu era e então eu queria deixar de ser odiada. Eu queria emagrecer para ser como todas as outras pessoas e fugir daquelas vozes algozes de mim. Foram tantos tratamentos que perdi as contas. Foram tantas derrotas que perdi a conta. Foram tantos olhares de “Eu sabia que você não conseguiria”, foram muitas coisas que me matavam aos poucos.

A consciência de classe foi algo que me trouxe ciência da opressão e libertação de uma das situações mais paralisantes que atravessou minha vida: Tentar atingir um padrão de beleza que não é o meu padrão, sem ter em mãos, capital para investir nesta transformação, se tivesse, teria adquirido um corpo padrão que mente ser saudável, mas não tinha. Ainda bem que eu não tinha e não me submeti ao que dita uma minoria que pretendem – se tiranos das mulheres.

Quero terminar este texto pedindo a você que esta me lendo, que faça o mesmo exercício que eu fiz, note que nem sempre você odiou suas formas, talvez você nunca tenha deixado de sentir se bonita, você submeteu – se a pressões externas, você pensou em determinado momento que “se eles me odeiam é por que eu sou feia”, mas isso não é verdade. A Verdade é que existe uma classe dominante que impõe seus padrões e idéias, e nós acabamos através da opressão nos submetendo. Não se submeta. Vire o jogo. Dê um foda – se a quem crê se tão superior a ponto de ditar o que é ou o que não é belo.

 

O diário de Lisa – Relatos diário da Diabulimia.

“Uma cultura focada na magreza feminina não revela uma obsessão com a beleza feminina. É uma obsessão sobre a obediência feminina. Fazer dietas é o sedativo político mais potente na história das mulheres; uma população passivamente insana pode ser controlada”. ‒ Naomi Wolf
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Academias lotadas, barriga de “tanquinho”, barriga negativa, dietas, corpos magros sem gorduras, busca pelo “corpo perfeito”. A exigência do padrão de beleza para corpos cada vez mais magros tem deixado um rastro agro de violência emocional, psicológica e morte, as mulheres são as maiores vítimas, e as estratégias destrutivas para atingir corpos magros tem saltado nos aos olhos cotidianamente. Um dos casos que nos sobreveio foi o de Lisa, nos deixa para sentirmos, seus escritos, regados de uma busca desenfreada e doentia pelo ideal de beleza imposto que a ceifou em 12 de Setembro de 2015.
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Lisa, foi diagnosticada com Diabetes tipo 1 na adolescência, aos 14 anos. O médico recomendou a Lisa que escrevesse um diário sobre seus hábitos alimentares e usasse – o de controle para aplicação de insulina, fazendo a manutenção correta de seus índices Glicêmicos. Ela começou a escrever o diário em 2001.
 
Este diário veio a tona apenas após a morte precoce de Lisa aos 18 anos. No diário havia um relato triste de como a jovem lidava com seus transtornos alimentares e distorção da sua aparência diante do espelho, procurando de forma incansável atingir um padrão de beleza, uma magreza que tinha como objetivo caber em um vestido vermelho, que talvez tenha sido usado por ela, há anos atrás, quando seu corpo nem mesmo era um corpo adulto.
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Lisa saiu de um corpo saudável, para uma magreza cada vez mais doentia, atingida com vômitos provocados, privações alimentares, e uso inadequado de insulina, deixava de aplicar ou reduzia as doses de insulina com o objetivo de perder peso.
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Ela também praticava atividade física em excesso e tem esta situação relatada no diário.
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Lisa sofria de DIABULIMIA que é a situação em que o paciente diminui as doses de insulina ou deixa de tomar o hormônio para provocar emagrecimento.
O pâncreas dos diabéticos tipo 1 produz pouca ou nenhuma insulina, que é necessária para metabolizar o alimento ingerido e convertê-lo em energia. Nessas pessoas, se o corpo não receber insulina, ele não tem como produzir energia derivada dos alimentos, provocando portanto, uma brusca perda de peso.

Desse modo, as vítimas da diabulimia, após se renderem aos episódios de compulsão seguidas por vômito induzido típicos da bulimia, o diabético diminui as aplicações de insulina ou ainda, deixa de receber suas doses diárias, na tentativa de emagrecer.

O ciclo de diabulimia.
 
1 – Sentimentos negativos sobre a imagem corporal, forma e peso;
2 – Depressão, ansiedade e vergonha;
3 – Hiperglicemia crônica (açúcar no sangue elevado durante muito tempo)
4 – Comprometimento nos cuidados com o diabetes, com restrição ou diminuição de insulina.
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Lisa desenvolveu um grave problema gástrico que fazia com que seu estômago rejeitasse a comida. Lisa morreu devido aos problemas desenvolvidos com os transtornos alimentares.
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O mundo que exige cada vez mais das mulheres esforços desumanos para atingir um padrão de beleza irreal para muitos biótipos, tem produzidos mulheres alienadas, distanciadas do mundo real, aprisionadas em tentativas doentias de alcançar o objetivo que foge mil passos o horizonte da realidade.
Força mulheres, reneguem as imposições que violentam sua humanidade. Não existe ideal de beleza que não seja fabricado para paralisar as mulheres, o ideal de beleza é uma mentira que mata e enlouquece mulheres que não conseguem já, observar a beleza que tem.

O feminismo e a cláusula de Barreiras.

O que temos a ver com isso?

2016-04-28

O feminismo é uma luta política que muitas vezes apresenta se desconectado das situações que se apresentam. Aparentemente o movimento só se une em volta de ataques diretos às mulheres sem perceber que existe entre linhas de processos que nos atacam de forma embutida e mascarada. É importante saber que qualquer ataque a democracia, qualquer cerceamento, silenciamento político, é um ataque também a nós todas, afinal deixamos de ter contato com opções e propostas que podem nos beneficiar e jogar do nosso lado e possa de quebra ressaltar e beneficiar conservadores que usarão tudo que estiver a seu favor para nos retirar direitos.

A clausula de barreira é um trâmite político que deve estar sobre nossas vistas.

A partir destas eleições esta em vigor a tal Clausula de barreiras que vem sendo tão falada nos últimos dias. A cláusula é prevista pela Lei dos Partidos Políticos (Lei 9096/95).

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Do que se trata?

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Apenas terão pleno funcionamento parlamentar os partidos que obtiverem o mínimo de 5% dos votos para deputado federal no país e 2% em pelo menos nove estados. Os partidos que não cumprirem tais exigências não poderá eleger líderes na Câmara dos Deputados, formarem bancadas, participar da composição das mesas e indicar membros para comissões. Também perderão direito à maior parte dos recursos do fundo partidário e da propaganda eleitoral gratuita.

A Lei foi proposta com a falsa intenção de combater legendas de aluguel, porém a verdadeira motivação é de perpetuar no poder os mesmo partidos, esta clausula na verdade cria verdadeiros monstros conservadores travestidos de partido, fruto da junção de partidos menores com os maiores, fortalecendo partidos reacionários.

A cláusula de barreiras não cumpre a função de combater partidos de alugueis, o PMDB apesar de ter uma representação expressiva é também um partido de aluguel e não será afetado. E a idéia proposta de que isso combateria os corruptos não passa de história para boi dormir, afinal 35 dos 72 parlamentares envolvidos no escândalo dos sanguessugas e 13 dos 19 mensaleiros estão nos grandes partidos, que cumprem as metas da cláusula.

A eliminação da clausula de barreira é uma vitória democrática dentro dos marcos da democracia burguesia.

Em outros períodos da nossa história política esta famigerada cláusula apareceu também, porém, desde 1988 estamos livres dela, que vigorou em épocas diferentes, cumprindo diferentes requisitos para participação das eleições:

Em 1950, o Código Eleitoral previa que o partido que não conseguisse fazer um representante no Congresso Nacional ou não alcançasse pelo menos 50 mil votos teria seu registro cancelado.

Nos tempos da ditadura, a regra endureceu. A Constituição de 1967, no artigo 149, inciso VII, estabelecia a extinção dos partidos políticos que não atingissem: a) 10% dos eleitores votantes na última eleição geral para a Câmara dos Deputados, distribuídos em 2/3 dos estados, com o mínimo de 7% em cada um deles; b) 10% de deputados em pelo menos 1/3 dos estados; c) 10% dos senadores. A intenção era evitar a existência de partidos políticos contrários ao regime militar.

A cláusula de barreira volta a ser fomentada no governo de FHC, trazendo para nós um retrocesso a um período autoritário,resgatado diretamente do período mais antidemocrático da nossa história: A ditadura militar. Para ilustrar o cenário, em 1982, o PT elegeu oito deputados federais e 1,7% das cadeiras da Camara dos deputados. Se na época houvesse esta lei,não passaria na cláusula e nunca teria chegado onde chegou.

A Clausula de barreiras nada mais é do que uma forma de impedir que fortaleça se os partidos ideológicos como PSTU e PCB e apesar de terem votado a favor da Clausula de barreiras, até o PSOL esta sendo barrado de expor suas idéias em debates televisivos, com o é o caso da BAND, com base nesta lei. É importante ressaltar a grande traição do PSOL a esquerda, um jogo sujo para tirar do pário os partidos com menos representação e obrigá-los ou a exclusão ou aliar se a ele. Porém, nem tudo deu certo ao PSOL, não alcançaram a meta de uma grande adesão dos partidos em coligações que o fortalecesse e ainda perdeu espaço com base na lei que os parlamentares deste partido, juntinhos com Eduardo Cunha, ajudaram aprovar.

A contrário do PSOL que pensou em aproveitar se desta lei para beneficiar – se eleitoralmente, nós acreditamos que todos os partidos devem ter espaço garantido em todas as instancias democráticas a fim de que o povo decida-se qual a melhor opção para administração do país. Questionem-se sempre, por que estão silenciando partidos, obviamente não querem que as pessoas conheçam suas propostas e denúncias. Quem não deve não teme. Abaixo já a cláusula de Barreiras, queremos todos os candidatos nos debates e com igualdade de ação quando eleitos.

A importância para nós feministas do conhecimento de todo este processo é principalmente saber que os partidos que mais nos apóiam em nossas lutas, são os que estão sendo retirados dos espaços de divulgação de seus programas.