Sobre Verinha Kollontai

Bióloga, amante de felinos, gorda, gayzista, feminazy da esquerda revolucionária, Marxista, Leninista,Trostskista e Morenista. Profundamente convencida de que ser radical é ir as raízes do problema.

Dois pesos e duas medidas: A criminalização da pobreza.

A violência e preconceito de Classe por á parte das pessoas da classe trabalhadora veio à tona nestes últimos dias com dois episódios a respeito de jovens envolvidos com uso de drogas e crimes de menor periculosidade.

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Primeiro Caso – Andreas von Richthofen chegou à unidade de saúde escoltado por PMs após invadir imóvel na Zona Sul.”

 

Esta era a noticia que apareceu a respeito do jovem de classe alta, estudado, filho de uma família rica que acabou tragicamente quando a filha Suzane e os irmãos Cravinhos assassinaram seus pais.

A comoção por Andreas foi geral, todos entenderam de imediato que ele passou por um evento extremamente traumático e que o levou a procurar fuga da dor nas drogas. Andreas foi preso tentando pular o portão de uma casa, o que será que ele, sobre efeito de drogas ou abstinência iria fazer? Roubar para trocar o produto do roubo por mais drogas? Pode ser que sim, mas a toa ele não estava ali, pulando aquele portão. Ou será que estava? Será que ele faria mal a alguém? O beneficio da dúvida foi muito encontrado nas opiniões de internautas.

O caso se desenrola com muitas entrevistas na mídia, pessoas que conheciam e admiravam Andreas, falando de como ele era um rapaz querido etc.

Andreas foi pego pulando um portão de uma casa, isso configura invasão de propriedade privada, não? Será que Andreas também mereceria ser dominado por alguns moradores e levado para dentro de uma das casas onde seria tatuado na sua testa “Invasor de propriedade”?

Claro que não, NE?

Andreas é diferente, tem uma história de vida trágica, traumas profundos, uma vida interrompida por um crime brutal praticado pela própria irmã. Ele é inteligente, Andreas, que é doutor em química pela Universidade de São Paulo (USP),  é um “bom menino” de 29 anos de idade, “esta apenas desorientado”.

Ok, completo acordo com tudo isso, ele não merecia ser dominado, trancafiado, torturado e exposto. Ele não merecia ter uma marca na testa que o condenaria para sempre por algo que ele fez num momento de surto psiquiátrico devido ao uso de drogas. Quem merece?

Segundo Caso – A barbárie da Tatuagem na testa “Sou ladrão e vacilão”

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Na ultima semana um vídeo viralizou na internet, tratava se de um rapaz de apenas 17 anos, ele estava tendo sua testa tatuada por dois homens, as inscrições eram “Sou ladrão e vacilão”. O tio do adolescente relatou que o rapaz não roubou e nem tentou roubar a bicicleta: “Infelizmente, ele é usuário de drogas, estava alcoolizado, viu a porta aberta, entrou e parou na bicicleta. Quando a bicicleta caiu e ele foi pegar para levantar, o rapaz (vizinho da pousada) viu. Achou que ele estava roubando, chamou o tatuador e nessa já prendeu o moleque, perguntando se ele queria fazer uma tatuagem. Ele, meio alcoolizado e na inocência, falou para os caras que poderiam fazer a tatuagem” — conta o tio.

Segundo o julgamento popular na inquisição da Internet, o jovem de 17 anos apenas, periférico e que ninguém conhecia sua história, este merece todos os castigos físicos que lhe impuseram. O jovem que aparece nas imagens da sessão de tortura sendo tatuado por dois criminosos, está apático, obviamente sobre efeitos de drogas ou com sintomas de algum transtorno psiquiátrico. Ele não demonstra nenhuma resistência física e quando os criminosos dizem a ele “O que você quer tatuar” e forçam a resposta ele diz “Ladrão”.

Andreas foi preso pela policia e conduzido a um hospital onde foi constatado que ele esta com higiene precária e olhar vidrado. Foi conduzido a uma clinica de recuperação onde permanece sem previsão de alta. Lá passara pelo processo de desintoxicação e tentativa de restauração de seu equilíbrio.

O outro rapaz, ele sim que é um menino, tem apenas 17 anos, envolvido com drogas e acusado por dois criminosos, de ter TENTADO roubar uma bicicleta na região, trata-se da palavra de dois criminosos contra a de quem? Ninguém. Ninguém mais sabe deste suposto roubo. Não teve B.O, nada.

O que aconteceu foi que dois homens, Maycon Wesley Carvalho dos Reis, 27 anos, e o vizinho Ronildo Moreira de Araújo, 29 anos, supuseram que aquele adolescente havia tentando cometer um crime de roubo (Andreas cometeu um crime, invasão de domicilio), naquele momento de suposição, ambos resolveram que era correto sequestrar, manter em cárcere privado, torturar e expor um adolescente. Qual a diferença entre Andreas e o adolescente de 17 anos?

A esmagadora maioria das pessoas julgando o adolescente não sabia nada sobre sua vida, não sabiam e não deram ouvidos aos depoimentos de vizinhos que disseram que ele era muito bom e muito querido na vizinhança, ninguém deu ouvidos aos pais que disseram que ele estava desaparecido desde 31 de Maio e que estavam a sua procura, nada disso bastou para uma avaliação da situação.

Qual a diferença entre Andreas e o Adolescente de 17 anos?

Constituição Brasileira, Art. 5º “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”.

A diferença e a criminalização da pobreza. O que um jovem da classe alta faz sempre haverá justificativas, mas um jovem, filho da classe trabalhadora sempre será visto como bandido, daqueles que “Bandido bom é bandido morto”, contrário aos da classe alta que são apenas pessoas com problemas momentâneos, altamente justificáveis por qualquer motivo.

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Importante lembrar que a pobreza é fruto da existência de uma classe dominante e impiedosa de culpabilizar e banir a classe pobre de suas cidades. Nossos jovens, filhos da classe trabalhadora, estão vulneráveis a todo tipo de violência e figuram as cruéis estatísticas em que se aponta um verdadeiro genocídio da juventude periférica, e esta vulnerabilidade existe devido ao ordenamento e diretriz de uma economia na qual proporciona a divisão de classes e de raça.

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Na nossa sociedade a pobreza não obtêm direitos civis e sociais em uma determinada lógica de higienização racista, por isso, “bandido bom é bandido morto”, desde que não sejam os bandidos da elite, estes sempre existe a crença de que podem mudar e devem ser assistidos neste processo. Mas… os da classe trabalhadora, que morram. A classe trabalhadora reproduz o ódio da burguesia contra sua própria classe, são manipulados pela ideologia da classe dominante que usa a violência estatal e a mídia burguesa para prover esse acirramento e produto de um ódio sem procedentes sobre os pobres.

Feministas, convido as ao debate fraterno, principalmente todas que fizeram coro com esta atitude de ódio praticada contra um adolescente.

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Uma mãe desesperada em busca de um filho que tem problemas vinculados ao uso de drogas tais como álcool e crack. Vocês viram esta imagem antes de fazer coro sádico com os reacionários?

Muito- se fala no feminismo a respeito da maternidade, na nossa análise, até mesmo de uma forma romantizada que exalta o sofrimento materno como amor, contudo quando ocorrem casos como estes, as mulheres, parte delas mães, esquecem-se completamente da figura materna sofredora por trás de uma adolescente em conflito com a lei.

Outra reflexão que considero importante propor é que, um homem capaz de fazer o que fez com um adolescente sobre efeito de drogas e vulnerável, o que fariam diante de uma mulher com a mesma condição? O adolescente teve a testa tatuada e uma adolescente, o que eles fariam? Qual seria o castigo dela? Seria sexual? Vocês aprovariam?

Vale a pena relembrar um caso que aconteceu em 2013, quando um tatuador norte-americano de Dayton, Ohio, se vingou da namorada que o estaria traindo fazendo uma enorme tatuagem em suas costas com a imagem de fezes com moscas voando em volta, segundo o site “Very Weird News”.

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Homens convencidos de que estão acima da lei e que podem julgar, condenar e punir um adolescente, como fizeram, tem a mesma mentalidade para mulheres e nós feministas, que eu me lembre, somos contra castigos físicos para mulheres que cometem erros, ou seria justo uma mulher que trair um desses homens tem na testa tatuado “Puta”?

Os jovens pobres e periféricos não estão em situação de vulnerabilidade à toa.

Vamos relembrar que as mulheres são socialmente responsabilizadas pela educação dos filhos, ao mesmo tempo em que são chefes de família ou cooperam com a composição da renda que sustenta a família, trabalhando no mercado formal de empregos, permanecendo cerca de 12 horas fora de casa, entre horário trabalhado e deslocamento de casa indo e voltando, quando há a presença do genitor/pai, ele também cumpre a mesma jornada, diferenciando se da mulher por que ela acumula os cuidados com a casa e educação dos filhos.

A ausência de apoio de serviços públicos para garantir o desenvolvimento sadio corpo e mente dos filhos da classe trabalhadora são ausentes e quando existem não cobrem a todos os que precisam destes serviços. Não há vagas em creches, mulheres periféricas relatam que esperaram até um ano ou mais para conseguir uma vaga, as mulheres que não podem esperar retiram de seu salário para bancar algo que é obrigação do governo e dos capitalistas.

Com a ausência materna e a ausência de serviços públicos, muitas crianças são criadas sem acompanhamento, muitas acompanhadas por outra criança, e encaminharem se para um mundo marginal não parece tão distante quando observamos esta situação.

Os adolescentes em conflitos com a lei tem MÃES.

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“Meu filho não é um animal”

As mães perdem seus filhos, batalham para dar o material e não conseguem fazer o acompanhamento afetivo e corretivo da infância. E quando enfim estão em conflito com a lei, elas são chamadas a responsabilidade e julgadas por sua “maternidade imperfeita”.

Imagine-se, você mãe, ao encontrar seu filho saber que ele foi torturado e marcado para sempre?

O adolescente revelou que teve o cabelo cortado e teve os pés e as mãos amarrados por Ronildo e Maycon. “Eu comecei a puxar o cabelo para frente para tentar esconder e eles então cortaram meu cabelo.”

As opressões de classe e todas as demais se entrelaçam para manter a classe trabalhadora estagnada no mesmo lugar social e econômico, a estratégia mais eficaz da burguesia é fazer a gente pensar que existe uma divisão de classe entre os pobres e os miseráveis, mas não há, todos somos vitimas das opressões em maior ou menor grau.

Vivemos em uma sociedade de classes que cria a pobreza, cria a marginalidade, cria os miseráveis desejosos da vida que os ricos tem, e acredite, nenhum rico chegou a esta escala social trabalhando, chegou explorando a classe trabalhadora. Certeza.

O mundo das drogas esta como caminho aberto a nossos jovens, e quando isso se abate sobre nós, a resposta do governo é a perseguição aos usuários e a batalha contra o narcotráfico, os alicerces da política proibicionista do Estado brasileiro. Com esta direção de “combate” os grandes empresários do tráfico mantém lavando os lucros do comércio ilegal das drogas no sistema financeiro internacional, enquanto o pequeno traficante, o polo varejista, é brutalmente reprimido e a classe trabalhadora é sem duvida o alvo mais atingido por esta guerra, pois fica refém da luta entre as facções do tráfico, milícias e Polícia.

Um lembrete importante é que a legislação brasileira, alterada no governo do PT, ao deixar a diferenciação entre tráfico e consumo ao arbítrio da Justiça e da PM, aprofunda essa realidade. Nas interpretações mais comuns das autoridades, jovens de classe média com cem gramas de maconha são consumidores, ao mesmo tempo em que jovens pobres e negros com a mesma quantidade de drogas são traficantes, portanto, criminosos. Rafael Braga está ai e não nos deixa esquecer que de fato a criminalização é da pobreza.

 

O que nós Feministas Marxistas defendemos como solução imediata?

  1. Defendemos, além de descriminalizar o uso e o comércio das drogas ilícitas, a legalização de todas as drogas, colocando a grande produção e a comercialização sob o controle do Estado.
  2. Estender o regime estatal de produção e distribuição às demais drogas hoje legalizadas, como os fármacos, o tabaco e o álcool, impedindo os instrumentos de incitação ao consumo, principalmente os publicitários.
  3. Que os lucros da venda das substâncias psicoativas devem ser colocados a serviço dos interesses da população, como investimentos em Saúde Pública, programas de tratamento de dependentes e campanhas contra o consumo compulsivo.
  4. Criação de vagas imediatas em creches que acolha todas as crianças em idade deste cuidado enquanto a mãe trabalhadora esta em seu labor diário.

Um caso de amor ou um Caso de Abuso?

O caso de Emilly e Marcos, no programa Big Brother, mostrou as duas faces do machismo: A mulher oprimida e o homem opressor, em cadeia nacional, o homem agiu de forma natural, atuando com posturas agressivas e manipuladoras contra a mulher, ele não sente vergonha e nem remorso, afinal a sociedade romantiza o machismo.

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Emilly chora durante almoço e Marcos consola: ‘Faz exame de consciência’

Quando os homens encenam arrependimento, sofrimento, dor… O mundo tem piedade deles, mesmo que tudo isso, seja apenas uma forma de manipular a parceira e não a verdade de seus sentimentos, prova disso é o fato de que, em pouco tempo eles retornam ao mesmo comportamento.

A violência emocional é uma das modalidades iniciantes do relacionamento abusivo que pode chegar à violência física. Normalmente as pessoas só pensam em abuso e violência quando existem hematomas, sangue e morte, mas bem antes de tudo isso aparecer, existe um abusador e uma abusada, existe uma pessoa que sabe exatamente como destruir a outra para que ela submeta-se completamente as suas vontades.

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Não sejamos inocentes, os homens machistas sabem que as posturas deles causam dor e sofrimento, eles fazem mesmo assim, e fazem por que sabem que a habilidade de manipular manterá a parceira aprisionada neste ciclo de violência.

Alguns depoimentos que recebo de mulheres são todos muito parecidos, e mostram que existe modo de operar comum a todos os homens que utilizam – se de machismo para oprimir suas companheiras.

Um manipulador emocional, quem e ele?

Um manipulador emocional é uma pessoa que sempre sai pela tangente quando comete um erro. Por exemplo, ele esqueceu seu aniversário e você vai cobrá-lo disso. Ele prontamente inverte a situação e diz que lamente você pensar que ele esqueceria, que o fato é que ele esta há semanas com depressão, sofrendo sozinho, e não quis te contar por que sabe que você já tem tantos problemas, e creia-me no final deste papo, você estará morrendo de pena da dor dele, e querendo saber mais sobre a dor dele, e querendo ajuda-lo a sanar esta dor, dispondo se a procurar ajuda especializada para ele… Cuidados que ele nunca teria com você. A sua dor? Você engole.

Sempre te deixa insegura e com medo

Por mais estável e duradoura que a relação pareça, você não tem paz, vive insegura, vive a espera da próxima mancada dele, vive a espera do próximo rompimento, da próxima dor, decepção… Sempre tentando se fortalecer para o próximo abuso. Você começa a tentar resistir os impactos, vivendo prisioneira dos ciclos de Lua de Mel e abuso.

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Sempre te diz SIMS que raramente se cumprem

Um manipulador emocional é aquele cara que tudo que você pede, ele se dispõe de pronto a fazer. Você diz a ele “Vamos?” e ele responde “Vamos!”, e você ficará na maior euforia imaginando o lugar que vão e as coisas que vão fazer, você fica feliz por que estará do lado dele, curtindo uma situação boa. Mas ele repentinamente desmarca. Ele começa a dar sinais de que não vai acontecer, pisando nas suas expectativas e dando desculpas das mais furadas até as que culpam você por ter dado errado.

Como conta Ana Clara:

“Quantas vezes ele marcava de vir na minha casa me ver, quantas vezes o pai ligou para ele ir buscar no serviço, a irmã ficou doente, a mãe ficou doente, o pneu do carro furou, a família queria ir a algum lugar e ele teria que levar. Ele marcava comigo, eu deixava de marcar outras coisas no final de semana, ele não vinha, eu ficava sozinha e muitas vezes chorava de decepção, ficava mal, sofria… Ele? Depois do termino do namoro soube que ele sempre saiu com várias mulheres nas minhas costas, eu estava em casa chorando e ele estava por ai transando, gozando e sendo feliz, e tratando mulheres de forma utilitarista, como objetos que existiam para satisfazer seu prazer e ego”.

Um manipulador é um cara que distorce a realidade. Você já pensou em algum momento que deveria ter um caderno de anotações sobre tudo que conversou com seu parceiro para que quando fosse cobrá-lo do que ele disse, tivesse certeza absoluta de que ele disse mesmo? Se isso acontece com você, seu relacionamento é abusivo. O que ele esta fazendo com você chama –s e gaslight e trata – se de tentar te enlouquecer.

Ana Clara:

“Eu perguntei para ele varias vezes se ele estava saindo com outras mulheres. Ele dizia que não. Um dia eu estava muito certa de que era mentira, então eu disse a ele “Se você esta saindo com outras mulheres eu quero saber”. Eu sabia, ele dava indícios, eu ligava para ele e o telefone estava ocupado, sendo que ele raramente me ligava, eu o percebia on line boa parte do dia no whatsapp e ele não me chamava pra conversar. Neste dia ele me mandou uma mensagem dizendo:” Eu não estou ficando com ninguém, mesmo que você não confie em mim”. Senti-me péssima e me desculpei. Após o termino do namoro, descobri que ele tinha TINDER desde Dezembro, e estava conversando e saindo com mulheres desde então, nas minhas costas”.

Ana Clara:

“Um dia eu percebi algo importante demais, como se fosse um estalo em minha consciência: Todas as vezes que ele fazia algo errado ele terminava o relacionamento comigo, dizia que não me amava que o fato dele errar assim, era por que ele não sentia mais amor por mim, não estava apaixonado. Imediatamente, o foco da conversava saia da cobrança ao erro dele, para um convencimento dele de que ele estava enganado, que nós nos amávamos sim, e desta forma, ele saia de cena, me deixando completamente deprimida e com a autoestima arrasada, para dali algumas semanas ele retornar, arrependido, dizendo que me amava sim, que queria ficar comigo.”

Na manipulação emocional, o homem confunde a mulher, ela não quer o termino da relação, ela quer discutir o erro dele, e chegar a um ponto que ele faça uma autocrítica sincera e mude, ele por sua vez, quer apenas desestabilizá-la e sair da situação culpando a por suas ações, afinal de contas se ele não ama, deve ser culpa dela, talvez até por que ela faça tantas cobranças, será que e por que ela não é bonita o bastante, por que ele não a amaria? O que tem de errado nela para não ser amada?

Neste ponto instala se uma confusão gigantesca na cabeça da mulher, ela perde se da realidade e entra na antessala do inferno da manipulação, culpando-se pelos erros do abusador. De repente ela se vê implorando para ele perceber as qualidade dela e não ir embora, o erro dele, nem importa mais.

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Os manipuladores são muito hábeis em fazer promessas e não cumprir. Um depoimento pode ilustrar isso:

                            Ana Clara

“Nós nos separávamos quase sempre com o mesmo discurso dele, de que não me amava, de que não queria este relacionamento, normalmente ele fazia isso e sumia uma semana ou duas, mas me mantinha perto, me chamando no whatsapp, querendo saber de mim, conversar… Até que um dia as conversas enveredavam para a saudade que sentimos um do outro, os momentos bons que passamos juntos, e ele aceitavam todas as minhas imposições para voltar, prometia que não faria nem isso e nem aquilo outra vez. Era mentira, em poucas semanas ele fazia tudo de novo.”

Ainda falando de manipulação:

“Ele arrumava brigas do nada, um dia havíamos combinado dele passar o final de semana em casa, ele decidiu na ultima hora que não iria, me deixando muito triste, eu havia pensando aquele final de semana durante toda semana, imaginando as coisas legais que faríamos, e ele não veio. Ele me ligou de manhã dizendo que iria a uma feira de aparelhos de ginástica, desligou o celular, não atendia mensagens, não dava um posicionamento, eu entrei em crise de choro e fiquei muito mal, ele não veio, ele não respondeu as mensagens, ele não ligou de volta. Passamos duas semanas sem nos ver, e ele me disse que aquele dia saiu com outra garota, que eles transaram que ele queria sentir se amado, desejado…”

O resultado de todo esse tempo vivendo um relacionamento com um homem abusivo:

“Eu era professora, estava no auge da minha carreira, era muito admirada pelos meus alunos, isso me fazia muito feliz, mas de repente (não era tão de repente, mas eu não percebi acontecer) comecei a perder a concentração, ter dificuldades para reter conhecimento, dificuldade para elaborar respostas para os alunos. Os pensamentos dentro da minha cabeça pareciam raios passando rapidamente de um lado para o outro. Comecei a ter crises de choro, tremores no corpo, não dormia mais, passava a noite fitando o teto. Fui levada por uma amiga ao psiquiatra que me diagnosticou com Transtorno de ansiedade generalizada (TAG). Fui ao médico com uma amiga por que ele mesmo sabendo do que estava acontecendo comigo, nunca se dispôs a me ajudar”.

“Ele passou a usar meu transtorno, que foi instalado devido ao tratamento que ele me dava, abusivo, para justificar as posturas dele, e ele dizia que ‘Como eu posso ir morar, ter uma relação estável com uma mulher que é instável e perde o controle com tanta facilidade? ’ Eu me sentia culpada, eu acreditava que a forma que eu agia era o motivo dele não querer estar do meu lado e nem me assumir como namorada.”

Depois de um tempo de agressão dissimulada, outro nome dado à violência emocional, a mulher realmente esta destruída emocionalmente, esta incapaz de sozinha de sair do ciclo de violência, ela sente uma louca, uma pessoa sem beleza, sem nada de especial, ela não sabe para e nem como ir, ela não consegue ter atitudes racionais por que o seu emocional esta berrando em seu cérebro 24 horas por dia. A famigerada pergunta “Por que as mulheres não abandonam estas relações?” Pode ser respondida com o adoecimento emocional e psíquico que o abuso machista causa na mulher.

Joana nos relatou:

“Meu vizinho foi buscar uma mulher na Bahia, queria casar com uma moça “decente”. Ele voltou de lá com Dalva, uma mulher negra linda, sem estudos, sem emprego, sem profissão, sem amigos e sem família aqui, completamente dependente dele. Fez 04 filhos nela, e toda vez que ela engravidava, deixava a abandonada em casa e ia para bares ou sair com outras mulheres…”.

“Ele humilhava-a. Ouvia da minha casa ele dizer que ela era repugnante, feia, burra… Ele dizia que ela Só servia para parir. Eu era adolescente, não sabia o que fazer. Um dia ela enlouqueceu. Saiu na rua arrancando as roupas, ficou nua e saiu correndo pelas ruas… O que ele fez? Mandou ela de volta para a família dela na Bahia, junto com os filhos e seguiu a vida dele, tranquilamente.”

IMPORTANTE

Senso de responsabilidade é algo que não existe em manipuladores emocionais. Eles não assumem para si a responsabilidade do seu comportamento, e muitos surgirão como uma autocrítica brilhante, dizendo que é um homem criado em um mundo machista, e que acabou por internalizar estes valores e reproduzi-los. Ou seja, ele fez tudo que fez sem consciência nenhuma do sofrimento que estava causando.

Os manipuladores emocionais sempre parecem pessoas frágeis, confusas, que precisam desesperadamente de alguém para ajudá-los a ser uma pessoa melhor. Fuja se encontrar este tipo. Para exemplificar, Ana Clara nos diz que “Ele me dizia que eu tirei ele da zona de conforto dele, que eu o fiz questionar a sociedade, que hoje ele era uma pessoa muito melhor do que antes de me conhecer. Eu na verdade, acreditava que eu havia criado um monstro, dado a ele armas para mentir e manipular com mais eficiência.”

As mulheres têm adoecido e perdido muito tempos de suas vidas em relacionamentos abusivo, é importante fortalecer as mulheres para que aos primeiros sinais de relacionamento abusivo, retirem-se da relação. Mas se elas não conseguirem e forem engolidas por esta fera manipuladora, é importante ter uma rede de apoio que esteja disposta ajudá-la sem julgamentos:

Ana Clara:

“Um dia, eu achei que enlouqueceria de tanta dor. Nós fomos a uma festa e ele me traiu na minha cara com outra mulher. Não, ele não beijou outra mulher, ele fez sexo com ela, na minha cara. Eu vi. Eu fiquei muito mal. Sofri uma dor lancinante. Nos dias que se seguiram a isso ele não conversava comigo, mesmo sabendo que tenho Transtorno de ansiedade, ele me manteve em estado de espera por dias, ate que apareceu e disse mais uma vez que não me amava, e isso foi a ultima coisa que eu precisava ouvir. Liguei para um amigo, e disse a ele que precisava de uma rede de apoio para sair de um relacionamento abusivo. Ele acionou outras pessoas e estas pessoas se prontificaram. E desta forma, ele saiu da minha vida.”

Importante salientar aqui que a traição nunca é sem querer, não somos animais irracionais que agem por impulsos instintivos. Temos plena capacidade de controlar nossos impulsos sexuais e dizer não a qualquer investida. A pessoa que traí sabe que esta quebrando um acordo do casal e estará fazendo mal a outra pessoa.

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“Quem foi traído sofre pela traição em si e pela dor de ver a confiança no parceiro quebrada. O indivíduo se sente magoado, triste, e o episódio provoca insegurança e baixa autoestima”, declara o psicólogo Thiago de Almeida.especialista no tratamento às dificuldades do relacionamento amoroso, de São Carlos (SP).

Os manipuladores pulam de uma vitima para outra e são pessoas que mentem de forma patológica, mesmo quando não há a menor necessidade de mentir, eles mentem, e fazem sempre com a intenção de fazerem se de vitimas para causar a pena de outras mulheres e despertar nelas a necessidade de acolhê-lo.

Ana Clara:

Quando terminamos soube que ele havia dito para varias mulheres que nunca me namorou. Que ele apenas ficava comigo. Ele disse também que eu o humilhava que ele vivia correndo atrás de mim e que eu vivia dando perdido nele, que ele estava cansado de sofrer por minha causa e agora queria sair com outras pessoas, e que só agora eu estava dando valor a ele e correndo atrás dele.

Leiam com muita atenção estes depoimentos e explicações e se te parecer familiar estas situações: Foge! Pede ajuda! Procure uma forma de sair desta relação doentia, onde só quem perde é você.

Chacina em São Paulo mata 10 jovens

Essa noite, 4 de abril 2017, aconteceu mais uma chacina em São Paulo, mais uma vez jovens homens, negros em sua maioria, pobres e periféricos. Os Jovens estavam em bares em dois extremos de São Paulo, 07 deles estavam no Jaçanã, Zona Norte, e 03 deles estavam em Campo Limpo extremo Sul. O que liga os dois casos é o fato de que aconteceu no mesmo espaço de tempo, como se tivesse sido orquestrado, e com o mesmo modus operandi, um motoqueiro não identificado que se aproximou e abriu contra os jovens.

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Diante da Barbárie contra o povo negro, pobre e periférico, algumas considerações devem ser feitas:

 Outra vez o cenário de violência contra a população negra e periférica grita na nossa cara que vidas negras não importam e que podem ser eliminadas tendo isso como naturalizado e acompanhado de julgamentos como “só pode ser bandido”, ou “ O que estava fazendo no bar a esta hora?” Isso acontece por que a sociedade é racista, e enxerga todo negro como provável criminoso. E sim, o modus operandi da opressão é o mesmo, desqualificar as vitimas para dar razão ao opressor, nós mulheres estamos muito familiarizadas com este tipo de julgamento quando somos vitimas da opressão machista, não é mesmo?

A Política do Estado de criminalização da pobreza faz vitimas.

Só para ilustrar e quantificar o quadro da situação existe um genocídio de pessoas negras no Brasil, dados do Ministério da Saúde mostram que mais da metade (53,3%) dos mortos por homicídios em 2010 no Brasil eram jovens, dos quais 76,6% são negros. Para os que duvidam do termo genocídio, é bom lembrar que, entre 2002 a 2010, foram registrados 272.422 assassinatos de negros. Mais do que em muitas guerras. E para fechar aqui a materialidade dos fatos, o número de negros mortos é 132,3% maior do que o de brancos.

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Existe misoginia e machismo embutido na ação de genocídio da Juventude negra

Com este cenário e estes dados, pensemos agora nas mulheres que mais uma vez foram impedidas de exercer a maternidade de forma plena, tendo arrancado de si, pela violência contra a juventude periférica, seus filhos.  Quantas mães perderam seus filhos e filhas?

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Maria Eduarda Alves da Conceição, 13 anos, adolescente negra foi morta dentro da escola, na quadra de educação física, cinco dias após esta ocorrência, Hosana Oliveira Seissa, 13 anos, foi morta por “tiro perdido” no mesmo bairro. No dia em que Maria Eduarda morreu, policiais foram filmados executando dois jovens que estavam rendidos e deitados no chão. E quem se lembra de Luana, Amarildo, Claudia e o dançarino DG?Wilton Esteves Domingos Júnior, de 20 anos, Wesley Castro Rodrigues, de 25 anos, e os amigos Cleiton Corrêa de Souza, de 18 anos, Carlos Eduardo da Silva de Souza, de 16 anos, e Roberto de Souza Penha, de 16 anos, estavam em um carro que foi atingido por mais 100 tiros, alvejados pela policia militar, os jovens foram fuzilados… São muitos casos… Incontáveis.

A morte de jovens negros parecem algo que não seria uma pauta feminista, mas sim do movimento negro, porém, a defesa da vida dos homens negros é sim uma pauta feminista, explico por que, é necessário o entendimento de que discutir a maternidade de forma política significa tratar de todos os aspectos, tanto o direito da mulher de ser mãe e de vivenciar a maternidade plena, vendo seus filhos nascerem bem assistidos, desenvolverem-se em todas as fases da sua vida de forma saudável, e chegarem a vida adulta em segurança. As mães periféricas e pobres, não tem este direito garantido.

Para as mulheres da classe trabalhadora o direito a maternidade Plena não existe

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Para as mulheres Burguesas, as garantias à maternidade são compradas com o dinheiro da exploração da classe trabalhadora, os filhos da burguesia são assistidos desde a gravidez em excelentes hospitais e clinica, o nascimento se dá em luxuosos hospitais que mais parecem hotéis de luxo, as mães podem optar por retomar a vida profissional ou não, se retomarem a vida profissional deixar seus filhos e filhas em cuidado especializado, tanto contratando uma babá, ou deixando em escolas caras que chegam a custar cerca de 1700 a 2000 a mensalidade. Os filhos da burguesia são mantidos em locais seguros, como as ilhas construídas para manter a elite longe da realidade social, ilhas chamadas condomínios.

Estas garantias não são aplicadas, para as mulheres pobres a maternidade é usada como forma de oprimir. O Estado nunca deu garantias mínimas para que as mulheres pudessem exercer plenamente e humanamente sua experiência maternal. Não existem creches o suficiente para que as mulheres possam deixar seus filhos e filhas em segurança para retomar a vida profissional, não existe apoio, e ainda assim cobram dela uma educação perfeita que supere todas as dificuldades e leve a criação de um ser humano exemplar. Para que isto aconteça de forma que elas não se rebelem, a opressão vem naturalizar o sofrimento da maternidade.

Como a opressão caminha ao lado da maternidade?

Exigem da mulher 100% de dedicação aos filhos, ser mãe e pobre é renunciar a própria vida para dedicar se aos filhos.

  • Ser mãe e sair com as amigas? Não pode. É uma desnaturada mesmo.
  • Ser mãe e amar a si mesmo procurando formas de trazer bem estar físico e psicológico a si mesma?Não pode. Tem que pensar no filho, só no filho.
  • Ser mãe e solteira (mesmo que tenha sido covardemente abandonada pelo companheiro?), é puta.
  • Ser mãe e ter um novo relacionamento com outro homem? Se ele maltratar a criança de alguma forma, a mãe é culpada, quem mandou ir atrás de macho? (Muitas mulheres não tem um novo relacionamento com medo de que isso interfira negativamente na criação do filho (a) e ela seja responsabilizada).
  • Ser mãe e ter contatos para sexo casual? É puta.
  • Ser mãe e ter sonhos? Vixe! esquece seus sonhos, depois que torna – se mãe, os sonhos são para os filhos e não para si mesma.

Depois que a sociedade impõe estas condições à mulher e depois de toda renuncia que ela oferta para dedicar se a criação dos filhos, o ESTADO permite a ação genocida contra seus filhos, e as mulheres que deixaram suas vidas para trás e não tiveram realizações em si mesmas, e tem na vida dos filhos seu maior feito, perdem o que lhe confere “valor social”. Não que este “valor social” seja algo que devemos considerar, pelo contrário, devemos repudiar a opressão que a sociedade patriarcal impõe as mulheres, principalmente ás pobres, mas temos que caracterizar e admitir que é assim que elas sentem- se, como se tivessem perdido a própria vida, e convenhamos, perderam, toda uma vida de dedicação ao projeto “Criar o filho (a)”.

Nos do movimento feminista temos que tomar para nós como pauta junto ao movimento negro classista, a defesa da vida dos homens negros, tanto em repudio o racismo, quanto ao repudio ao machismo e misoginia embutidos na ação genocida contras estes homens, com total apoio do estado, que arma um lado e outro, tanto a policia, como criminosos. A conivência do Estado tira o direito ao futuro desses jovens negros da periferia ceifando suas próprias vidas. Pra eles, e para suas mães, o primeiro ato de resistência é sobreviver.

 

Uma nova moral para o Amor

A moral do Amor

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O amor vem sido contado de variadas formas, e são vários os tipos de amor que elencaram para nossas vidas: Amor materno, amor paterno, amor fraterno, amor apaixonado, os altruísmo… Todas as formas de amor são exaltadas e idealizadas, como se qualquer passo a fora do que foi previsto para o amor fosse uma heresia, uma profanação a sagrada religião do amor, com castigo de ser excomungado do templo onde ele habita.

Parece um exagero, mas é assim que o amor vem sendo tratado, como uma religião sagrada que tem neste sentimento um rito que deve ser cumprido á risca. O tipo de amor que mais causa espanto quanto a estas considerações, é o amor materno, mas o amor entre pares também não esta livre, não é livre.

Vem direcionado a nós através das mídias e artes em geral, o amor romântico servido ao mundo como algo inevitável, irresistível, imutável, sofredor, apaixonado, eterno… São algumas das características que compõe o amor. Nada disso é uma verdade absoluta, pode ser que seja assim para alguns povos vivendo em determinadas localidades onde este tipo de construção foi eleito a forma plena de amar, mas não se aplica a o mundo todo de forma imutável.

O amor não é algo nato, que nos salta aos olhos a primeira vista do outro. É sabido que a paixão provoca reações químicas no cérebro e corpo, nos levando a uma súbita atração pelo outro, mas que este episódio de atração chama se paixão e pode ser comparado a um Cio animais não humanos. Por meio do mapeamento cerebral, foi descoberto que o estado mental alterado pela paixão dura, geralmente, de 18 a 48 meses.  É um período breve para a construção de um amor, nem sempre se concretizam, os pares se separam quando cessam as doses de hormônios que são liberadas pelo período apaixonado quando a construção do amor não é alicerçada.

O amor são as conexões que aparecem durante o período que a paixão une o par, seja homem e mulher, sejam casais homoafetivos. A evolução da espécie na verdade não enxerga a sexualidade dos indivíduos, apenas temos internalizado as formas de unirmos – nos em pares para perpetuação da espécie. O amor é uma construção social que traduz – se para cada época, para cada sociedade, para cada ideologia dominante de uma época.

O nascimento do amor

Algumas explicações de com o nasce o amor já nos mostra bem que tipo de construção nos reserva. Na mitologia Grega, Eros nasce de uma Deusa chamada Penúria, extremamente miserável, que vivia sedenta e faminta. Aconteceu que haveria uma festa e Penúria não foi convidada, esfomeada, ela chega ao término da festa e come e bebe os restos, come tanto que se farta de migalhas.

Penúria, encontra um Deus chamado Poros, dormindo embriagado (pobrezinho) e mesmo sendo considerado astuto e engenhoso dono de uma personalidade envolvente, ele é abusado por Penúria, que faz sexo com ele “inconsciente”. Desta noite te sexo, nasce EROS, o Deus do amor, aquele menininho loiro de cabelos encaracolados que atira flechas nas pessoas, flechas envenenadas de paixão e amor.  Eros, numa genética fantástica, viria a conciliar em sua essência tanto a carência e a miséria de sua mãe Penúria, como a abundância e a prosperidade de seu pai Poro.

Para Platão: “Com efeito, o saber está entre as coisas mais belas é o Amor é o desejo do belo; portanto, forçosamente o amor é filósofo e, sendo filósofo está situado entre o sábio e o ignorante. Ainda é sua origem a causa disso, pois é filho de um pai sábio e industrioso e duma mãe ignorante e apalermada”.

Os homens não amam?

O que podemos tirar desta fabula da mitologia grega? Que a figura que remete ao amor em construção feminina é a de fome, tanta fome, que as migalhas lhes bastam, a sedução e altivez ficam por conta da figura masculina e não só isso, ela o conheceu por que era um Deus convidado para festa, logo era abastado, para ter os privilégios de uma vida plena, a mulher precisa lutar ou enganar o homem para conquistá-la, e engravidar do homem seria uma forma de garantir um espaço neste céu de deidades.

O amor nasceria da fome e da miséria, do desespero e da desonestidade do ser humano do gênero feminino, que precisa ser abraçado e envolvido pela sedução, riqueza e beleza alheia para saciar – se. Impossível imaginar o amor dentro desta perspectiva, pois ela traz a dependência como imagem de amor. Ou saciar se do outro, ou morrer de fome. A riqueza, a prosperidade, tudo de maravilhoso esta na outra pessoa e precisaríamos desta pessoa permanentemente ao nosso lado para sermos melhores e completas.

Importante ter em vista que o amor tem sido algo remetido como algo próprio da mulher, sendo ele feminino, tanto que as qualidades do amor são minimizadas em discursos machistas como sendo “preocupações de mulher”. Simone Beauvoir disse que “O amor foi apontado à mulher como uma suprema vocação e, quando se dedica a um homem vê nele um deus […]”. E tem sido assim, tanto que “o mais medíocre dos homens julga-se um semideus diante de uma mulher”, e infelizmente,  o amor transformou-se em uma arma do machismo para submeter às mulheres.

Do amor degenerado ao Amor pleno

O amor que conhecemos hoje, e fruto de várias construções ideológicas de classes que foram e das que são dominantes ainda hoje. Durante a passagem da linha do tempo, encontramos o “amor” sempre atrelado a promover equilíbrio e beneficiar a moral das famílias e do fator econômico da classe. Esta forma degenerada de caracterizar o amor foi destruindo – o em sua essência e moldando o para suprir interesses alheios aos anseios humanos.

Atualmente temos a humanidade aprisionada sobre os signos da paixão e enganosamente chamando a este sentimento de amor, a avidez em devorar o outro em tudo que ele é para saciar lhe a fome, ate que a fome passa e o ser humano que antes lhe dava sensações incríveis é abandonado para que enfim, a busca por outro que lhe dê novamente as sensações anteriormente sentidas.

Alexandra Kollontai, em sua obra, a Nova Mulher e a Moral Sexual, descreve a condição da humanidade daquela época, que se assemelha incrivelmente com a de hoje ainda, dizendo:

 “A época atual caracteriza se pela ausência da arte de amar. Os homens desconhecem em absoluto a arte de saber conservar relações amorosas, claras, luminosas, leves. Não sabem todo valor que encerra a amizade amorosa. O amor para os homens de nossa época é uma tragédia que destroça a alma (…). É preciso tirar a humanidade deste atoleiro (…). A psicologia do homem não estará aberta para receber o verdadeiro amor (…) até que passe pela escola da amizade amorosa.”

O amor é uma construção social. Engana- se quem acredita que o amor é algo nato, que é um dom, não é. O amor esta na história que desenvolvemos com nossos pares no decorrer do encantamento da paixão, são as afinidades mutuas o espírito de solidariedade com o outro, a cumplicidade, lealdade, a os momentos felizes e os de superação. Todos estes elementos transformam a relação em uma ponte de acesso livre, por onde um caminha até o outro, uma ponte sólida que consegue suportar o peso que é descobrir o outro assim como ele é, sem as idealizações da paixão, sem mascaras.

O que temos hoje é um amontoado de ideologias sobre o amor que nos confundem e nos impedem de compreender e viver plenamente o sentimento. Para Alexandra Kollontai,

“A solução para este complicado problema só é possível mediante uma reeducação fundamental de nossa psicologia, reeducação esta que, por sua vez, só é possível por uma transformação de todas as bases sociais que condicionam o conteúdo moral da humanidade.”

Bibliografia

KOLLONTAI, Alexandra. A nova mulher e a moral sexual. Expressão Popular, 2003

BEAUVOIR, Simone de. O segundo sexo. Venda Nova: Bertrand, 1976.

BRANDÃO, Junito de Souza. Dicionário mítico-etimológico da mitologia grega. Petrópolis, R.J: Vozes, 1991.

PLATÃO. Diálogos. Trad. e seleção Jaime Bru

A família burguesa não nos contempla

A burguesia e conservadora e retrograda – Pensei comigo logo após começar a ler a querida Alexandra Kollontai em “O comunismo e a família”. São muitas informações que ela traz neste escrito, eu gosto de perceber que a família nunca foi algo estático, mas adaptável ao contexto histórico e social ao seu redor.

Houve época em que a família era uma mãe anciã e todos os filhos a sua volta, ouvindo e obedecendo – lhe conforme sua sabedoria houve tempo em que o pai era o líder da família, e agia como um patrão dos filhos e esposa há lugares que homens casam se com várias mulheres e é permitido por lei, formam se famílias extensas, há lugares que as mulheres são exaltadas pela quantidade de amantes que colecionou na vida (algumas tribos)… Qual e a família ideal?

O mundo muda e gira, e se expandem, novas tecnologias chegam e alavancam o futuro e tem uma classe que espera que mesmo com toda esta velocidade de acontecimentos a família patriarcal mantenha se estática e respeitada por todos, não só respeitada, mas, admirada, desejada e reproduzida, ainda que este tipo de família não corresponda em nada o que rodeia a vida de outras pessoas.

A burguesia ainda prima pela família tradicional patriarcal por que ainda tem o que proteger e manter seguro para transferir a seus herdeiros, eles são donos dos meios de produção e o que excede a produção em forma de lucro e juntado, controlado e guardado para manutenção do futuro daquela família no topo da classe social.

Para nós da classe trabalhadora que não temos nada para guardar, nem posses e nem dinheiro, para que precisamos de uma família cheia de herdeiros legítimos, com uma mãe zelosa em casa garantindo a educação destes filhos para que assumam posteriormente os negócios da família?

A família da classe trabalhadora faz muito tempo que não é a mesma imagem da família burguesa, mas devido ser a burguesia ser a classe dominante, o que se propaga como certo e perfeito é a sua moral, e suas construções. A mídia e a igreja são as principais propagandistas de que um lar equilibrado e feliz tem uma mãe zelosa e abdicada, que abandonou a carreira ou ajustou – se para poder ser mãe a profissional, os filhos sendo criados e educados pela mulher, que é uma colaboradora do homem, não só na educação e criação dos filhos, mas aconselhando o e segurando suas crises emocionais etc.

Quantas mulheres podem hoje em dia se dar ao luxo de trabalhar apenas meio período e dedicar se a criação dos filhos no restante do tempo? Quantas mulheres tem esta estrutura formada dentro de casa “mãe, pai e filhos”? Sabemos que existe uma grande quantidade de crianças que sequer tem o nome do pai na certidão de nascimento quem dirá ter a mulher apoio do homem na criação dos filhos?

Passamos muito tempo perseguindo projetos que não cabem em nossa vida, e por isso, passamos muito tempo alheios a nossas condições e sem conseguir construir para nós uma moral que nos caiba e nos represente uma moral coletiva, baseada em camaradagem, que nos faça a todos uma grande família, que supere o cla familiar burguês e se expanda em amor e cooperação com todos e todas de nossa classe.

A família montada sobre a moral burguesa é individualista, começa com um casal que terá seus filhos e ficam responsáveis pela criação e educação destes filhos, voltam se apenas para seus clãs familiares, treinando os obstinadamente para a competição do mundo capitalista, a fim de que galguem os melhores postos, as mais altas patentes…

Aqui na classe trabalhadora, seguimos este mesmo projeto, sem perceber que para que a classe dominante esteja nesta posição, somos todos explorados e do suor nosso trabalho nasce às condições da família burguesa manter sues valores e formato. O mesmo capitalismo que chamou as mulheres de volta ao mercado de trabalho, não as aliviou de suas tarefas domésticas, inviabilizando completamente a possibilidade de ser ter em casa a mãe preconizada pela burguesia. O próprio sistema econômico impossibilita a família padrão. Enquanto isso a igreja e a sociedade louvam – na.

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A classe trabalhadora aprende viver sem vida familiar, passa mais tempo com seus companheiros de trabalho do que com sua família estabelecida por contratos, acordos e laços consanguíneos. Passamos cerca de 9 horas no ambiente de trabalho, outras tantas horas presos no trajeto do trabalho até em casa, quantas horas passamos efetivamente em casa durante a semana para estabelecer relações familiares consistentes.

A família como clã no seio da classe trabalhadora não funciona, a intimidade dos membros se perde, falta tempo para o dialogo e intimidade para fazê-lo, muitas vezes amamos mais um amigo que convivemos todos os dias no ambiente de trabalho, e que se projeta para nossa vida pessoal com grande ganho de intimidade do que um irmão de laço consanguíneo.

O que estou tentando demonstrar é que a classe dominante tem uma moral conservadora para família e que expandi-la como a correta e aceita, contudo ela é impossível para nós e nos culpamos por não conseguir ter e manter esta família perseguimos ideais que são horizontes se afastando continuamente quanto mais caminhamos em sua direção.

Novembro Negro e a Marcha Fúnebre prossegue

“A mulher negra chora debruçada sobre o corpo frio do filho morto, a policia atirou pelas costas, ele estava correndo, não da policia, brincava com os amigos na comunidade que nasceu, e por barbárie, ali também” (Um lugar chamado branquitude – Verinha K.)
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A mídia completamente posta do lado da Burguesia faz um serviço ao Estado ajudando o imaginário dos cidadãos a escolher um lado, e obviamente não é o lugar dos seus semelhantes, mas o da classe dominante. Enquanto rascunho este texto ouço a repórter da rede Record contar que a Cidade de Deus esta ocupada, ela relata a morte de 7 pessoas, mas deixa entender que pode ter sido uma execução ou apenas vitimas do tiroteio. Ela ardilosamente cita a ficha criminal dos assassinados, como se quisesse dizer aos telespectadores “Viu? Ainda bem que morreram, esta gente não presta”. Crimes como roubo por exemplo, foram citados e este mesmo torna aceitável a pena de morte, até daqueles que eram ficha limpa.
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Arte de Mikaela Masettias

 

Já os policiais?
Ah os policiais…eles te nome, eles deixam famílias, mães e filhos, todos choram em seus  velórios, tem currículos invejáveis… é uma tragédia a morte deles, e claro que toda morte gera comoção, mas incomoda a você, leitor, que ninguém estranhe que os sete mortos não tem mães, pais, irmãos e irmãs, esposas, filhos e filhas? Eles tem, mas a mídia omite, propositalmente para impedir a comoção e impelir a escolha de um lado.
Do que estamos falando?
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NOVEMBRO NEGRO

No mês da Consciência Negra que homenageia e relembra a resistência negra contra o racismo, e nomes como  de Zumbi, Dandara, Acotirene, Luiza Mahim, João Cândido, Solano Trindade, dos Panteras Negras, de Malcolm X, todos aqueles que lutaram contra a opressão sexual, racial, homofóbica e contra a exploração capitalista são evocados, o Brasil assiste no Rio de Janeiro, mais um episódio do genocídio da juventude negra.

 

No dia 19 de Novembro um Helicóptero caiu na cidade de Deus, estavam dando apoio pelo ar a operação terrestre que a policia fazia atrás de “traficantes”. O Helicóptero caiu, isso mesmo, caiu. Quatro policiais que estavam na aeronave morreram. Repito: Caiu. Não há sinais de perícia que aprovem que tenha sida abatida, não há tiros na aeronave, não há tiro os policiais, pode ter sido falha mecânica, pode ter sido erro humano, não importa quantos anos de experiência se tenha, um dia… a gente pode errar.
 
No dia 20 é aprovado uma invasão na cidade de Deus, se os policiais já fazem atrocidades, atiram a esmos nas comunidades como forma de intimidação, muitas vezes, tiros que encontram lugar em moradores completamente alheios a qualquer situação. (Estamos cansadas de ver isso).
 
SETE corpos foram encontrados
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Sinais de execução: Mães, esposas, irmãs, pais, tanta gente sofrendo, por que a policia resolveu RETALIAR a queda do helicóptero. Mas venhamos e convenhamos, tudo que a policia militar quer é um motivo para chacinar, verdadeiros tribunais autorizados pelo Governo, onde a pena de morte de gente preta, pobre, da classe trabalhadora é permitida.
Eles, jovens negros vitimas da Policia tem nome:

De acordo com a Polícia Civil, os corpos encontrados são de Leonardo Camilo da Silva, 30 anos, Rogério Alberto de Carvalho Júnior, 34, Marlon César Jesus de Araújo, 22, Robert Souza dos Anjos, 24, Renan da Silva Monteiro, 20, Leonardo Martins da Silva Júnior, 22, e de um adolescente de 17 anos.

 
Hoje, 21 de Novembro, há uma operação de Guerra na cidade de Deus. Sete mil alunos sem aulas, comércio fechado. Moradores apavorados, “a marcha fúnebre prossegue”, como diria Eduardo Taddeo.
Os policiais que estavam por terra no momento da queda do helicóptero eram das UPPs, defendidas pelo Estado e vergonhosamente, até por algumas figuras carimbadas da esquerda, como o Freixo.
 
A realidade é que as UPPs são carro chefe de politicas que pretendem a criminalização da pobreza, a política da UPP não resolve. O que resolve é: Saúde, educação e saneamento básico. O que resolve é a descriminalização do uso recreativo de drogas.
 
Um dos principais argumentos para criminalizar as comunidades pobres e carentes e justificar a militarização destes territórios. Vale lembrar que esta polícia foi formada historicamente para agredir e reprimir os mais pobres, movimentos sociais e etc. Não podemos nos submeter a polícia que nos mata!
 
Exigimos:
 
1- A investigação e punição de todos os culpados por este Chacina na Cidade de Deus!
2- O fim do genocídio da juventude negra e pobre das favelas!
3- O imediato investimento em saneamento básico, saúde, energia elétrica e educação nas favelas ocupadas pela UPP!
4- A legalização das drogas e o fim da criminalização da pobreza!
5- O fim da Polícia Militar, como já foi indicado até pela ONU, e a criação de uma polícia unificada e que os delegados sejam eleitos pelos trabalhadores da região em que eles vão atuar!

A desumanização das vitimas de FEMINICIDIO

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A violência doméstica mata:

  •  Por hora 5 mulheres em todo mundo (Action Aid)
  • Por dia 119 mulheres (Nações Unidas)
  • No Brasil, por dia são 15 mulheres assassinadas.
  • O Brasil é de 84 países, o quinto que mais mata mulheres, superando a Síria.

Não bastou no Brasil que exista uma lei, a de numero 8.305/14 que classifica o feminicídio como crime hediondo e modificou o Código Penal, incluindo o crime entre os tipos de homicídio qualificado… Ás mulheres seguem morrendo assassinadas por companheiros e ex- companheiros e até mesmo por homens com quem nunca se relacionaram, mas que não aceitam o fato de serem rejeitados.

Um fato muito interessante sobre o crescimento da mortalidade das mulheres por este tipo de crime é que elas tornam – se números, são apenas estatísticas, sem rosto, sem história e sem humanidade. Se tantas mulheres morrem da mesma forma no Brasil, por que não vemos divulgado na mídia a perda de cada uma delas?

Assistindo o Jornal, destes sensacionalistas, nos admiramos com a quantidade de mulheres assassinadas por maridos, ex-maridos, namorados, ex-namorados e até mesmos desconhecidos em ataques sexuais e ás vezes por motivos completamente inacreditáveis, motivo nenhum… É só por ser mulher mesmo. Os casos amontoam – se.

Comumente caracterizados com crime “por amar demais”, crime por “paixão”, a mídia deseduca a população que assiste os noticiários sangrentos com mortes brutais, onde não há nada de ação de amor ou paixão, mas deixam muito claro o teor de ódio e de como os homens são ensinados pela cultura machista a não amar mulheres, mas amar  o poder que tem sobre elas, o poder de submetê-las a seu bel prazer, compreendendo -nas como seres inferiores que devem suas vidas a eles e assim eles dispõem da vida das mulheres, quando acreditam que não estão obedecendo suas ordens ou não servem mais as seus propósitos.

#Somostodasmaristela?

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Em 11/11/2016 uma mulher pobre, moradora de uma comunidade, tudo que ela teria era um barraco e um filho. Maristela Nicolau, de 58 anos, foi espancada até a morte pelo companheiro, após uma briga ocorrida na madrugada desta sexta-feira dia 11. O caso acabou sendo noticiado no dia 12 de Novembro, um pouco antes de ser noticiado o caso de Edna.

Em 12/11/16 Edna morreu, alvejada por 4 tiros, dentro de seu apartamento na região Centro sul de Sampa, bairro do Paraíso. Após divorciar-se de seu ex-marido partiu de Goiás para São Paulo onde recomeçaria a vida longe do homem que já teria uma medida restritiva que o impedia de aproximar-se dela. O homem, Hugo, viajou de carro de Goiás a São Paulo para matá-la e feriu um amigo dela que estava no apartamento.

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Mariana Menezes de Araújo Costa Pinto, sobrinha-neta de SARNEY, foi encontrada morta em casa. Lucas Leite Ribeiro Porto, cunhado da vítima, é o principal suspeito.

“Violentamente espancada”, “ferida com golpes de facão”, “amarrada dentro da própria casa”, “incendiada pelo marido”. A violência contra a mulher está presente em todos os estados, em todos os estratos sociais.

A diferença é a humanização que as vitimas burguesas recebem a ausência de investigação da vida pregressa delas, a admissão do crime e repúdio. Varias imagens das vitimas são veiculadas, a imagem dos rostos, é o que nos humaniza e desperta a empatia.

Quantas matérias sobre femicidio de mulheres pobres sequer se mostra o rosto delas? Não há imagem nem dela e nem do agressor, quantas matérias com citação da vida pregressa vitima, buscam fatos que justifiquem a brutalidade sofrida pela vitima.

Desde dia 12 vários canais falam da sobrinha neta de Sarney e falam de Edna, e não é que não devessem falar, mas deveriam falar de todos, dar rosto as vitimas, dar nome, citar suas histórias e a interrupção de seus planos e sonhos, ou os planos e sonhos que nunca vingaram por causa da miséria imposta sobre elas e que para o desfecho infeliz, morrem nas mãos do homem que depositaram confiança e esperança de pelo menos o verdadeiro amor terem encontrado e vivido.

#SomostodasJoana?

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Acontecido em 5/10/16 ,um caso que merecia ser divulgado a exaustão foi o de  Joana de Oliveira Mendes, professora, de 34 anos, tinha dois filhos: um adolescente de 14 anos, fruto do primeiro casamento, e um menino de apenas 2 anos, fruto do seu relacionamento com o homem que tirou a sua vida, Arnóbio Henrique Melo. A vítima teve seu rosto completamente desfigurado, comprovando que o autor do crime, que lhe deferiu 31 facadas, tinha o intuito, não só de tirar a vida, mas desfigurar a mulher. Destruir sua imagem.

As tragédias das burguesas são relatadas de forma humanizada, quando falam sobre, até parece que é algo raro, que não acontece todos os dias, que não se trata de milhares todos os anos, perguntamos – nos, por que algumas vidas (ricas) valem tanto e vidas pobres recebem a banalidade e o “é assim mesmo”, como se a pobreza nos tornasse pessoas brutas que convivem naturalmente com a morte violenta acometida por ódio e como se o mesmo não pudesse acontecer na burguesia por seu refinamento e superioridade.

Na democracia Burguesa, a proteção e justiça têm endereço certo e não mira as periferias.

As mulheres da classe trabalhadora são as maiores vitimas da violência machista e as que menos tem destaque nas emissoras de tv e rádio, dependentes do Estado para obter proteção e algum tipo de justiça, espera na lei Maria da Penha, o fim da violência que as acomete, contudo  a Lei Maria da Penha, que foi a principal política dos governos petistas para as mulheres, não pode ser plenamente aplicada por falta de estrutura. Menos de 10% dos municípios brasileiros têm delegacias especializadas, e pouco mais de 1% com casas-abrigo. Seria possível, já hoje, construir centros de referência e casas abrigo, realizar campanhas contra a violência, desmistificar a cultura do estupro, ampliar o atendimento médico e psicológico, entre outras medidas. Com 1% do PIB anual investido no combate à violência contra a mulher, tudo isso poderia se tornar realidade.

Hoje o investimento do governo por mulher é de aproximandamente 0,23 centavos. Estamos a beira de um ataque a população da classe trabalhadora que nos fará retroceder de forma que nossa mente sequer pode alcançar a dimensão. A PEC 241 que agora chega ao senado como PEC 55, que pretende congelar gastos públicos por 20 anos, fala muito sobre como os governantes estão, com o perdão da palavra, cagando para a situação aberrante da mulher brasileira frente a violência machista.

Assistiremos passivamente o congelamento do andamento das ações públicas que possam minimizar os ataques aos direitos humanos das mulheres?

É necessário organizar as mulheres e sairmos as ruas, contra a PEC que nos assalta de nossos direitos, roubando 20 anos de investimentos em áreas prioritárias para a classe trabalhadora, principalmente para as mulheres da classe trabalhadora, devemos exigir que os investimentos sejam proporcionais ao tamanho do problema da violência a fim de proteger a vida das mulheres.