Maternidade e Feminismo

Falamos muito sobre a importância da descriminalização do aborto e sobre a maternidade compulsória, mas, muitas vezes excluímos as mães das rodas e debates feministas, aquelas que para além da imposição social acerca da maternidade, escolheram ser mãe, planejaram, se organizaram para receber um bebê, ou ainda aquelas que não planejaram, que se preveniram com preservativo ou anticoncepcional e mesmo assim engravidaram e optaram por seguir com a gestação. Muitos são os motivos que levam uma mulher a seguir uma gravidez, mesmo não sendo planejada. Primeiro, é preciso repetir o que em todos debates feministas é sempre abordado, nenhum método é 100% seguro, a cobrança maior ainda é sobre a mulher, muitos parceiros recusam a usar preservativo e muita mulher aceita essa condição porque parece ser “normal”, então fica tudo nas costas da mulher que precisa lembrar de tomar o “AC” todos os dias na hora certinha.

O aborto ainda é visto de forma demonizada, muitas mulheres que não desejam ser mães acabam sendo porque o aborto é ilegal no Brasil,  como diz o Art. 124 – Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque: Pena – detenção, de um a três anos. Além disso, muitas o veem não só como crime, mas inclusive, pecado.

Sendo assim, a maioria das mulheres seguem com a gestação, o que acarreta muitas consequências já conhecidas como interrupção nos estudos, dores, violência obstétrica, entre tantas outras coisas. Não podemos excluir as mães do espaço feminista, pois a maior parte delas são mulheres proletárias que cumprem dupla ou tripla jornada, têm sua força de trabalho explorada pelo patrão, se ocupa do serviço do lar e do cuidado com o (s) filho (s).

Uma pesquisa recente feita pela Fundação Getúlio Vargas diz que 50% das mães são demitidas até dois anos depois da licença maternidade.* A dificuldade para uma mãe provar que é apta para atender as exigências do mercado de trabalho é também maior, isso ocorre por causa da discriminação que acomete as mães, principalmente mães solo.

Para finalizar, precisamos dizer que além de incluir as mães no debate feminista, aderir suas pautas, lutar juntas pelas suas causas, precisamos também explicar que dentro de um debate classista, a ideologia “childfree” não cabe, pois não temos direito soberano sobre nossos corpos, uma mulher pode querer não ter filhos, isso é uma defesa feminista, mas não pode querer excluir as crianças da sociedade e dos espaços como restaurantes e cinemas, pois a exclusão das crianças é também a exclusão das suas mães, que já carregam uma bagagem de preconceito sobre suas costas, e, uma mulher feminista que escolhe ser mãe não é menos feminista da que escolhe não ser.

 

 

Na imagem Olga Benário com sua filha Anita Prestes

Fonte: *https://www.sul21.com.br/jornal/dispensa-maternidade-50-das-maes-sao-demitidas-ate-dois-anos-apos-licenca-diz-fgv/

 

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Trabalhadoras Domésticas Imigrantes

“Trabalhando como babá e empregada doméstica em uma casa dentro de condomínio de alta renda em São Paulo, filipina sentia fome e chegou a se alimentar da comida do cachorro, para quem ela cozinhava pedaços de carne. “Às vezes eu perguntava à minha patroa se podia pegar um ovo, e ela dizia que não”, afirma a imigrante, uma das três que estavam em situação análoga ao trabalho escravo em casas na região metropolitana de São Paulo, segundo auditores fiscais do Ministério do Trabalho. Elas chegavam há trabalhar 16 horas por dia, em jornadas que ocupavam todo o período em que estavam acordadas.”.

Repórter Brasil 31/07/2017

 

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O Brasil é um país muito diverso, desde a abolição da escravidão vivemos um boom de imigração para o território brasileiro, vieram italianos e depois alemães e japoneses refugiando-se da guerra, mas não sejamos inocentes, nenhum país recebe imigrantes apenas por que tem um coração enorme, obviamente há interesses por trás desta recepção por vezes amistosa.

Os imigrantes recebidos no Brasil pós-abolição da escravidão, por exemplo, vieram escolhidos a dedo, pois grande número de negros e mestiços, majoritários na população brasileira, causava preocupação entre a elite que queria garantir a não “africanização” do Brasil. Havia um decreto que colocava no topo do imigrante pretendido os Alemães e Austríacos, porém sem descartar Bascos e Italianos do Norte, eles serviriam para “embranquecer” o país e trabalhar nas lavouras.

Hoje em dia o Brasil continua recebendo muitos imigrantes e sempre nos parece que o nosso país esta solicito a defesa dos direitos humanos e por isso de portas abertas, e isso continua sendo um ledo engano.

Recentemente fomos surpreendidas pela noticia de que mulheres oriundas das Filipinas estavam vivendo no Brasil, morando em condomínios de luxo em situação análoga a escravidão, esta surpresa que nos assalta não deveria causar tanto alarde, afinal esta historia não são incomuns, guardada as devidas proporções elas acontecem também com mulheres e meninas migrantes, que saem de seus Estados para tentar a vida em outros Estados e passam a esta rotina definhante de cuidados do lar e cuidados de pessoas das famílias, crianças, idosos ou incapacitados, ficando expostas a todo tipo de mau trato e desumanidade.

Não são apenas pessoas ricas ou elitistas que contratam trabalhadores domésticos migrantes ou imigrantes. Depende simplesmente de quão extensa é a desigualdade econômica existente entre pessoas de diferentes partes do mundo ou mesmo dentro do mesmo país.

Nos Emirados Árabes, 88,4% da população é formada por imigrantes que vão ocupar vagas em setores como construção, manufatura, indústria do petróleo e no setor doméstico, vindos principalmente da Índia, Paquistão e Bangladesh, mas também há imigrantes da Malásia, Indonésia e Filipinas.

Os Estados Unidos é, entre as grandes potências mundiais, o país com maior número absoluto de estrangeiros. São cerca de 46,6 milhões de imigrantes vivendo em território norte-americano, o equivalente a 14,5% da população local. Não é sem motivo esta grande quantidade de estrangeiro vivendo na America do norte, concerne ao fato de que à medida que a desigualdade global aumenta mais e mais pessoas nesta região do globo podem pagar por ajuda doméstica enquanto mais e mais pessoas da região sul serão forçadas a migrar e assumir empregos como trabalhadoras domésticas.

Em síntese na medida em que as condições econômicas se deterioram, as pessoas do sul se tornam mais desesperadas e se veem forçadas a aceitar condições de trabalho irracionais e inaceitáveis. E em muitos casos, elas serão atraídas com promessas de dinheiro fácil apenas para se encontrarem presas em um país estrangeiro sem passaporte e com uma enorme dívida com a agência ou agente que lhes proporcionou o trabalho.

Então, qual o problema dos trabalhadores domésticos migrantes?

  1. A desigualdade amplifica o abuso

Sempre falamos a respeito do exército de reserva do capitalismo que fica a espera das crises para que sejam recrutadas a assumir o lugar dos empregados prioritários ganhando salários muito inferiores ao que os seus pares do sexo masculino eram gratificados, certo? Mas… Enquanto isso não acontece o que elas fazem para sobreviver? Elas submetem se aos postos de trabalhos mais aviltantes, empregos que lhes renda o mínimo para manterem-se vivas, entre estes trabalhos esta a função de “ajudante doméstica”, elas migram em busca deste tipo de posto de trabalho que exige pouca qualificação, isso significa que suas condições de trabalho se tornam cada vez mais abusivas.

Por quê?

 Por que os trabalhadores precisam mais do trabalho do que o empregador da assistência e, portanto, os trabalhadores podem ser explorados e aproveitados por causa de sua situação vulnerável. Sua sobrevivência e, muitas vezes, a sobrevivência de sua família inteira depende de manter o emprego. Enquanto isso, suas contrapartes ocidentais podem escolher e escolher entre caminhões sobre caminhões de trabalhadores domésticos migrantes e, portanto, a relação entre os dois é amplamente desigual.

  1. O espaço privado permite o abuso

Ao mesmo tempo, o local de trabalho está em uma casa particular onde o trabalhador doméstico trabalha frequentemente sozinho isoladamente e talvez nem conheça a língua do país anfitrião. Este é outro fator que deixa os trabalhadores domésticos vulneráveis ​​e alvos de abuso. O trabalho não é regulado pelas autoridades e, portanto, os padrões de salário mínimo e condições de vida não são supervisionados. As famílias que contratam trabalhadores domésticos podem fazer o que quiserem em sua própria casa, incluindo explorar e abusar de pessoas vulneráveis ​​que procuram uma vida melhor. As famílias são a raiz de todo o mal. Por onde mais começa?

  1. O problema de drenagem de cuidados

Algumas das trabalhadoras são mães que são forçados a deixar seus filhos e filhas para serem criadas por outros membros da família ou mesmo outras babás, muitas vezes irmãs mais velhas ou a própria mãe, enquanto viaja para o exterior para criar os filhos de uma casa mais rica. Isto é o que se tornou conhecido como o problema da “cadeia de atendimento / dreno de cuidados”.

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Nos países ocidentais, o problema geralmente começa com as mulheres que entram na força de trabalho sem que seu país disponha de um sistema público de assistência à infância para compensar as mulheres que já não cuidam dos filhos e da casa. A consequência do problema da “cadeia de atendimento / drenagem de cuidados” é extensa em que as gerações de crianças, de ambos os lados da cerca econômica, estão sendo criadas por estranhos que cuidam deles como parte de um trabalho, onde seus próprios pais são fora, por causa da necessidade de sobreviver ou por causa da necessidade de se realizar. O que nos leva a questionar grandemente, que família?

  1. Trabalho doméstico não é trabalho real

É altamente problemático que o trabalho doméstico e a educação infantil não sejam considerados trabalhos reais. Porque a dinâmica na relação entre homens e mulheres mudou, de modo que não são mais os homens que são os senhores de família das famílias. Muitas vezes, a melhor chance para a família ter comida na mesa é que a mulher viaje para o exterior para trabalhar como empregada ou babá. Em muitos países, as trabalhadoras domésticas sequer estão incluídas na legislação legal ou nos regulamentos de emprego.

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Para as mulheres do lado mais rico da cerca, o fato de ter entrado no mercado de trabalho como trabalhadoras totalmente participantes não alteraram as ações governamentais para apoiar significativamente as famílias. Portanto, algumas famílias se veem forçadas a contratar ajudam, outras fazem isso como um luxo.

Muitas vezes, as mulheres, nem sempre as burguesas, mas aquelas que têm um salário que compete pagar por uma empregada terceiriza a jornada do lar imposta a ela colocando outra mulher para fazer, mas utiliza – se de todo arcabouço de exploração patronal e capitalista para explorar esta outra mulher.

  1. A desigualdade econômica é tomada como certa

O trabalho doméstico migrante é um problema global, pois está ocorrendo literalmente em todo o mundo. O trabalho doméstico migrante também é resultado do aumento da desigualdade global, onde a exploração de alguns para a vida de luxo dos outros é considerada como adquirida. No final, é bastante simples: se você não quiser estar no lugar de uma trabalhadora doméstica, então por que você aceitaria isso para outra pessoa?

A única explicação é que a desigualdade econômica é considerada como adquirida. Mas a desigualdade econômica não é uma ocorrência ou desenvolvimento natural. A boa notícia é que podemos mudar. Então, qual é a solução se não queremos ter pessoas que são exploradas para fazer o trabalho doméstico e deixar seus filhos ou pessoas que são forçadas a contratar trabalhadores domésticos porque não pode fazer tudo ao mesmo tempo?

Então qual é a solução?

Arrancar a ideologia machista do seio da nossa classe trabalhadora

O Serviço domestico é desvalorizado e invisível por que e relegado a mulher como obrigação nata da mulher. Essa mentira contada milhares de vezes acabou por envenenar nossas consciências e a dos homens da nossa classe. É preciso deixar claro que o serviço da casa: Lavar roupas que usamos para trabalhar, cozinhar alimentos que nos alimentam para estarmos em pé para o labor, cuidar dos nossos filhos ou idosos, para que possamos nos dedicar a nosso trabalho é obrigação do empregador e não nossa.

Por que o empregador não arca com estas responsabilidades?

Digamos que duas fábricas de tinta empreguem somente homens. As fabricas chamam se Azul e Vermelha. Na fabrica Vermelha os homens resolveram fazer greve construísse lavanderias e restaurantes coletivos e creches. Isso aconteceu porque as esposas dos trabalhadores não aguentavam mais ter que preparar a marmita de seus maridos, lavar o uniforme da fábrica cheio de tinta de caneta, nem deixar as crianças sozinhas em casa, pois muitas delas também trabalhavam fora de casa.

Na negociação, o dono da Vermelha dizia que mulher nasceu para isso. Alguns trabalhadores se convenceram disso, mas as mulheres seguiram dizendo: “Para não perder dinheiro, o patrão está tentando nos dividir e convencer de que somos escravas de nossos maridos. Se o uniforme limpo e os trabalhadores bem alimentados ajudam a fábrica, que o dono da fábrica pague por isso”. A luta seguiu forte e venceu. Na Azul, em que não houve luta, o dono seguiu lucrando mais do que o dono da Castelinho, pois as mulheres seguiram responsáveis por fazer a marmita, lavar os uniformes e cuidar das crianças.

Ou seja se o Estado e o Patrão forem responsáveis por lavanderias coletivas, refeitórios coletivos, construção de creches e escolas, construção de ambientes onde as crianças possam passar o dia e seja oferecida atividades culturais e recreativas, tudo para dar tranquilidade para mães e pais trabalharem, e se alguém acha isso impossível, a revolução do proletário de 1917 há exatos 100 ano deu todas estas coisas as mulheres para providenciar sua imediata libertação e igualdade com os homens. Com estas medidas, o trabalho de domestica não existiria mais.

Alterar o sistema econômico

A solução mais óbvia para o problema do trabalho doméstico migrante é mudar nossos sistemas econômicos e políticos. Porque se o problema nasce do sistema atual e da maneira como ele funciona com base na desigualdade, a solução deve ser mudar o sistema na sua totalidade – ou melhor, o princípio por trás disso. A solução é um sistema que não exige desigualdade para funcionar: O Socialismo.

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Revolucionários e trabalho doméstico
Um revolucionário que acredita na transformação socialista precisa de uma conduta cotidiana que direcione todas as suas ações. Transformar sua companheira, irmã, mãe, avó em sua escrava nos trabalhos domésticos é reforçar uma ideia que só divide a classe trabalhadora.

Por que o Capitalismo é causador de Opressão?

TENTAR EXPLICAR e compreender as múltiplas formas de opressão que existem na sociedade sem referência à natureza do sistema capitalista é um caminho certo para respostas que não respondem e explicações que não explicam.

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Preconceito individual, falta de educação ou políticas públicas pouco aconselhadas não podem explicar adequadamente os fenômenos sociais complexos. Nem o argumento circular de que existem estruturas de poder discretas para perpetuar a opressão e o preconceito por seu próprio bem, sem qualquer conexão necessária entre si ou com outras estruturas sociais. Do mesmo modo, o argumento de que a opressão não é mais do que uma raquete para proteger os privilégios de grupos sociais grandes e altamente diferenciados, como homens, brancos ou pessoas heterossexuais, é analiticamente exagerado e carente de credibilidade histórica, por mais que possa ressoar com o indivíduo  em Experiência subjetiva.

Essas explicações não podem apontar um caminho para a libertação e, como tal, acabam por reforçar o status quo.

Em contraste, as marxistas argumentam que todas as formas de opressão têm raízes na organização econômica da sociedade capitalista e nas estruturas de poder e controle que a acompanham e reforçam. Essa abordagem é freqüentemente ridicularizada como “redução” da opressão às relações de classe ou minimizando sua importância. Mas longe de simplificar o problema, uma abordagem marxista reconhece melhor a sua complexidade, levando em consideração tanto a natureza arraigada da opressão como a complexa interação da economia, das condições sociais e da ideologia que a perpetuam.

O impulso competitivo para acumular riqueza através da exploração do trabalho humano é o ponto de partida para a compreensão do capitalismo e da opressão.

EXPLORAÇÃO

Os seres humanos são o recurso mais importante do planeta para a classe capitalista. Eles são mais importantes do que todo o petróleo, o carvão, o armamento militar, o ouro e o aço juntos.

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Sem pessoas trabalhando, nada é produzido. Mesmo o robô mais high-tech deve ser projetado, produzido, mantido, alimentado e, presumivelmente, ligado em algum momento por uma pessoa que trabalhe em algum lugar. Este é também o caso do petróleo, do gás e do ouro, que são apenas de valor se houver seres humanos disponíveis para extraí-los do solo e outros para construir redes de transporte, motores e outras infra-estruturas que os tornem úteis.

Assim, a vasta riqueza acumulada por poderosos capitalistas, corporações multinacionais e governos depende inteiramente da existência de produtores compatíveis dispostos a trabalhar para criar riqueza para outra pessoa, ao mesmo tempo em que recebem apenas uma pequena proporção para si mesmos sob a forma de salários. Depende, em outras palavras, da exploração da maioria por uma minoria.

Mas porque os trabalhadores não são apenas pedaços de carvão ou feixes de fios de cobre, eles não aceitam necessariamente sua posição subordinada. As condições sociais que naturalizam e reforçam essa desigualdade devem, portanto, ser impostas. Os trabalhadores devem ser “pressionados” como a palavra opressão implica.

Isso começa com o local de trabalho, onde os trabalhadores estão sujeitos à tirania de um chefe ou gerente cuja principal preocupação é a produtividade e a linha de fundo – mesmo aqueles que professam se preocupar com o equilíbrio entre trabalho e vida. Os trabalhadores não gozam de direitos democráticos no trabalho, nem para eleger seus gerentes nem para decidir as horas ou a natureza do trabalho. Em vez disso, o horário de trabalho e os salários são altamente regulamentados e policiados, através da lei, dos tribunais e dos serviços de recursos humanos. Essa falta de controle sustenta a sensação de que a vida dos trabalhadores realmente se tornou propriedade do patrão, e suas vidas  tornam se propriedade deles  mesmos, apenas fora do horário de trabalho.

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Mas a opressão não termina fora do horário de trabalho. Os trabalhadores das condições sociais estão sujeitos – desde cuidados de saúde, habitação e educação até cultura e recreação – agem para reforçar a desigualdade de classes. Eles tendem a ser subfinanciados e inferiores aos dos ricos e privilegiados. As escolas ensinam obediência e respeito pela autoridade, enquanto a concorrência é enraizada e naturalizada através da avaliação competitiva e da concorrência pelo emprego e habitação. As comunidades da classe trabalhadora são alvo de assédio pela polícia e outras agências governamentais.

Nesta realidade social é construída uma ideologia – promovida pelos meios de comunicação de massa, políticos e autoridades – para justificá-lo: o avanço social reflete mérito e trabalho árduo, que aqueles que são ricos ou bem sucedidos são, portanto, naturalmente superiores aos demais e a isso Qualquer incapacidade por parte dos trabalhadores para atender às expectativas da sociedade deve ser resultado de falhas pessoais e não de discriminação estrutural.

Ele cria as condições em que os estereótipos sobre a inferioridade natural dos trabalhadores podem ser aceitos e perpetuados, como o tropo das massas atrasadas e preguiçosas que, sem chefes, não teriam nenhum incentivo ou inclinação para o trabalho, ou que, sem a polícia para assediar eles estarão em uma prova de crime sem fim.

DIVIDIR PARA REINAR

A relação econômica entre chefes e trabalhadores cria uma tensão social que dá origem a uma variedade de outras formas de opressão.

Os interesses dos chefes – pagar os trabalhadores o mínimo possível para maximizar seus lucros e superar seus concorrentes – e dos trabalhadores – que querem uma maior proporção da riqueza que produzem e melhores condições – são diretamente contrapostos.

Os capitalistas têm interesse em reduzir os salários dos trabalhadores. Eles fazem isso através de uma variedade de mecanismos legais e industriais, mas também, principalmente, fomentando divisões e seccionalismo dentro da classe trabalhadora, que ajudam tanto a diminuir os salários quanto a minar a força coletiva que os trabalhadores podem aproveitar para melhorar suas condições. A opressão é central para isso.

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Quer se trate de migrantes, mulheres, seções da classe trabalhadora que sejam distintivas ou de alguma forma vulneráveis ​​estão sujeitas a discriminação, salários baixos, empregos indesejáveis ​​e, por vezes, exclusão da força de trabalho como forma de forjar divisão e maximizar as linhas inferiores dos patrões. Sempre uma classe de trabalhadores tidos como preferidos sentem se prejudicados pelo exercito de reserva da burguesia e surgem nos momentos que a burguesia faz uso deste exercito a exacerbação das ideologias de ódio como xenofobia, misoginia, racismo etc.

A burguesia se utiliza das diferenças sexuais, raciais, religiosas, regionais e do estímulo à fragmentação da classe trabalhadora para melhor exercer o seu poder de exploração e extração demais-valia, e para isso, estimula a produção de falsas teorias que legitimem seu sistema de dominação. Na medida em que a massa de trabalhadores foca seu descontentamento em relação a seções específicas de trabalhadores, aqueles que são realmente responsáveis ​​pelo desemprego, condições de trabalho precárias ou serviços inadequados – os chefes – escapam escrutínio. Esta é uma função importante da opressão.

UM SISTEMA COMPLEXO

O capitalismo é mais do que uma coleção de locais de trabalho e um balanço patrimonial. É um sistema social complexo em que a acumulação de riqueza é a prerrogativa que sustenta não apenas a experiência da vida profissional, mas também as condições que caracterizam todos os aspectos da sociedade, incluindo o acesso aos serviços, o gozo da cultura e até mesmo nossas vidas pessoais.

Isso é evidente em todos os lugares. As comunidades aborígines remotas que não geram riqueza ou contribuem para o crescimento econômico são tratadas como um fardo – privado de serviços e infra-estrutura e continuamente sob ameaça de encerramento forçado. O direito de manter a cultura tradicional simplesmente não classifica em uma sociedade em que a terra é vista puramente como uma mercadoria, para ser usada para mineração, agricultura ou turismo e pouco mais.

Os grupos sociais que não contribuem para a acumulação de capital, como idosos, pessoas com deficiência, trabalhadores feridos ou comunidades indígenas tradicionais, são negligenciados ou forçados a confiar em serviços mínimos ou em instituições de caridade. O bem-estar das pessoas é uma preocupação secundária pelo capitalismo e a opressão o corolário necessário.

E aqueles que transgredem ou se recusam a respeitar as instituições do capitalismo estão sujeitos a uma opressão particularmente viciosa.

Os refugiados, por exemplo, são horrivelmente brutalizados pelo “crime” de não respeitar as fronteiras nacionais arbitrárias dentro das quais os governos e a classe capitalista são organizados. A mensagem subjacente é que as fronteiras são mais importantes do que as pessoas, e a recusa em cumprir convida e justifica o castigo mais severo.

Isso, por sua vez, legitima a repressão estatal contra vários outros grupos oprimidos que se recusam a se submeter aos ditames dos poderosos, incluindo os trabalhadores e os grupos de imigrantes não-refugiados. E promove atitudes racistas em relação a pessoas de fora do país, reforçando o nacionalismo e encorajando a visão de que pessoas vulneráveis ​​de outros países representam uma ameaça.

Isso encoraja os trabalhadores a odiar o mais impotente do que o mais poderoso, e fortalece a mão autoritária da classe capitalista para impor sua vontade à sociedade e fortalecer seu domínio político.

IMPERIALISMO, RACISMO E GUERRA

A natureza competitiva do sistema, pelo qual as empresas que não crescem continuamente e expandem suas operações a um ritmo adequado são forçadas a sair do mercado, levam a outras formas de opressão.

Frequentemente leva ao conflito militar e à guerra, uma vez que os interesses capitalistas competem pelo controle de mercados, rotas comerciais e recursos naturais tanto dentro como fora de suas fronteiras nacionais.

Isso não pode ser feito sem a opressão das pessoas que impedem o caminho: sejam pessoas com a má sorte de viver em um país alvo de guerra, pessoas que vivem em uma área de recursos naturais lucrativos ou pessoas obrigadas a aceitar os salários da pobreza porque Suas condições sociais estão desesperadas e as fronteiras impedem que elas se afastem.

Hoje, os muçulmanos sofrem o peso desta opressão, já que tem sido predominantemente países muçulmanos invadidos e destruídos como parte da “guerra contra o terror”. A motivação do Oeste tem sido conquistar o controle de uma área de importância geoestratégica para o fornecimento de energia e o comércio, e para assegurar que os blocos imperialistas concorrentes permaneçam em dívida com os interesses dos EUA quanto aos suprimentos de energia. Para conquistar o apoio a esta aventura no país, os governos ocidentais confiaram em acelerar um descontrolado ataque sobre o terrorismo vilipendiando e demonizando os muçulmanos.

E eles usaram esta campanha como capa para inaugurar uma série de medidas autoritárias repressivas que podem ser usadas para intimidar e controlar toda a população, muçulmanos e não muçulmanos.

As guerras anteriores e as ocupações coloniais trouxeram com eles medidas e ideias racistas semelhantes, daquela aos alemães na Primeira Guerra Mundial à invasão branca da Austrália em 1788. Antes da “guerra ao terror”, os muçulmanos eram um grupo social de perfil relativamente baixo, com Os asiáticos com o peso da bile racista dominante. A facilidade com que a mídia, os políticos e os ideólogos podem mudar de foco reflete as ambições imperialistas em evolução das potências ocidentais, mas também a natureza relativamente superficial do sentimento racista e, portanto, o forte potencial que existe para ser superado.

GÊNERO E SEXO

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O alto nível de controle social que caracteriza o capitalismo se estende para as áreas mais pessoais da vida.

A exploração não funcionaria eficazmente se os trabalhadores fossem livres para se deslocar, viver sem responsabilidades financeiras e realizar suas vidas pessoais de acordo com seus próprios caprichos. Em vez disso, os patrões têm interesse em que os trabalhadores permaneçam de forma confiável em empregos remunerados por décadas, sendo socializados para aceitar a vida profissional e a autoridade dos gerentes e providenciar novas gerações para substituí-los quando se aposentarem.

A família nuclear é a instituição social que melhor assegura isso. É por isso que os valores familiares e os papéis de gênero e os costumes sexuais que os acompanham são uma parte tão penetrante e duradoura do capitalismo moderno.

A família é uma instituição contraditória. Por um lado, proporciona um senso de significado e realização pessoal em uma sociedade que oferece muito pouco de outra forma. Mas também é uma fonte de miséria e opressão para muitos, em particular mulheres e pessoas LGBTI.

De fato, os papéis de gênero, as desigualdades e as expectativas que concordam com a estrutura familiar e a posição desigual que as mulheres ocupam na força de trabalho que as reforça são a base da opressão das mulheres na sociedade capitalista. Isso resulta em uma situação em que as mulheres assumem a responsabilidade primária pela assistência à infância e pelo trabalho doméstico, além de enfrentar uma grave desvantagem econômica no local de trabalho e ao longo da vida. De fato, na Austrália hoje, 40 anos após a conquista da igualdade formal, as mulheres podem esperar ganhar ao longo de sua vida cerca de metade do que seus homólogos masculinos irão fazer.

A opressão das pessoas LGBTI também está enraizada na família, cuja normalização serve para estigmatizar práticas sexuais e expressão de gênero que estão fora da “norma” heterossexual oficialmente sancionada. A divisão de gênero e a assunção da heterossexualidade são estruturadas em quase todos os aspectos de nossas vidas, desde os brinquedos das crianças até o tipo de marcos de vida que esperamos alcançar. A falta de controle que as pessoas sentem em relação às suas preocupações mais íntimas ajuda a reforçar a maior falta de controle e a natureza autoritária do sistema.

E, embora seja o caso de o capitalismo moderno se adaptar gradualmente a formas não-tradicionais da família, isso está dentro de limites rigorosos. A aceitação se estende às formas domésticas que desempenham a mesma função social e econômica básica que a família nuclear – isto é, que garante que os trabalhadores são saudáveis ​​e que tenham um incentivo para manter um emprego e voltar ao trabalho todos os dias e que novas gerações sejam levadas para Aceite o status quo.

A verdadeira liberdade sexual continua assim incompatível com o capitalismo.

RESISTÊNCIA E LIBERTAÇÃO

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Felizmente, a opressão não só cria miséria e sofrimento, mas também provoca resistência. Como disse Karl Marx “O capitalismo gera seu próprio coveiro”. Quanto mais cresce a insdustria, a classe operaria também cresce, a revolta com a exploraçao cresce, a consciência avança e em algum momento, o proletáriado será coveiro da burguesia.

Em última análise, a opressão é um produto do capitalismo. É um produto de um sistema que se baseia em reprimir a grande maioria dos sonhos e desejos das pessoas e forçá-los a atender às necessidades do capital. O sistema gera uma justificativa política e ideológica para as atrocidades que comete contra as pessoas e o ambiente natural e aproveita todas as fontes de divisão dentro da classe trabalhadora para minar um senso de interesse coletivo e propósito.

Segue-se que apenas derrubando o capitalismo pode ser conquistada a libertação total. As lutas para as reformas podem ajudar a construir a confiança, organização e consciência dos oprimidos. Mas nosso objetivo final deve ser reunir essas várias lutas em um movimento com o objetivo de destruir a sociedade capitalista exploradora. Este é o único caminho real para a libertação da opressão.

Mulheres: Centelha e força motriz da Revolução Russa

  1. Você gostaria de saber qual é a origem do dia da mulher?
  2. Você gostaria de saber por que a partir de 23 de Fevereiro de 1917 o significado do 8 de Março, dia Internacional da mulher muda completamente?
  3. Você gostaria de saber qual foi a participação das mulheres na maior revolução proletária que o mundo ja viu?

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Esse ano completa-se 100 anos da Revolução Russa, Sabia?

No feminismo discutimos muito pautas imediatas e falamos poucos sobre nossas raízes e nossa história, o coletivo feminismo sem demagogia quer trazer para as mulheres um pouco do começo de tudo e livrar as mulheres que lutaram antes de nós do apagamento histórico que tem sido relegadas.

A despeito de tudo que você já pode ter ouvido falar sobre a Revolução que derrubou o Czarismo e levou os operários camponeses ao poder, na Rússia, pouco ou quase nada se fala ou se conhece sobre as Mulheres nesse período tão rico da história.

Com o objetivo de tirar da invisibilidade o papel político e revolucionário das Mulheres, o coletivo “Feminismo sem Demagogia”, realiza neste sábado, 12 de agosto, a partir das 15 horas, o debate: “Mulheres- Centelha e Força Motriz da Revolução Russa”.

O evento vai acontecer no Capão Redondo, colado no Metro estação Capão Redondo.

haverá creche para os filhos e filhas das (os) participantes

A entrada é gratuita.

A Revolução Russa foi sem dúvida a maior expressão do poder da classe trabalhadora no mundo, revolução que aconteceu graças à mobilização “espontânea” dos mais explorados e oprimidos: as mulheres. No nosso calendário seria 08 de março, que mais tarde ficou conhecido como dia da Mulher. Para os Russos era 23 de Fevereiro, data em que as operarias têxteis saíram às ruas, tomaram Petrogrado, tomando de surpresa os seus pares homens da classe trabalhadora, assim como também o partido Bolchevique.

Ninguém esperava que elas fossem o estopim de uma Greve Geral que derrubaria o Czar e daria inicio a primeira fase da Revolução do Proletariado.

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E aí, ficou curiosa? Então cola lá no evento para descobrir o que mais aconteceu e o papel político Revolucionário que cumpriram estas mulheres.

Dois pesos e duas medidas: A criminalização da pobreza.

A violência e preconceito de Classe por á parte das pessoas da classe trabalhadora veio à tona nestes últimos dias com dois episódios a respeito de jovens envolvidos com uso de drogas e crimes de menor periculosidade.

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Primeiro Caso – Andreas von Richthofen chegou à unidade de saúde escoltado por PMs após invadir imóvel na Zona Sul.”

 

Esta era a noticia que apareceu a respeito do jovem de classe alta, estudado, filho de uma família rica que acabou tragicamente quando a filha Suzane e os irmãos Cravinhos assassinaram seus pais.

A comoção por Andreas foi geral, todos entenderam de imediato que ele passou por um evento extremamente traumático e que o levou a procurar fuga da dor nas drogas. Andreas foi preso tentando pular o portão de uma casa, o que será que ele, sobre efeito de drogas ou abstinência iria fazer? Roubar para trocar o produto do roubo por mais drogas? Pode ser que sim, mas a toa ele não estava ali, pulando aquele portão. Ou será que estava? Será que ele faria mal a alguém? O beneficio da dúvida foi muito encontrado nas opiniões de internautas.

O caso se desenrola com muitas entrevistas na mídia, pessoas que conheciam e admiravam Andreas, falando de como ele era um rapaz querido etc.

Andreas foi pego pulando um portão de uma casa, isso configura invasão de propriedade privada, não? Será que Andreas também mereceria ser dominado por alguns moradores e levado para dentro de uma das casas onde seria tatuado na sua testa “Invasor de propriedade”?

Claro que não, NE?

Andreas é diferente, tem uma história de vida trágica, traumas profundos, uma vida interrompida por um crime brutal praticado pela própria irmã. Ele é inteligente, Andreas, que é doutor em química pela Universidade de São Paulo (USP),  é um “bom menino” de 29 anos de idade, “esta apenas desorientado”.

Ok, completo acordo com tudo isso, ele não merecia ser dominado, trancafiado, torturado e exposto. Ele não merecia ter uma marca na testa que o condenaria para sempre por algo que ele fez num momento de surto psiquiátrico devido ao uso de drogas. Quem merece?

Segundo Caso – A barbárie da Tatuagem na testa “Sou ladrão e vacilão”

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Na ultima semana um vídeo viralizou na internet, tratava se de um rapaz de apenas 17 anos, ele estava tendo sua testa tatuada por dois homens, as inscrições eram “Sou ladrão e vacilão”. O tio do adolescente relatou que o rapaz não roubou e nem tentou roubar a bicicleta: “Infelizmente, ele é usuário de drogas, estava alcoolizado, viu a porta aberta, entrou e parou na bicicleta. Quando a bicicleta caiu e ele foi pegar para levantar, o rapaz (vizinho da pousada) viu. Achou que ele estava roubando, chamou o tatuador e nessa já prendeu o moleque, perguntando se ele queria fazer uma tatuagem. Ele, meio alcoolizado e na inocência, falou para os caras que poderiam fazer a tatuagem” — conta o tio.

Segundo o julgamento popular na inquisição da Internet, o jovem de 17 anos apenas, periférico e que ninguém conhecia sua história, este merece todos os castigos físicos que lhe impuseram. O jovem que aparece nas imagens da sessão de tortura sendo tatuado por dois criminosos, está apático, obviamente sobre efeitos de drogas ou com sintomas de algum transtorno psiquiátrico. Ele não demonstra nenhuma resistência física e quando os criminosos dizem a ele “O que você quer tatuar” e forçam a resposta ele diz “Ladrão”.

Andreas foi preso pela policia e conduzido a um hospital onde foi constatado que ele esta com higiene precária e olhar vidrado. Foi conduzido a uma clinica de recuperação onde permanece sem previsão de alta. Lá passara pelo processo de desintoxicação e tentativa de restauração de seu equilíbrio.

O outro rapaz, ele sim que é um menino, tem apenas 17 anos, envolvido com drogas e acusado por dois criminosos, de ter TENTADO roubar uma bicicleta na região, trata-se da palavra de dois criminosos contra a de quem? Ninguém. Ninguém mais sabe deste suposto roubo. Não teve B.O, nada.

O que aconteceu foi que dois homens, Maycon Wesley Carvalho dos Reis, 27 anos, e o vizinho Ronildo Moreira de Araújo, 29 anos, supuseram que aquele adolescente havia tentando cometer um crime de roubo (Andreas cometeu um crime, invasão de domicilio), naquele momento de suposição, ambos resolveram que era correto sequestrar, manter em cárcere privado, torturar e expor um adolescente. Qual a diferença entre Andreas e o adolescente de 17 anos?

A esmagadora maioria das pessoas julgando o adolescente não sabia nada sobre sua vida, não sabiam e não deram ouvidos aos depoimentos de vizinhos que disseram que ele era muito bom e muito querido na vizinhança, ninguém deu ouvidos aos pais que disseram que ele estava desaparecido desde 31 de Maio e que estavam a sua procura, nada disso bastou para uma avaliação da situação.

Qual a diferença entre Andreas e o Adolescente de 17 anos?

Constituição Brasileira, Art. 5º “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”.

A diferença e a criminalização da pobreza. O que um jovem da classe alta faz sempre haverá justificativas, mas um jovem, filho da classe trabalhadora sempre será visto como bandido, daqueles que “Bandido bom é bandido morto”, contrário aos da classe alta que são apenas pessoas com problemas momentâneos, altamente justificáveis por qualquer motivo.

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Importante lembrar que a pobreza é fruto da existência de uma classe dominante e impiedosa de culpabilizar e banir a classe pobre de suas cidades. Nossos jovens, filhos da classe trabalhadora, estão vulneráveis a todo tipo de violência e figuram as cruéis estatísticas em que se aponta um verdadeiro genocídio da juventude periférica, e esta vulnerabilidade existe devido ao ordenamento e diretriz de uma economia na qual proporciona a divisão de classes e de raça.

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Na nossa sociedade a pobreza não obtêm direitos civis e sociais em uma determinada lógica de higienização racista, por isso, “bandido bom é bandido morto”, desde que não sejam os bandidos da elite, estes sempre existe a crença de que podem mudar e devem ser assistidos neste processo. Mas… os da classe trabalhadora, que morram. A classe trabalhadora reproduz o ódio da burguesia contra sua própria classe, são manipulados pela ideologia da classe dominante que usa a violência estatal e a mídia burguesa para prover esse acirramento e produto de um ódio sem procedentes sobre os pobres.

Feministas, convido as ao debate fraterno, principalmente todas que fizeram coro com esta atitude de ódio praticada contra um adolescente.

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Uma mãe desesperada em busca de um filho que tem problemas vinculados ao uso de drogas tais como álcool e crack. Vocês viram esta imagem antes de fazer coro sádico com os reacionários?

Muito- se fala no feminismo a respeito da maternidade, na nossa análise, até mesmo de uma forma romantizada que exalta o sofrimento materno como amor, contudo quando ocorrem casos como estes, as mulheres, parte delas mães, esquecem-se completamente da figura materna sofredora por trás de uma adolescente em conflito com a lei.

Outra reflexão que considero importante propor é que, um homem capaz de fazer o que fez com um adolescente sobre efeito de drogas e vulnerável, o que fariam diante de uma mulher com a mesma condição? O adolescente teve a testa tatuada e uma adolescente, o que eles fariam? Qual seria o castigo dela? Seria sexual? Vocês aprovariam?

Vale a pena relembrar um caso que aconteceu em 2013, quando um tatuador norte-americano de Dayton, Ohio, se vingou da namorada que o estaria traindo fazendo uma enorme tatuagem em suas costas com a imagem de fezes com moscas voando em volta, segundo o site “Very Weird News”.

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Homens convencidos de que estão acima da lei e que podem julgar, condenar e punir um adolescente, como fizeram, tem a mesma mentalidade para mulheres e nós feministas, que eu me lembre, somos contra castigos físicos para mulheres que cometem erros, ou seria justo uma mulher que trair um desses homens tem na testa tatuado “Puta”?

Os jovens pobres e periféricos não estão em situação de vulnerabilidade à toa.

Vamos relembrar que as mulheres são socialmente responsabilizadas pela educação dos filhos, ao mesmo tempo em que são chefes de família ou cooperam com a composição da renda que sustenta a família, trabalhando no mercado formal de empregos, permanecendo cerca de 12 horas fora de casa, entre horário trabalhado e deslocamento de casa indo e voltando, quando há a presença do genitor/pai, ele também cumpre a mesma jornada, diferenciando se da mulher por que ela acumula os cuidados com a casa e educação dos filhos.

A ausência de apoio de serviços públicos para garantir o desenvolvimento sadio corpo e mente dos filhos da classe trabalhadora são ausentes e quando existem não cobrem a todos os que precisam destes serviços. Não há vagas em creches, mulheres periféricas relatam que esperaram até um ano ou mais para conseguir uma vaga, as mulheres que não podem esperar retiram de seu salário para bancar algo que é obrigação do governo e dos capitalistas.

Com a ausência materna e a ausência de serviços públicos, muitas crianças são criadas sem acompanhamento, muitas acompanhadas por outra criança, e encaminharem se para um mundo marginal não parece tão distante quando observamos esta situação.

Os adolescentes em conflitos com a lei tem MÃES.

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“Meu filho não é um animal”

As mães perdem seus filhos, batalham para dar o material e não conseguem fazer o acompanhamento afetivo e corretivo da infância. E quando enfim estão em conflito com a lei, elas são chamadas a responsabilidade e julgadas por sua “maternidade imperfeita”.

Imagine-se, você mãe, ao encontrar seu filho saber que ele foi torturado e marcado para sempre?

O adolescente revelou que teve o cabelo cortado e teve os pés e as mãos amarrados por Ronildo e Maycon. “Eu comecei a puxar o cabelo para frente para tentar esconder e eles então cortaram meu cabelo.”

As opressões de classe e todas as demais se entrelaçam para manter a classe trabalhadora estagnada no mesmo lugar social e econômico, a estratégia mais eficaz da burguesia é fazer a gente pensar que existe uma divisão de classe entre os pobres e os miseráveis, mas não há, todos somos vitimas das opressões em maior ou menor grau.

Vivemos em uma sociedade de classes que cria a pobreza, cria a marginalidade, cria os miseráveis desejosos da vida que os ricos tem, e acredite, nenhum rico chegou a esta escala social trabalhando, chegou explorando a classe trabalhadora. Certeza.

O mundo das drogas esta como caminho aberto a nossos jovens, e quando isso se abate sobre nós, a resposta do governo é a perseguição aos usuários e a batalha contra o narcotráfico, os alicerces da política proibicionista do Estado brasileiro. Com esta direção de “combate” os grandes empresários do tráfico mantém lavando os lucros do comércio ilegal das drogas no sistema financeiro internacional, enquanto o pequeno traficante, o polo varejista, é brutalmente reprimido e a classe trabalhadora é sem duvida o alvo mais atingido por esta guerra, pois fica refém da luta entre as facções do tráfico, milícias e Polícia.

Um lembrete importante é que a legislação brasileira, alterada no governo do PT, ao deixar a diferenciação entre tráfico e consumo ao arbítrio da Justiça e da PM, aprofunda essa realidade. Nas interpretações mais comuns das autoridades, jovens de classe média com cem gramas de maconha são consumidores, ao mesmo tempo em que jovens pobres e negros com a mesma quantidade de drogas são traficantes, portanto, criminosos. Rafael Braga está ai e não nos deixa esquecer que de fato a criminalização é da pobreza.

 

O que nós Feministas Marxistas defendemos como solução imediata?

  1. Defendemos, além de descriminalizar o uso e o comércio das drogas ilícitas, a legalização de todas as drogas, colocando a grande produção e a comercialização sob o controle do Estado.
  2. Estender o regime estatal de produção e distribuição às demais drogas hoje legalizadas, como os fármacos, o tabaco e o álcool, impedindo os instrumentos de incitação ao consumo, principalmente os publicitários.
  3. Que os lucros da venda das substâncias psicoativas devem ser colocados a serviço dos interesses da população, como investimentos em Saúde Pública, programas de tratamento de dependentes e campanhas contra o consumo compulsivo.
  4. Criação de vagas imediatas em creches que acolha todas as crianças em idade deste cuidado enquanto a mãe trabalhadora esta em seu labor diário.

Falsas acusações, fofocas, intrigas e mulher contra mulher: As mulheres no feminismo precisam também de reeducação.

No feminismo falamos muito sobre os homens precisarem de uma reeducação que os liberte das práticas machista, mas, ignoramos a reprodução do machismo que esta internalizada nas mulheres. Nós não devemos nos chocar com práticas completamente contraditórias praticadas pelas mulheres, nem de encontra-las usando mecanismos machistas para agredir outra mulher, afinal, elas também são ensinadas através da experiência de vida de opressão machista, que estes mecanismos funcionam efetivamente.

Muitas mulheres são forjadas para resistir à opressão reproduzindo seus mecanismos, de fato é fácil compreender que a opressão é exercida em cadeia vertical, do mais forte e poderoso para o mais fraco. Os homens para submeter suas companheiras usam táticas do patrão, tratando sua companheira como se fosse sua empregada, muitas vezes usando de grosseria e violência emocional para mante-la submissa, assustada e com medo de perder sua família, seu relacionamento, sua imagem construída como mulher decente, etc. O patrão por sua vez, usa de seu poder para submeter os trabalhadores, homens e mulheres, com violência moral e grosseria, garantindo trabalhadores “dentro da linha”, assustados e com medo de perderem a vaga de emprego. Não seria estranho se a mulher para sentir se dentro da mesma esfera de poder exercesse estes mecanismo com outras mulheres mais fragilizadas, com crianças e até com homens, por que não?

O Machismo é uma opressão sim, e por causa disso, as maldades que os homens fazem para trazer a mulher submetida, surgem de mecanismos e táticas que fazem parte de uma ideologia de ódio amplamente naturalizada na sociedade. Isso não quer dizer que as ações que as mulheres cometem não sejam prejudiciais e nocivas às pessoas com quem elas convivem, não é a toa que maioria dos crimes  de violência contra idosos são praticados majoritariamente por parentes, filhos e filhas ou cuidadores, a profissão de cuidador tem as mulheres como principal ingressante e atuante.

Nos não podemos criar a expectativa de que as mulheres são pessoas diferentes dos homens, e incapazes de realizar uma ação opressiva ou de reprodução da opressão, por que humanamente somos iguais, e as mulheres também tem condição de saber discernir o que e certo ou errado, se há um componente de opressão que a impele a tais praticas, podemos justificar o ato, mas ele sendo criminoso ou deletério para algum outro ser humano, ou seja, quem for, deve sim ser posto as sanções cabíveis.

Vamos ilustrar este texto para ficar mais claro, com alguns depoimentos:

INTIMIDAÇÃO

“Meu telefone tocou, era horário de serviço, (quem em horário de serviço consegue ter uma conversa tranquila?), uma mulher identificada como feminista, de um coletivo feminista, me dizia que eu seria processada. O fato é, havia uma interpretação equivocada minha sobre determinado assunto financeiro, mas minha surpresa foi que, não houve uma fala direta sobre o problema em questão para que eu fosse elucidada, a feminista em questão, começou a levantar uma série de fatos irreais e acusações levianas, tudo para conseguir o que queria que era, defender a mulher que ela representava.”

Quando digo a feminista que quem iria a festa era o homem e não a mulher, ela imediatamente muda o discurso dizendo “Você acha que um homem deve ser obrigado…” Naquele momento ela caiu em completa desmoralização para mim e não havia mais nada para ser dito a não ser a comunicação de que “Calunia e difamação são crimes, estes sim podem ser configurados facilmente na sua fala sem provas, cuidado.”

Posteriormente admiti meu equivoco sobre a questão financeira mas, não espero que a feminista que ligou em horário inapropriado e com falas carregadas de acusações sem fundo de verdade reveja sua postura de assedio moral e violência emocional, além de calunia e difamação como que admite que os meios sejam quais forem, mesmo que imorais, devem ser utilizados para se obter os fins.

VIOLÊNCIA MORAL

“A feminista dizia que o evento que eu estava organizando não tinha nada a ver com o que eu apresentava, libertação sexual da mulher, que havia inclusive uma denuncia de estupro no referido evento, que era uma violência emocional eu querer impor que a mulher fosse ao evento com medo. Nunca houve caso nenhum de estupro na realização do evento, a mulher reclamante já havia desistido de ir à festa com muita antecedência por que descobriu se grávida, e pelo teor liberal da festa, acreditou que seria melhor resguardar-se, contudo, incentivando o seu companheiro a ir. O companheiro era quem iria à festa, sozinho e ele me disse que não sentia se preparado para ir, não estava à vontade. Desistiu de ir por isso, ele mesmo declarou isso ao grupo. Quem ia a festa era o marido e não ela, mas a feminista que a representava acusava a organização da festa de violência emocional contra a mulher.”

Fofocas e intrigas

Dentro do feminismo o que existe de mais comum na era da Internet são os grupos de redes sociais, o que deveria ser um lugar saudável para as mulheres fortalecerem torna -se em questões de segundos um ambiente de fofocas e futricas, onde o alvo pode ser um homem ou outra mulher. Ali elas contam coisas sobre a outra mulher, muitas vezes mentiras, a fim de aparecerem se com o grupo, detonando moralmente a outra mulher, se estas mulher for militante da causa feminista, nada é avaliado, sequer avaliam a importância da militancia da mulher para outras mulheres.

Os grupos de mulheres atual como uma totalidade, executando julgamentos e muitas vezes sentenciando outras mulheres sem sequer ter a presença dela ali para defender – se. Grupos que formam-se para resistência das mulheres e auto-defesa, acabam servindo de ataque e destruição de outras mulheres.

O que se faz ali nada mais é do que por em prática tudo o que o machismo espera das mulheres.

Assedio Moral classista e Racista

“A patroa da minha mãe a obrigava a comer os restos do que sobrava nos pratos dos patrões. Minha mãe comia restos.”

“A patroa da minha mãe a obrigava a usar uniforme branco, em uma viajem a Portugal, minha mãe foi avisada de que deveria usar uniforme para não ser confundida com prostituta e para ficar claro que ela estava lá a serviço, além de que, mesmo ela sendo babá da criança, ela foi proibida de sair em qualquer foto da família.”

Violência emocional e psicológica contra o Idoso

Violência Psicológica: Corresponde a qualquer forma de menosprezo, desprezo, preconceito e discriminação, incluindo agressões verbais ou gestuais, com o objetivo de aterrorizar, humilhar, restringir a liberdade ou isolar a pessoa idosa do convívio social. Pode resultar em tristeza, isolamento, solidão, sofrimento mental e depressão.

Todos os dias a história se repete. Descaso, gritos estridentes, estresse e nenhum tipo de gesto amistoso ou afetivo. Tudo é na base do “não me irrite, não me encha o saco” – seguidos de palavrões e muito escárnio. Aos 84 anos, é esta a rotina de Maria (nome fictício), moradora do bairro de Itaquera, no extremo leste de São Paulo, capital. Maria é uma vitima de violência psicológica contra a pessoa idosa.1

As agressões são lideradas pela sua própria filha, de 42 anos, divorciada, mãe de três filhos adolescentes e desempregada crônica. Renata (nome fictício) passa o dia vendo televisão, principalmente os programas “mundo cão”, mostrados em vários canais da TV aberta, e conversando com as amigas por meio das redes sociais. Não ajuda a mãe em nenhuma das atividades domésticas e até as refeições faz em frente à TV.
Dona Maria chora e lamenta da sua sorte para os amigos e vizinhos que frequentam a sua casa.

Os crimes mais denunciados são: negligência e violência psicológica. “Eu sofri, sim, agressão verbal e foi muito difícil. Eu falei: ‘vou à delegacia do idoso’. Aí ela me respondeu: ‘se a senhora for, a senhora está morta para mim’”, relata uma idosa.

A lista dos crimes mais denunciados tem ainda a violência física. “A minha filha me pegou pelo braço, me jogou pelo lado de fora da porta, tem três degraus, e quase que eu caio, bato com a cabeça no chão”, conta uma senhora.

Na lista outros crimes, entre eles, negligencia e abandono, apesar de serem os filhos homens os que figuram o topo da lista de agressores, muitas vezes as mulheres são cúmplices dos homens nos maus tratos, como retrata o quadro de dona Felicidade, moradora de Belém. Segundo uma denúncia anônima, ela vivia em estado de abandono, apesar de morar com o filho e a nora. Os policiais encontraram Dona Felicidade, sozinha em uma casa de madeira. Ela estava suja e sem proteção: as paredes e o teto têm buracos, enquanto o filho e a nora vivem na casa da frente, que está passando por uma reforma.2

A nora de Dona Felicidade chega a casa. Tinha ido buscar o filho na escola. Para ela, a situação da sogra não é grave.

Policial: Você acha que isso não é grave? Você já viu a situação que ela está?
Nora: Ela tem problema de Alzheimer.
Policial: O problema dela não é esse. O problema é que ela não está sendo cuidada. A situação de maus tratos é evidente aí.

Existe sim todo um atenuante de que as mulheres muitas vezes comportam se de acordo com a atitude tomada pelos homens em decorrência das opressões, obvio que deve existir a compreensão da opressão ser fator determinante das ações das mulheres em muitos casos, mas da mesma forma que nos falamos a respeito à dos homens, nós podemos nos recusar a ver outra mulher ser tratada com desumanidade para que nos beneficiemos de algum conforto ou segurança, algo muito certo é que, se o home trata a ex – esposa, mulheres de relacionamentos passados ou a mãe com desumanidade em algum momento a atual companheira será vitima também.

 

Cúmplice de violência sexual contra mulher  

O caso de Kari,moradora de Assu, Municipio do Rio Grande do Norte é estarrecedor, a própria companheira do agressor sexual, J.D, manipulou a situação para que ela fosse estuprada por seu companheiro e assistiu da janela de seu quarto o estupro ser consumado.

 

 

 

Abuso sexual é crime se você não denuncia é cúmplice

Recentemente uma jovem se se suicidou no Maranhão, ela acusa o pai de estupro, mas ela também deixa claro o quanto o apoio da mãe que fora negado foi decisivo para ela tirar a própria vida, na carta ela diz:

Pais que estupram os filhos, mães que humilham, irmãos que rejeitam (…) Malditos. Malditos (…) Tudo isso acima faz a mente humana enlouquecer, sabia? Ela definha, fica angustiada e cheia de coisas inexplicáveis, pensamentos perigosos (…) Minha mãe me tirou minha rotina e passou a assistir tudo em total inconsciência. Eu sei que ela via, mas quem disse que ela percebia?Ela era uma mãe tão atenciosa, o que aconteceu? Porque ela ficou tão alheia? Porque ela demonstra amar mais a meu irmão? Porque ela não me ama? Porque ela não me abraça e me beija assim como ela faz com meu irmão?Porque ela me humilha por causa de um erro tão pequeno? Porque ela não pergunta como foi meu dia na escola? Porque ela não quer saber o motivo de eu estar tanto tempo trancada no quarto? Porque ela não pergunta o motivo de eu usar tanta blusa de manga comprida?”3

Em Manaus a mãe de uma criança de 9 anos foi presa por encobrir os abusos cometidos pelo marido contra a própria filha e também de agredir a criança sob a acusação de que a mesma estaria tentando lhe roubar o marido. Ora é obvio que vemos ai à reprodução de machismo, mas não podemos deixar de ver também, com sinceridade que existe crime, é injustificável o estupro e ser conivente com ele também é.

Mães abusivas

A ideia de mãe santa é uma das falsas ideias que o machismo tem perpetrado. Justamente existe este estereotipo para que as mulheres submetam se a variados tipos de sofrimentos em prol da maternidade, desde renunciar a própria vida social e profissional até aguentar maus tratos e violência.

Não vamos de forma alguma ignorar o sofrimento das mães trabalhadoras, a completa ausência de políticas publicas que tirem delas o peso de dupla e tripla jornada de trabalho. Nada disso esta sendo desconsiderado quando analisamos o caso de uma mãe abusiva que oferece violência emocional muitas vezes as filhas mulheres. Se fossem casos isolados, poderíamos dizer que é a exceção mas, não é. Os casos de mães que negligenciam e cometem crimes contras crianças são muito notificados em mídias criminais.

No ano de 2016 uma mulher foi presa em Nilópolis, Rio de Janeiro, por que ela permitia que dois indivíduos estuprassem a filha de 7 anos. Os estupradores foram presos também. A mãe disse a policia que odiava a filha e que ela merecia sofrer. Por trás deste ódio há toda uma situação de opressão a ser analisada porém, não desqualifica que houve um crime, que as mulheres também são capazes de atos desumanos e convencia com crimes hediondos.

As historias sobre mães abusivas são muitas e muitas deixam de ser contadas por medo das vitimas, afinal, a imagem da mãe perfeita e sagrada esta acima de qualquer suspeita, o feminismo muitas vezes assume o papel de duvidar da vitima mulher, para sair em defesa da mãe algoz, justiçando os atos delas como se o fato de ser vitimas, nos desse imunidade e não nos permitisse desvios imorais e não nos constituísse um caráter duvidoso.

Precisamos olhar as mulheres como humanas por todos os lados

Não podemos criar um mito de superioridade humana feminina, como se nos estivéssemos acima do bem o do mal, este tipo de visão simplista nos torna vitimas de nós mesmos, e impede que caracterizemos onde as mulheres precisam ser fortalecidas para uma mudança de postura que beneficie o coletivo.

Somos Humanas e por isso precisamos ter nossa humanidade reconhecida, tanto para que nossos direitos sejam a nos atribuídos quanto para que sejamos honestamente julgadas pelos nossos erros, sem olhar machista que nos crucifique mas sem o olhar sectário de um feminismo que quer justificar crimes e desvios de condutas graves como se fosse apenas uma demonstração do adoecimento emocional que o machismo nos impõe, e mesmo que fosse, caberia tratamento e treino para mudança de postura.

 

Sites pesquisados

  1. Denúncias de crimes contra idosos crescem quase 200% em um ano

http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2013/01/denuncias-de-crimes-contra-idosos-crescem-quase-200-em-um-ano.htm

     2. Maioria dos idosos vítimas de violência são mães e sentem-se culpadas

http://www.jn.pt/justica/interior/maioria-dos-idosos-vitimas-de-violencia-sao-maes-e-sentem-se-culpadas-5026874.html

  1. Jovem se mata e deixa carta: “Meu próprio pai me abusou”

http://www.pa4.com.br/noticias/jovem-se-suicida-e-deixa-carta-acusando-o-pai-de-abusado-sexual

  1. Mãe que batia na filha estuprada por padrasto é presa e apresentada na DEPCA

    http://www.amazonianarede.com.br/mae-que-batia-na-filha-estuprada-por-padrasto-e-presa-e-apresentada-na-depca/

 

 

A Violência contra a mulher na região Nordeste do país Silenciada pelo Coronelismo: Caso Kariene – O Estupro, o Silêncio das mídias e judiciário.

Vivemos uma realidade em que 90% das mulheres que são vitimas de estupro não denunciam o crime, a pergunta que não se cala é: Por quê? Será que quem questiona o fato não sabe mesmo esta resposta? O exercício é fácil, colocar se no lugar da mulher estuprada e analisar os prós e contras de ir buscar justiça pela violação de seu corpo.

Sabemos que as delegacias são extremamente despreparadas para receber denuncias de crimes contra as mulheres, desde a agressão física até estupro, as mulheres sabem que ao recorrer à formalização da denuncia serão questionadas de forma a fazerem-nas participes da própria violência que sofreram:

– Por que estava neste lugar, neste horário e com esta roupa?

– Você resistiu?

– Deixou claro que não queria?

Estas são algumas das perguntas que são feitas por profissionais da área da segurança pública que violentam a mulher emocionalmente, fazendo parte do ciclo de violência contra a mulher vitima de estupro, violência esta misógina e hedionda.

Um exemplo claro deste tipo de conduta aconteceu diante dos nossos olhos quando veio à tona o estupro coletivo de uma adolescente no Rio de Janeiro, em 21 de Maio. O delegado responsável pelo caso Alessandro Thiers, foi afastado pelo Ministério Público do Rio negligenciar o relato da adolescente violentada. O delegado adotou uma postura de questionamento da palavra da vítima e disposto a investigar seus antecedentes em vez de adotar essa conduta com os denunciados.

Outros motivos para subnotificação são: Medo de repetição da violência, quando o estuprador é um parente, amigo, namorado, alguém que a vitima tenha tido ou mantenha uma relação afetiva.

Um levantamento feito pela revista ISTOÉ mostra que apenas 3% dos casos de violência sexual contra as mulheres terminam em condenações. Ou seja, 97% dos casos de estupro no Brasil não resultam em condenação. A prisão de estupradores no Brasil é de até 10 anos, apesar de ser considerado um crime hediondo, a punição é extremamente pequena e irrelevante se levarmos em conta que o sistema prisional do Brasil não tem compromisso com a reeducação e recuperação do criminoso. As vitimas tem razão em temer passar pela mesma violência outra vez ou até ser vitima de feminicidio por vingança devido a denuncia.

Muitas mulheres decidem pela denuncia, ou pelo menos pela procura de um serviço de saúde quando o estupro resulta em gravidez, o desespero em saber – se grávida de uma situação de violência extremamente traumatizante as força a uma atitude que supera os medos.

Segundo o ginecologista Jefferson Drezett, coordenador do projeto “Bem Me Quer” do hospital Pérola Byington, na região central de São Paulo, referência no atendimento de mulheres e crianças vítimas de violência sexual. 5% a 6% das mulheres em idade fértil que foram estupradas e não usam métodos contraceptivos engravidam, doenças sexualmente transmissíveis atingem 32% das mulheres e o dano psicológico é comum para quase 100% das vítimas.

A violência contra a mulher no Brasil é extremamente naturalizada, o estupro tornou – se motivo de orgulho e ostentação, não é raro os estupradores filmarem o ato e divulgarem na internet, em alguns casos mostram o próprio rosto e deixam clara a autoria, como aconteceu no estupro da adolescente do Rio de Janeiro.

Importante que seja muito frisado que não existem monstros e nem homens vitimas de uma patologia no cenário do estupro, este comportamento, de ostentação da violência contra a mulher, revela uma sociedade criminosa e violenta contra a mulher. Que entende o corpo da mulher como se fosse feito para o homem usufruir.

Estupro no Nordeste do País é abafado pelo coronelismo, vitimas são ameaçadas.

Alguns casos ganham notoriedade na mídia sobre a violência contra as mulheres, mas normalmente, casos que geram grande comoção popular e que darão muita visibilidade não ao caso apenas, mas ao veiculo midiático que a publicou. Um exemplo destes casos aconteceu em 2015 quando o Brasil todo voltou seu olhar para o Nordeste em função dos crimes que aconteceram por lá, vamos relembrá-los:

Piauí – No dia 27 de maio, quatro adolescentes com idade entre 15 e 17 anos foram agredidas e estupradas por outros cinco jovens no município de Castelo do Piauí, a 180 km da capital Teresina.

Pernambuco – Maria Alice de Arruda Seabra, 19 anos, foi encontrada morta em um canavial na Região Metropolitana do Recife. Após cinco dias desaparecida, o corpo da jovem foi achado com a mão esquerda decepada e o rosto coberto por uma camisa. O assassino confesso era padrasto da vítima, que a criou desde os quatro anos de idade.

Paraíba – Caroline Teles Figueira, 31 anos, voltava da festa junina da creche do seu filho, ao lado da amiga Glória Silva, 42 anos. Elas estavam paradas dentro de um carro enquanto o bebê era amamentado. Dois homens em uma moto abordaram as vítimas – um deles entrou no automóvel e obrigou Glória a dirigir até a Mata da Usina Santa Tereza, no município de Goiana, já no estado de Pernambuco. Lá as mulheres foram despidas, espancadas e estupradas. Após os atos, um dos criminosos as atropelou e fugiu.

Ceará – No dia 1 de julho, na cidade de Capistrano, interior do Ceará, duas adolescentes foram estupradas. Luciana Alves de Brito, de 17 anos, foi agredida a pauladas e jogada em um poço, onde foi encontrada morta. A outra menina, de 16 anos, conseguiu fugir do local e chegou ao hospital da cidade ainda com as mãos amarradas e várias marcas de agressão. As vítimas tinham saído com um grupo de rapazes.

Estes casos ganharam muita notoriedade por causa da violência extrema que foi utilizada, e o final trágico para algumas mulheres que perderam a vida, mas em casos que as mulheres saem da situação da violência e denunciam o ocorrido à mídia ignora completamente, deixando apenas para as feministas e aliados o trabalho de não permitir que caísse no esquecimento, é o caso de Kariene, mais um caso a ser incluído na lista de crimes sexuais contra as mulheres no nordeste.

Rio Grande do Norte – O estupro cometido contra Kariene

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Um ano antes destes casos citados acima, 2014, aconteceu um crime em Assu (Assu é um município brasileiro no interior do estado do Rio Grande do Norte, situado na Região Nordeste do país) que vem sendo negligenciado pela justiça: Kariene Karla Avelino Soares foi vitima de estupro.

O crime foi denunciado por Kariene cerca de duas horas após o ocorrido, e a mesma afirma que além do homem que a submeteu ao estupro, o crime teve participação clara da esposa do mesmo, trata – se de um dentista chamado Jovane Dantas e sua esposa Andrea Dantas.

A morosidade com a situação denunciada por Kariene levou a jovem a sair do país, em seu facebook ela relata que o Homem que estuprou tem 19 armas legais em seu nome, alem de estar em liberdade possui armas e faz ameaças contra a vitima.

A investigação do caso constatou que houve estupro e indiciou tanto Jovane quanto  sua esposa, Andrea por estupro enquadrados no artigo 213 do codigo penal Brasileiro, contudo ambos permanecem em liberdade.

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Jovane Dantas é apontado por outras três vitimas, ele mantém uma campanha difamatória contra Kariene nas redes sociais onde a acusa de ser prostituta, e em outra versão diz ter tido um caso com ela, em liberdade, ele defende – se da acusação da jovem e a ameaça, assim como ameaça também as feministas que estão em apoio a ela, divulgando sua historia, já que em Assu, Jovane parece ser um coronel, do tipo que influencia a justiça e a mídia, não é a toa que ele é um dos principais patrocinador do único programa policial do município chamado “caderno de Ocorrências”.

Outro fato que nos deixa perplexas é saber que o caso de Kariene irá a julgamento e que o nome dos juízes que julgarão o caso tem o mesmo sobrenome do réu do caso de estupro, Suzana Paula de Araujo Dantas e Marivaldo Dantas de Araujo. No interior do nordeste a pratica de coronelismo ainda é vigente, não é incomum aquela região, parte de um território pertencer a uma família e outra parte a outra família, a questão dos sobrenomes iguais deve ser esclarecido, pois este julgamento merece completa imparcialidade como qualquer outro.

O depoimento de Kariene: “Fui Estuprada com consentimento da esposa do meu agressor”.

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Fui estuprada ha três anos por um dentista na minha cidade de ASSU/RN.

Eu ensinava inglês, aulas particulares, a esposa do dentista Jovane Dantas, seu nome é Andreia. Já ministrava as aulas a cerca de oito meses ou mais.

Andreia, repentinamente passou a me convidar para um banho de piscina que eu sempre recusava porque trabalhava bastante e quando chegava à noite queria ficar com meu filho.

No dia 28 de Abril de 2014 eu aceitei esse banho de piscina depois da aula. Tenho que lembrar que antes da aula começar ela tinha dito pra mim que tinha sido o aniversario do marido dela e ela iria contratar uma prostituta de presente pra ele, fiquei surpresa, contudo continuei minha aula.

Quando a aula terminou, Andreia insistia no convite, mesmo com o tempo chuvoso e chovia naquele momento. Acabei aceitando o convite mesmo assim.

Quando entramos na piscina ela me falou que eu tinha um sexappeal enorme ”que eu exalava sexo” Eu novamente achei aquilo muito sinistro, mas não sabia como sair daquela situação.

O marido dela apareceu do nada e pulou na piscina e perguntou sobre o que estávamos conversando e ela falou: “estava falando pra kari que ela tem o sexappeal enorme” então ele cheirou meu braço e disse ”SIM” fiquei muito constrangida depois ele voltou e tocou minha perna, chamei a Andrea pra perto, mas ela parecia está gostando da situação.

Pra quebrar o clima comecei a falar sobre trabalho quando ela me ofereceu o banheiro eu fui. Entendi como se ela quisesse ficar a sós com o marido. Quando voltei pra piscina ele se aproximou de mim falando sobre trabalho, me distraiu e Andrea saiu pelas minhas costas. Eu não tinha percebido e de repente ele disse ”Andrea disse que você gostaria de colocar silicone, mas por quê? Seus seios são tão lindos!” e então ele baixou a parte de cima do meu biquíni e me atacou e arrancou a parte de baixo e me penetrou.

Eu gritava por Andrea, mas ela não veio me ajudar, eu pedia pra ele parar, mas, ele me afogava e me estuprava! Depois de algum tempo eu já não tinha mais força pra me debater, eu só esperava que aquilo acabasse. Tudo que vinha a minha cabeça era sair viva e ver meu filho novamente.

“Ele me perguntou após o estupro se eu havia gostado”

Chegou a um ponto que meu choro não cessava então ele parou pegou a parte de baixo do meu biquine e me devolveu e me disse com a cara mais sínica do mundo ”você gostou?” Eu tremia e chorava eu só consegui dizer ”isso é errado”, eu temia por a minha vida.

Corri para o quarto onde eu ensinava Andrea, e lá estava ela… O quarto de frente para a piscina com uma janela de vidro, tive certeza naquele momento de que ela viu tudo.

Eu me tremendo e chorando com a voz falha disse:

”como você aceita isso?Eu confiava em você”

Ela me disse: “Nada vai mudar entre a gente, está tudo bem” ela disse isso com a expressão mais irônica do mundo. Eu já não tinha mais reação ela me puxou pra me dar um banho e eu por medo que me fizesse algo aceitamos.

Depois do banho pedi pra ir pra casa disse que iria chamar meu moto taxi de confiança, mas ela disse que iria me deixar em casa. Meu pai me ligou e disse”Onde você está? “Cuidado com esse povo” como se ele pressentisse algo, mas eu não podia dizer nada, pois ela estava do meu lado.

Ela foi me deixar em casa e seu marido já não estava mais no jardim.  Eu chorava em estado de choque. Depois ela me mandou uma mensagem no celular que dizia: ”Fique bem minha amiga eu gosto muito de você, você é uma pessoa que me faz muito bem e eu não quero perder isso”.

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Passei a noite em minha casa, pois sabia que meu pai tem o temperamento estourado e se dissesse a ele na noite ele teria ido lá e esse dentista possui um arsenal de armas em casa.  Por volta das duas horas da manhã liguei pro meu esposo que esta trabalhando na Inglaterra e ele me orientou a ir a policia, mas tive muito medo por serem pessoas influentes e perigosas.

Já se passaram três anos, desde então duas outras vítimas vieram à diante. Hoje ele responde em liberdade e eu vivo, na minha própria prisão, fora do meu país.

Estupro: A Barbárie Machista

Quando você acabar de ler esse texto, uma mulher terá sido estuprada em algum lugar do país. É esse o dado bárbaro divulgado pelo 10º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

A realidade é que a Lei Maria da Penha tem pouco efeito prático. As políticas de proteção à mulher sofrem sucessivos cortes e as mulheres, principalmente as trabalhadoras ficam à mercê da violência machista que mata mulheres todos os dias.

Os altos índices de casos de estupro em nosso pais escancaram a barbárie machista, que para além dos agressores, que devem ser punidos com rigor, devemos vislumbrar que existe uma sociedade que cria estes homens que sentem se autorizados a tratar as mulheres como se fossem objetos sexuais a disposição deles.

Os casos de estupros que escandalizam a população não podem ser vistos como casos isolados, estamos a merce de um país em que a cada uma hora uma mulher é estuprada, um país em que um deputado como Bolsonaro faz apologia aberta ao estupro e fica impune. Crimes como este e assassinatos contra mulheres, negros e negras das periferias e LGBTs acontecem todos os dias pela mão do Estado, seja diretamente pela polícia, seja pela disseminação da ideologia da opressão e pela impunidade e descaso completo com o tema, a começar pela falta de investimentos em políticas públicas mínimas.

Nós, mulheres, aprendemos, desde pequenas, que somos propriedade de alguém. Primeiro, do pai que nos dá ordens e controla nossas vidas. Depois, de um marido que nos dita regras e tem o direito velado de nos punir com agressões psicológicas e físicas. Junto com isso, a mídia dissemina a ideia de que somos objetos de consumo masculino e impõe um padrão a ser seguido. E, assim, se constrói o mito da inferioridade da mulher.
O machismo é parte essencial da sociedade capitalista: o capitalismo aproveita-se das diferenças para a impor uma condição de inferioridade à mulher e superexplorá-la. O machismo tem que acabar, é isso só vai acontecer com o fim desta sociedade de classes pelas mãos de homens e mulheres trabalhadores. Enquanto isso, porém, é preciso continuar combatendo todos os dias e não permitir que situações de opressão, das mais banais até as mais hediondas como esta, sigam acontecendo e passem impunes.

 

Sites pesquisados

  1. 90% das mulheres estupradas não denunciam agressor

http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2014-04-25/90-das-mulheres-estupradas-nao-denunciam-agressor-diz-especialista.html

  1. Por que o estupro continua impune no Brasil

http://istoe.com.br/por-que-o-estupro-continua-impune-no-brasil/

  1. Casos de estupro e assassinatos chocam o país

http://www.revistanordeste.com.br/noticia/brasil/barbarie+no+nordeste+casos+de+estupros+e+assassinatos+chocam+o+pais-11661