Sobre a Reforma da Previdência, a Greve geral do dia 28 de Abril, a relevância desta luta para as mulheres da classe trabalhadora.

MULHERES,

Quarta – feira, 26 de Abril de 2017, haverá a reunião de um comitê para preparar a greve geral do dia 28 de abril de 2017, sexta – Feira. O chamado a greve pelas centrais sindicais e para combatermos as reformas da previdência e trabalhista, que sem nenhuma duvida atingira de forma muito nociva as mulheres.

O comitê da zona sul será reunido na Rua Miguel Auza, 59, Capão Redondo. Próximo ao metro Capão.

A ultima reunião foi em 19 de Abril e recebeu militantes de algumas organizações e independentes, além de um surpresa genial, muitos alunos de escolas das redondezas saíram da sala de aula e foram para a rua ter uma aula de cidadania, de luta pelos seus direitos.

O QUE ISSO TEM A VER COM AS MULHERES?

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Limitar a discussão ao fato de que Temer e seus lacaios querem equiparar a idade mínima das aposentadorias entre homens e mulheres é uma forma de usar o machismo para encobrir problemas muito mais profundos, enquanto os homens e mulheres perdem se nesta discussão, que e proposital o que esta acontecendo:

  1. A imposição de uma idade mínima para aposentadoria
  2. O fim da aposentadoria por idade
  3. O fim da aposentadoria especial para professora e trabalhadores rurais
  4. O fim da possibilidade de acumular a aposentadoria com a pensão por morte e a desvinculação dos benefícios previdenciários ao salário mínimo, entre outras modificações.

De fato atinge a classe trabalhadora como um todo, contudo, o ataque mais brutal será sobre as mulheres devido a nossa condição na sociedade machista que já e inferiorizada, que não esta em posição de equidade, e dizer que isso não é problema da previdência resolver, e uma total falta de sensibilidade e coerência, pois que se o capitalismo se pauta no machismo para nos relegar a mercado de reserva, com os piores salários e posições, a previdência deve sim nos reparar pela nossas duplas e triplas jornadas.

Os argumentos para que passe estes taques sobre nos são argumentos machistas e que tratam nossa situação com uma total falta de conhecimento. Dizem muitas coisas, entre elas:

Que as mulheres estão vivendo mais que os homens e, se aposentando mais cedo tendem a “custar” mais para a previdência;

  1. A de que quando a diferenciação foi implementada, as mulheres compunham uma parte muito pequena da força de trabalho e por isso o impacto na previdência era pouco significativo;
  2. A de que a tecnologia reduziu o tempo dos afazeres domésticos das mulheres;
  3. E até mesmo de que a ampliação da participação na força de trabalho leva “naturalmente” à redução das desvantagens em termos de remuneração e condições de trabalho;

Tudo balela, este tipo de argumento deseja apenas suscitar o machismo dos nossos companheiros de classe homens, para que nos dividamos, e sejamos menos fortes no combate as mudanças que aprofundarão ainda mais as diferenças sociais entre homens e mulheres, levando as mulheres ao poço da miséria com mais eficácia e a dependência financeira dos homens, que alias, e um dos motivos mais evidentes do por que as mulheres permanecem tanto tempo em relacionamentos abusivos e sofrendo violência domestica.

O capital lucra enormemente com os trabalhos não remunerados que as mulher  realiza para a burguesia: Lavar, passar, cozinhar, cuidar dos filhos… São apenas algumas das situações onde a mulher usa sua força de trabalho para garantir a manutenção de si mesma como trabalhadora, de seu companheiro, seu pai, seus irmãos, filhos, estes serviços ditos como cuidados a família nada mais são do que trabalho escravo que a mulher presta ao capital. A mulher que terceiriza este serviço, usa o próprio salário para manutenção de trabalhadores que servem a burguesia. Ou seja, trabalhamos no lar para sermos capazes de vender nossa força de trabalho a burguesia e para que nossos parentes homens, sejam também.

Outra balela que estão contando e que não se confirma e de que a aposentadoria antecipada das mulheres e uma das causas do rombo da previdência. Primeiro que se existe um rombo na situação financeira não é culpa das mulheres e sim de uma quadrilha muito bem organizada e majoritariamente composta por homens que estão roubando há anos o dinheiro publico. Sempre tem dinheiro para ser roubado para abastecer o bolso da burguesia e seus luxos, mas para a classe trabalhadora, o dinheiro é sempre escasso. Salarios defasados, leis trabalhista já retrogradas e insuficientes, mas isso não basta, querem aprofundar nossa pobreza e exploração.

Quebrando Mitos

  1. Primeiro: o mito de que a aposentadoria antecipada das mulheres “custa muito” para a previdência.
    1. Segundo dados da própria previdência social, as mulheres representam 44,3% do total de contribuintes do INSS, entretanto, apenas 33% das concessões de aposentadorias por tempo de contribuição são para mulheres.
    2. Em termos monetários o percentual é ainda mais baixo, em 2014 dos R$ 8,7 bilhões pagos pela previdência aos aposentados por tempo de contribuição apenas R$ 2,1 bilhões, ou seja, 24,8%, foi destinado às mulheres.
    3. Por outro lado, as mulheres são 56,7% do total de beneficiários da previdência, mas somente 51,3% do é pago vai para elas, isso significa que o valor médio do benefício das mulheres é no geral 20% menor do que o dos homens.
    4. Além disso, quando separados por grupos de espécies e entre homens e mulheres, os benefícios em que as mulheres representam maioria, além do salário-maternidade, onde, evidentemente elas constituem 100%, são a pensão acidentária, (94,9%), a pensão por morte (79,2%) a aposentadoria por idade (62,4%) e o auxílio-reclusão (58,6%).
    5. Como os homens morrem mais cedo que as mulheres, acabam deixando uma legião de viúvas e filhos. Por outro lado, a absoluta maioria dos presos é composta por pessoas do sexo masculino, somente 6,4% da população carcerária é do sexo feminino, que, quando segurados do INSS, dão o direito às esposas/companheiras e seus filhos a receberem o auxílio-reclusão. É isso que explica porque as principais beneficiárias da pensão por morte e do auxílio-reclusão são as mulheres.
    6. Por isso, inclusive o segundo argumento, de que quando as regras foram estabelecidas as mulheres compunham uma parcela muito pequena da força de trabalho tampouco se sustenta, porque no caso do salário maternidade a mulheres, para receber tem que ser segurada, ou seja, tem que contribuir, já em relação à pensão por morte e auxílio-reclusão estão relacionados à qualidade de segurado de quem morreu ou foi preso e não de quem recebe o benefício.
    7. Outro dado é que as mulheres são maioria entre os idosos, mas o nível de proteção social delas não é igual ao deles. Enquanto a proteção social dos homens atinge 86,1% dos idosos do sexo masculino (10 milhões), entre as mulheres está estimada em 78,5%, (11,5 milhões). Desse total de idosas protegidas, 7 milhões são aposentadas (61%), 2,3 milhões pensionistas (20%) e 1,7 milhão são aposentadas e pensionistas.
    8. Essa diferença de proteção na velhice reflete a trajetória das mulheres no mercado de trabalho, em condições bem mais precárias e sujeitas a maior grau de vulnerabilidade.
    9. Por outro lado, a evolução da estrutura populacional revela que as mulheres são maioria na população e também que há uma “feminização” cada vez maior da velhice, mas, embora a esperança de vida das mulheres seja maior, há estudos que indicam que a expectativa de vida saudável delas é a mesma da dos homens, ou seja, que elas vivem mais, mas com a saúde comprometida.

  1. Quanto ao terceiro argumento, de que a ampliação na força de trabalho tende a reduzir naturalmente as desigualdades.
    1. Atualmente no Brasil a maioria das pessoas se aposenta por idade, dos cerca de 18 milhões de aposentadorias em vigor: 52% são por idade, 28%, por tempo de contribuição e 20% por invalidez. Isso é consequência, sobretudo, das características do mercado de trabalho brasileiro, com altos níveis de desocupação e subaproveitamento da força da força de trabalho e grau elevado de informalidade.
    2. A tendência cada vez mais frequente das flexibilizações e desregulamentação das leis trabalhistas (terceirização, trabalho temporário, só para citar alguns exemplos) também colabora para a redução do número de pessoas que se aposentam por tempo de contribuição pois, embora a maioria dos trabalhadores ingresse no mercado de trabalho muito cedo, permanece nele em condições muito adversas.
    3. No caso das mulheres trabalhadoras, essas situações são agravadas pela sua condição de oprimidas e duplamente exploradas. Em outras palavras, o machismo naturalizado na sociedade impõe às mulheres uma série de desvantagens no mercado de trabalho que, via de regra, às acompanha ao longo de toda sua trajetória laboral até o momento da aposentadoria: a localização nos setores mais precarizados e mais mal remunerados (divisão sexual do trabalho), diferenciação salarial entre homens e mulheres, maior dificuldade de conquistar postos de chefia e, sobretudo, a desvantagem na distribuição dos afazeres doméstico entre os sexos (dupla jornada) que faz com que a soma total da jornada de trabalho das mulheres (dentro e fora de casa) seja maior do que a dos homens.
    4. Segundo o IBGE, a renda das mulheres equivale a 76% da renda dos homens –o rendimento da mulher negra é bem mais baixo, menos de 40% do que ganha um homem branco–; e as possibilidades de assumirem cargos de chefia ou direção são menores. Entre os homens com mais de 25 anos, 6,2% ocupam posições de chefia, mas entre as mulheres na mesma faixa etária esse percentual é de 4,7%. Nesses cargos, fazendo a mesma coisa, o salário das mulheres equivale a 68% do salário dos homens.

A dupla jornada faz com que muitas trabalhadoras aceitem buscar empregos em tempo parcial por isso a jornada semanal das mulheres nas atividades remuneradas é seis horas menor do que a dos homens, entretanto, como dedicam duas vezes mais tempo aos afazeres domésticos, no total, as mulheres trabalham cinco horas a mais por semana. Cai por terra aí o quarto argumento, de que a tecnologia reduziu o tempo dos afazeres domésticos das mulheres. Ao todo, a jornada das mulheres é, em média, de 55,1 horas semanais, contra 50,5 horas dos homens.

Apesar disso, tem crescido o número de famílias chefiados por mulheres. Considerando todos os arranjos familiares, elas são a pessoa de referência de 40% dos lares brasileiros (essa proporção é ainda maior entre as famílias mais pobres, onde as mulheres negras assumem o papel de principal provedora). Entre os arranjos formados por casais com filhos, uma em cada quatro casas é sustentado por mulheres. Há também uma evidente tendência de crescimento das famílias monoparentais, especialmente aquelas formadas por mãe+filhos (o percentual de homens morando sozinhos com filhos ainda é mínimo), o que tende a ampliar o número de horas de trabalho doméstico realizado pelas mulheres.

Manter a diferença de idade para aposentadoria entre homens e mulheres é, portanto, uma questão de justiça social: ao longo de suas vidas, as mulheres ganham menos, tem menos oportunidades de ascender no trabalho e trabalham mais, pois enfrentam a dupla (às vezes tripla) jornada, no trabalho e no lar. Essa é a principal justificativa para a diferenciação nos critérios de aposentadoria: a dupla jornada combinada com os baixos salários das mulheres.

É também uma forma de compensar um trabalho que o Estado não reconhece e nem remunera. Sabe-se que a permanência das mulheres no mercado de trabalho formal é menor do que a dos homens, de acordo com dados da RAIS, as mulheres ficam em média 37 meses no mesmo emprego, já os homens, 41,7 meses. Isso está relacionado, entre outros fatores, à ausência de serviços públicos como creches e escolas em tempo integral para deixar seus filhos e instituições para cuidados com os idosos e os enfermos da família. Esse trabalho é essencial para a vida em sociedade e deveriam ser garantidos pelo Estado, mas não são e recaem quase que exclusivamente sobre a mulher. A diferença de critérios de aposentadoria tem o objetivo de compensar, em parte, essa imensa desigualdade, por isso a proposta de equiparar o tempo de contribuição para a aposentadoria trará prejuízos enormes às mulheres trabalhadoras e aumentará o já enorme abismo que separa homens e mulheres na sociedade.

Equiparar o tempo de contribuição para aposentadoria sem levar em conta as enormes desigualdades entre homens e mulheres já se configura numa enorme injustiça, mas que isso se dê em base ao aumento do tempo de contribuição para as mulheres (e não a redução para os homens) é ainda mais grave. A maioria das mulheres se aposenta por idade porque não consegue alcançar os 30 anos necessários para a aposentadoria por tempo de contribuição, tanto que a idade média das mulheres que se aposentam por essa modalidade é de 57,5 anos (somente 2,5 anos a menos do que a idade mínima para aposentadoria por idade), já entre os homens (cuja idade mínima para aposentadoria por idade é de 65 anos) é de 59,3 anos. Ao contrário do que se pensa, a média da diferença de idade de aposentadoria por tempo de contribuição entre homens e mulheres não é de 5 anos, mas de 1,8 anos apenas, isso significa que a equiparação dos requisitos para a aposentadoria vai levar, muito provavelmente, as mulheres a se aposentarem (caso consigam) com bem mais idade do que os homens.

A idade média das mulheres que se aposentam por tempo de contribuição é de 57,5 anos (a dos homens 59,3 anos). Considerando que para se aposentar dessa forma as mulheres necessitam hoje de 30 anos de contribuição (360 meses) e a idade mínima para começar a contribuir é de 16 anos, para cada ano de vida “útil” no mercado de trabalho são contabilizados em média 8,6 meses trabalhados. No caso dos homens, que precisam de 35 anos de contribuição (ou 420 meses) se utilizarmos a mesma fórmula chegaremos a 10 meses trabalhados por ano de vida “útil”. Se a reforma passar, tanto os homens como as mulheres terão de contribuir por 49 anos para ter direito a se aposentar com o valor integral do benefício (588 meses), se aplicarmos os cálculos acima, os homens teriam de trabalhar até os 75 anos. Já as mulheres até os 84 anos.

Mas o que está por trás disso não é só que praticamente ninguém mais vai conseguir se aposentar com o benefício integral, mas que as mulheres, quando conseguirem (e se conseguirem) se aposentar o farão com um valor bem abaixo do que os homens na mesma situação.

Mas se igualar os requisitos pode levar a que muitas mulheres jamais consigam se aposentar por tempo de contribuição, isso, junto com o fim da aposentadoria por idade significará, na prática, excluir de forma definitiva as mulheres do direito a se aposentar. Essa é mais uma das razões pela qual nos posicionamos veementemente contra essa infame proposta de reforma da previdência, porque prejudica de forma colossal as trabalhadoras e se aprovada aprofundará as já enormes desigualdades entre homens e mulheres na sociedade.

Por isso companheiras, não vamos baixar nossas cabeças e aceitar de Mao beijada que nos ataquem de forma tão brutal, retirando nossos direitos, com dizia a Simone de Beauvoir, em direitos não se mexe, e temos que estar atentas aos nossos direitos conquistados pois “Esses direitos não são permanentes. Você terá que manter-se vigilante durante toda a sua vida.” Simone de Beauvoir

Vamos agora sair de nossa latência, e mostrar que não somos inofensivas, não somos submetidas e nem admitiremos que uma gangue de homens corruptos nos lesem ainda mais!

TODAS PELA GREVE GERAL

PARAR OU RETROCEDER EM DIREITOS? PARAR!

FORA TEMER, FORA TODOS ELES!

 

Um caso de amor ou um Caso de Abuso?

O caso de Emilly e Marcos, no programa Big Brother, mostrou as duas faces do machismo: A mulher oprimida e o homem opressor, em cadeia nacional, o homem agiu de forma natural, atuando com posturas agressivas e manipuladoras contra a mulher, ele não sente vergonha e nem remorso, afinal a sociedade romantiza o machismo.

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Emilly chora durante almoço e Marcos consola: ‘Faz exame de consciência’

Quando os homens encenam arrependimento, sofrimento, dor… O mundo tem piedade deles, mesmo que tudo isso, seja apenas uma forma de manipular a parceira e não a verdade de seus sentimentos, prova disso é o fato de que, em pouco tempo eles retornam ao mesmo comportamento.

A violência emocional é uma das modalidades iniciantes do relacionamento abusivo que pode chegar à violência física. Normalmente as pessoas só pensam em abuso e violência quando existem hematomas, sangue e morte, mas bem antes de tudo isso aparecer, existe um abusador e uma abusada, existe uma pessoa que sabe exatamente como destruir a outra para que ela submeta-se completamente as suas vontades.

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Não sejamos inocentes, os homens machistas sabem que as posturas deles causam dor e sofrimento, eles fazem mesmo assim, e fazem por que sabem que a habilidade de manipular manterá a parceira aprisionada neste ciclo de violência.

Alguns depoimentos que recebo de mulheres são todos muito parecidos, e mostram que existe modo de operar comum a todos os homens que utilizam – se de machismo para oprimir suas companheiras.

Um manipulador emocional, quem e ele?

Um manipulador emocional é uma pessoa que sempre sai pela tangente quando comete um erro. Por exemplo, ele esqueceu seu aniversário e você vai cobrá-lo disso. Ele prontamente inverte a situação e diz que lamente você pensar que ele esqueceria, que o fato é que ele esta há semanas com depressão, sofrendo sozinho, e não quis te contar por que sabe que você já tem tantos problemas, e creia-me no final deste papo, você estará morrendo de pena da dor dele, e querendo saber mais sobre a dor dele, e querendo ajuda-lo a sanar esta dor, dispondo se a procurar ajuda especializada para ele… Cuidados que ele nunca teria com você. A sua dor? Você engole.

Sempre te deixa insegura e com medo

Por mais estável e duradoura que a relação pareça, você não tem paz, vive insegura, vive a espera da próxima mancada dele, vive a espera do próximo rompimento, da próxima dor, decepção… Sempre tentando se fortalecer para o próximo abuso. Você começa a tentar resistir os impactos, vivendo prisioneira dos ciclos de Lua de Mel e abuso.

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Sempre te diz SIMS que raramente se cumprem

Um manipulador emocional é aquele cara que tudo que você pede, ele se dispõe de pronto a fazer. Você diz a ele “Vamos?” e ele responde “Vamos!”, e você ficará na maior euforia imaginando o lugar que vão e as coisas que vão fazer, você fica feliz por que estará do lado dele, curtindo uma situação boa. Mas ele repentinamente desmarca. Ele começa a dar sinais de que não vai acontecer, pisando nas suas expectativas e dando desculpas das mais furadas até as que culpam você por ter dado errado.

Como conta Ana Clara:

“Quantas vezes ele marcava de vir na minha casa me ver, quantas vezes o pai ligou para ele ir buscar no serviço, a irmã ficou doente, a mãe ficou doente, o pneu do carro furou, a família queria ir a algum lugar e ele teria que levar. Ele marcava comigo, eu deixava de marcar outras coisas no final de semana, ele não vinha, eu ficava sozinha e muitas vezes chorava de decepção, ficava mal, sofria… Ele? Depois do termino do namoro soube que ele sempre saiu com várias mulheres nas minhas costas, eu estava em casa chorando e ele estava por ai transando, gozando e sendo feliz, e tratando mulheres de forma utilitarista, como objetos que existiam para satisfazer seu prazer e ego”.

Um manipulador é um cara que distorce a realidade. Você já pensou em algum momento que deveria ter um caderno de anotações sobre tudo que conversou com seu parceiro para que quando fosse cobrá-lo do que ele disse, tivesse certeza absoluta de que ele disse mesmo? Se isso acontece com você, seu relacionamento é abusivo. O que ele esta fazendo com você chama –s e gaslight e trata – se de tentar te enlouquecer.

Ana Clara:

“Eu perguntei para ele varias vezes se ele estava saindo com outras mulheres. Ele dizia que não. Um dia eu estava muito certa de que era mentira, então eu disse a ele “Se você esta saindo com outras mulheres eu quero saber”. Eu sabia, ele dava indícios, eu ligava para ele e o telefone estava ocupado, sendo que ele raramente me ligava, eu o percebia on line boa parte do dia no whatsapp e ele não me chamava pra conversar. Neste dia ele me mandou uma mensagem dizendo:” Eu não estou ficando com ninguém, mesmo que você não confie em mim”. Senti-me péssima e me desculpei. Após o termino do namoro, descobri que ele tinha TINDER desde Dezembro, e estava conversando e saindo com mulheres desde então, nas minhas costas”.

Ana Clara:

“Um dia eu percebi algo importante demais, como se fosse um estalo em minha consciência: Todas as vezes que ele fazia algo errado ele terminava o relacionamento comigo, dizia que não me amava que o fato dele errar assim, era por que ele não sentia mais amor por mim, não estava apaixonado. Imediatamente, o foco da conversava saia da cobrança ao erro dele, para um convencimento dele de que ele estava enganado, que nós nos amávamos sim, e desta forma, ele saia de cena, me deixando completamente deprimida e com a autoestima arrasada, para dali algumas semanas ele retornar, arrependido, dizendo que me amava sim, que queria ficar comigo.”

Na manipulação emocional, o homem confunde a mulher, ela não quer o termino da relação, ela quer discutir o erro dele, e chegar a um ponto que ele faça uma autocrítica sincera e mude, ele por sua vez, quer apenas desestabilizá-la e sair da situação culpando a por suas ações, afinal de contas se ele não ama, deve ser culpa dela, talvez até por que ela faça tantas cobranças, será que e por que ela não é bonita o bastante, por que ele não a amaria? O que tem de errado nela para não ser amada?

Neste ponto instala se uma confusão gigantesca na cabeça da mulher, ela perde se da realidade e entra na antessala do inferno da manipulação, culpando-se pelos erros do abusador. De repente ela se vê implorando para ele perceber as qualidade dela e não ir embora, o erro dele, nem importa mais.

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Os manipuladores são muito hábeis em fazer promessas e não cumprir. Um depoimento pode ilustrar isso:

                            Ana Clara

“Nós nos separávamos quase sempre com o mesmo discurso dele, de que não me amava, de que não queria este relacionamento, normalmente ele fazia isso e sumia uma semana ou duas, mas me mantinha perto, me chamando no whatsapp, querendo saber de mim, conversar… Até que um dia as conversas enveredavam para a saudade que sentimos um do outro, os momentos bons que passamos juntos, e ele aceitavam todas as minhas imposições para voltar, prometia que não faria nem isso e nem aquilo outra vez. Era mentira, em poucas semanas ele fazia tudo de novo.”

Ainda falando de manipulação:

“Ele arrumava brigas do nada, um dia havíamos combinado dele passar o final de semana em casa, ele decidiu na ultima hora que não iria, me deixando muito triste, eu havia pensando aquele final de semana durante toda semana, imaginando as coisas legais que faríamos, e ele não veio. Ele me ligou de manhã dizendo que iria a uma feira de aparelhos de ginástica, desligou o celular, não atendia mensagens, não dava um posicionamento, eu entrei em crise de choro e fiquei muito mal, ele não veio, ele não respondeu as mensagens, ele não ligou de volta. Passamos duas semanas sem nos ver, e ele me disse que aquele dia saiu com outra garota, que eles transaram que ele queria sentir se amado, desejado…”

O resultado de todo esse tempo vivendo um relacionamento com um homem abusivo:

“Eu era professora, estava no auge da minha carreira, era muito admirada pelos meus alunos, isso me fazia muito feliz, mas de repente (não era tão de repente, mas eu não percebi acontecer) comecei a perder a concentração, ter dificuldades para reter conhecimento, dificuldade para elaborar respostas para os alunos. Os pensamentos dentro da minha cabeça pareciam raios passando rapidamente de um lado para o outro. Comecei a ter crises de choro, tremores no corpo, não dormia mais, passava a noite fitando o teto. Fui levada por uma amiga ao psiquiatra que me diagnosticou com Transtorno de ansiedade generalizada (TAG). Fui ao médico com uma amiga por que ele mesmo sabendo do que estava acontecendo comigo, nunca se dispôs a me ajudar”.

“Ele passou a usar meu transtorno, que foi instalado devido ao tratamento que ele me dava, abusivo, para justificar as posturas dele, e ele dizia que ‘Como eu posso ir morar, ter uma relação estável com uma mulher que é instável e perde o controle com tanta facilidade? ’ Eu me sentia culpada, eu acreditava que a forma que eu agia era o motivo dele não querer estar do meu lado e nem me assumir como namorada.”

Depois de um tempo de agressão dissimulada, outro nome dado à violência emocional, a mulher realmente esta destruída emocionalmente, esta incapaz de sozinha de sair do ciclo de violência, ela sente uma louca, uma pessoa sem beleza, sem nada de especial, ela não sabe para e nem como ir, ela não consegue ter atitudes racionais por que o seu emocional esta berrando em seu cérebro 24 horas por dia. A famigerada pergunta “Por que as mulheres não abandonam estas relações?” Pode ser respondida com o adoecimento emocional e psíquico que o abuso machista causa na mulher.

Joana nos relatou:

“Meu vizinho foi buscar uma mulher na Bahia, queria casar com uma moça “decente”. Ele voltou de lá com Dalva, uma mulher negra linda, sem estudos, sem emprego, sem profissão, sem amigos e sem família aqui, completamente dependente dele. Fez 04 filhos nela, e toda vez que ela engravidava, deixava a abandonada em casa e ia para bares ou sair com outras mulheres…”.

“Ele humilhava-a. Ouvia da minha casa ele dizer que ela era repugnante, feia, burra… Ele dizia que ela Só servia para parir. Eu era adolescente, não sabia o que fazer. Um dia ela enlouqueceu. Saiu na rua arrancando as roupas, ficou nua e saiu correndo pelas ruas… O que ele fez? Mandou ela de volta para a família dela na Bahia, junto com os filhos e seguiu a vida dele, tranquilamente.”

IMPORTANTE

Senso de responsabilidade é algo que não existe em manipuladores emocionais. Eles não assumem para si a responsabilidade do seu comportamento, e muitos surgirão como uma autocrítica brilhante, dizendo que é um homem criado em um mundo machista, e que acabou por internalizar estes valores e reproduzi-los. Ou seja, ele fez tudo que fez sem consciência nenhuma do sofrimento que estava causando.

Os manipuladores emocionais sempre parecem pessoas frágeis, confusas, que precisam desesperadamente de alguém para ajudá-los a ser uma pessoa melhor. Fuja se encontrar este tipo. Para exemplificar, Ana Clara nos diz que “Ele me dizia que eu tirei ele da zona de conforto dele, que eu o fiz questionar a sociedade, que hoje ele era uma pessoa muito melhor do que antes de me conhecer. Eu na verdade, acreditava que eu havia criado um monstro, dado a ele armas para mentir e manipular com mais eficiência.”

As mulheres têm adoecido e perdido muito tempos de suas vidas em relacionamentos abusivo, é importante fortalecer as mulheres para que aos primeiros sinais de relacionamento abusivo, retirem-se da relação. Mas se elas não conseguirem e forem engolidas por esta fera manipuladora, é importante ter uma rede de apoio que esteja disposta ajudá-la sem julgamentos:

Ana Clara:

“Um dia, eu achei que enlouqueceria de tanta dor. Nós fomos a uma festa e ele me traiu na minha cara com outra mulher. Não, ele não beijou outra mulher, ele fez sexo com ela, na minha cara. Eu vi. Eu fiquei muito mal. Sofri uma dor lancinante. Nos dias que se seguiram a isso ele não conversava comigo, mesmo sabendo que tenho Transtorno de ansiedade, ele me manteve em estado de espera por dias, ate que apareceu e disse mais uma vez que não me amava, e isso foi a ultima coisa que eu precisava ouvir. Liguei para um amigo, e disse a ele que precisava de uma rede de apoio para sair de um relacionamento abusivo. Ele acionou outras pessoas e estas pessoas se prontificaram. E desta forma, ele saiu da minha vida.”

Importante salientar aqui que a traição nunca é sem querer, não somos animais irracionais que agem por impulsos instintivos. Temos plena capacidade de controlar nossos impulsos sexuais e dizer não a qualquer investida. A pessoa que traí sabe que esta quebrando um acordo do casal e estará fazendo mal a outra pessoa.

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“Quem foi traído sofre pela traição em si e pela dor de ver a confiança no parceiro quebrada. O indivíduo se sente magoado, triste, e o episódio provoca insegurança e baixa autoestima”, declara o psicólogo Thiago de Almeida.especialista no tratamento às dificuldades do relacionamento amoroso, de São Carlos (SP).

Os manipuladores pulam de uma vitima para outra e são pessoas que mentem de forma patológica, mesmo quando não há a menor necessidade de mentir, eles mentem, e fazem sempre com a intenção de fazerem se de vitimas para causar a pena de outras mulheres e despertar nelas a necessidade de acolhê-lo.

Ana Clara:

Quando terminamos soube que ele havia dito para varias mulheres que nunca me namorou. Que ele apenas ficava comigo. Ele disse também que eu o humilhava que ele vivia correndo atrás de mim e que eu vivia dando perdido nele, que ele estava cansado de sofrer por minha causa e agora queria sair com outras pessoas, e que só agora eu estava dando valor a ele e correndo atrás dele.

Leiam com muita atenção estes depoimentos e explicações e se te parecer familiar estas situações: Foge! Pede ajuda! Procure uma forma de sair desta relação doentia, onde só quem perde é você.

Chacina em São Paulo mata 10 jovens

Essa noite, 4 de abril 2017, aconteceu mais uma chacina em São Paulo, mais uma vez jovens homens, negros em sua maioria, pobres e periféricos. Os Jovens estavam em bares em dois extremos de São Paulo, 07 deles estavam no Jaçanã, Zona Norte, e 03 deles estavam em Campo Limpo extremo Sul. O que liga os dois casos é o fato de que aconteceu no mesmo espaço de tempo, como se tivesse sido orquestrado, e com o mesmo modus operandi, um motoqueiro não identificado que se aproximou e abriu contra os jovens.

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Diante da Barbárie contra o povo negro, pobre e periférico, algumas considerações devem ser feitas:

 Outra vez o cenário de violência contra a população negra e periférica grita na nossa cara que vidas negras não importam e que podem ser eliminadas tendo isso como naturalizado e acompanhado de julgamentos como “só pode ser bandido”, ou “ O que estava fazendo no bar a esta hora?” Isso acontece por que a sociedade é racista, e enxerga todo negro como provável criminoso. E sim, o modus operandi da opressão é o mesmo, desqualificar as vitimas para dar razão ao opressor, nós mulheres estamos muito familiarizadas com este tipo de julgamento quando somos vitimas da opressão machista, não é mesmo?

A Política do Estado de criminalização da pobreza faz vitimas.

Só para ilustrar e quantificar o quadro da situação existe um genocídio de pessoas negras no Brasil, dados do Ministério da Saúde mostram que mais da metade (53,3%) dos mortos por homicídios em 2010 no Brasil eram jovens, dos quais 76,6% são negros. Para os que duvidam do termo genocídio, é bom lembrar que, entre 2002 a 2010, foram registrados 272.422 assassinatos de negros. Mais do que em muitas guerras. E para fechar aqui a materialidade dos fatos, o número de negros mortos é 132,3% maior do que o de brancos.

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Existe misoginia e machismo embutido na ação de genocídio da Juventude negra

Com este cenário e estes dados, pensemos agora nas mulheres que mais uma vez foram impedidas de exercer a maternidade de forma plena, tendo arrancado de si, pela violência contra a juventude periférica, seus filhos.  Quantas mães perderam seus filhos e filhas?

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Maria Eduarda Alves da Conceição, 13 anos, adolescente negra foi morta dentro da escola, na quadra de educação física, cinco dias após esta ocorrência, Hosana Oliveira Seissa, 13 anos, foi morta por “tiro perdido” no mesmo bairro. No dia em que Maria Eduarda morreu, policiais foram filmados executando dois jovens que estavam rendidos e deitados no chão. E quem se lembra de Luana, Amarildo, Claudia e o dançarino DG?Wilton Esteves Domingos Júnior, de 20 anos, Wesley Castro Rodrigues, de 25 anos, e os amigos Cleiton Corrêa de Souza, de 18 anos, Carlos Eduardo da Silva de Souza, de 16 anos, e Roberto de Souza Penha, de 16 anos, estavam em um carro que foi atingido por mais 100 tiros, alvejados pela policia militar, os jovens foram fuzilados… São muitos casos… Incontáveis.

A morte de jovens negros parecem algo que não seria uma pauta feminista, mas sim do movimento negro, porém, a defesa da vida dos homens negros é sim uma pauta feminista, explico por que, é necessário o entendimento de que discutir a maternidade de forma política significa tratar de todos os aspectos, tanto o direito da mulher de ser mãe e de vivenciar a maternidade plena, vendo seus filhos nascerem bem assistidos, desenvolverem-se em todas as fases da sua vida de forma saudável, e chegarem a vida adulta em segurança. As mães periféricas e pobres, não tem este direito garantido.

Para as mulheres da classe trabalhadora o direito a maternidade Plena não existe

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Para as mulheres Burguesas, as garantias à maternidade são compradas com o dinheiro da exploração da classe trabalhadora, os filhos da burguesia são assistidos desde a gravidez em excelentes hospitais e clinica, o nascimento se dá em luxuosos hospitais que mais parecem hotéis de luxo, as mães podem optar por retomar a vida profissional ou não, se retomarem a vida profissional deixar seus filhos e filhas em cuidado especializado, tanto contratando uma babá, ou deixando em escolas caras que chegam a custar cerca de 1700 a 2000 a mensalidade. Os filhos da burguesia são mantidos em locais seguros, como as ilhas construídas para manter a elite longe da realidade social, ilhas chamadas condomínios.

Estas garantias não são aplicadas, para as mulheres pobres a maternidade é usada como forma de oprimir. O Estado nunca deu garantias mínimas para que as mulheres pudessem exercer plenamente e humanamente sua experiência maternal. Não existem creches o suficiente para que as mulheres possam deixar seus filhos e filhas em segurança para retomar a vida profissional, não existe apoio, e ainda assim cobram dela uma educação perfeita que supere todas as dificuldades e leve a criação de um ser humano exemplar. Para que isto aconteça de forma que elas não se rebelem, a opressão vem naturalizar o sofrimento da maternidade.

Como a opressão caminha ao lado da maternidade?

Exigem da mulher 100% de dedicação aos filhos, ser mãe e pobre é renunciar a própria vida para dedicar se aos filhos.

  • Ser mãe e sair com as amigas? Não pode. É uma desnaturada mesmo.
  • Ser mãe e amar a si mesmo procurando formas de trazer bem estar físico e psicológico a si mesma?Não pode. Tem que pensar no filho, só no filho.
  • Ser mãe e solteira (mesmo que tenha sido covardemente abandonada pelo companheiro?), é puta.
  • Ser mãe e ter um novo relacionamento com outro homem? Se ele maltratar a criança de alguma forma, a mãe é culpada, quem mandou ir atrás de macho? (Muitas mulheres não tem um novo relacionamento com medo de que isso interfira negativamente na criação do filho (a) e ela seja responsabilizada).
  • Ser mãe e ter contatos para sexo casual? É puta.
  • Ser mãe e ter sonhos? Vixe! esquece seus sonhos, depois que torna – se mãe, os sonhos são para os filhos e não para si mesma.

Depois que a sociedade impõe estas condições à mulher e depois de toda renuncia que ela oferta para dedicar se a criação dos filhos, o ESTADO permite a ação genocida contra seus filhos, e as mulheres que deixaram suas vidas para trás e não tiveram realizações em si mesmas, e tem na vida dos filhos seu maior feito, perdem o que lhe confere “valor social”. Não que este “valor social” seja algo que devemos considerar, pelo contrário, devemos repudiar a opressão que a sociedade patriarcal impõe as mulheres, principalmente ás pobres, mas temos que caracterizar e admitir que é assim que elas sentem- se, como se tivessem perdido a própria vida, e convenhamos, perderam, toda uma vida de dedicação ao projeto “Criar o filho (a)”.

Nos do movimento feminista temos que tomar para nós como pauta junto ao movimento negro classista, a defesa da vida dos homens negros, tanto em repudio o racismo, quanto ao repudio ao machismo e misoginia embutidos na ação genocida contras estes homens, com total apoio do estado, que arma um lado e outro, tanto a policia, como criminosos. A conivência do Estado tira o direito ao futuro desses jovens negros da periferia ceifando suas próprias vidas. Pra eles, e para suas mães, o primeiro ato de resistência é sobreviver.

 

O Dia das Mulheres

 

Introdução

NÓS VAMOS COM ÃNGELA DAVIS E ALEXANDRA KOLLONTAI, ATÉ A REVOLUÇÃO

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Por: Verinha Kollontai

Vamos postar este texto da Alexandra Kollontai hoje, por que como praticamente tudo que ela escreveu há tantos anos, é de uma atualidade espantosa e nos suscita o questionamento de que tantos anos depois continuamos no mesmo compasso, atrasados e misturadas a movimentos que pretendem reformas pontuais por dentro do sistema e que de forma alguma sanarão em sua completude a questão da opressão da mulher.

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Os recentes ataques que a classe trabalhadora vem sofrendo atingem de cheio a mulher, parte mais frágil da classe, que incorpora as filas do exercito de reserva, fora que os ataques somam se a retiradas de direitos conquistados pelas mulheres, como aposentadoria com idade inferior a do homem devido a dupla jornada de trabalho, no mercado de trabalho e em casa.

A retirada de direitos deixa claro que nada que conquistamos dentro do sistema capitalista será nosso de forma definitiva. Não por isso deixaremos de reivindicar direitos humanos para as mulheres nem deixaremos de lutar contra o machismo esperando pela revolução, mas temos que atrelar nossa luta a construção do processo revolucionário, rumo a derrubada do Capitalismo e para implantação de um novo modelo de vida numa sociedade socialista.

Por isso, não vamos hoje a Sé, nos juntarmos as mulheres que decidiram por uma luta reformista e com apoio a candidatura de Lula para 2018. Não vamos sair em defesa de reformas e de uma solução magica por dentro do sistema se sabemos que este sistema tem que ser destruído como unica opção para nossa libertaçao. Vamos ao Masp, chamando uma Greve Internacional de mulheres, em coro com ANGELA DAVIS (1) que lançou com outras intelectuais um chamado/ para uma ação revolucionária, para que a manifestação contra TRUMP, que foi a maior manifestação das mulheres que consta na nossa historia, seja arquivada como uma bela manifestação, mas que ela seja o começo de um REVOLUÇÃO.

 

O Dia da Mulher

Alexandra Kollontai

O que é o dia da Mulher? É realmente necessário? Não seria uma concessão às mulheres da classe burguesa, às feministas e sufragistas¹? Não seria nocivo à unidade do movimento operário? Estas questões ainda se escutam na Rússia, embora já não no exterior. A própria vida já deu uma resposta clara e eloquente a tais perguntas.

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O Dia da Mulher é um elo na longa e sólida cadeia da mulher no movimento operário. O exército organizado de mulheres trabalhadoras cresce cada dia. Há vinte anos, as organizações operárias não tinham mais do que grupos dispersos de mulheres nas bases dos partidos operários… Agora os sindicatos ingleses têm mais de 292.000 mulheres sindicalizadas; na Alemanha são em torno de 200.000 sindicalizadas e 150.000 no partido operário, na Áustria há 47.000 nos sindicatos e 20.000 no partido. Em toda a parte, em Itália, na Hungria, na Dinamarca, na Suécia, na Noruega e na Suíça, as mulheres da classe operária estão se organizando. O exército de mulheres socialistas tem perto de um milhão de membros. Uma força poderosa! Uma força com a qual os poderes do mundo devem lidar quando se trata do custo da vida, a segurança da maternidade, o trabalho infantil ou a legislação para proteger as mulheres trabalhadoras.

Houve um tempo em que os homens trabalhadores pensavam que deveriam carregar sobre os seus ombros o peso da luta contra o capital, pensavam que eles sozinhos deveriam enfrentar o “velho mundo” sem o apoio das suas companheiras. Porém, como as mulheres da classe trabalhadora entrando nas fileiras daqueles que vendem o seu trabalho em troca de um salário, forçadas a entrar no mercado de trabalho por necessidade, porque o seu marido ou pai estava desempregado, os trabalhadores começaram a reparar que deixar atrás as mulheres nas fileiras dos “não-conscientes de classe” era prejudicar a sua causa e evitar que avançassem. Que consciência de classe possui uma mulher que senta no fogão, que não tem direitos na sociedade, no Estado ou na família? Ela não tem ideias próprias! Todo o faz é segundo ordena o seu pai ou marido…²

O atraso e a falta de direitos sofridos pelas mulheres, a sua dependência e indiferença não são benéficos para a classe trabalhadora, e de fato são um mal direto para a luta operária. Mas, como entrará a mulher nesta luta, como acordará?

A social-democracia estrangeira não vai encontrar solução correta imediatamente. As organizações operárias estavam abertas às mulheres, mas só umas poucas entravam. Por quê? Porque a classe trabalhadora, ao começo, não vai dar por si que a mulher trabalhadora é o membro mais privado, tanto legal quanto socialmente, da classe operária, que ela foi espancada, intimidada, encurralada ao longo dos séculos, e que para estimular a sua mente e o seu coração necessita uma aproximação especial, palavras que ela, como mulher, entenda. Os trabalhadores não se vão dar conta imediatamente de que neste mundo de falta de direitos e de exploração, a mulher está oprimida não só como trabalhadora, mas também como mãe, mulher. Porém, quando membros do partido socialista operário entenderam isto, fizeram sua a luta pela defesa das trabalhadoras como assalariadas, como mães e como mulheres.

Os socialistas em cada país começam a demandar uma proteção especial para o trabalho das mulheres, segurança para as mães e os seus filhos, direitos políticos para as mulheres e a defesa dos seus interesses.

Quanto mais claramente o partido operário percebia esta dicotomia mulher/trabalhadora, mais ansiosamente as mulheres se uniam ao partido, mais apreciavam o rol do partido como o seu verdadeiro defensor e mais decididamente sentiam que a classe trabalhadora também lutava pelas suas necessidades. As mulheres trabalhadoras, organizadas e conscientes, muito fizeram para elucidar este objetivo. Agora, o peso do trabalho para atrair as trabalhadoras ao movimento socialista reside nas mesmas trabalhadoras. Os partidos em cada país têm os seus comitês de mulheres, com os seus secretariados para a mulher. Estes comitês de mulheres trabalham na ainda grande população de mulheres não conscientes politicamente, levantando a consciência das trabalhadoras e organizando-as. Também examinam as demandas e questões que afetam mais diretamente à mulher: proteção e provisão para as mães grávidas ou com filhos, legislação do trabalho feminimo, campanha contra a prostituição e o trabalho infantil, a demanda de direitos políticos para as mulheres, a campanha contra o aumento do custo da vida…

Assim, como membros do partido, as mulheres trabalhadoras lutam pela causa comum da classe, enquanto ao mesmo tempo delineiam e põem em questão aquelas necessidades e as suas demandas que lhes dizem respeito mais diretamente como mulheres, como donas de casa e como mães. O partido apoia estas demandas e luta por elas. Estas necessidades das mulheres trabalhadoras são parte da causa dos trabalhadores como classe.

No dia da mulher as mulheres organizadas manifestam-se contra a sua falta de direitos. Mas alguns dirão, por que esta separação das lutas das mulheres? Por que há um dia da mulher, panfletos especiais para trabalhadoras, conferências e comício? Não é, enfim, uma concessão às feministas e sufragistas burguesas? Só aqueles que não compreendem a diferença radical entre o movimento das mulheres socialistas e as sufragistas burguesas podem pensar desta maneira.

Qual o objetivo das feministas burguesas? Conseguir os mesmos avanços, o mesmo poder, os mesmo direitos na sociedade capitalista que possuem agora os seus maridos, pais e irmãos. Qual o objetivo das operárias socialistas? Abolir todo o tipo de privilégios que derivem do nascimento ou da riqueza. À mulher operária lhe é indiferente se o seu patrão é um homem ou uma mulher.

As feministas burguesas demandam a igualdade de direitos sempre e em qualquer lugar. As mulheres trabalhadoras respondem: demandamos direitos para todos os cidadãos, homens e mulheres, mas nós não só somos mulheres e trabalhadoras, também somos mães. E como mães, como mulheres que teremos filhos no futuro, demandamos uma atenção especial do governo, proteção especial do Estado e da sociedade.

As feministas burguesas estão lutando para conseguir direitos políticos: também aqui os nossos caminhos se separam. Para as mulheres burguesas, os direitos políticos são simplesmente um meio para conseguir os seus objetivos mais comodamente e com mais segurança neste mundo baseado na exploração dos trabalhadores. Para as mulheres operárias, os direitos políticos são um passo no caminho empedrado e difícil que leva ao desejado reino do trabalho.

Os caminhos seguidos pelas mulheres trabalhadoras e as sufragistas burguesas separaram-se há tempo. Há uma grande diferença entre os seus objetivos. Há também uma grande contradição entre os interesses de uma mulher operária e as donas proprietárias, entre a criada e a senhora… portanto, os trabalhadores não devem temer que haja um dia separado e assinalado como o Dia da Mulher, nem que haja conferências especiais e panfletos ou imprensa especial para as mulheres.

Cada distinção especial para as mulheres no trabalho de uma organização operária é uma forma de elevar a consciência das trabalhadoras e aproximá-las das fileiras de aqueles que estão a lutar por um futuro melhor. O Dia da Mulher e o lento, meticuloso trabalho feito para elevar a auto-consciência da mulher trabalhadora estão servindo à causa, não da divisão, mas da união da classe trabalhadora.

Deixe que um sentimento alegra de servir à causa comum da classe trabalhadora e de lutar simultaneamente pela emancipação feminina inspire os trabalhadores a unirem-se à celebração do Dia da Mulher.

 

Citações:

  1. Beyond Lean-In: For a Feminism of the 99% and a Militant International Strike on March 8.

<http://www.revistaforum.com.br/2017/02/07/angela-davis-e-nancy-fraser-convocam-mulheres-para-uma-greve-geral-no-dia-8-de-marco/&gt;

Notas:

1.O movimento de mulheres socialistas da época procurava se diferenciar dos movimentos feministas e sufragistas de então por estes terem uma direção e política de caráter majoritariamente burguês ou pequeno burguês. Porém, como o texto deixa claro, as socialistas não negligenciavam a causa do sufrágio feminino ou outras causas específicas das mulheres.

2. Neste texto Alexandra Kollontai levanta a questão da formação de consciência de classe da mulher que recém adentrou no trabalho assalariado, e que antes estava confinada ao trabalho doméstico, que Kollontai considerava embrutecedor.

Uma nova moral para o Amor

A moral do Amor

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O amor vem sido contado de variadas formas, e são vários os tipos de amor que elencaram para nossas vidas: Amor materno, amor paterno, amor fraterno, amor apaixonado, os altruísmo… Todas as formas de amor são exaltadas e idealizadas, como se qualquer passo a fora do que foi previsto para o amor fosse uma heresia, uma profanação a sagrada religião do amor, com castigo de ser excomungado do templo onde ele habita.

Parece um exagero, mas é assim que o amor vem sendo tratado, como uma religião sagrada que tem neste sentimento um rito que deve ser cumprido á risca. O tipo de amor que mais causa espanto quanto a estas considerações, é o amor materno, mas o amor entre pares também não esta livre, não é livre.

Vem direcionado a nós através das mídias e artes em geral, o amor romântico servido ao mundo como algo inevitável, irresistível, imutável, sofredor, apaixonado, eterno… São algumas das características que compõe o amor. Nada disso é uma verdade absoluta, pode ser que seja assim para alguns povos vivendo em determinadas localidades onde este tipo de construção foi eleito a forma plena de amar, mas não se aplica a o mundo todo de forma imutável.

O amor não é algo nato, que nos salta aos olhos a primeira vista do outro. É sabido que a paixão provoca reações químicas no cérebro e corpo, nos levando a uma súbita atração pelo outro, mas que este episódio de atração chama se paixão e pode ser comparado a um Cio animais não humanos. Por meio do mapeamento cerebral, foi descoberto que o estado mental alterado pela paixão dura, geralmente, de 18 a 48 meses.  É um período breve para a construção de um amor, nem sempre se concretizam, os pares se separam quando cessam as doses de hormônios que são liberadas pelo período apaixonado quando a construção do amor não é alicerçada.

O amor são as conexões que aparecem durante o período que a paixão une o par, seja homem e mulher, sejam casais homoafetivos. A evolução da espécie na verdade não enxerga a sexualidade dos indivíduos, apenas temos internalizado as formas de unirmos – nos em pares para perpetuação da espécie. O amor é uma construção social que traduz – se para cada época, para cada sociedade, para cada ideologia dominante de uma época.

O nascimento do amor

Algumas explicações de com o nasce o amor já nos mostra bem que tipo de construção nos reserva. Na mitologia Grega, Eros nasce de uma Deusa chamada Penúria, extremamente miserável, que vivia sedenta e faminta. Aconteceu que haveria uma festa e Penúria não foi convidada, esfomeada, ela chega ao término da festa e come e bebe os restos, come tanto que se farta de migalhas.

Penúria, encontra um Deus chamado Poros, dormindo embriagado (pobrezinho) e mesmo sendo considerado astuto e engenhoso dono de uma personalidade envolvente, ele é abusado por Penúria, que faz sexo com ele “inconsciente”. Desta noite te sexo, nasce EROS, o Deus do amor, aquele menininho loiro de cabelos encaracolados que atira flechas nas pessoas, flechas envenenadas de paixão e amor.  Eros, numa genética fantástica, viria a conciliar em sua essência tanto a carência e a miséria de sua mãe Penúria, como a abundância e a prosperidade de seu pai Poro.

Para Platão: “Com efeito, o saber está entre as coisas mais belas é o Amor é o desejo do belo; portanto, forçosamente o amor é filósofo e, sendo filósofo está situado entre o sábio e o ignorante. Ainda é sua origem a causa disso, pois é filho de um pai sábio e industrioso e duma mãe ignorante e apalermada”.

Os homens não amam?

O que podemos tirar desta fabula da mitologia grega? Que a figura que remete ao amor em construção feminina é a de fome, tanta fome, que as migalhas lhes bastam, a sedução e altivez ficam por conta da figura masculina e não só isso, ela o conheceu por que era um Deus convidado para festa, logo era abastado, para ter os privilégios de uma vida plena, a mulher precisa lutar ou enganar o homem para conquistá-la, e engravidar do homem seria uma forma de garantir um espaço neste céu de deidades.

O amor nasceria da fome e da miséria, do desespero e da desonestidade do ser humano do gênero feminino, que precisa ser abraçado e envolvido pela sedução, riqueza e beleza alheia para saciar – se. Impossível imaginar o amor dentro desta perspectiva, pois ela traz a dependência como imagem de amor. Ou saciar se do outro, ou morrer de fome. A riqueza, a prosperidade, tudo de maravilhoso esta na outra pessoa e precisaríamos desta pessoa permanentemente ao nosso lado para sermos melhores e completas.

Importante ter em vista que o amor tem sido algo remetido como algo próprio da mulher, sendo ele feminino, tanto que as qualidades do amor são minimizadas em discursos machistas como sendo “preocupações de mulher”. Simone Beauvoir disse que “O amor foi apontado à mulher como uma suprema vocação e, quando se dedica a um homem vê nele um deus […]”. E tem sido assim, tanto que “o mais medíocre dos homens julga-se um semideus diante de uma mulher”, e infelizmente,  o amor transformou-se em uma arma do machismo para submeter às mulheres.

Do amor degenerado ao Amor pleno

O amor que conhecemos hoje, e fruto de várias construções ideológicas de classes que foram e das que são dominantes ainda hoje. Durante a passagem da linha do tempo, encontramos o “amor” sempre atrelado a promover equilíbrio e beneficiar a moral das famílias e do fator econômico da classe. Esta forma degenerada de caracterizar o amor foi destruindo – o em sua essência e moldando o para suprir interesses alheios aos anseios humanos.

Atualmente temos a humanidade aprisionada sobre os signos da paixão e enganosamente chamando a este sentimento de amor, a avidez em devorar o outro em tudo que ele é para saciar lhe a fome, ate que a fome passa e o ser humano que antes lhe dava sensações incríveis é abandonado para que enfim, a busca por outro que lhe dê novamente as sensações anteriormente sentidas.

Alexandra Kollontai, em sua obra, a Nova Mulher e a Moral Sexual, descreve a condição da humanidade daquela época, que se assemelha incrivelmente com a de hoje ainda, dizendo:

 “A época atual caracteriza se pela ausência da arte de amar. Os homens desconhecem em absoluto a arte de saber conservar relações amorosas, claras, luminosas, leves. Não sabem todo valor que encerra a amizade amorosa. O amor para os homens de nossa época é uma tragédia que destroça a alma (…). É preciso tirar a humanidade deste atoleiro (…). A psicologia do homem não estará aberta para receber o verdadeiro amor (…) até que passe pela escola da amizade amorosa.”

O amor é uma construção social. Engana- se quem acredita que o amor é algo nato, que é um dom, não é. O amor esta na história que desenvolvemos com nossos pares no decorrer do encantamento da paixão, são as afinidades mutuas o espírito de solidariedade com o outro, a cumplicidade, lealdade, a os momentos felizes e os de superação. Todos estes elementos transformam a relação em uma ponte de acesso livre, por onde um caminha até o outro, uma ponte sólida que consegue suportar o peso que é descobrir o outro assim como ele é, sem as idealizações da paixão, sem mascaras.

O que temos hoje é um amontoado de ideologias sobre o amor que nos confundem e nos impedem de compreender e viver plenamente o sentimento. Para Alexandra Kollontai,

“A solução para este complicado problema só é possível mediante uma reeducação fundamental de nossa psicologia, reeducação esta que, por sua vez, só é possível por uma transformação de todas as bases sociais que condicionam o conteúdo moral da humanidade.”

Bibliografia

KOLLONTAI, Alexandra. A nova mulher e a moral sexual. Expressão Popular, 2003

BEAUVOIR, Simone de. O segundo sexo. Venda Nova: Bertrand, 1976.

BRANDÃO, Junito de Souza. Dicionário mítico-etimológico da mitologia grega. Petrópolis, R.J: Vozes, 1991.

PLATÃO. Diálogos. Trad. e seleção Jaime Bru

A família burguesa não nos contempla

A burguesia e conservadora e retrograda – Pensei comigo logo após começar a ler a querida Alexandra Kollontai em “O comunismo e a família”. São muitas informações que ela traz neste escrito, eu gosto de perceber que a família nunca foi algo estático, mas adaptável ao contexto histórico e social ao seu redor.

Houve época em que a família era uma mãe anciã e todos os filhos a sua volta, ouvindo e obedecendo – lhe conforme sua sabedoria houve tempo em que o pai era o líder da família, e agia como um patrão dos filhos e esposa há lugares que homens casam se com várias mulheres e é permitido por lei, formam se famílias extensas, há lugares que as mulheres são exaltadas pela quantidade de amantes que colecionou na vida (algumas tribos)… Qual e a família ideal?

O mundo muda e gira, e se expandem, novas tecnologias chegam e alavancam o futuro e tem uma classe que espera que mesmo com toda esta velocidade de acontecimentos a família patriarcal mantenha se estática e respeitada por todos, não só respeitada, mas, admirada, desejada e reproduzida, ainda que este tipo de família não corresponda em nada o que rodeia a vida de outras pessoas.

A burguesia ainda prima pela família tradicional patriarcal por que ainda tem o que proteger e manter seguro para transferir a seus herdeiros, eles são donos dos meios de produção e o que excede a produção em forma de lucro e juntado, controlado e guardado para manutenção do futuro daquela família no topo da classe social.

Para nós da classe trabalhadora que não temos nada para guardar, nem posses e nem dinheiro, para que precisamos de uma família cheia de herdeiros legítimos, com uma mãe zelosa em casa garantindo a educação destes filhos para que assumam posteriormente os negócios da família?

A família da classe trabalhadora faz muito tempo que não é a mesma imagem da família burguesa, mas devido ser a burguesia ser a classe dominante, o que se propaga como certo e perfeito é a sua moral, e suas construções. A mídia e a igreja são as principais propagandistas de que um lar equilibrado e feliz tem uma mãe zelosa e abdicada, que abandonou a carreira ou ajustou – se para poder ser mãe a profissional, os filhos sendo criados e educados pela mulher, que é uma colaboradora do homem, não só na educação e criação dos filhos, mas aconselhando o e segurando suas crises emocionais etc.

Quantas mulheres podem hoje em dia se dar ao luxo de trabalhar apenas meio período e dedicar se a criação dos filhos no restante do tempo? Quantas mulheres tem esta estrutura formada dentro de casa “mãe, pai e filhos”? Sabemos que existe uma grande quantidade de crianças que sequer tem o nome do pai na certidão de nascimento quem dirá ter a mulher apoio do homem na criação dos filhos?

Passamos muito tempo perseguindo projetos que não cabem em nossa vida, e por isso, passamos muito tempo alheios a nossas condições e sem conseguir construir para nós uma moral que nos caiba e nos represente uma moral coletiva, baseada em camaradagem, que nos faça a todos uma grande família, que supere o cla familiar burguês e se expanda em amor e cooperação com todos e todas de nossa classe.

A família montada sobre a moral burguesa é individualista, começa com um casal que terá seus filhos e ficam responsáveis pela criação e educação destes filhos, voltam se apenas para seus clãs familiares, treinando os obstinadamente para a competição do mundo capitalista, a fim de que galguem os melhores postos, as mais altas patentes…

Aqui na classe trabalhadora, seguimos este mesmo projeto, sem perceber que para que a classe dominante esteja nesta posição, somos todos explorados e do suor nosso trabalho nasce às condições da família burguesa manter sues valores e formato. O mesmo capitalismo que chamou as mulheres de volta ao mercado de trabalho, não as aliviou de suas tarefas domésticas, inviabilizando completamente a possibilidade de ser ter em casa a mãe preconizada pela burguesia. O próprio sistema econômico impossibilita a família padrão. Enquanto isso a igreja e a sociedade louvam – na.

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A classe trabalhadora aprende viver sem vida familiar, passa mais tempo com seus companheiros de trabalho do que com sua família estabelecida por contratos, acordos e laços consanguíneos. Passamos cerca de 9 horas no ambiente de trabalho, outras tantas horas presos no trajeto do trabalho até em casa, quantas horas passamos efetivamente em casa durante a semana para estabelecer relações familiares consistentes.

A família como clã no seio da classe trabalhadora não funciona, a intimidade dos membros se perde, falta tempo para o dialogo e intimidade para fazê-lo, muitas vezes amamos mais um amigo que convivemos todos os dias no ambiente de trabalho, e que se projeta para nossa vida pessoal com grande ganho de intimidade do que um irmão de laço consanguíneo.

O que estou tentando demonstrar é que a classe dominante tem uma moral conservadora para família e que expandi-la como a correta e aceita, contudo ela é impossível para nós e nos culpamos por não conseguir ter e manter esta família perseguimos ideais que são horizontes se afastando continuamente quanto mais caminhamos em sua direção.

UM ATAQUE A APOSENTARIA DA CATEGORIA QUE MAIS TEM MULHERES EM SUA CONSTITUIÇÃO

 

Aposentadoria especial dos professores será extinta. Muitas pessoas podem pensar “ah mas por que eles tem aposentadoria especial?” Pode- se de forma equivocada, acreditar que trata-se de um privilégio, mas não é nada disso. A aposentadoria especial diz respeito a exposição destes profissionais a agentes nocivos a sua saúde.

Basta um Google rápido para descobrir que a saúde mental dos professores é um assunto muito comentado, e não é a toa, O estresse é o responsável pelo exagerado número de professores que se afastam da sala de aula, por falta de tempo para planejamento e excesso em sala de aula, momentos de lazer, pela falta de valorização profissional, pela ausência de apoio da família, e até mesmo dos alunos.

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Transtornos mentais e comportamentais foram as principais causas de afastamento por doença dos professores da rede municipal de São Paulo no ano passado. Foram 4,9 mil afastamentos para uma categoria com 55 mil profissionais, o que equivale a quase 10% dos trabalhadores.

Os dados são de um levantamento que está sendo feito pelo Departamento de Saúde do Servidor (DSS) da Secretaria Municipal de Gestão e Desburocratização. O estudo aponta o crescimento de problemas psiquiátricos entre os professores. Em 1999, esses transtornos eram responsáveis por cerca de 16% dos afastamentos. Dez anos depois, a porcentagem subiu para 30% – de um universo aproximado de 16 mil afastados. (1)

O noticiário é cheio de matérias sobre salas abarrotadas de alunos, 30 a 40 alunos em salas onde o certo seria 20 alunos, no máximo. O professor é explorado, pois oferece suas aulas a um valor que comportaria uma sala de 20 alunos, mas assume 30 a 40, beneficiando o Estado ou escolas particulares populares, o professor realiza um trabalho não pago, ou seja, a área da educação extraí  também mais valia destes profissionais.

Agora, somemos isso ao fato de que a maioria do contingente de professores é feminino e temos uma bomba, pois a dupla jornada de trabalho está ali massacrando as trabalhadoras que além das salas lotadas, do estresse, do abandono, salários defasados, exploração, ainda arcam com a responsabilidade dos serviços do lar e cuidado com a família.

Apoiar a luta dos professores é apoiar as mulheres na luta pelos seus direitos e reconhecimento de que dupla jornada e exploração, somada a fatores estressantes da profissão mais do que justificam uma aposentadoria especial. Acabar com a exploração e duplas jornadas ninguém dá um pio a respeito, mas aprofundar o ataque as mulheres trabalhadoras, sempre esta em pauta para estes governantes corruptos que não tem o menor problema em atacar trabalhadores para salvar os lucros dos burgueses.

A postura dos governos é de intransigência e total descaso com as reivindicações da educação pública.É preciso garantir todo apoio e solidariedade aos professores de todo o país! Pela unificação das greves e pela realização de uma Greve Geral da Educação!
Pelo atendimento das reivindicações da categoria!

1 – Transtorno mental afeta mais professores – Problema cresce na rede municipal de São Paulo e já atinge 10% dos docentes. Disponível em: http://www.estadao.com.br/noticias/geral,transtorno-mental-afeta-mais-professores-imp-,579869.