MEU BLACK É RESISTÊNCIA POLITICA

A página Feminismo Sem Demagogia, convidou as seguidoras NEGRAS a participar de um álbum com o tema “Meu Black é Resistência Politica”. Algumas delas toparam, e enviaram suas fotos, usando seus blacks, e explicando em uma frase como sentiam se usando seus cabelos naturais numa sociedade onde o embranquecimento é coercitivo, onde o elogio do liso e o racismo fazem as mulheres negras e homens também rejeitarem sua ancestralidade, suas raízes e identidade.

Sabemos que é uma atitude de resistência politica para pessoas negras usarem seus cabelos naturais, livres de quimicas que os alise, que sofrem boicotes racistas que chegam a marginálizá-los em salas de aulas e perder vagas de emprego. Por isso, importante deixarem falar, vamos ouvir?

Álbum completo em: https://www.facebook.com/FeminismoSemDemagogiaMarxistaOriginal/photos/?tab=album&album_id=1022273561197966

Continuamos aceitando fotos até dia 30 de Maio de 2016.

Para participar mande sua foto, a frase explicando como se sente usando seus cabelos naturais nesta sociedade racista, sua idade e profissão.

 

Basta de Luanas, Vânias, Cláudias e Amarildos!

                 Pelo fim do genocídio contra o povo negro!

                      Desmilitarização da policia Militar Já!!!

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Abril de 2016 ficará marcado em nossas memórias como o mês em que a Polícia Militar, investida de autoritarismo e truculência descomedida, assassinou duas mulheres em plena luz do dia.

Somos todas Luanas
Luana dos Reis, 34 anos, mulher negra, lésbica, mãe e trabalhadora. Em mais um dia comum de sua rotina, Luana saiu de casa para levar o filho de 14 anos a um curso e parou em frente ao bar para cumprimentar alguns conhecidos. Neste momento, sem que houvesse qualquer motivo que despertasse suspeitas sobre ela, a polícia resolveu abordá-la.

Nem as presenças de várias testemunhas impediram a violência policial que, através de ameaças, ainda tentaram silenciar familiares e vizinhos que buscavam socorrer a mulher brutalmente espancada. Luana morreria cinco dias depois na Santa Casa, a causa mortisapontada na declaração de óbito foi isquemia cerebral aguda causada por traumatismo crânio-encefálico, mas, a verdadeira causa mortis poderia ser assim nomeada: machismo, racismo e  homofobia.

Luana

Seis policiais armados e treinados abusam da autoridade que lhes é atribuída pelo Estado, abordaram Luana que queria entender do que se tratava. Mas, não teve conversa. Segundo o vídeo gravado pela família da mulher em que ela relata os fatos, os policiais chegaram mandando ela por as mãos para trás para algemá-la, Luana resistiu, já que não havia motivo para aquele procedimento e, na tentativa de desvencilhar- se dos seis homens, agrediu um dos policiais que foi ferido na boca. Este ocorrido foi o suficiente para desencadear uma verdadeira sessão de tortura, quando uma mulher sozinha e desarmada foi espancada por todos os seis policiais, que usaram o capacete de Luana e cassetetes contra ela.

Testemunhas relataram o horror das cenas que aconteceram diante do filho dela e dos vizinhos. Os familiares foram chamados para socorrerem Luana, e foram impedidos de se aproximarem, sendo coagidos e ameaçados. Os policiais chegaram a atirar para o alto para afastar as pessoas. A própria Luana conta que, para ela, os policiais disseram que matariam sua família toda e seu filho também (veja o depoimento de Luana em vídeo aqui).

Os policiais levaram Luana para a delegacia, um termo circunstanciado foi assinado, que nada mais é do que um boletim de ocorrência um pouco mais elaborado e detalhado, onde se relata infração de menor potencial ofensivo.

Mas, que infração Luana teria cometido? Estar exercendo seu direito de ir vir? Ser mulher? Ser lésbica? Ser negra? Ser pobre? Existir? Ou todas estas alternativas que são negadas às pessoas que a sociedade considera “seres humanos de segunda classe”? A forma que Luana foi tratada é a completa desumanização de um indivíduo.

Luana assinou o termo circunstanciado guiada por um parente, que a sustentou sobre seu ombro. A mulher sequer teria condições de ler o que estava assinando, ela não estava em condições de estar em qualquer lugar que não fosse um hospital, sendo socorrida do espancamento que foi submetida, mas a família relata que o delegado de plantão e os policiais disseram que ela somente sairia dali se com o termo assinado, e assim foi. Luana saiu dali e foi levada para Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas (HC-UE) onde morreria vítima dos ferimentos causados pelo espancamento que foi submetia pela polícia.

                                                               Somos todas Vânias

No bairro do Lobato, periferia de Salvador, na noite de 23 de abril, mais uma mulher, Vânia Machado, 40 anos, foi morta pela Polícia Militar. Os moradores da região relataram que a polícia, como prática usual, atirou sem alvo, já que não havia perseguição em curso contra bandidos. Vânia, mulher, negra, mãe, trabalhadora, havia ido ao portão acompanhar a filha de quem se despedia quando viu os policiais e tentou retornar para dentro de casa. Foi alvejada e atingida na cabeça e ali mesmo morreu.

                                                           Somos todas Cláudias
As circunstâncias da morte de Luana e Vânia nos remetem à lembrança da brutalidade policial com que foi tratada Claudia da Silva Ferreira, no dia 16 de março de 2014 quando, durante uma suposta ação da polícia no Morro da Congonha, em Madureira, no Subúrbio do Rio, foi morta por conta de um dos disparos que a atingiu. Moradores do morro disseram que não havia nenhuma ação policial em curso e que os policiais costumavam passar pelas ruas do morro atirando a esmo. Depois de ferida de forma fatal, a mulher foi colocada na porta malas da viatura policial, que partiu com o compartimento aberto, o corpo de Claudia foi arremessado para fora e arrastado por 350 metros.

O que há em comum na morte de Luana, Vânia e Cláudia?
Todas são mulheres, negras, pobres, trabalhadoras, periféricas, nenhuma delas cometeu nenhum crime, todas foram vítimas da brutalidade policial. Em todos os casos, a população em torno do caso relatou que a polícia ativara sem motivo. Os superiores dos policiais envolvidos ou colocam em dúvida a ação criminosa dos policiais ou simplesmente os defendem. O que nos leva a concluir que a Polícia Militar está salvaguardada quando comete excessos e crimes, porque a corporação é racista, machista, lgbtfóbica e tem autorização para exercer sua brutalidade contra a classe trabalhadora. Isso fica óbvio quando constatamos que este tipo de abordagem e ação não tem ocorrência em bairros nobres da cidade e muito menos pessoas brancas protagonizam tais cenas.

O perfil dos homicídios no Brasil é comprovado estatisticamente: as vítimas são especialmente os homens negros, jovens e pobres. Entre os não negros, a cada 100 mil habitantes contabiliza-se 15,2 mortes, segundo dados do IPEA.

A lenda da impunidade impera, mas não para todos: Em 2012 a população carcerária brasileira despontou como a maior de sua história, 90% do total encontra-se em presídios, o país possui hoje a 4º maior população carcerária do mundo. Na composição da população carcerária estão em sua maioria jo­vens entre 18 e 29 anos. Praticamente 61% são, conforme a classificação do anuário, negros e pardos e, 93,8%, homens.

O número da população carcerária feminina também desponta, composta em 61% por mulheres negras e pardas e segue crescendo muito, alcançando quase o dobro da masculina entre os anos de 2000 e 2012. Segundo dados do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), compilados em relatório do Instituto Avanço Brasil, o número de presas passou de 10.112 no ano 2000 para 35.039 em 2012. Isso significa um avanço de 246% no período.

O sistema prisional e a ação da polícia existem para os negros e pobres. A impunidade, como podemos notar pelos dados, é um privilégio concedido aos brancos e ricos. Aos negros e pobres, a pena de morte informal ou o sistema prisional.

Como diria Eduardo Taddeo: “Só não aprovam pena de morte no Congresso porque é mais barato chacinas sem custas de processo. Pra quê criar papelada e assinatura? Se é só deixar gambé descarregar na viela escura?”.

A Polícia Militar precisa acabar!

A Polícia Militar surge em uma das épocas mais sombrias da nossa história, a Ditadura. Em 1969, a ditadura militar incorpora a Guarda Civil à chamada Força Pública. A função que antes era de policiamento urbano, passa a ser de policiamento ostensivo com a recém-criada PM, que era força reserva do Exército, datando desta época também a criação do Batalhão de Choque. A Polícia Militar foi criada para combater inimigos do Estado e estes eram todos que não admitiam a ditadura militar.

O autoritarismo está inscrito na história da PM e é motivo de orgulho para a corporação. A Polícia Militar paulista, por exemplo, carrega um brasão que conta com 18 estrelas representativas, entre outros momentos “memoráveis”, do golpe militar de 1964 (chamado “Revolução de Março”) e a repressão à revoltas populares como a greve de 1917 e o massacre de Canudos.

A Ditadura acabou, porém a Polícia Militar, sua cria, manteve-se dentro do “Estado democrático” usando dos mesmos métodos para os quais foram treinados naquela época, e ainda existe uma ditadura e porões para uma parcela da população que é majoritariamente negra, pobre e trabalhadora.

Os métodos de tortura parecem ser admitidos e posteriormente efetuados, defendidos pela corporação. Foi assim com Luana, que as próprias testemunhas relatam a sessão de terrorismo e tortura que foi submetida, e foi assim também para Amarildo de Souza. O crime contra ele aconteceu em julho de 2013, na Favela da Rocinha, Zona Sul do Rio, um dos raros casos em que os policiais foram condenados pelos crimes de tortura seguida de morte, ocultação de cadáver e fraude processual.

  1. Reivindicamos o fim do genocídio das pessoas negras autorizado pelo Estado.
  2. Reivindicamos punição para os crimes cometidos pelos policiais militares
  3. Desmilitarização da Polícia já! É necessário por na ordem do dia a desmilitarização da polícia, para que ela perca esta configuração autoritária e de inimiga do povo pobre e trabalhador herdada embriologicamente da Ditadura militar. Pelo fim do código militar: Policiais julgados na justiça Comum!

Vera Dias é militante do PSTU e administradora da página Feminismo Sem Demagogia

texto originalmente publicado em :http://www.pstu.org.br/node/22058

Sobre a Solidão da Mulher Negra

Entre as opressões estruturais mais difíceis de serem trabalhadas, o racismo é sem dúvida um destaque da triste figura desigual que se encontram as relações sociais no mundo. A sociedade acredita que o racismo já foi superado, que as questões de classes ligadas à raça, as desvantagens em relação acadêmica e trabalhistas também ligadas à raça, são meras normas culturais, a sociedade acredita firmemente que, ser negro e: pobre, morto pela polícia, sem estudos, é normal.

Enquanto mulheres, e em grande parte das vezes residentes da periferia; as mulheres negras possuem uma tripla militância didática todo santo dia para ser exercida. Ser mulher é ser violentada física ou sexualmente a cada 12 segundos no Brasil, ser negro, é ter 72% de chances de sofrer violência policial (sem precedentes), ser mulher e negra, é sofrer com a estigmatização da minha cultura, da minha aparência, é ter de construir todos os dias a minha autoestima enquanto mulher, pois eu não sou representada nos principais meios midiáticos, a minha beleza é censurada, tida como algo inexistente, o não normal, o não padronizado. E o impacto gerado por essa estigmatização, atinge as mulheres negras em vários níveis; tangíveis e intangíveis, e dentro deste contexto, estão os relacionamentos amorosos.

Sabe-se que pouquíssimas mulheres negras conseguem se estabelecer romanticamente enquanto casadas, que o número de famílias onde a mulher é mãe solteira é em sua maçante maioria, de mulheres negras. Fomos crescendo com a ideia de ver nossas avós, mães, tias criando seus filhos sozinhas, sem companheiros, por vários motivos; abandonadas por eles, relacionamentos extra conjugais e etc. E com isso crescendo sem exemplos de mulheres que possuam o desejo do casamento, e ainda assim, não conseguem se estabelecer, seja ele com homens negros ou não, seja ele com mulheres negras ou não.

E ainda, ver-se colocada como segunda opção, pois enquanto mulheres e negras, somos colocadas como as “mulatas de carnaval”, num turismo sexual completamente exacerbado frente a mídia brasileira que nos vende como meras bundas carnavalescas, e isso impactando diretamente nos relacionamentos, faz com que nós estejamos colocadas no lugar da amante, da fogosa, da “boa de cama”, da “mais quente”, a que desperta desejo, mas nunca um relacionamento que fixe um relacionamento sério e duradouro.

[…] Mais que qualquer grupo de mulheres nesta sociedade, as negras têm sido consideradas ‘só corpo, sem mente’. A utilização de corpos femininos negros na escravidão como incubadoras para a geração de outros escravos era a exemplificação prática da ideia de que as ‘mulheres desregradas’ deviam ser controladas. Para justificar a exploração masculina branca e o estupro das negras durante a escravidão, a cultura branca teve que produzir uma iconografia de corpos de negras que insistia em representá-las como altamente dotadas de sexo, a perfeita encarnação de um erotismo primitivo e desenfreado. (HOOKS, 1995, p. 469)

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Dentro desse contexto, o capitalismo desempenha seu papel de rompimento de afinidade das relações humanas; porque é extremamente lucrativo a baixa auto estima das mulheres; e no que diz respeito as mulheres negras, é importante manter a submissão de pensamento racial; a busca pelo padrão eurocêntrico como ideal de beleza inatingível que alimenta a indústria da moda, que mantem as relações de poder sociais numa minoria que é majoritariamente branca; Sem nos esquecermos que a sexualização é também uma jogada do capital para a manutenção da venda do carnaval que alimenta o turismo sexual dentro do país.

A solidão da mulher negra é um problema estrutural, um problema que surge na herança escravagista, que permanece com a manutenção do racismo que também atinge aos homens negros. Estes que para se distanciar do racismo, buscam na mulher branca o seu status de passibilidade social, status esse que é ignorado nas relações de racismo; pois ainda assim, o racismo os atinge dentro e fora destes relacionamentos.

Somente com a derrubada das estruturas de poder, com o fim da propriedade privada que manivela as relações sociais em busca apenas de lucro (vendendo beleza inatingível, vendendo a imagem da mulher “para casar”), somente com a conscientização das massas, teremos plenitude nas relações sociais direta sem a interferência de padrões de beleza impostos.

Situação da Página Feminismo Sem Demagogia

E NÓS NÃO SOMOS MULHERES

E AS MULHERES NEGRAS VITIMAS DE RACISMO, NÃO SÃO NEGRAS?

Há duas semanas aproximadamente, começamos a receber ataques de grupos misóginos e racistas que se organizam em páginas e grupos do facebook como: Goec, Cartola, QLC e uma rede Russa chamada VK.

No primeiro ataque, nossa administradora Gleide Davis/Fraga teve o seu perfil invadido por um grupo que disparou ofensas machistas e racistas contra a mesma na sua foto do perfil, em razão da sua clara demonstração de apoio a causa do aborto; foram xingamentos contra o seu cabelo, seus traços e inclusive ameaças de estupro. Não obstante, tentaram invadir a sua conta e divulgaram dados pessoais da mesma.

Alguns dias depois, outra adm negra da página, Shirley Silverio teve seu perfil invadido por um grupo que desferiu contra ela ataques racistas, os xingamentos mesclavam racismo e misoginia, num claro intuito de destruir a auto estima da mulher negra. Poucos grupos do movimento negro se manifestaram a respeito deste ataque, apesar da página Feminismo sem demagogia ter marcado vários grupos de combate a racismo e de feministas negras,

Muitas amigas e seguidoras também nos disseram que avisaram por in box feministas que estão em evidência e teriam facilidade de chamar um repúdio a ação machista e racista que atingiu a administradora da página, mas elas ignoraram as mensagens, o racismo, o machismo e calaram – se.

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A companheira Shirley que se organiza junto a militância negra classista recebeu apoio destes grupos, tal como Quilombo Raça e Classe e  partido que ela milita, que lançou um texto de apoio a companheira, a secretaria de negros e negras do partido também promoveu um vídeo em que a companheira dá uma entrevista comentando o acontecido e como sentiu-se.  (que pode ser conferido aqui https://www.facebook.com/pstu16/videos/981372721953358/), a organização também disponibilizou acompanhamento de advogados do próprio partido, para que fosse efetivado a denuncia em delegacia especializada.

Com relação ao racismo sofrido pela companheira Shirley e o silêncio das feministas negras e outras feministas, nós não só lamentamos, nós também queremos pontuar que neste momento a conivência com o racismo foi explicitada no silêncio que se propuseram, pois o ataque a uma mulher negra, a uma pessoa negra, é um ataque não individual, não é um ataque a coleguinha que você não gosta e por isso não vai defender, é um ataque a negritude, a todas as pessoas negras, um berro dos racistas de que a o ódios aos negros existe e persiste e será demonstrado publicamente sem medo de punição.

Muitas feministas falam de sororidade seletiva, principalmente de mulheres brancas com relação a mulheres negras, e é muito verdade, os privilégios cegam as feministas brancas que sentadas em privilégios ignoram as pautas das mulheres negras, mas o que explica a seletiva sororidade das mulheres negras diante de um ataque racista a outra mulher negra? Nada explica. Termos divergências teóricas e táticas, não pode ser motivo para calarem – se diante do racismo e machismo sofrido por uma mulher, ou ela não é mulher? Ou ela não é negra também?

Dito isso, seguimos explicando os fatos que sucederam.

Um grupo de homens organizados em uma rede social Russa, chamada VK,no ultimo dia 19/03 fez uma lista das nossas administradoras e numa postagem altamente misógina, expuseram dados pessoas das administradoras, como : Nome completo, CPF, RG, endereço de casa, telefones, e até dados pessoas de parentes delas. Fizemos print de tudo isso e levamos a delegacia para fazer B.O. Eles tentaram ainda jogar umas contra as outras, dizia o homem que uma das moderadoras havia combinado com ele que se ele não divulgasse seus dados, convenceria as demais a não denuncía-lo, eles também avaliavam quais era bonitas e quais eram feias, e davam notas as administradoras, inclusive com comentários objetificantes e racistas.

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Postamos uma denuncia na página feminismo sem demagogia a cerca destes homens e do absurdo que estavam promovendo. Eles organizaram se de madrugada, quando a página estava desprotegida devido a ausência das administradoras e nos atacaram em massa, derrubando este post de denuncia, e pela quantidade de denuncias, conseguiram também que o Facebook cancelasse a publicação da página.

O facebook aceita denuncias em massa, não só derrubando postagens que não contrariam as regras da comunidade como também cancelando as páginas de militantes dos direitos humanos, nossa página com mais de 1 milhão de seguidores é um mecanismo importante de disseminação de informação a mulheres para que as ajude a reconhecer relacionamentos abusivos, empoderarem – se para saírem destes relacionamentos, assim como, prestamos assistência presencial quando o caso requer, tala qual acompanhamento de mulheres vitimas de violência sexual no trâmite doloroso até aborto legal entre outras situações.

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O movimento feminista deveria indignar – se contra os ataques que recebemos, contra o fato do facebook ter cancelado uma página com este teor enquanto tantas páginas machistas, racistas , homofóbicas etc. com discurso de ódio claro, permanecem ali intactas. Até o momento apenas páginas como Nós madalenas, da Maria Ribeiro; Uma outra opinião do Wernner Lucas, Diarios de uma feminista da querida Lizandra Souza e a página Cartazes e Tirinhas LGBT, pronunciaram-se. Temos tido retorno positivo dos seguidores e seguidoras destas páginas que estão nos abraçando e oferecendo – se para ajudar, mas perguntamos, onde esta a revolta das demais feministas contra o ataque machistas que mulheres militantes receberam a ponta de serem silenciadas e retiradas de um lugar público?

Recorremos da decisão do Facebook de cancelar a página Feminismo sem demagogia há mais de 48 horas e até agora nada deles pronunciarem -se, como pode ser visto no print, eles avisam que se negarem nosso recurso, perderemos a página. Estamos no aguardo da decisão do Facebook, completamente impotentes. Mas não nos abateremos caso seja realmente cancelada a página, nossa militância seguirá, abriremos outra e seguiremos lutando, divulgando informações que ajudem as mulheres a fortalecerem se e libertarem – se de uma vida dominada pela opressão machista.

Agradecemos de coração o apoio de quem se revoltou conosco a cerca dos ataques racistas e machistas que nossas moderadoras receberam, esperamos que vocês sejam o futuro do feminismo, um futuro onde feministas não escolham que mulheres irão defender.

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Finalizamos este texto com Bertold Brecht

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

Bertolt Brecht

 

A ESPERANÇA COMO UM ATO POLITICO

Por: Gleide Fraga e Thomas Angelo

Vivemos épocas de grandes controvérsias sociais. Entre a militância que acredita na construção familiar católica, caucasiana, heterossexual e classe média, há desordem na ordem natural das coisas; pois para estes, o mundo anda cada vez menos aceitável e moral aos seus ideais de valores. Já para aqueles de militância realmente igualitária, encontramos cada vez menos espaço de acordo social que beneficie a todos, cada vez mais representantes perdem suas vidas em função das opressões sociais e cada vez menos encontramos razões para continuar lutando.

Por um lado, entendemos que existe o reforço capitalista para as opressões de raça, gênero, sexualidade e classe; sabemos que elas existem, sabemos que o pensamento que as favorecem são maioria e que ainda somos o diferencial em menor numero, entendemos cada vez mais a face do machismo; porque cada vez mais vemos noticias de homens que matam, estupram, agridem suas companheiras ou qualquer mulher que lhes convir, e cria motivos (como se motivos realmente pudessem existir) pifeis para justificar suas agressões morais, físicas, psicológicas.

Por outro lado, quero dizer-lhes que, existem ainda motivos para acreditar nas mudanças realmente efetivas na sociedade; essas mudanças virão gradativamente, através da conscientização das vanguardas mais jovens; das garotas periféricas e negras que com 15 anos de idade já sabem afrontar injurias raciais com muita convicção; nos jovens de 16 anos que assumem a sua sexualidade em espaços públicos. As novas gerações que virão em forma de revolução em sua existência, que visualizam o mundo de uma maneira mais libertária, pois contemplam a esperança na sua visão de mundo.

Não quero convidar-lhes a visualizar o mundo de uma maneira utópica, como quem visualiza a sua frente um paraíso perfeito e inapto a erros e opressões, mas mentalizar a nossa realização social com um caráter de fé, nos aprofundarmos mais no amor que não exige, não se apropria, mas liberta e encoraja; um amor que aliado a esperança nos dará cada vez mais força para redigir novas linhas de uma realidade social que se parece mais com uma arvore de bons frutos e menos com uma sociedade que permanecerá racista, elitista, machista e lgbtfóbica.

Realmente é bonito ser a exceção da regra, pra quem não é, quem é sabe o peso de se carregar esse fardo nas costas, o fardo de ser exemplo, o peso de ter de sempre provar a si mesmo que você não é um erro, que não foi um erro ter sobrevivido.  Seja lá o que for fazer, não seja “Bom” naquilo, seja o melhor!

A todo aquele que vem dos extremos da simplicidade de uma capital que segrega, saiba que acreditamos em você de todo coração… Poderemos e devemos ser tudo o que quisermos. Colecionem vitórias e lágrimas de felicidade junto aos seus, tenham em si a esperança que disseram que vocês não poderiam ter por vir daqui, ensinem a eles que humildade nada tem a ver com se humilhar.

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Construímos até aqui, uma militância de caráter realista, mas que se confunde cada vez mais com o pessimismo e a pouca percepção de que dias melhores realmente podem vir; de que conhecendo o inferno de perto, temos propriedade o suficiente para tecer novos caminhos de liberdade igualitária. A sociedade que idealizamos está por vir, ela irá demorar de acontecer, talvez a nossa geração não as veja em vida, mas somos nós, a semente da liberdade que está para nascer.

Cruzem os tecidos sociais, ergam a cabeça, e andem rumo a um novo amanhecer, onde veremos nossas mães felizes em nos ver vencer…

Dum spiro spero! [Enquanto há vida, há esperança!] … Se eu fosse um dos corpos celestiais, eu olharia com completo desapego para esta bola miserável de sujeira e poeira … Eu brilharia indiferente entre o bem e o mal … Mas eu sou um homem. (…) Enquanto eu respirar, eu lutarei pelo futuro, este radiante futuro no qual o homem, poderoso e belo, se tornará mestre do fluxo incerto da História e irá direcioná-lo para um horizonte sem fim de beleza, alegria e felicidade!”  – Leon Trotsky

“Esquerda branca” Não! Mais respeito com as Negras (os) da esquerda!

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Nós, mulheres negras, feministas e marxistas lutamos pela igualdade de todos e pelo fim da exploração e consequentemente pelo fim do racismo, machismo e lgtfobia, não podemos deixar de nos manifestar a respeito do texto que vem circulando na rede, que faz a critica a esquerda referindo se a opinião expressa a respeito de representatividade, onde acusa-se de ser “parte da esquerda branca” quem tem levantado a questão “Que tipo de representatividade importa”? Reivindicamos este questionamento e admitimos que não trata -se de uma parte da “esquerda branca”, mas sim negros e negras comunistas da esquerda revolucionária.

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Shirley Raposo – Administradora da página Feminismo sem demagogia – militante da esquerda no Ato “Fora Cunha!”

Nós existimos e partimos nossa análise de um outro ponto daquele que este texto que tem circulado pela rede defende. Para nós a questão negra está profundamente enraizada na estrutura social capitalista, não apenas regionalmente, mas internacionalmente, para nós somente a destruição das relações de classe existente com o poder sendo entregue a classe trabalhadora, classe esta que produz toda riqueza, atacará a raiz do problema.

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Joyce – Administradora da página Feminismo sem demagogia – militante da esquerda na Marcha das Periferias contra o genocidio do povo negro.

As mulheres negras trabalhadoras da esquerda comunistas estão na luta não é de hoje, muitos ativistas que hoje negam nossa existência e importância para luta, reivindicam Angela Davis, que foi uma revolucionária comunista integrante do partido conhecido como Panteras Negras e que teve sua luta e efeitos dela conhecido mundialmente.

Aliás, para que conste, Tratar a esquerda como “branca” é negar a luta de camaradas negros comunistas como:

– Samora Machel
– Paul Robeson
– Tereza Santos
– Diva Moreira
– Edna Roland
– Claudino José da Silva
– Minervino de Oliveira
– Frantz Fanon
– Abdias do Nascimento
– Solano Trindade
– Mumia Abu-Jamal
– Huey Newton
– Angela Davis
– Thomas Sankara

Nossa tradição Marxista teve suas falhas sim, mas os revolucionários da Revolução de Outubro demonstraram preocupação com o povo negro e reconheciam neste povo parte importantíssima da luta para emancipação do proletariado.
O avanço das pautas do movimento negro esta intimamente ligada as organizações de esquerda.

Se hoje temos os capitalistas dobrando – se para produção de bonecas negras isso deve se a a luta das mulheres negras, e somos nós parte desta conquista.Por conta da nossa militância diária que há décadas tais conquistas tem sido alcançadas. Portanto, não é vitoria reafirmarmos uma boneca desenvolvida para o lucro do patrão através de mãos negras e proletárias, mas sim que a nossa luta tem mudado a sociedade. Porém, enquanto ainda há exploração não há libertação da mulher negra. Por mais que TODAS as prateleiras estejam com bonecas negras, somos nós que ali estamos nas fábricas gerando lucro ao patrão.

Ressaltamos ainda que por detrás da fabricação desse produto, não estamos exercendo o direito que a tal representatividade caberia, portanto, a teoria de que a representatividade é abrangente não é tão verídica, tendo em vista que a representação capitalista oprime tanto quanto ou mais as crianças que ao invés de brincar, muitas vezes. precisam trabalhar. pra contribuir no sustento dessas famílias. A representatividade que importa, deve ser aquela que deve atingir a todas as camadas de classe da sociedade, logo, a representatividade não deve estar inserida e muito menos dependente do consumismo gerado por esse sistema.

Concluímos este texto reivindicando nosso lugar e voz na luta pela libertação do povo negro, exigimos respeito dos outros seguimentos da luta, que não nos tratem como “enbranquecidos” nem como “manipulados”, pois não estamos na luta de hoje e não pode ser nossa posição divergente motivo para sermos desqualificadas com ofensas e desonestidade. Sobre a militância da esquerda que é branca, sabemos que para a militância branca da esquerda é muito mais fácil, já que não tem a opressão do racismo em suas costas e reivindicamos a nossos camaradas que revejam constantemente seus privilégios e atuem conosco respeitando a nossa luta e protagonismo.

Assinam este texto as administradoras da pagina Feminismo sem demagogia – Original, mulheres negras, marxistas, da esquerda revolucionária.

Carolina Vitória
Gleide Davis
Joyce Camila
Shirley Raposo

Estupros x Xenofobia aos refugiados na Alemanha

Por: Verinha Kollontai

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Na Alemanha o caso dos estupros cometidos por refugiados traz de volta a velha conhecida dos tempos do Reich, a xenofobia. Já faz alguns dias que temos sido cobradas a nos posicionar sobre este assunto, inclusive alguns grupos reacionários vem acusando o movimento feminista de calar – se por tratar se de “homens de um grupo que elas gostam”.

Para quem não sabe do que se trata, na noite de Reveillon de 2015/2016 Segundo a BBC, cerca de mil homens agiram de forma coordenada para assediar e roubar múltiplas vítimas. A polícia recebeu ao menos 90 denúncias de mulheres que foram assaltadas, assediadas e atacadas sexualmente, incluindo uma acusação de estupro, na noite de 31 de dezembro. Uma da vitimas relatou que eles dividiam se em grupos de 5 homens para proceder os ataques. Houveram relatos realmente horrorosos, como de uma multidão de homens na frente da estação de trem abusando das mulheres, tocando seus corpos, sem chance nenhuma de defesa das mesmas ou de seus acompanhantes. Até dia 8 de Janeiro havia 120 denuncias de estupro, segundo o periódico El pais.

Bom…

Em Primeiro lugar nós não toleramos machismo, esteja ele onde estiver. Se um homem oprimido seja por questão de classe, raça, sexualidade ou identidade de gênero cometer uma violência machista será constrangido e repudiado. Não existe a possibilidade de defendermos homens de grupos oprimidos quando em flagrante de machismo. Que fique claro.

Em segundo lugar, quem estupra não são os refugiados, são homens socializados em uma cultura machista, ou será que os dados estatísticos de estupro da Alemanha eram nulos até a chegada dos refugiados? Não eram, tanto que dados de 2009, demonstram que foram notificados cerca de 7.314 casos de estupro, uma taxa de 9 para cada 100.000 pessoas. 96,1% das vítimas eram do sexo feminino. Somente em 1997 foi reconhecido como crime o estupro conjugal, ou seja a cultura do estupro esta lá entre os alemães também logo, tratar como se este crime estivesse vinculado a este grupo por serem REFUGIADOS por si só já demonstra xenofobia.

Para prosseguir é preciso constatar que existe uma tendência de associar fatos ocorridos na sociedade de modo generalista há um grupo oprimido. Por exemplo: Drogas x periferia, como se a classe dominante não se envolvesse nunca em delitos tais, e sabemos que isso é um a grande mentira contada para jogar a sociedade contra aquele grupo oprimido deslegitimando suas pautas. O ódio aquele grupo passa a ser o clamor e não sua libertação.

Dito isso, sigo analisando que…

Se bem me lembro a Alemanha estava numa dúvida cruel se abriria ou não as portas para os imigrantes e dai chegou a conclusão que abriria sim por que chegariam muitos técnicos de nível médio, para trabalhar em postos que os alemães não queriam trabalhar, e só para lembrar que, a xenofobia é uma forma eficaz de rebaixar salários, inferiorizar pessoas, tratando as como subclasse de seres humanos.

Nós como marxistas não acreditamos em natureza humana, não acreditamos que os homens sejam estupradores em potencial, que estuprem por ter um pinto, que estuprem por que são irracionais quando o assunto é sexo, acreditamos que é uma construção social misógina, que as condições para esta construção são dadas pelo mundo patriarcal, machista e capitalista, formulando seres humanos desprovidos de empatia e com a falsa compreensão de superioridade que os faz ver nas mulheres objetos que existem ao seu dispor. Homens estupram mulheres por que não a veem como suas iguais, mas com seres humanos inferiores isto é ensinado a eles e não há fronteiras que limitem este aprendizado da masculinidade.

Só para exemplificar o que estou falando sobre xenofobia, a extrema direita lançou um logotipo, parece um bando de brancos (sim sei que são verdes) perseguindo uma MULHER negra (que parece tratar se de uma refugiada?). Racismo e misoginia justificado, mas quem estuprou as mulheres alemãs foram homens não é mesmo? Por que uma camiseta com um logo mostrando uma mulher? Seria o pedido de um revide? Estupre as mulheres deles também?

Outro exemplo, ontem(29/01/2016), um centro de refugiados foi atacado com uma granada, lá estavam homens, mulheres e crianças, ao todo 176 pessoas, entre as quais poderiam estar alguns culpados dos crimes cometidos no reveillon, ou não.

É ÓBVIO que toda agressão machistas contras as mulheres deve ser repudiada, por todo o movimento feminista de todas as vertentes, aguardamos providências da Alemanha contra os culpados cabíveis por lei, e reiteramos que não compactuaremos com xenofobia.