A FORÇA FEMININA NAS OCUPAÇÕES DAS ESCOLAS

Em meio ao caos de 64, lá estava ela, fazendo seu bolo preferido e enquanto estava no forno, ela fazia seus outros afazeres de casa: lavar a roupa, arrumar as camas, coisas de mulher, sabe? Já ele estava cuidando de coisas realmente importantes, afinal, foi uma época muito difícil para o Brasil. Uma reunião atrás da outra, escondido dos militares, é claro. “Como acabar com a ditadura militar no Brasil? ”
Já nos presídios, os presos políticos recebiam visitas de suas esposas onde na barra das suas saias traziam cartas, fazendo a intermediação dos políticos de dentro e fora dos presídios, as mulheres, por sua vez, taxadas de burras e sem pensamento crítico, passavam por revistas imunes, já que os próprios militares desafiavam a inteligência das mesmas.
Estas mulheres tiveram um significado muito grande, mas não é certo deixa-las de escanteio. Precisamos introduzir mais mulheres no processo revolucionário. Se não fosse o machismo da época, teríamos mais mulheres em reuniões e fazendo a base, talvez a história teria sido diferente. Trazer nossos aliados para lutar conosco com o propósito de destruir o capitalismo é extremamente importante.
Não é só destruir o capitalismo e pronto. É avaliar todo esse processo com um olhar marxista, visto por mulheres cis e transexuais, LGBT’S, negros e negras, da nossa classe.
Os anos se passaram e quando menos esperávamos veio a surpresa: O Brasil inteiro se movimentou por seus direitos em 2013. E foi aí que eu e muitos outros brasileiros começaram a entender o quanto éramos explorados e tínhamos nossos direitos violados pelo estado burguês. Desde então, a internet foi a responsável por me fazer entender o movimento feminista, outro que até então eu não tinha conhecimento. De fato, o movimento que aconteceu em 2013 foi um dos grandes responsáveis por trazer muitos militantes/simpatizantes para a esquerda. Eu, inclusive, fui uma dessas pessoas.
Quando comecei a militar no final de 2014, pegando o começo de 2015 lembro-me bem que as manifestações e reuniões em que eu frequentava eram de uma maioria masculina e de universidades. É um tanto como complicado, você frequentar lugares e perceber que é a minoria, mas por quê? Por que eu fazia parte dessa minoria que frequentava esses espaços? Sendo que eu como mulher, filha de trabalhadores, vivendo em um mundo capitalista, sofro uma dupla opressão e como dizia Lênin “A operária e a camponesa são oprimidas pelo Capital, e mesmo nas repúblicas burguesas mais democráticas, elas não dispõem de direitos iguais aos dos homens, já que a lei não lhes concede essa igualdade”.

 
Outubro de 2015: O governo do Estado de São Paulo decreta que acontecerá uma Reorganização escolar.

ato_escolas

O primeiro grande ato foi visivelmente claro de que o cenário tinha mudado desde 64, a maioria entre nós eram meninas e secundaristas. Sim, meninas e secundaristas, isso porque os atos tinham pelo menos 5 mil pessoas. Lembro-me bem da emoção que foi chegar ao Palácio dos Bandeirantes do lado de meninas que puxavam frases de efeitos, faziam paródias para denunciar o descaso da educação pública, aquilo foi simplesmente encantador, fez-me sentir de que eu estava no lugar certo e ao mesmo tempo perguntar-me: como conseguimos introduzir tantas secundaristas na luta?
Dias depois o governo soltou uma lista com pelo menos 93 escolas que seriam fechadas e uma reorganização em pelo menos 300 escolas do Estado. Mal sabiam ele de que estavam cutucando uma onça com vara curta. Noutro dia, já era possível ler sobre a primeira escola ocupada “E.E Diadema” e foi só o primeiro passo, já que na outra semana tínhamos mais de 100 ocupações escolares e todas com uma característica muito forte: uma linha de frente de meninas. O debate sobre nossa conjuntura, sobre sociedades, cultura, o machismo nos meninos, eram constantes e as intervenções feministas nas escolas era algo simplesmente normal. E mais, o que se escutava de todos, tanto meninos, como meninas, era de que aquilo era o modelo de escola que eles queriam e querem, algo que eles sentissem o prazer de acordar todos os dias e saber de que iriam para a escola, aprender coisas que fariam com que eles cada vez mais fossem seres críticos.
Medidas como comissões de cozinha, limpeza e segurança sendo 50% masculina e 50% feminina, ou reuniões das meninas 1 vez por semana, entre outras, fizeram com que as ocupações escolares fossem as grandes responsáveis por esse papel tão importante na história do Brasil: introduzir as mulheres na luta.

07102015_ato-estudantil-contra-reorganização-escolar

 
Conquistas no Estado soviético

As mulheres soviéticas conquistaram, antes dos países capitalistas mais avançados, o direito ao divórcio, ao aborto, a eliminação do poderio matrimonial etc. Na Rússia pós-revolução, as mulheres e os homens tinham igualdade de direitos perante as leis.
A mulher foi introduzida na economia social, no poder legislativo e nos postos de governo. Tiveram acesso as instituições educacionais e aumentaram sua capacidade profissional, social e intelectual. Foram criadas cozinhas, restaurantes e lavanderias comunitárias, além de creches e escolas para crianças. O esforço era para por em prática o programa comunista de transferir para a sociedade as funções educativas e econômicas da família, que até então recaiam sobre a mulher. Era parte fundamental do programa da revolução libertar a mulher da fadiga e da escravidão doméstica e do estado de submissão ao homem, para que pudessem desenvolver plenamente seus talentos e suas inclinações.

A lição que Lênin tirou desse processo foi que os investimentos na busca da emancipação da mulher fortaleciam a revolução e a construção do poder dos trabalhadores na Rússia. A incorporação de mais mulheres nas lutas revolucionárias e a tomada de suas bandeiras por todos os trabalhadores cumpriam uma dupla função: aproximava as mulheres e contribuía para a educação dos homens, combatendo os privilégios machistas e a divisão da classe” – Cilene Gadelha – Lênin e a questão da Mulher

“Por isso é totalmente justo que apresentemos reivindicações em favor das mulheres (…). Nossas reivindicações se desprendem praticamente da tremenda miséria e das vergonhosas humilhações que a mulher sofre, débil e desamparada, no regime burguês.

Com isto mostramos que conhecemos estas necessidades, que compreendemos igualmente a opressão da mulher. Que compreendemos a situação privilegiada do homem e a odiamos – e queremos eliminar tudo o que oprime e atormenta a operária, a mulher do homem simples e, inclusive, em muitos casos, a mulher da classe acomodada. Os direitos e as medidas sociais que exigimos da sociedade burguesa para a mulher são uma prova de que compreendemos a situação e interesses da mulher e de que, na ditadura do proletariado, as levamos em conta.” – Lênin

Lênin e Nadezhda Krupskaia, sua esposa. Gorki, agosto de 1922.

Lênin e Nadezhda Krupskaia, sua esposa. Gorki, agosto de 1922.
O cenário mudou muito desde 64 para cá, foram lutas e lutas até chegarmos onde chegamos, ainda falta muito, mas estamos no caminho certo. Vamos continuar lutando pelo nosso lugar nessa luta que também é um direito nosso.

A ESQUERDA E A MULHER NEGRA – Uma Auto Crítica Necessária

Angela-Davis

Diante do contexto dos movimentos negro e feminista, vemos uma semelhança que permeiam ambos: a homogeneização de indivíduos participantes dos movimentos, logicamente que existe em teoria algumas vertentes feministas e do próprio movimento negro que que pautam questões especificas das mulheres negras, entretanto, na prática, dar voz política a estas mulheres dentro dos movimentos, é cada vez mais difícil.

Acredita-se ainda que mulheres negras que ganham destaque na sua bagagem intelectual são minorias, e que por este motivo, a coletivização da intelectualidade dessas mulheres devem ser delegadas único e exclusivamente por elas. Também pode-se ver em várias práticas de coletivos femininos, trabalhos físicos que são delegados só para mulheres negras e outros com menos intensidade física e mais esforço intelectual para as mulheres brancas. Os espaços mistos ainda tem sido bastante nocivo para as mulheres negras, estas ainda lutam fortemente para estabelecerem sua independência intelectual fora de um contexto de servidão e submissão; é ignorado a esta mulher que ela possui demandas muito maiores em sua maior parte das vezes, do que das demais mulheres.

As mulheres negras em sua massiva maioria são residentes das periferias, estão em situação de desemprego e muitas ainda sonham em sustentar sua carreira acadêmica mesmo com um contexto socioeconômico que lhes desfavorece, e paralelo a isto, ainda manter uma vida política ativa, oferecendo sua propriedade intelectual que é muitas vezes menosprezada ou delegada a falar unicamente de coisas que foquem no seu campo representativo; espaços de militância mistos ignoram que mulheres negras possam falar sobre economia, conjuntura política do século XX, direito, ciências sociais e quaisquer outros assuntos pertinentes a sociedade que não cabelo, racismo, empoderamento estético e apropriação cultural; a mulher negra não tem autonomia política para se expressar livremente caso ela tenha conhecimentos teóricos para além do racismo, mesmo que ela mostre uma clara gama de instrução sobre outras linhas de conhecimento.

aprendeufb_lelia_gonzalez

A militância das mulheres negras é paralela e conflitante à militância “genuinamente” (sic) de esquerda, não porque elas fogem das pautas estabelecidas por estes movimentos, mas porque as suas demandas são tão especificas, que são muitas vezes ignoradas e tratadas como histerismo e radicalismo extremo por parte dos indivíduos que não sofrem as suas demandas de opressão, seja estruturalmente, seja cotidianamente.

Enquanto mulheres, e em grande parte das vezes residentes da periferia; as mulheres negras possuem uma tripla militância didática todo santo dia para ser exercida. Ser mulher é ser violentada física ou sexualmente a cada 12 segundos no Brasil, ser negro, é ter 72% de chances de sofrer violência policial (sem precedentes), ser mulher e negra, é sofrer com a estigmatização da nossa cultura, da nossa aparência, é ter de construir todos os dias a nossa autoestima enquanto mulher, pois a nossa representação nos principais meios midiáticos é reduzida à cargos braçais pertinentes ainda ao peso do contexto escravocrata, como se a nós ainda fosse cabível apenas ocuparmos a estes locais; E o impacto gerado por essa estigmatização, atinge as mulheres negras em vários níveis; tangíveis e intangíveis, e dentro deste contexto, estão em diversas relações sociais e de trabalho que temos que enfrentar ao longo de nossas vidas.

Enquanto mulheres convencionais lutam contra o machismo, as negras duelam pra vencer o machismo, o preconceito, o racismo; Lutam pra reverter o processo de aniquilação que encarcera afros descendentes em cubículos na prisão.” – Eduardo Taddeo.

Temos no Brasil uma história que permeiam quase 400 anos de escravidão e pouco mais de 100 de pós escravagismo, por isso, ainda trazemos conosco o peso da hierarquização de raça como uma consequência histórica da construção da falsa democracia racial montada pelo estupro de mulheres negras escravizadas e mulheres indígenas; sem ignorar o processo cruel de embranquecimento do mercado através da imigração da mão de obra europeia para ocupar lugares que outrora pertenciam aos escravos, então livres; o embranquecimento da estética feminina, delegando às mulheres brancas, o posto de padronização e modelo de representação da beleza perfeita brasileira, e às mulheres negras o posto de subalternas deste processo, e que para que o preterimento não pesasse a ponto de um celibato e ostracismo social completo, era/é necessário a aproximação dos estereótipos de beleza da mulher branca, através do alisamento capilar, técnicas de maquiagem para afinar traços faciais, negação da auto declaração racial e etc.

A luta das mulheres negras não se resume apenas aos espaços de senso comum, mas a sua labuta diária é também inserida fortemente nos meios de militância, exigindo para nós, um exercício maçante e diário de desconstrução de indivíduos que teoricamente possuem um grau de consciência, ora de gênero, ora de raça e em pouquíssimos casos, inclui-se também, a consciência de classe.

A nós, a que fomos delegadas a inaptidão do abandono de nossas forças para suportarem as mazelas da vida; da falta de oportunidades; da falta de espaços de crescimento intelectual; do genocídio que atinge aos nossos e consequentemente a nós mesmas.

Se o socialismo tiver sempre a face branca, masculina e cisgênera; o socialismo jamais irá acontecer.

A revolução virá principalmente pelas mãos das mulheres pretas, ou não virá.

O feminismo e a cláusula de Barreiras.

O que temos a ver com isso?

2016-04-28

O feminismo é uma luta política que muitas vezes apresenta se desconectado das situações que se apresentam. Aparentemente o movimento só se une em volta de ataques diretos às mulheres sem perceber que existe entre linhas de processos que nos atacam de forma embutida e mascarada. É importante saber que qualquer ataque a democracia, qualquer cerceamento, silenciamento político, é um ataque também a nós todas, afinal deixamos de ter contato com opções e propostas que podem nos beneficiar e jogar do nosso lado e possa de quebra ressaltar e beneficiar conservadores que usarão tudo que estiver a seu favor para nos retirar direitos.

A clausula de barreira é um trâmite político que deve estar sobre nossas vistas.

A partir destas eleições esta em vigor a tal Clausula de barreiras que vem sendo tão falada nos últimos dias. A cláusula é prevista pela Lei dos Partidos Políticos (Lei 9096/95).

2016-04-281

Do que se trata?

2

Apenas terão pleno funcionamento parlamentar os partidos que obtiverem o mínimo de 5% dos votos para deputado federal no país e 2% em pelo menos nove estados. Os partidos que não cumprirem tais exigências não poderá eleger líderes na Câmara dos Deputados, formarem bancadas, participar da composição das mesas e indicar membros para comissões. Também perderão direito à maior parte dos recursos do fundo partidário e da propaganda eleitoral gratuita.

A Lei foi proposta com a falsa intenção de combater legendas de aluguel, porém a verdadeira motivação é de perpetuar no poder os mesmo partidos, esta clausula na verdade cria verdadeiros monstros conservadores travestidos de partido, fruto da junção de partidos menores com os maiores, fortalecendo partidos reacionários.

A cláusula de barreiras não cumpre a função de combater partidos de alugueis, o PMDB apesar de ter uma representação expressiva é também um partido de aluguel e não será afetado. E a idéia proposta de que isso combateria os corruptos não passa de história para boi dormir, afinal 35 dos 72 parlamentares envolvidos no escândalo dos sanguessugas e 13 dos 19 mensaleiros estão nos grandes partidos, que cumprem as metas da cláusula.

A eliminação da clausula de barreira é uma vitória democrática dentro dos marcos da democracia burguesia.

Em outros períodos da nossa história política esta famigerada cláusula apareceu também, porém, desde 1988 estamos livres dela, que vigorou em épocas diferentes, cumprindo diferentes requisitos para participação das eleições:

Em 1950, o Código Eleitoral previa que o partido que não conseguisse fazer um representante no Congresso Nacional ou não alcançasse pelo menos 50 mil votos teria seu registro cancelado.

Nos tempos da ditadura, a regra endureceu. A Constituição de 1967, no artigo 149, inciso VII, estabelecia a extinção dos partidos políticos que não atingissem: a) 10% dos eleitores votantes na última eleição geral para a Câmara dos Deputados, distribuídos em 2/3 dos estados, com o mínimo de 7% em cada um deles; b) 10% de deputados em pelo menos 1/3 dos estados; c) 10% dos senadores. A intenção era evitar a existência de partidos políticos contrários ao regime militar.

A cláusula de barreira volta a ser fomentada no governo de FHC, trazendo para nós um retrocesso a um período autoritário,resgatado diretamente do período mais antidemocrático da nossa história: A ditadura militar. Para ilustrar o cenário, em 1982, o PT elegeu oito deputados federais e 1,7% das cadeiras da Camara dos deputados. Se na época houvesse esta lei,não passaria na cláusula e nunca teria chegado onde chegou.

A Clausula de barreiras nada mais é do que uma forma de impedir que fortaleça se os partidos ideológicos como PSTU e PCB e apesar de terem votado a favor da Clausula de barreiras, até o PSOL esta sendo barrado de expor suas idéias em debates televisivos, com o é o caso da BAND, com base nesta lei. É importante ressaltar a grande traição do PSOL a esquerda, um jogo sujo para tirar do pário os partidos com menos representação e obrigá-los ou a exclusão ou aliar se a ele. Porém, nem tudo deu certo ao PSOL, não alcançaram a meta de uma grande adesão dos partidos em coligações que o fortalecesse e ainda perdeu espaço com base na lei que os parlamentares deste partido, juntinhos com Eduardo Cunha, ajudaram aprovar.

A contrário do PSOL que pensou em aproveitar se desta lei para beneficiar – se eleitoralmente, nós acreditamos que todos os partidos devem ter espaço garantido em todas as instancias democráticas a fim de que o povo decida-se qual a melhor opção para administração do país. Questionem-se sempre, por que estão silenciando partidos, obviamente não querem que as pessoas conheçam suas propostas e denúncias. Quem não deve não teme. Abaixo já a cláusula de Barreiras, queremos todos os candidatos nos debates e com igualdade de ação quando eleitos.

A importância para nós feministas do conhecimento de todo este processo é principalmente saber que os partidos que mais nos apóiam em nossas lutas, são os que estão sendo retirados dos espaços de divulgação de seus programas.

 

A Esquerda na Direita do direito dos LGBTQI

Eu sou Helena, nova colaboradora do blog Feminismo sem Demagogia. Eu sou uma mulher transexual. Vou aproveitar este espaço para dialogar com todos e todas, sobre as questões e pautas Transfeministas fazendo o recorte de raça e classe, pelo viés da vertente Marxista.

13957400_640191912817016_260756691_n

Vou falar um pouco do cenário que conheço das lutas contra opressão, cenário do qual me afastei devido a intolerância da militância sobre o que eu sou, Mulher.

 Transicionei a 3 anos e a 3 anos sobrevivo nesse sistema que nos faz cada vez mais ir a margem da sociedade. Ser mulher trans no Brasil é viver com as seguintes estatísticas nas costas: 90% da população de mulheres trans e travestis estão na prostituição, que a expectativa de vida é de 33 anos, eu tenho 28 e o resto da população é de 73,62 segundo o IBGE (IBGE, 2012), a estimativa é de 43% de tentativas de suicídio entre pessoas trans, enquanto a média de suicídios bem sucedidos é 4,8 a cada 100 mil habitantes. É assim que ando e perpasso a vida com essas expectativas nas costas. Dados como esses são bem raros porque somos tão exclusas que nem em estatísticas estamos.

Direitos são negados diariamente a pessoas trans: uso do nome social como forma de evitar constrangimentos nos atendimentos e contatos entre pessoas, negação de direito a uso do banheiro de acordo com o gênero, agressões físicas e verbais.

Ao longo dessa caminhada os “compas” que me deparei ou fetichizavam minha identidade ou ainda ignoravam totalmente o fato de eu ser uma mulher. Um mulhertrans, mas trans é só mais um adjetivo. Posso ser bonita, legal, trans, cis. Mas antes de tudo sou mulher, pra eles eu era a trans.

As pautas então eram novidade, não sabem como o processo todo é burocrático e como o Estado brasileiro através de seus protocolos e falta de leis dificulta ainda mais a vida de qualquer LGBTQI. Não existe lei no Brasil que garanta que eu consiga mudar de nome, vai do juiz assim como gênero nos documentos.

Obviamente que não generalizo e muito pelo contrário encontrei pessoas muito boas e que tinham algum real conhecimento da realidade de ser trans/travesti. Mas de fato a maioria não sabe o que é, e isso me preocupa porque como minoria, quem são as LGBTQI e ocupam quanto nessa fatia de minorias, além de isso se intersecionar com outras minorias.

Não sabemos.

Enquanto um grupo de luta for deixado pra trás sem pensar em suas necessidades de cada letra que forma as LGBTQI, é um grupo a menos na derrubada do capitalismo.

E ahhh meu bem somos muitos e muitas por aí viu?!

Bora lutar nesses 5 anos de expectativa de vida que me restam segundo a expectativa de vida de pessoas trans e travestis.

“Camila Camila”

Um grito de denuncia contra a violência machista.

Passei os últimos dias ouvindo uma música e refletindo sobre o entorno dela, a música é “Camila, Camila”,lançada em 1985, da banda Nenhum de nós, composta por Thedy Corrêa. Uma das minhas conclusões foi que o discurso feminista de que os homens não podem ser aliados da luta pelos direitos das mulheres, lançando uma enorme polêmica se homens podem ou não ser chamado de pró-feminista, perde completamente o sentido quando encontramos homens sendo aliados da luta.

speak-movie-kristen-stewart-7224254_zps9ef65062

Imagem do filme “O Silêncio de Melinda”

Esta música é uma denúncia a respeito da violência machista contra as mulheres e os compositores mostram – se sensíveis a toda situação, a voz de Thedy, possui uma dor sentida, revolta com a sensação de impotência. Quem ouve a música e já esteve ou está em situação semelhante sente se convidada a sair, ao cantar o refrão, Thedy chama Camila a despertar e a reagir.

Confuso? Um homem transmitir este tipo de sensação de força a uma mulher sendo ele parte do grupo de humanos que replica e dissemina atitudes machistas? Ele não sente na pele, não é o “lugar de fala” dele, mas ele consegue transmitir toda tragédia que é a violência que o machismo nos submete, como isso pode ser?

Resposta: Exercendo a empatia que sente pela mulher oprimida, sendo consciente do machismo, renegando e repudiando a violência contra a mulher.

Outras reflexões sobre a música, fortalece a idéia de que ela  merece ser lembrada, numa época que nada era dito sobre violência física e sexual contra mulheres, “Camila Camila” vem à tona e emplaca como um HIT de sucesso, ficando em primeiro lugar nas paradas das rádios por vários meses. Quem era adolescente naquela época lembra-se, com certeza.

Em entrevista para MTV  o vocalista da banda Nenhum de nós explicou a música. Após ler a explicação notei que passei grande parte da infância e adolescência cantando esta música sem entender sobre o que ela falava, a compreensão só chegou a mim a poucos anos, 3 anos talvez, por que após ser vitima de violência física e psicológica, ouvi-la começou  fazer sentido.

1 speak algoz (1)

É sobre uma adolescente de 17 anos que esta em um relacionamento abusivo e sofre violência emocional e física. Segundo o vocalista da banda, foi inspirada em fatos reais do ano de 1985, quando os rapazes da banda teriam tido contato com uma colega de escola que vivia um relacionamento com um namorado violento, eles questionavam – se por que ela se submetia aos maus tratos e tantas situações constrangedoras, e assim quiseram fazer esta canção para Camila e para as mulheres que sofriam violência.

Captura de tela inteira 07082016 183119.bmp

Trecho da entrevista a MTV do vocalista Thedy:

 “A música Camila, Camila veio de uma história real de uma menina que a gente conhecia na época (1985). Ela estava passando por uma situação de abuso e violência com o namorado. Acho importante num país como o Brasil fazer músicas desse tipo. Aqui é mais confortável fazer letras que estimulem o sexismo ou utilizem violência como ingrediente. Na real, acho que ninguém fala de abuso porque não vende. A questão está no que cada um acredita e quer.”

Na contramão de “Camila Camila” que era muito progressiva, músicas que exaltavam ou naturalizavam a violência contra mulher eram a temática mais presente, encontradas em todos os estilos, tais como:

1985 – Ultraje a Rigor.  Música: “Ciúme” que fala de um homem tentando levar uma vida “moderninha”, de “não ser machista e não bancar o possessivo”, porém existe um fracasso na tentativa, ironizando a opressão contra a mulher e fazendo parecer que é “natural” do homem tratar as mulheres com machismo.

1986 – Camisa de Vênus. Música: “Silvia Piranha”, a música toda é uma degradação a mulher, mas uma parte dela diz “Todo homem que sabe o que quer, Pega o pau pra bater na mulher”.

1987 – Chitãozinho e Xororó, Fogão de Lenha , tem um refrão imperativo: “Pegue a viola/ e a sanfona que eu tocava/ Deixe um bule de café em cima do fogão/ Fogão de lenha, e uma rede na varanda/ Arrume tudo mãe querida, que seu filho vai voltar”. A música romantiza o papel da mãe/ mulher como cuidadora, uma empregada não remunerada que cumpre ordens do filho e isso a faz feliz.

1982- Roberto e Erasmo Carlos. “Mesmo Que Seja Eu”.  A música diz  “Você precisa é de um homem pra chamar de seu / Mesmo que esse homem seja eu…” A mulher é inferior, fraca, incompleta, ela precisa de um homem para sua vida ter sentido. Este tipo de romantização da inferioridade da mulher frente ao homem, é um dos motivos do por que as mulheres demoram tanto para sair de relação abusivas, elas acreditam que precisam de um homem para serem felizes e precisavam fazer de tudo para dar certo a relação, mesmo quando estão sendo destruídas pelo companheiro. “Mesmo que seja eu” a música diz. Mesmo que não seja como ela queria que fosse, ela tem que aceitar o que tiver.

Músicas como “Camila Camila” são muito importantes para a identificação do quadro de violência, para fomentar o debate sobe machismo. Na época do lançamento da musica, com o seu sucesso, a MTV fez uma pesquisa e somente esta canção abordava esta temática, talvez o ultimo defensor da mulher,contra a violência machista tenha sido Cartola, em 1950, com a música “Vou contar tintim por tintim. A música relata a mulher agredida que se revolta e procura justiça:

 “Eu fui tão maltratada / Foi tanta pancada que ele me deu / Que estou toda doída / Estou toda ferida / Ninguém me socorreu / Ninguém lá em casa apareceu / Mas eu vou ao distrito / Está mais do que visto/ Isto não fica assim / Vou contar tintim por tintim / Tudo nele eu aturo / Menos tapas e murros / Isto não é para mim”.

Vamos á música?

“Camila, Camila”

Depois da última noite de festa

Chorando e esperando amanhecer, amanhecer

Nesta parte da música, pelas testemunhas oculares, Camila foi a uma festa onde foi maltratada publicamente pelo namorado, ela esperava, chorando, amanhecer para ir embora,

As coisas aconteciam com alguma explicação

Com alguma explicação

Todos os maltratos e violências são sempre por algum motivo. Normalmente a mulher se culpa, acreditando que fez algo para que o homem tenha se descontrolado e praticado os abusos. Eles mesmos apontam motivos em nossa postura para justiçarem se. Sempre há uma explicação, hoje em dia a mais comum é a de que eles estão passando por processos de depressão, algum  transtorno psiquiátrico.

Depois da última noite de chuva

Chorando e esperando amanhecer, amanhecer

Outra noite e madrugada de violência, Camila passa a noite chorando e esperando. Neste trecho eu me vejo. Na ultima vez que meu ex-marido me tratou com violência, ele simplesmente trancou a casa toda e com as chaves em seu poder ele queria me obrigar a conversar com ele sobre nosso relacionamento, depois de eu ter dito a ele que queria o divórcio, eu estava exausta e ele mantinha as luzes acesas e me impedia dormir, sentado no meio da cama ele dizia que “eu teria de conversar com ele”, até que ele montou sobre mim e com minha mão ele desferiu vários golpes no seu rosto, meu pulso abriu com a força empregada… Ele só parou quando me ouviu chorar. Chorei a noite e madrugada toda, com medo dele, esperando amanhecer para pedir socorro.

Às vezes peço a ele que vá embora

Que vá embora

Nesta parte Camila esta desesperada, ela quer dar fim a esta situação, ela pede para ele ir embora, pois não suporta mais tanto sofrimento.

Camila

Camila, Camila

O Clamor pelo nome da Vitima, é como se quisessem chamá-la para fora do ciclo de violência. Uma forma de pedir a ela que liberte – se, que peça ajuda…

Eu que tenho medo até de suas mãos

Mas o ódio cega e você não percebe

Mas o ódio cega

E eu que tenho medo até do seu olhar

Mas o ódio cega e você não percebe

Mas o ódio cega

Camila tinha medo de quando ele a tocava tinha medo do seu olhar, ela sabia qualquer coisa que ela fizesse e desagradasse a ele, o ódio o cegaria de tal forma que não exitaria em agredi-la, ele movido por um ódio que o cega, nem percebe que esta destruindo a vida da mulher. Camila já entende que ele não ama, que o que ele sente é ódio e posse.

A lembrança do silêncio

Daquelas tardes, daquelas tardes

Camila se cala a respeito das agressões, ela não consegue pedir ajuda esta completamente fragilizada e enfraquecida… Um sofrimento calado, escondido e contido, muito comum em vitimas de violência.

Da vergonha do espelho

Naquelas marcas, naquelas marcas

Camila tentava esconder as marcas da violência em seu corpo, ela sofria já com danos emocionais e psicológicos que a impediam de olhar se no espelho.

Esta parte da música me traz a lembrança de mim, quando ele me agrediu, mordendo meu braço e deixando uma marca no antebraço que cobria o quase todo. Eu entrei no banheiro e passei base para tentar cobrir, não adiantava, não cobria, sentei na sala, de tão desequilibrada com a situação, me passou pela cabeça ir à cozinha, pegar uma faca e cortar a parte do braço com aquele hematoma. Eu entendo a Camila…

Havia algo de insano

Naqueles olhos, olhos insanos

Os olhos que passavam o dia

A me vigiar, a me vigiar

Os olhos dele que a vigiavam, fiscalizando a vida de Camila, olhos em que ela reconhecia uma insanidade, olhos que veriam motivo para agredi-la por qualquer motivo que fosse e os olhos que lhe impunham submissão.

É comum a vitima de violência confundir a misoginia e o machismo com insanidade, eu Tb acreditava que eram problemas psicológicos, ate que um dia um amigo meu me disse “Você acha que ele é louco? A loucura dele o faz bater em homens também?”

Camila

Camila, Camila

Camila

Camila, Camila

E eu que tinha apenas 17 anos

Baixava a minha cabeça pra tudo

Esta parte da música eu acredito que seja digna de uma nota de destaque. Camila era só uma adolescente, ela não teria nem experiência e nem vivência para identificar o que estava lhe acontecendo, os adolescentes lidam com seus dilemas com o que podem e não será com a mesma plenitude que um adulto, afinal de contas, desenvolver estratégias e soluções para sair de um problema quando se tem o cérebro completamente formado e quando ainda o tem em formação, é bem diferente. A música não fala, mas se o namorado de Camila fosse um homem mais velho, a facilidade em manipular a vitima seria muito maior.

Desta forma, Camila seguia submissa, baixava sua cabeça para tudo, sem condições de enfrentá-lo e denunciá-lo.

Era assim que as coisas aconteciam

Era assim que eu via tudo acontecer

E era assim que as coisas aconteciam para Camila, era assim que a testemunha ocular via tudo acontecer. Infelizmente, na época de Camila não existia a lei Maria da Penha para que Thedy e os outros integrantes da banda pudessem ir à delegacia da mulher e fazerem a denuncia por ela, naquela época o que eles puderam fazer, foi denunciar através da música.

 

A História da Policia Militar explicando a quem ela serve

pm-erick-dau

Por Gleide Davis e Verinha Kollontai

A Policia Militar tem figurado casos de violência contra cidadãos e estes casos têm ganhado grande repercussão nas redes sociais, nas mídias virtuais e até mesmo em alguns noticiários televisivos. Os casos são os mais variados, em todos eles, a mídia noticia como se a policia tivesse agido de forma acidental, tirando das costas dos policiais militares a culpa pela morte e agressões a cidadãos, numa tentativa de esconder para que serve e a quem serve a Policia Militar.

Em 2013, o Anuário de Segurança Publica confirmou que para cada dez mortes violentas evitáveis no mundo em 2012, uma ocorreu no Brasil. O perfil dos homicídios no Brasil é caracterizado especialmente por homens negros, jovens e pobres. Segundo o IPEA para cada 100 mil habitantes, contabiliza de 36 mortes de pessoas negras enquanto pessoas “não negras” contabilizam se 15,2%. Além disso, temos a maior população carcerária do Brasil, os presos são em sua maioria jovens com idade entre 18 e 29 anos, 61% são negros e pardos, ou seja, o trabalho da policia e da justiça brasileira tem sido feito contra um grupo especifico da nossa população e não é contra os ditos “não negros”. A impunidade é reconhecidamente um direito reservado para os ricos e brancos, para negros, pobres e periféricos, resta à morte informal ou o sistema prisional e toda sua barbárie.

Luana, Vânia, Claudia, Amarildo… A lista é enorme. Todos mortos pela policia, todos negros, pobres e periféricos.

A quem a Policia serve?

A Policia militar serve à classe dominante, existe para a finalidade de proteger aos ricos, o seu Estado, os seus símbolos de poder, o seu regime, que no caso do Brasil é a democracia burguesa.

O próprio histórico da policia militar mostra para que foi criada. A Policia Militar não foi criada na época da ditadura como muitos pensam, ela foi criada no século 19 quando Dom João VI chegou ao Brasil, tendo a Guarda Real de Policia de Lisboa permanecido em Portugal, foi necessário a criação do seu equivalente por aqui. Já tinham uma estrutura militarizada desde sua criação com companhias de infantaria e cavalaria. A Função da policia militar era desde sua invenção a proteção da classe dominante, que naquele período eram monarcas e nobreza, contra aqueles que de alguma forma insurgissem contra eles colocando em perigo seus privilégios.

No período da ditadura o que acontece é uma reestruturação da Policia militar que passa a ser subordinada ao exército. As policias militares estaduais, desta forma, passaram a ser comandadas por oficiais do exercito e foram usadas como arma de combate a todos que levantavam se contra a ditadura. Existe aqui a continuidade da razão pelo qual ela foi criada, a proteção da classe dominante, do seu Estado, dos seus privilégios, e para isso esteve e ainda está autorizado uso de treinamento militar para combater civis que rebelam se contra o sistema, como se fossem inimigos. De lá para cá, nada mudou a não ser a quem se subordina a Policia Militar, que agora reporta – se diretamente ao Governador do Estado.

download

No Estado de São Paulo o autoritarismo é motivo de orgulho para a corporação, no brasão que a representa existem 18 estrelas. Você sabe o que significa estas estrelas? Vou te contar: golpe militar de 1964 (chamado “Revolução de Março”) e a repressão à revoltas popula­res, como à greve de 1917 e o massacre de Canudos. Como você pode perceber, momentos “memoráveis” em que a classe dominante conseguiu esmagar revoltas contra seu sistema injusto e excludente. A força policial é um instrumento da burguesia, fundamental, para conter os jovens e trabalhadores que se insurgem contra ela.

REPRESENTATIVIDADE – A presença de indivíduos de grupos oprimidos dentro da corporação 

15231633

Manifestantes NEGROS falam com policiais NEGROS, presentes a manifestação por morte de jovem NEGRO pela Policia norte americana.De que lado eles, os policiais, estão?

Mesmo com mudanças na ementa de leis do código penal brasileiro que teoricamente protegem a moral física e psicológica das mulheres, o número de casos de violência contra a mulher aumentou nos últimos anos; entre N fatores estruturais que influenciam a ocorrência, muitos casos noticiados mostram que já haviam uma grande número de registros de boletim de ocorrência por parte das vítimas; mostrando uma clara apatia e falta de efetividade no treinamento desses ditos “profissionais” para receber mulheres vítimas de crimes em especifico.

Outro gritante aspecto da polícia militar é a responsabilidade pelo genocídio da população negra nas periferias não só brasileiras, mas do mundo inteiro. Vemos casos de pessoas negras que foram assassinadas por abuso de poder de um policial; que tiveram suas vidas ceifadas por estarem segurando objetos como pipoca, ferramentas, etc; policiais que alegam que crianças de 10 anos (o menino Eduardo) os assustaram e por isso atirou “sem querer”; quantos jovens e crianças brancas de classe média são assassinadas diariamente por algum desiquilíbrio ou confusão mental de um policial? Segundo o mapa da violência de 2013, morrem 153% mais negros do que brancos vítimas de violência no Brasil, negros são 71,4% nas vítimas de homicídio.

Temos claramente uma separação de classes ditadas por raça no país, e quem aclama essa separação fazendo o trabalho sujo por meio da força amada, é a polícia militar. Os números de violência contra a mulher, contra a população negra e contra a população LGBT só cresceram nos últimos anos, mesmo que a PM registre um aumento significativo de indivíduos negros e mulheres no seu corpo de funcionários, mesmo com políticas de apoio as mulheres e com um forte apelo de movimentos sociais para pressionar o estado a mudar leis criadas na pós ditadura que só beneficiam os indivíduos que não precisam de leis, porque a sua posição social e poder monetário os colocam acima delas.

“Militantes sagram, denunciando a injustiça seletiva

Que criminaliza, condena, dizima a população empobrecida

A Síria se assustaria com 8 carros funerários

Saindo do mesmo bairro, no mesmo horário

Em uma semana os protetores dos “Lords” brancos

Matam mais que a ditadura em 20 anos”

Eduardo Taddeo

Não devemos entregar nossas demandas sociais urgentes ou não, na mão dos instrumentos de poder da burguesia, não devemos nos iludir ao pensar que a representação negra e feminina dentro da corporação militar irá diminuir gradativamente uma demanda de opressões e violências que são de encargo de toda uma corporação que desde o treinamento de iniciação até o percorrer das suas práticas, tem como alvo principal, a população negra, periférica, travesti; que guarda apatia, rechaço e deboche para com a violência contra a mulher e salvaguarda a vida da população classe média, mesmo que essa cometa os mesmos crimes que qualquer cidadão periférico.

Sobre o assassinatos de homens negros nos Estados Unidos e a revolta seletiva dos corservadores

Captura de tela inteira 10072016 161502.bmp

Vamos analisar o que é racismo empregado no nosso dia a dia:

– Dois homens negros são mortos pela policia norte americana.

CASTILE – Era um dos homens estava dentro de seu carro com sua namorada, ele foi abordado pela policia por motivo de (ser negro, por que não havia motivo), foi solicitado a ele sua identificação, ele estava procurando dentro de sua bolsa e avisou o policial que estava portando uma arma de fogo, por que ele, assim com o qualquer cidadão norte americano, tem direito a ter. O policial ordenou que ele levasse às mãos a cabeça e sem esperar que ele obedecesse disparou quatro tiros que o mataram. O fato ocorreu e Mennisota.  (Assista aqui, o video que a namorada dele fez no momento do assassinato https://www.youtube.com/watch?v=HNCbgJ55jQY)

STERLING- Um homem negro de 37 anos, que morreu na terça-feira em Baton Rouge (Luisiana) após uma ação envolvendo dois policiais brancos, incidente que foi gravado e que provocou vários protestos. O homem que numa ação policial já estava imobilizado, teve uma arma apontada para sua cabeça seguida de um tiro que tirou sua vida.(Assista aqui:https://www.youtube.com/watch?v=pdGXhSQvTKc)

 

Estes casos seriam mais um dos tatos casos que ocorrem por ai todos os dias e ficariam sem protesto por manterem se desconhecidos da população, se não tivessem sido filmados e postados na internet causando grande comoção.

Além de todo racismo impregnado nestes dois casos, pois está óbvio que a ação policia foi truculenta contra dois homens que não ofereciam perigo, e nós não temos noticias de ações deste porte contra pessoas brancas, certo? Certo. Temos ainda o fato de que estes dois acontecimentos ficaram completamente ofuscados quando um homem negro surge dos protestos das pessoas negras contra o racismo da policia norte americana, e mata cinco policiais.

Não é minha intenção de forma alguma admitir que exista desculpa para o fato de matar cinco pessoas, afinal a lei deve punir os culpados por crimes com a mesma proporcionalidade, sabemos que isso não acontece, principalmente se a pessoa for negra, mas para impedir que os conservadores racistas venham me encher os ovários, de antemão digo, ele é culpado por ter matado os cinco policiais, porém, não teria isso justificativa?

O homem que atirou nos policiais serviu as forças armadas norte americanas por anos e lutou por seu país contra o “inimigo”, mas dentro do seu próprio pais, ele não retorna como herói, ele é o inimigo a ser combatido, assim como qualquer outro homem da mesma cor que ele. Sentir se e ser tratado como inimigo por que sua cor de pele não é a mesma da classe dominante, é cruel e mexe como a sanidade de qualquer pessoa.

Quantas pessoas negras morreram dentro das fronteiras dos Estados unidos assassinadas por policiais? A proporcionalidade seria a mesma para a quantidade de policiais BRANCOS mortos por pessoas negras?

Neste ano, nos Estados Unidos, 70% dos policiais assassinados, não foram mortos por pessoas negras fãs da Beyonce, não foram mortos por pessoas membros de gangues latinas, eles foram assassinados pelos homens de bem, os bons e queridinhos da America, os homens brancos.

Você já viu um clamor imenso e poderoso por que um homem branco matou um policial? Você já viu passeatas nos Estados Unidos por que homens brancos assassinaram policiais?

O Racismo esta é transformar em clamor coletivo por justiça quando o crime é cometido por um individuo pertencente a uma minoria oprimida, fazendo o crime cometido por ele, tornar-se num crime que qualquer pessoa daquele grupo poderia cometer. Havia uma multidão de negros protestando pacificamente, apenas um saiu do contexto e pratico homicídio, mas a partir dali todos os negros passam a ser passíveis de cometer o mesmo ato.

Isso não acontece com pessoas brancas, vamos dar um rolê na América do norte:

Em Fevereiro quando os policiais estavam protestando contra a Beyoncé, 7 dos 8 policiais que haviam sido mortos até aquele momento haviam sido mortos por homens brancos, por que eles não estavam protestando contra estes homens e exaltando inclusive a cor da pele dele? Estes brancos assassinos de policiais acho que nem deveriam curtir Beyonce, nem seriam inflamados por ela a cometer algum crime… Só acho…

Curtis Ayers, já ouviu falar dele? Ele é um homem brancos que, atirou e matou Brad Lancaster, veterano das forças armadas, pai de dois filhos. Viram manifestações dos conservadores contra este crime?

Lincoln Rutledge, um homem branco, assassinou o oficial, Steven Smith, que também era pai de dois meninos e casado. Onde estaria à ala conservadora em favor da família e que defende a vida dos valorosos policiais quando um homem branco mata outro homem… Branco?

Você não vê estrondo, e nem grandes mobilizações, muito menos verá discursos inflamados contra a violência cometida contra as forças armadas e policiais em nenhum destes casos por que não trata se de rostos negros estrelando assassinatos, e sim rostos brancos que devem ser poupados para que o estereótipo de inimigo da população mantenha se sobre as pessoas negras, crimes cometidos contra pessoas negras são expostos e dramatizados para comoção pública a fim de conservar e reafirmar os estereótipos racistas contra esta parcela da população.