“Esquerda branca” Não! Mais respeito com as Negras (os) da esquerda!

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Nós, mulheres negras, feministas e marxistas lutamos pela igualdade de todos e pelo fim da exploração e consequentemente pelo fim do racismo, machismo e lgtfobia, não podemos deixar de nos manifestar a respeito do texto que vem circulando na rede, que faz a critica a esquerda referindo se a opinião expressa a respeito de representatividade, onde acusa-se de ser “parte da esquerda branca” quem tem levantado a questão “Que tipo de representatividade importa”? Reivindicamos este questionamento e admitimos que não trata -se de uma parte da “esquerda branca”, mas sim negros e negras comunistas da esquerda revolucionária.

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Shirley Raposo – Administradora da página Feminismo sem demagogia – militante da esquerda no Ato “Fora Cunha!”

Nós existimos e partimos nossa análise de um outro ponto daquele que este texto que tem circulado pela rede defende. Para nós a questão negra está profundamente enraizada na estrutura social capitalista, não apenas regionalmente, mas internacionalmente, para nós somente a destruição das relações de classe existente com o poder sendo entregue a classe trabalhadora, classe esta que produz toda riqueza, atacará a raiz do problema.

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Joyce – Administradora da página Feminismo sem demagogia – militante da esquerda na Marcha das Periferias contra o genocidio do povo negro.

As mulheres negras trabalhadoras da esquerda comunistas estão na luta não é de hoje, muitos ativistas que hoje negam nossa existência e importância para luta, reivindicam Angela Davis, que foi uma revolucionária comunista integrante do partido conhecido como Panteras Negras e que teve sua luta e efeitos dela conhecido mundialmente.

Aliás, para que conste, Tratar a esquerda como “branca” é negar a luta de camaradas negros comunistas como:

– Samora Machel
– Paul Robeson
– Tereza Santos
– Diva Moreira
– Edna Roland
– Claudino José da Silva
– Minervino de Oliveira
– Frantz Fanon
– Abdias do Nascimento
– Solano Trindade
– Mumia Abu-Jamal
– Huey Newton
– Angela Davis
– Thomas Sankara

Nossa tradição Marxista teve suas falhas sim, mas os revolucionários da Revolução de Outubro demonstraram preocupação com o povo negro e reconheciam neste povo parte importantíssima da luta para emancipação do proletariado.
O avanço das pautas do movimento negro esta intimamente ligada as organizações de esquerda.

Se hoje temos os capitalistas dobrando – se para produção de bonecas negras isso deve se a a luta das mulheres negras, e somos nós parte desta conquista.Por conta da nossa militância diária que há décadas tais conquistas tem sido alcançadas. Portanto, não é vitoria reafirmarmos uma boneca desenvolvida para o lucro do patrão através de mãos negras e proletárias, mas sim que a nossa luta tem mudado a sociedade. Porém, enquanto ainda há exploração não há libertação da mulher negra. Por mais que TODAS as prateleiras estejam com bonecas negras, somos nós que ali estamos nas fábricas gerando lucro ao patrão.

Ressaltamos ainda que por detrás da fabricação desse produto, não estamos exercendo o direito que a tal representatividade caberia, portanto, a teoria de que a representatividade é abrangente não é tão verídica, tendo em vista que a representação capitalista oprime tanto quanto ou mais as crianças que ao invés de brincar, muitas vezes. precisam trabalhar. pra contribuir no sustento dessas famílias. A representatividade que importa, deve ser aquela que deve atingir a todas as camadas de classe da sociedade, logo, a representatividade não deve estar inserida e muito menos dependente do consumismo gerado por esse sistema.

Concluímos este texto reivindicando nosso lugar e voz na luta pela libertação do povo negro, exigimos respeito dos outros seguimentos da luta, que não nos tratem como “enbranquecidos” nem como “manipulados”, pois não estamos na luta de hoje e não pode ser nossa posição divergente motivo para sermos desqualificadas com ofensas e desonestidade. Sobre a militância da esquerda que é branca, sabemos que para a militância branca da esquerda é muito mais fácil, já que não tem a opressão do racismo em suas costas e reivindicamos a nossos camaradas que revejam constantemente seus privilégios e atuem conosco respeitando a nossa luta e protagonismo.

Assinam este texto as administradoras da pagina Feminismo sem demagogia – Original, mulheres negras, marxistas, da esquerda revolucionária.

Carolina Vitória
Gleide Davis
Joyce Camila
Shirley Raposo

Estupros x Xenofobia aos refugiados na Alemanha

Por: Verinha Kollontai

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Na Alemanha o caso dos estupros cometidos por refugiados traz de volta a velha conhecida dos tempos do Reich, a xenofobia. Já faz alguns dias que temos sido cobradas a nos posicionar sobre este assunto, inclusive alguns grupos reacionários vem acusando o movimento feminista de calar – se por tratar se de “homens de um grupo que elas gostam”.

Para quem não sabe do que se trata, na noite de Reveillon de 2015/2016 Segundo a BBC, cerca de mil homens agiram de forma coordenada para assediar e roubar múltiplas vítimas. A polícia recebeu ao menos 90 denúncias de mulheres que foram assaltadas, assediadas e atacadas sexualmente, incluindo uma acusação de estupro, na noite de 31 de dezembro. Uma da vitimas relatou que eles dividiam se em grupos de 5 homens para proceder os ataques. Houveram relatos realmente horrorosos, como de uma multidão de homens na frente da estação de trem abusando das mulheres, tocando seus corpos, sem chance nenhuma de defesa das mesmas ou de seus acompanhantes. Até dia 8 de Janeiro havia 120 denuncias de estupro, segundo o periódico El pais.

Bom…

Em Primeiro lugar nós não toleramos machismo, esteja ele onde estiver. Se um homem oprimido seja por questão de classe, raça, sexualidade ou identidade de gênero cometer uma violência machista será constrangido e repudiado. Não existe a possibilidade de defendermos homens de grupos oprimidos quando em flagrante de machismo. Que fique claro.

Em segundo lugar, quem estupra não são os refugiados, são homens socializados em uma cultura machista, ou será que os dados estatísticos de estupro da Alemanha eram nulos até a chegada dos refugiados? Não eram, tanto que dados de 2009, demonstram que foram notificados cerca de 7.314 casos de estupro, uma taxa de 9 para cada 100.000 pessoas. 96,1% das vítimas eram do sexo feminino. Somente em 1997 foi reconhecido como crime o estupro conjugal, ou seja a cultura do estupro esta lá entre os alemães também logo, tratar como se este crime estivesse vinculado a este grupo por serem REFUGIADOS por si só já demonstra xenofobia.

Para prosseguir é preciso constatar que existe uma tendência de associar fatos ocorridos na sociedade de modo generalista há um grupo oprimido. Por exemplo: Drogas x periferia, como se a classe dominante não se envolvesse nunca em delitos tais, e sabemos que isso é um a grande mentira contada para jogar a sociedade contra aquele grupo oprimido deslegitimando suas pautas. O ódio aquele grupo passa a ser o clamor e não sua libertação.

Dito isso, sigo analisando que…

Se bem me lembro a Alemanha estava numa dúvida cruel se abriria ou não as portas para os imigrantes e dai chegou a conclusão que abriria sim por que chegariam muitos técnicos de nível médio, para trabalhar em postos que os alemães não queriam trabalhar, e só para lembrar que, a xenofobia é uma forma eficaz de rebaixar salários, inferiorizar pessoas, tratando as como subclasse de seres humanos.

Nós como marxistas não acreditamos em natureza humana, não acreditamos que os homens sejam estupradores em potencial, que estuprem por ter um pinto, que estuprem por que são irracionais quando o assunto é sexo, acreditamos que é uma construção social misógina, que as condições para esta construção são dadas pelo mundo patriarcal, machista e capitalista, formulando seres humanos desprovidos de empatia e com a falsa compreensão de superioridade que os faz ver nas mulheres objetos que existem ao seu dispor. Homens estupram mulheres por que não a veem como suas iguais, mas com seres humanos inferiores isto é ensinado a eles e não há fronteiras que limitem este aprendizado da masculinidade.

Só para exemplificar o que estou falando sobre xenofobia, a extrema direita lançou um logotipo, parece um bando de brancos (sim sei que são verdes) perseguindo uma MULHER negra (que parece tratar se de uma refugiada?). Racismo e misoginia justificado, mas quem estuprou as mulheres alemãs foram homens não é mesmo? Por que uma camiseta com um logo mostrando uma mulher? Seria o pedido de um revide? Estupre as mulheres deles também?

Outro exemplo, ontem(29/01/2016), um centro de refugiados foi atacado com uma granada, lá estavam homens, mulheres e crianças, ao todo 176 pessoas, entre as quais poderiam estar alguns culpados dos crimes cometidos no reveillon, ou não.

É ÓBVIO que toda agressão machistas contras as mulheres deve ser repudiada, por todo o movimento feminista de todas as vertentes, aguardamos providências da Alemanha contra os culpados cabíveis por lei, e reiteramos que não compactuaremos com xenofobia.

Dia da Visibilidade Trans

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Hoje, 29 de janeiro, é Dia da Visibilidade Trans. Infelizmente, recebemos há poucos dias a triste notícia de que, nos primeiros 26 dias desse ano, já foram assassinadas 56 mulheres trans e travestis. Uma taxa de homicídio de mulheres trans que é 6 vezes aquela que foi registrada em 2014. Isso não é coincidência, afinal, ano passado, várias vezes os fundamentalistas fizeram campanhas contra as pessoas trans, assim como atacaram as mulheres, as pessoas negras e as LGBTs.

Os ataques contra as pessoas trans vêm de todos os lados. Desde cedo, muitas meninas e meninos trans são vítimas de agressão, levadas a “terapeutas” e colocadas de castigo pelos pais, que buscam, a todo custo, “curar” essas crianças. Mas ser trans não tem “cura”. Identidade de gênero não é uma “opção”, é uma característica humana como qualquer outra. Na escola, crianças e adolescentes trans são alvos de chacotas, agressões e às vezes até mesmo de estupros, violência esta que pode vir dos colegas de classe, funcionários, professores ou até do diretor ou diretora. Muitas vezes saem de casa e da escola, seja porque foram expulsas ou para fugir da constante violência que sofrem.

O mercado de trabalho também não acolhe pessoas trans. Por isso, elas, muitas vezes, acabam sendo empurradas à prostituição ou aos precarizados empregos nas empresas de telemarketing. Essa é a condição de vida da maioria das travestis. Para suportar ter relações sexuais com homens machistas, sendo tratadas com desrespeito e às vezes agredidas, muitas vezes recorrem ao uso de drogas, o que faz com que a polícia as trate como criminosas.

Nós, da página Feminismo Sem Demagogia, repudiamos a transfobia. Defendemos que o movimento feminista acolha as mulheres trans e as travestis, porque elas são nossas irmãs, vítimas do mesmo machismo. Assim como muitas mulheres pobres e negras, são empurradas à prostituição porque não encontram outro meio de prover seu próprio sustento. Também é fundamental repudiar a opressão sobre os homens trans, que são frequentemente vítimas de estupro corretivo dentro de suas próprias famílias.

Elas e eles, assim como todas nós, são atacadas constantemente pelos fundamentalistas, como Bolsonaro, Feliciano e Eduardo Cunha, assim como pelos governos, seja do PT, PSDB ou PMDB. Prestamos nossa solidariedade às famílias das vítimas das mulheres trans e travestis assassinadas nessa onda de ódio que tomou conta desse mês. Que esse ano seja um ano de luta contra a transfobia e contra toda forma de opressão e exploração!

 

A CONCESSÃO DE DIREITOS DAS EMPRESAS Á FAMILIA E A RELAÇÃO COM O CAPITALISMO

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Crédito: Manu Lira Ilustrações

No inicio de agosto de 2015 nos chamou a atenção os sequentes anúncios de algumas empresas que instituíram políticas mais humanistas dentro da perspectiva familiar para seus funcionários. A Netflix, empresa norte-americana que presta serviços de transmissão de filmes e séries, adotou a licença maternidade ilimitada para que mães e pais possam se ausentar do trabalho o tempo necessário durante o primeiro ano de vida dos filhos biológicos e adotados sem nenhuma redução na remuneração. No dia seguinte ao anuncio da Netflix, a Microsoft também anunciou o aumento da licença maternidade para seus funcionários de 8 para 12 semanas. Não ficando para trás, outra empresa de software a Adobe dobrou o tempo de licença oferecido às novas mães de 12 para 26 semanas e por final a Private-Equity KKR se disponibilizou em custear as despesas de seus funcionários na contratação de babás para que possam levar seus bebês nas viagens de negócios.

Nós da página FSD consideramos excelente a iniciativa dessas empresas, isso com certeza não só melhora a qualidade de vida de seus funcionários como também das crianças que podem ser acompanhadas mais de perto pelos pais, mas por que essas empresas não estão fazendo mais nada que obrigação?

Estudos comprovam que no primeiro ano de vida do bebê a interação com a mãe é fundamental, e nos primeiros seis meses há maior estimulação nas conexões do cérebro e aleitamentono desenvolvimento físico, como também no emocional e intelectual a curto e longo prazo, além disso, a amamentação é um dos fatores mais importantes para o desenvolvimento e crescimento, se for exclusivo os benefícios só aumentam e beneficiam também a mãe. Segundo dados comprovados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) o aleitamento exclusivo propicia à diminuição das internações e de morte por diarréia; infecções respiratórias; reduzem os riscos de alergias e os riscos de desenvolver hipertensão, colesterol alto e diabetes na fase adulta. Entre outros benefícios também, melhora a nutrição, o desenvolvimento da cavidade bucal. Para as mulheres se torna um fator de proteção contra o câncer de mama, pode evitar nova gravidez e promover maior vínculo afetivo entre mãe e filho.

Mesmo com todos os benefícios cientificamente comprovados, a mulher trabalhadora se depara com vários obstáculos para a realização do aleitamento materno exclusivo dentro do período recomendado pela OMS e demais instituições de saúde. A tripla jornada de trabalho que são submetidas, o acúmulo de tarefas domésticas, o trabalho fora de casa, à falta de políticas publicas e legislações trabalhistas para de fato estimular a prática do aleitamento são alguns fatores.

O prazo da licença maternidade, assim como demais benefícios que atendem a estrutura familiar estabelecidos na maioria dos países estão diretamente ligados aos interesses dos grandes capitalistas para aumentar cada vez mais o lucro das empresas, isso com amae conivência do Estado, impactando na qualidade de vida de seus funcionários mesmo comprovado que é insuficiente para uma vida saudável e digna das crianças, como também impede que mães e pais dêem aos filhos o acompanhamento necessário. Muito se fala de preservação da família, mas aos trabalhadores é negado o direito de gerir sua família dando estrutura e um acompanhamento eficiente aos filhos, os fazendo andar em corda bamba para alcançar a eficiência tanto no núcleo profissional como no núcleo familiar, com isso quanto mais explorada uma categoria mais esforço haverá para atender esses dois campos, pois para a manutenção do capitalismo é necessário o controle do proletariado.

Por mais que o Sistema necessite da mão de obra do proletariado é utilizada a lógica de desvincular ao máximo a responsabilidade que atinge a vida pessoal do trabalhador, pois são nessas esferas humanistas e de direitos que as empresas perdem a possibilidade de obter mais lucro, com isso na escolha entre angariar lucros e a possibilidade de promover uma vida mais saudável e digna ao proletariado entram em conflitos, e na balança dos interesses e privilégios, direitos fundamentais são ignorados ou reduzidos. E para mascarar esses mecanismos entra em jogo o discurso da meritocracia, onde possibilita uma pequena parcela alcançar a elite para servir de exemplo e atribuir aos demais à falta de esforço e perseverança, alienando as convicções da sociedade e deste modo reforça a responsabilidade daqueles que não alcançaram o sucesso financeiro e principalmente a eficiência no núcleo familiar que sempre acaba sendo abdicada em função da busca pelo próprio sustento, e isso atinge principalmente as mulheres que são vistas apenas como parte do maquinário que opera as empresas.

A exemplo do Brasil, a licença maternidade de quatro meses é insuficiente porque obriga as mães a introduzirem o uso da mamadeira ainda na fase essencial do aleitamento materno para alimentar seu bebê enquanto estão fora trabalhando e este fato na maioria das vezes resultava no desmame precoce perdendo assim muito dos benefícios que a amamentação exclusiva traz. Em 2008 foi sancionada a Lei 11.770 que prorrogou para mais 60 dias a licença maternidade, somando o total de 180 dias, porém ao critério da iniciativa privada, o Governo deixou como opção esta ampliação oferecendo como bônus de incentivo fiscal a quem aderir o programa Empresa Cidadã. Neste caso o Estado não quis contrariar os interesses dos empresários e deixou a cargo dos capitalistas a escolha de conceder ou não este direito as trabalhadoras, porém como o interesse do Capital é o lucro, até hoje poucas empresas aderiram ao programa que apesar da sua constituição há mais de sete anos ainda não é unânime para todas as mulheres.

Segundos dados divulgados pelo portal BBC Brasil, “apenas 34 países incluindo o Brasil cumprem a recomendação da Organização Internacional do Trabalho (OIT) de conceder ao menos 14 semanas de licença à mãe com remuneração não inferior a dois terços dos seus ganhos mensais no trabalho. A maioria das mulheres trabalhadoras do mundo – cerca de 830 milhões – ainda carece de uma proteção de maternidade suficiente. Quase 80% delas são da África e da Ásia, segundo a OIT.” Os países mais desenvolvidos concedem maior prazo da licença maternidade, grande parte deles se concentram na Europa, mas isso não é regra, já que os EUA, maior potência econômica, oferece um dos menores prazos estabelecidos mundialmente, apenas 12 semanas e sem nenhuma remuneração, o que afirma a relação direta com a exploração e os interesses do Capitalismo, já que se trata de um país onde se concentra as maiores e mais ricas empresas do mundo.  Malásia e o Sudão lideram a lista das piores licenças do mundo, concedendo apenas oito semanas de afastamento.

  • Noruega – Licença de 315 dias
  • Inglaterra – 52 semanas para mulheres com remuneração de 90% do salário e para os homens 2 semanas com 100% da remuneração.
  • China – 14 semanas ou 98 dias corridos para mulheres;
  • Itália– 5 meses incluindo para adoção, com 80% da remuneração podendo chegar em 6 meses e 100% da remuneração dependendo de alguns acordos de classe.
  • Suécia– Licença de 480 dias com remuneração integral. É o país que concede o maior prazo de licença maternidade e, além disso, apresenta políticas de bem-estar às famílias mais generosas do mundo. A licença parental é 100% remunerada e os pais podem dividir igualmente o tempo concedido justamente para maior igualdade e divisão das responsabilidades na educação dos filhos.
  • Espanha–Licença de 16 semanas para filhos biológicos ou adotados para mãe e 13 dias para o pai.
  • Índia – Licença de 3 meses
  • Líbano – 70 dias com remuneração integral

Cuba e Chile são os países da América Latina que oferecem as melhores licenças, com o afastamento de 156 dias e o pagamento integral do salário durante o tempo de afastamento para mulheres e 5 dias para os homens.

  • Costa Rica – 120 dias de licença com 100% de remuneração.
  • Colômbia – Licença de 98 dias com remuneração de 100%;
  • Argentina e Peru – 90 dias de licença
  • Paraguai, Equador, México, Uruguai, El Salvador, Honduras e Nicarágua– 84 dias de licença.
  • Porto Rico – 56 dias e o país com a pior concessão da América Latina

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Outro fato também justifica e deve ser considerado para a menor concessão de direitos é quando as grandes empresas se instalam em países mais pobres onde a mão de obra e mais barata e as leis trabalhistas mais omissas para estrategicamente ampliarem a oferta de trabalho e em contrapartida impor condições para se beneficiarem mais da exploração dos trabalhadores como cita François Chesnais crítico ao neoliberalismo e globalização;

“A Globalização é liberdade para o seu grupo de se implantar onde ele quiser o tempo que ele quiser, para produzir o que ele quiser, comprando e vendendo onde ele quiser, e tendo que suportar o menor número de obrigações possíveis em matéria de direito do trabalho e de convenções sociais”. (CHESNAIS)

Muito das políticas adotadas pelas empresas hoje ainda refletem a apropriação da cultura escravocrata. No livro “Mulher, Raça e Classe”, Ângela Davis aborda o tratamento dos senhores de escravos às mulheres negras que eram mães desconsiderando as condições das gestantes ou pós-parto e as submetiam ao trabalho no campo com fortes dores nos seios pelo tempo excedido da amamentação, ocorrendo o fato de algumas não suportarem a dor até desmaiar.

Noutras plantações, as mulheres deixavam as suas crianças aos cuidados das pequenas crianças ou de escravas de mais idade que não estavam capazes de fazer o trabalho duro nos campos. Incapazes de cuidar dos seus filhos regularmente, elas sofriam a dor causada pelas suas mamas com leite.(DAVIS, 2013, p.13)

Não só as mulheres negras eram submetidas ao trabalho forçado debilitadas, como também carregavam os filhos amarrados nas costas para estarem próximas deles no momento da amamentação.

“Os donos de escravos naturalmente começaram a assegurar que as suas “breeders” tivessem filhos tão frequentemente quanto fosse biologicamente possível. Mas nunca foram tão longe em excluir as mulheres grávidas e mães com recém-nascidos do trabalho nos campos. Enquanto muitas mães eram forçadas a deixar os seus filhos deitados no chão perto da área onde trabalhavam, algumas recusavam em deixá-los e tentavam trabalhar no local habitual com os seus filhos nas suas costas.” (DAVIS; 2013, p.13)

Debatendo a leitura do Livro de Ângela Davis com a nossa companheira e também administradora da página Feminismo Sem Demagogia, Verinha Dias, ela comenta; “A lógica do capitalista é: Pra que creches? Se as escravas carregavam seus filhos nas costas enquanto trabalhavam? É tipo como dar a mulher o “se vira”. O capitalismo segue os ritos cruéis da escravidão tanto quanto pode apropria-se dele, a intenção é lucrar o quanto for possível sobre a força de trabalho através da exploração. O controle de produção que o senhor de escravos fazia é muito semelhante ao que as centrais de telemarketing fazem hoje”. E de fato é exatamente isso, os tempos da escravidão não é muito diferente ao que algumas categorias submetem os trabalhadores. Se escravas aguentavam, por que as trabalhadoras não podem aguentar? São tantos casos de mulheres que sentem-se mal durante o trajeto do trabalho para casa, porque as condições do trabalho ou do trânsito as fizeram atrasar a chegada em casa para alimentarem os filhos, sem contar o constrangimento os incidentes em ter o leite vazado na roupa, desta forma as empresas que vendem bombinhas para retirada de leite ainda vão lucrar com essas situações. A apropriação do capital aos mecanismos escravocratas hoje transborda para as mulheres que pertence a classe trabalhadora em geral, sendo óbvio que as mulheres negras entram na linha de frente de exploração. É interessante notar como antes elogiavam a fragilidade feminina, hoje se elogia a mulher forte que supera estas situações e ainda mantém-se trabalhando num jogo perene de naturalização da opressão.

“Os especiais abusos assim infligidos sobre as mulheres facilitavam a crueldade da exploração econômica do seu trabalho”. (DAVIS, 2013. p.12) Nesta passagem podemos fazer um paralelo da condição da mulher negra na escravidão e nos tempos atuais, assim como as opressões naquele tempo alavancam a exploração econômica do trabalho, hoje em dia a exploração no mercado de trabalho nas consideradas subclasses que representam as linhas de trabalho mais precarizadas, a mulher negra é a principal mão de obra ofertada se tornando o peso de equilíbrio na balança econômica positiva aos interesses do Capital.

Com a globalização houve um aumento significativo em todo mundo à oferta de trabalho para as mulheres, porém marcando suas características veio com ele também o aumento da precarização das leis trabalhista, e esse interesse à mão de obra feminina justamente por estarem mais desprotegidas pela legislação do trabalho e organizações sociais, já que para os homens as ofertas de trabalho regrediram ou estagnaram. Deste o modo, a expansão do trabalho das mulheres não apresenta a mesma evolução quando se trata da remuneração e se apresentam ainda muito inferiores que os salários ofertados aos homens. Porém as empresa levam muita vantagem na escolha pela mão de obra feminina, já que são tão qualificadas quantos os homens por 30% menos do salário pago a eles e esse percentual pode ser reduzido em até 60% de acordo com as categoria mais desvalorizadas. Também deve ser levando em conta que pelo menos no Brasil, segundo dados do IBGE, as mulheres estudam em média 7 anos a mais que os homens, por isso as empresas não perdem nada em dar incentivos para as mulheres voltarem ao mercado de trabalho depois do período com o filho recém-nascido, pelo contrário, fazem a manutenção da centralidade da força de trabalho masculina que é melhor remunerada pela mão de obra feminina qualificadas e mais baratas e isso influência também a subcontratação e o sistema de trabalho doméstico e familiar.

Essa corrida amamentista ofertadas pela Netflix e demais companhias, não é exatamente por que essas empresas são mais generosas que as demais, mas porque se trata da resposta à pressão das funcionárias que cada vez mais pedem demissão para se esquivarem dessa cultura exploratória das empresas e conseguirem dar o suporte necessário à família. Quando percebem que a pressão do proletariado pode prejudicar os interesses da organização, de certo modo são abertas concessões em prol dos trabalhadores, exatamente como nos casos mais drásticos como as paralisações e  greves. Nenhuma concessão é realizada de modo tão democrático como as organizações adoram posar, como se a consciência e humanismo partissem espontaneamente dos patrões. Por isso se faz necessária a organização de uma classe trabalhadora cada vez mais consciente e articulada dentro das posições de classe.

 

Fontes:

BRUNO, Rodrigues. Benefícios da Ampliação da Licença-maternidade. Guia do Bebê e Gestante Ulo. Disponível em: http://guiadobebe.uol.com.br/beneficios-da-ampliacao-da-licenca-maternidade/. Acesso em: 07 de setembro 2015.

 

O estado sombrio das licenças de Neli, Amazona e KKR. Exame. 19 de agosto de 2015. Disponível em: http://exame.abril.com.br/carreira/noticias/o-estado-sombrio-das-licencas-de-netflix-amazon-e-kkr. Acesso em 25 de setembro 2015.

 

Planalto. Lei nº 11.770, de  9 de setembro de 2008. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11770.htm

 

HIRATA, Helena. Globalização e Divisão Sexual do Trabalho. Caderno Pagu (17/18) 2001/2: pp139-156.

 

Portal BBC Brasil. Quais países oferecem as maiores e as menores licenças maternidade. Disponível em: http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/08/150812_licenca_maternidade_paises_rm . Acesso em 25 de setembro 2015.

 

PUFF, Jeferson. Mais escolarizadas, mulheres ainda ganham menos e têm dificuldades de subir na carreira. Portal BBC Brasil.31 de outubro de 2014. Disponívelem:http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/10/141031_desigualdade_fd. Acesso em 30 outubro de 2015.

MOELLER, Ann.Inglaterra – Licença maternidade pelo mundo. Disponível em:http://www.brasileiraspelomundo.com/inglaterra-licenca-maternidade-pelo-mundo-410913529.Acesso em: 25 de setembro de 2015.·.

 

PELO DEVER DE LUTA POR POLÍTICAS DE RAÇA E CLASSE

Por: Gleide Fraga e Arthur Souza.

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Não existe nenhuma lei no código civil que me impeça de ser comunista, isso é fato. Mas expande-se uma ideia moral de que negros estão para o comunismo, assim como estão para o nazismo; lógico que não pelos mesmos motivos (espero que isso esteja lógico na sua cabeça também), mas sim por falta de afinidade ideológica, segundo os críticos do assunto.

É lógico também, – para nós negros e comunistas, que estas afirmações são de embasamento raso (ou até mesmo a falta dele), que não correspondem aos ideais do movimento, pois quando se trata da classe trabalhadora, principalmente em países cuja colonização se deu através da exploração, estamos falando da população negra. Não só porque no Brasil a população negra é maioria, ou por corresponderem a maior parcela dos marginalizados, dos que recebem até 3 salários mínimos, do que estão inclusive, desempregados.

“Conforme análise do Ipea, em 2014, o Brasil possuía 2,4 milhões de mulheres negras desocupadas contra 1,2 milhão de homens brancos desempregados. Além do menor índice de empregos formais, os rendimentos também são diferentes: apesar de as distâncias terem diminuído desde 2004, os homens brancos ainda recebem, em média, rendimentos 60% superiores aos das mulheres negras.” (http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/noticia/2015/12/apesar-de-queda-na-desigualdade-desemprego-e-maior-e-renda-menor-entre-negros-no-brasil-4940581.html)

 

Mas porque esta é uma questão social, que tem um âmbito de peso histórico e politico muito grande, e consequentemente nos leva a crer que é impossível militar sozinho, de que é impossível o fechamento de grupos sociais cuja única identificação social é a cor de pele. Há de se levar em consideração de que o empoderamento estético tem uma enorme expressão social e um peso relevante no que diz respeito ao auto reconhecimento de valorização humana, a desanimalização e o fim da automutilação social, seja nos pequenos meios cotidianos, seja em grandes camadas, como a mídia por exemplo.

Entretanto, não se pode parar por aí, é necessário se ater às questões de gênero, raça , sexualidade e classe de uma maneira mais profunda, e isso entende-se que, para que além do meu empoderamento individual e do meu grupo, eu preciso contribuir para que a massa trabalhadora, negra, feminina, LGBT possa se empoderar como grupo, possa encontrar vieses de libertação social que determinem o fim das opressões sistemáticas, da padronização estética, intelectual, cultural, literária, familiar e etc; e isso só será possível se cada massa trabalhadora se unir enquanto maioria (afinal, somos muitos dos que não detém capital) determinando o protagonismo de suas ações e buscando aliados de luta, sejam eles homens trabalhadores, brancos e heterossexuais trabalhadores. Afinal, homens continuam nascendo todos os dias, assim como heteros e brancos, e eles poderão ou não perpetuar suas opressões com as quais o sistema lhes dá com o falso privilégio, contribuindo para os mecanismos de hierarquia que o capitalismo fortaleceu.

E o que seriam falsos privilégios? A ideia de que uma pessoa branca tem potencial racista não é inteiramente verdade, assim como não é de um todo mentira, ela pode sim colher frutos da escravidão como privilégio racial, entretanto, ela não pode ser determinadamente racista, tendo em vista de que se trata de uma única pessoa, que não pode sozinha manipular todo o sistema de opressão racista através do mercado de trabalho, relações interpessoais, mídia, indústria e afins; esta pessoa nasce e cresce numa sociedade que já era racista antes mesmo dela nascer, ela não carrega genes racistas, mas recebe uma educação tal qual; por isso ela pode ao longo de sua vida manifestar comportamento racista, assim como uma pessoa negra; a diferença é que uma não sofrerá retaliações deste comportamento, a outra por outro lado, poderá ate mesmo ser morta por isso.

Mas então, por que ser negro e comunista?

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Para entender que os mecanismos de opressão vão além de manifestações e relações individuais, mas fruto de um problema enraizado na sociedade através do capital e da propriedade privada.

“Senhoras, foi acabado de ser dito que nós não devemos lutar, que devemos ser gentis e boas para os nossos inimigos, para aqueles que estão em guerra. Eu não posso concordar com isso. Todas sabemos que a causa da guerra – é o capitalismo. Não podemos dar a esses maus capitalistas o seu jantar e pô-los na cama da mesma forma que fazemos com as nossas crianças. Temos de lutar contra eles.” Ângela Davis

Para entendermos porque defendemos um combate ao capitalismo, precisamos voltar alguns períodos no tempo.

A justificativa para a escravidão sempre foi a crença de que uns são mais fortes e deveriam governar sobre os mais fracos. Foi o que sustentou a maior parte da escravidão na antiguidade, quando um povo vencia o outro em uma guerra.

No Brasil, a escravidão indígena caiu principalmente pela familiaridade dos mesmos com as terras e pela não adaptação ao trabalho pesado. Era extremamente difícil controlar as fugas dos índios, que conheciam as terras como a palma da mão. Na África, havia centenas de tribos diferentes que venciam umas às outras nas batalhas, e os colonizadores viram como uma oportunidade de mão de obra barata, alheia ao espaço de exploração e não familiarizados com os outros escravos, de outras tribos.

Com o passar do tempo, a igreja passou a sustentar a ideia de que havia um povo naturalmente infiel e inferior. O tráfico negreiro foi brutalmente estendido, e a justificativa anteriormente religiosa e moral, com o advento do renascimento científico, foi substituída por uma justificativa também científica. Agora, podem até ter alma, mas são biologicamente inferiores.

Quando foi favorável ao capital, as nações passaram a defender a abolição da escravidão, em prol de um mercado consumidor que atendesse às demandas.

Somos comunistas porque acreditamos que o racismo historicamente foi uma justificativa criada pelo colonialismo e imperialismo para o controle das nações, e somente com a abolição da propriedade privada ele pode ser destruído. O racismo é a base de sustentação do capitalismo, que sob quaisquer tipos de justificativas, morais, religiosas ou científicas, irá defender a exploração de um povo sobre outro.

Somos comunistas porque acreditamos na luta pela libertação da África que muitos companheiros construíram, assim como a luta de outros povos não europeus. Todos esses lutadores nos são exemplo de que o marxismo pode e deve ser utilizado como uma teoria de libertação, adaptada à realidade de cada região.

Somos comunistas porque proletário não tem pátria, e a luta pela sua libertação é a luta pela libertação de todos os povos oprimidos.

Assim os Panteras Negras se recusavam a ir lutar pelos EUA uma luta que não era a deles, e que dizimar outros povos simplesmente por uma questão de nação seria ir contra a independência deles mesmos.

Por fim, somos comunistas porque defendemos que nossa luta contra o racismo é uma luta contra o capital, contra a exploração de todos os trabalhadores do mundo, contra a burguesia, que justifica a escravidão dos povos, e que apenas de mãos dadas com esses trabalhadores podemos libertar a humanidade.

A abolição da Família e a Libertação da mulher

“Quais são as bases da família atual, da família burguesa? O capital, o ganho individual. Em sua plenitude, a família só existe para a burguesia, mas encontra seu complemento na supressão forçada da família entre os proletários e a prostituição pública.” Marx & Engels – Manifesto do Partido Comunista

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Família

Sempre que o assunto é maternidade ou educação dos filhos, amor, casamento, formatos de relacionamento, existe uma enorme resistência das mulheres em compreender que muito do que vivemos hoje faz parte de um aparato ideológico para nos manter submetidas a construções opressivas regidas pelo machismo e patriarcalismo, uma delas é a família nuclear monogâmica.

Quebrando o mito de que esta configuração da família é baseada no amor

A família nuclear monogâmica nasce junto com a propriedade privada dos meios de produção com a função de dar ao homem a garantia de que os herdeiros para quem ele deixaria suas riquezas eram filhos legítimos dele. Antes da instituição da família como é conhecida hoje a uniões eram regidas pelo casamento em grupos, verificando-se união por pares, onde a mulher e o homem mantinham um parceiro fixo, porém com liberdade para ter quantos outros parceiros quisessem. Nesta formulação somente a mulher poderia certificar – se de quem era o filho, o direito [de reconhecimento] era materno. (Engels, 1884)

Os casamentos foram passando por um refinamento com o passar do tempo, deixando assim homem e mulher de assumir uma relação por afinidades, sentimentos e atração mútua. Foi instituído assim o casamento por “Compra” e por “rapto”, aliás, este último, dá origem à palavra “Rape” que vem de Rapere, tomar a força ou raptar, traduzido do inglês para nosso idioma, significa “estupro”. “O estupro foi originalmente definido como o rapto de uma mulher contra a vontade do homem sob cuja autoridade ela morava.” (John, 2013). A mulher passa a ser coisificada, o estupro passa a ser mencionado, ele ocorre tanto dentro do matrimônio realizado contra a vontade da mulher, quanto nas formas descritas anteriormente (compra e rapto) e também é caracterizado quando as mulheres cediam a atividade sexual sem permissão de suas famílias e comunidade. Nasce também a vigília da sexualidade da mulher, por toda sociedade.

A Pré-monogamia pretendia eliminar a possibilidade de casamentos consangüíneos, o que impediria o nascimento de crianças com problemas de saúde e má formações, de fato este tipo de formação na época, longe do acesso cientifico que temos hoje e conhecimento disseminado, providenciou seres humanos mais saudáveis. Mas para isso a mulher foi forçada a condição monogâmica, onde apenas ela era submetida a esta condição, juntamente com a monogamia, nasce seus complementos: o adultério e a prostituição largamente utilizada pelo homem, não descartando, porém, a possibilidade do adultério feminino que mostrava uma resistência a imposição e subjugação.

As mulheres como podemos observar no desenrolar desta transição não aceitaram facilmente a monogamia, tanto que é relatado que todo tipo de violência foi usada para submetê-las, e ainda assim, não havia garantias que não fosse o isolamento total da mesma, que desse ao homem certeza absoluta da paternidade, tanto que a lei constituiu para fins de livrar o homem deste “infortúnio”, que todo filho gerado durante o casamento, seria tido como filho do marido. Os casamentos arranjados também se tornam um mecanismo para manter pessoas com posses unidas, aumentando assim as riquezas e fazendo manutenção dos meios de produção nas mãos dos mesmos grupos. Como podemos notar monogamia e amor nunca estiveram relacionados, a instituição deste tipo de relação sempre foi alicerçada em interesses.

Não fica difícil imaginar que tipos de situações geraram a monogamia, casamentos por rapto, por compra, por arranjo, mulheres entregues como produtos a homens desconhecidos, sexo não consentido, estupro, violência, toda forma de mecanismos machistas foram desenvolvidos para submeter à mulher a este tipo de instituição.

A Família Monogâmica

Engels nos explica em a Origem da Família, da propriedade privada e do Estado, que com a invenção da propriedade privada dos meios de produção, e o desenvolvimento gradual dos excedentes de produção (na forma da agricultura e da domesticação de animais) foi criado uma sociedades de classes precoce, que, por sua vez, lançou as bases para o unidade familiar monogâmica. 

De acordo com Engels, a produção de um excedente de alimentos, tornou a sociedade capaz de sustentar uma minoria de seres humanos que se libertaram do trabalho penoso e diário. Assim nasceu a sociedade de classes, pois, esta minoria passa a subjugar a maioria que passa a lhe prestar serviços. Esta minoria mantinha seu domínio através do controle do excedente de produção. Isto levou à emergência de um poder armado, o Estado, bem como herança através da família.

O primeiro antagonismo de classe porém, segundo Engels, se dá entre o homem e a mulher, ela que antes era companheira do homem no trabalho, passa a ser relegada as tarefas domésticas enquanto o homem domina a produção dos alimentos no campo, e quando torna-se possível gerar um excedente, este fica nas mãos do homem, que assume um poder econômico sobre a mulher. Neste momento o direito materno é abolido e substituído pelo “direito do pai”, uma transformação que marcaria a história do gênero feminino para até os dias de hoje, levando a redução dos multiplos parceiros para ligações apenas dos pares monogâmico, no que Engels chamou de “A derrota histórica do gênero feminino”. (Engels,1884)

 A família tal como esta configurada hoje trata-se de invenção que serve apenas a burguesia (1), pois ela serve de geradora de herdeiros para os bens dos burgueses, mantendo as riquezas acumuladas nas mãos das mesmas famílias e serve de reprodutora de mão de obra para os empreendimentos dos burgueses, que se utilizam das famílias dos trabalhadores. Nos dois casos a mulher é explorada, relegada a papel de reprodutora, a coisificação da mulher esta no cerne da família burguesa.

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“As declamações burguesas sobre família e educação sobre os vínculos sublimes entre pais e filhos, tornam-se cada vez mais repugnantes pela ação da indústria moderna: os laços familiares dos proletários são destruídos e as crianças são transformadas em meros artigos de comércio e instrumentos de trabalho.” (Marx & Engels,1848)

O louvor da família através de todos os mecanismos de disseminação de informação trata-se de ideologia burguesa sendo infiltrada em nossas cabeças e nos levando a reproduzir idéias que favorecem a classe dominante de forma naturalizada, como se aprisionados num eterno paradigma do sempre foi assim, mas como pudemos ver, nem sempre foi assim.

“Na família, o marido representa a burguesia e a esposa o proletariado” (Zetkin,1896)

Os homens reproduzem em casa a ideologia do patrão para com sua companheira, tratando a como sua empregada, assim como ele é tratado no ambiente de trabalho. Ele pensa que se beneficia da exploração de sua companheira através do trabalho não remunerado que ela produz para família. Mas quem se beneficia disso é o capitalista que não precisa preocupar se com a manutenção do trabalhador e com a produção dos novos operários que a família proletária fornece ao mercado.

Para nós da classe trabalhadora não faz sentido nenhum mantermos nos fixados neste modelo de família que não nos favorece em nada, mas nós a mantemos por que somos invadidos diariamente com a ideologia burguesa do louvor da família tradicional. Afinal para eles, o desmantelamento deste modelo, significa um declínio nas suas manobras e mecanismos de lucro. Não é a toa que as classes mais abastadas são conservadoras e apóiam políticos reacionários tal como Bolsonaro, Marcos Feliciano e outros que representam a burguesia, que estão lá para barrar propostas que possam interferir no modelo de família tradicional, há pouco tempo fomos informados de que família trata-se apenas da união entre homem e mulher, invalidando assim todas as outras formas de composição familiar.

A aceitação do machismo e naturalização do machismo esta entranhada a ideologia burguesa, afinal, se a mulher estiver submetida à falsa idéia de que somente será feliz se cumprir o ciclo social proposto, a manutenção da família baseada na moral burguesa não definhará, e desta forma, ela se sujeitará a todo tipo de situação, inclusive as violências emocionais e físicas, para manter o que é apregoado como o sucesso da mulher para sociedade: Estabelecer e manter unida sua família, mesmo que tenha que pagar com a vida e com sua infelicidade o preço desta tarefa.

Nós comunistas somos acusadas de desejar abolir a família e sim somos culpadas desta acusação, para nós está ai nesta relação desigual a origem e manutenção da opressão das mulheres, sejam elas proletárias, ou seja, elas burguesas. Nosso plano de ação é libertar todas as mulheres da opressão, independente de sua classe social, e isso não será possível sem libertar a mulher do casamento baseado em interesses econômicos, incluindo – se também a mulher burguesa que é encarada como “simples meio de produção” por seus maridos.

A libertação da mulher só será possível com a superação do capitalismo rumo a sociedade socialista, onde a criação dos filhos terá apoio irrestrito do Estado, com ambientes prontos a acolher as crianças de todas as idades, e haverá pessoas especializadas, assalariadas responsáveis pelo trabalho deixando de ser uma atividade não assalariada cumprida pela mulher. Na sociedade socialista haverá refeitórios comunitários que libertarão a mulher da cozinha, lavanderias coletivas, todo aparato necessário para que homem e mulher unam-se se quiserem, baseados na atração mútua, no amor-camaradagem, e não interesses e dependência. E caso alguém diga que estamos falando de uma utopia, tudo isso foi feito no pós revolução de outubro na União Soviética.

“As mulheres soviéticas conquistaram, antes dos países capitalistas mais avançados, o direito ao divórcio, ao aborto, a eliminação do poderio matrimonial etc. Na Rússia pós-revolução, as mulheres e os homens tinham igualdade de direitos perante as leis. A mulher foi introduzida na economia social, no poder legislativo e nos postos de governo. Tiveram acesso as instituições educacionais e aumentaram sua capacidade profissional, social e intelectual. Foram criadas cozinhas, restaurantes e lavanderias comunitárias, além de creches e escolas para crianças. O esforço era para por em prática o programa comunista de transferir para a sociedade as funções educativas e econômicas da família, que até então recaiam sobre a mulher. Era parte fundamental do programa da revolução libertar a mulher da fadiga e da escravidão doméstica e do estado de submissão ao homem, para que pudessem desenvolver plenamente seus talentos e suas inclinações. ” (Gadelha,2012)

E desta forma temos muito claro, como dizia Zetkin, que:

“Apenas a sociedade socialista irá resolver o conflito que hoje é gerado pela atividade profissional das mulheres. Uma vez que a família como uma unidade econômica irá desaparecer e seu lugar será tomado pela família como uma unidade moral, as mulheres terão igualdade em direitos, igual em criatividade, será companheira de frente de seu marido; sua individualidade poderá crescer no mesmo tempo e ela cumprirá suas tarefas de esposa e mãe da melhor forma possível.”

Observação:

(1) Burguesia/Burguês: Classe dos capitalista modernos. Entende se por burguês o patrão, aquele que compra a força de trabalho de alguém pagando lhe um salário. O burguês é o dono dos meios de produção, por exemplo, dono de uma fábrica de carros, a fábrica é dele, o maquinário é dele, os trabalhadores são parte das aquisições dele, como se fossem parte do maquinário.

(2) Proletariado/Proleário: Classe dos trabalhadores. Os proletários são os trabalhadores, eles não têm posse dos meios de produção e para sobreviver precisam vender sua força de trabalho recebendo do burguês/patrão um salário que garantirá sua sobrevivência.

Bibliografia

  1. Smith, Sharon. O marxismo, o feminismo e a luta pela libertação, 2013. Disponível em: <http://socialistworker.org/2013/07/10/marxism-feminism-and-womens-liberation>.
  2. Marx, Karl e Engels,Friedrick. Manifesto do Partido Comunista, 1848.Disponível em: <http://www.ebooksbrasil.org/adobeebook/manifestocomunista.pdf>
  3. Engels, Friedrick. A origem da família, da propriedade privada e do Estado, 1884. Disponível em: <http://www.dhnet.org.br/direitos/anthist/marcos/hdh_engels_origem_propriedade_privada_estado.pdf>.
  4. Gadelha, Cilene. Lenin e a questão da mulher, 2012. Disponível em: <http://www.pstu.org.br/conteudo/l%C3%AAnin-e-quest%C3%A3o-da-mulher>.
  5. John, Maya. Classe social e violência sexual: Rumo a uma compreensão marxista do estupro. 2013, Disponível em: <http://radicalnotes.com/2013/05/08/class-societies-and-sexual-violence-towards-a-marxist-understanding-of-rape/>.
  6.  Zetkin, Clara. Apenas junto com as mulheres proletárias o socialismo será vitorioso,1896. Disponível em: <https://www.marxists.org/portugues/zetkin/1896/10/16.htm>.

 

Há disputa ideológica desonesta no feminismo. É necessário falar a respeito.

Vivemos tempos de primavera feminista, mulheres nas ruas, em coro, entoam juntas “companheira me ajuda que eu não posso andar só, eu sozinha ando bem mas com você ando melhor”. Nos arrepiamos assistindo os vídeos das manifestações e a união parece perfeita, mas na prática não se confirma.

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O cenário da militância real destoa muito da militância virtual. Falamos de duas esferas que não se encaixam, mas uma tem com certeza interferência na outra, pois experiências efetivadas no virtual perturbam ações reais e presenciais.

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Nas redes sociais, as feministas se dividem em vertentes que não dialogam entre si, competem para ver quem é a melhor, superando a discussão no campo das ideias e partindo para o pessoal, o famoso ad hominem. Numa total desonestidade, transformam a disputa ideológica em ataque difamatório da outra feminista.

Ora, tais atitudes não são de nos espantar, afinal as mulheres tiveram seus laços de amizade rompidos pelo patriarcado com o propósito de nos enfraquecer e nos manter submetidas a ideologia machista que nos trata como seres humanos de segunda classe, tanto inferiores que competimos umas com as outras, para termos um homem, que segundo esta ideologia é um troféu, um provedor, um ser humano de fato, a presença deste homem ao nosso lado seria o fator humanizador que nos afere respeito, que nos dá condição de adentrar ao mundo social guiadas por ele, logo atrás dele. Não é estranho conferir esta competição, mas é contraditório que entre nós, feministas, admitamos a existência desta disputa que rompe a união entre as mulheres, nos enfraquecendo diante da luta que travamos.

Hoje notamos que esta ruptura entre as mulheres se manifesta dentro do feminismo por comportamentos de ataque a mulheres que conferem algum tipo de representatividade que outras não tem, ou cuja vertente seja contraditória ao discurso que a outra representa e por isso, sente-se ameaçada.

Antes de falarmos de inveja, precisamos falar de autocritica.

A Feminismo sem Demagogia, desde 2013, reivindicou-se da vertente do feminismo marxista.

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Desde então, os ataques a nós intensificaram-se de forma absurda. Não só a página, como as administradoras são atacadas pessoalmente e estes ataques não vem de onde esperamos, chegam através das próprias mulheres feministas. Somos hoje a única e maior página Feminista Marxista do Facebook, fazemos o combate de gênero, raça e classe, citamos nossas autoras e autores. Se fazemos criticas as outras vertentes, fazemos no campo ideológico, com a a clara intenção de propagar a importância de combater o sistema de classes e sistema econômico da classe dominante, o capitalismo, que é sustentáculo da ideologia machista. Não pessoalizamos criticas, na contramão da nossa prática, as administradoras da página Feminismo sem Demagogia têm sido alvo constante de comentários que atacam pessoalmente e comprometem a moral das mesmas, pois quem faz este tipo de ataque são mulheres com alguma ou muita representatividade dentro do feminismo. Vou citar alguns exemplos:

Há alguns meses, uma administradora da página, que é negra, estava dentro de um grupo secreto somente para mulheres negras. Ela leu uma postagem difamatória contra uma das administradoras da página e percebeu o quanto aquilo era prejudicial à imagem da administradora. Ela foi questionar a administradora citada e concluiu que se tratava ou de um equivoco cometido pela denunciante, ou de desonestidade.

Nós sempre partimos do pressuposto de equívoco. Por isso, a administradora denunciada por racismo, neste caso, procurou uma feminista negra muito respeitada, relatou o que estava acontecendo e pediu para ela fizesse a ponte de ligação entre denunciante e ela, para que elucidassem a questão. A denunciante, que também é uma feminista negra conhecida, apesar de alertada do equívoco, não voltou atrás, não explicou o comentário mentiroso que fez sobre nossa administradora e colocou-se em posição de vitima, acusando a nossa administradora negra de traição por vazar um assunto que era de um grupo secreto, assim colocando as feministas negras do grupo contra esta mulher também negra.

Conclusão do caso da Falsa denuncia de racismo:

– A feminista negra difamadora saiu como vitima;
– A feminista negra, administradora da Feminismo sem Demagogia, que denunciou a difamação saiu como traidora e foi expulsa do grupo de mulheres negras, inclusive sendo ameaçada de violência física por outra feminista deste grupo,e;
– A administradora da nossa página, acusada de racismo, manteve-se com a alcunha de racista por um episódio em que, claramente, ela não tinha nenhum envolvimento.

Existe uma grande confusão no movimento feminista sobre como fazer a militância de forma honesta. Muitas feministas, para manterem-se como voz uníssona, fazem o combate a outras feministas, que também têm voz forte e que são formadoras de opinião, de forma desonesta. Massacrar outras feministas, colocando em risco todo o coletivo da luta, parece lícito simplesmente para manter seu umbigo como centro das atenções. Estas práticas devem ser observadas e repudiadas pelo conjunto das feministas. As denuncias devem ser analisadas e investigadas antes de serem levadas a público.

Não devemos compactuar com a exposição de mulheres de forma destrutiva. Antes, devemos reivindicar o poder pedagógico da ação do movimento sobre os erros das mulheres, quando elas comprovadamente errarem. Atacar aliadas com fúria e ódio a fim de massacrá-las não é benéfico para a luta contra opressão. Da mesma forma, nem o erro especifico cometido por uma mulher isoladamente e individualmente será eliminado do mundo, se ela for execrada ou queimada em praça pública.

“Somos as netas das bruxas que não conseguistes queimar?”

netas da bruxas 2

Se nossa resistência à opressão está viva e renascendo em cada mulher oprimida, a opressão também resiste e mantém-se viva em cada representante da ideologia burguesa do machismo, que sustenta uma classe no poder através da exploração dos grupos oprimidos. Não é expondo uma mulher, que também é parte do grupo oprimido, que extinguiremos a opressão. Isso pode momentaneamente apaziguar a ira do grupo ofendido, amenizar a dor ao ver a figura do errante ser punida, mas não fará com que novas pessoas reprodutoras da ideologia deixem de ressurgir e reproduzir. A ação pedagógica, dando oportunidade da errante se autocriticar e se desculpar perante o compromisso de não retroceder à mesma postura ofensiva, é uma vitória para o movimento e que deve servir de exemplo inclusive para os privilegiados pelas opressões. Afinal, se nós, que somos vitimas, podemos nos refazer para não reproduzir atitudes opressoras, eles também podem.

Um outro exemplo que é importante citar: uma de nossas Administradoras negras teve sua foto divulgada em uma página de mulheres negras como referência de beleza. E é verdade, ela é um espetáculo de mulher. Após isto acontecer, a administradora viu, nos compartilhamentos da foto, uma outra feminista negra, muito conhecida, comentando que:

“estas páginas deveriam postar mulheres que realmente representam a beleza negra, e não mulheres cacheadas”.

Não vou fazer nenhum comentário profundo sobre este comentário por que ele por si só já deixa claro o quanto foi desnecessário e o quanto foi triste para a administradora em questão ler isto sobre sua foto, sobre sua aparência. E como a feminista é muito popular, ler também, nos comentários da postagem dela, uma quantidade enorme de mulheres, também negras, atacando sua aparência em concordância cega com a feminista Star, que parece desejar destruir outras mulheres ou, no mínimo, desqualificá-las com seus comentários maldosos e desonestos.

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Onde queremos chegar com esta explanação toda é que vai muito além de inveja e competição o fato de termos mulheres atacando outras mulheres, expondo outras mulheres, destruindo a moral potencialmente revolucionária de outras mulheres. Trata-se de usar os mecanismos patriarcais para fazer a disputa ideológica e fixar se como voz forte através de métodos desonestos como calúnia e difamação, usando do sentimento de ressentimento com o histórico de opressão do grupo e pessoalizando, desmoralizando assim a denunciada que, via de regra, nunca consegue se defender. Se reconhecer que errou e se retratar (outra situação recorrente que temos constatado), não é perdoada. Continua sendo lembrada pelo seu erro e “queimada em praça publica ad eternum”. Esta não é a militância que nós, feministas marxistas, pretendemos e não compactuaremos com ela.

Para finalizar, deixamos claro que é decisão de nosso coletivo, das administradoras da página, de não expor nenhuma mulher da militância, nem citando seu nome, nem sua imagem, seja qual for a situação. Porque entendemos que fazer o debate a respeito de um erro cometido ou uma postura realmente opressora não está ligado à imagem de uma só pessoa, mas de uma ideologia que precisa ser combatida, para que não exista pessoas proliferando atitudes que ataquem os grupos oprimidos em sua dignidade humana. Discutiremos sempre de forma pedagógica as ações que considerarmos agressoras de nossa humanidade histórica, sem personalizar e dar um rosto para ser odiado e aplacar a ira de quem deseja não justiça, mas punição.

Antes de falarmos de inveja dentro do movimento feminista, precisamos falar de autocritica, de umbiguismo, culto à personalidade, disputa ideológica através do uso de mecanismos machistas e reprodução de mecanismos opressores em geral. Tudo isso deve ser combatido para que a luta se fortaleça e vá a raiz dos problemas, fazendo um combate conjunto de raça, classe e gênero.