Sobre a Solidão da Mulher Negra

Entre as opressões estruturais mais difíceis de serem trabalhadas, o racismo é sem dúvida um destaque da triste figura desigual que se encontram as relações sociais no mundo. A sociedade acredita que o racismo já foi superado, que as questões de classes ligadas à raça, as desvantagens em relação acadêmica e trabalhistas também ligadas à raça, são meras normas culturais, a sociedade acredita firmemente que, ser negro e: pobre, morto pela polícia, sem estudos, é normal.

Enquanto mulheres, e em grande parte das vezes residentes da periferia; as mulheres negras possuem uma tripla militância didática todo santo dia para ser exercida. Ser mulher é ser violentada física ou sexualmente a cada 12 segundos no Brasil, ser negro, é ter 72% de chances de sofrer violência policial (sem precedentes), ser mulher e negra, é sofrer com a estigmatização da minha cultura, da minha aparência, é ter de construir todos os dias a minha autoestima enquanto mulher, pois eu não sou representada nos principais meios midiáticos, a minha beleza é censurada, tida como algo inexistente, o não normal, o não padronizado. E o impacto gerado por essa estigmatização, atinge as mulheres negras em vários níveis; tangíveis e intangíveis, e dentro deste contexto, estão os relacionamentos amorosos.

Sabe-se que pouquíssimas mulheres negras conseguem se estabelecer romanticamente enquanto casadas, que o número de famílias onde a mulher é mãe solteira é em sua maçante maioria, de mulheres negras. Fomos crescendo com a ideia de ver nossas avós, mães, tias criando seus filhos sozinhas, sem companheiros, por vários motivos; abandonadas por eles, relacionamentos extra conjugais e etc. E com isso crescendo sem exemplos de mulheres que possuam o desejo do casamento, e ainda assim, não conseguem se estabelecer, seja ele com homens negros ou não, seja ele com mulheres negras ou não.

E ainda, ver-se colocada como segunda opção, pois enquanto mulheres e negras, somos colocadas como as “mulatas de carnaval”, num turismo sexual completamente exacerbado frente a mídia brasileira que nos vende como meras bundas carnavalescas, e isso impactando diretamente nos relacionamentos, faz com que nós estejamos colocadas no lugar da amante, da fogosa, da “boa de cama”, da “mais quente”, a que desperta desejo, mas nunca um relacionamento que fixe um relacionamento sério e duradouro.

[…] Mais que qualquer grupo de mulheres nesta sociedade, as negras têm sido consideradas ‘só corpo, sem mente’. A utilização de corpos femininos negros na escravidão como incubadoras para a geração de outros escravos era a exemplificação prática da ideia de que as ‘mulheres desregradas’ deviam ser controladas. Para justificar a exploração masculina branca e o estupro das negras durante a escravidão, a cultura branca teve que produzir uma iconografia de corpos de negras que insistia em representá-las como altamente dotadas de sexo, a perfeita encarnação de um erotismo primitivo e desenfreado. (HOOKS, 1995, p. 469)

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Dentro desse contexto, o capitalismo desempenha seu papel de rompimento de afinidade das relações humanas; porque é extremamente lucrativo a baixa auto estima das mulheres; e no que diz respeito as mulheres negras, é importante manter a submissão de pensamento racial; a busca pelo padrão eurocêntrico como ideal de beleza inatingível que alimenta a indústria da moda, que mantem as relações de poder sociais numa minoria que é majoritariamente branca; Sem nos esquecermos que a sexualização é também uma jogada do capital para a manutenção da venda do carnaval que alimenta o turismo sexual dentro do país.

A solidão da mulher negra é um problema estrutural, um problema que surge na herança escravagista, que permanece com a manutenção do racismo que também atinge aos homens negros. Estes que para se distanciar do racismo, buscam na mulher branca o seu status de passibilidade social, status esse que é ignorado nas relações de racismo; pois ainda assim, o racismo os atinge dentro e fora destes relacionamentos.

Somente com a derrubada das estruturas de poder, com o fim da propriedade privada que manivela as relações sociais em busca apenas de lucro (vendendo beleza inatingível, vendendo a imagem da mulher “para casar”), somente com a conscientização das massas, teremos plenitude nas relações sociais direta sem a interferência de padrões de beleza impostos.

Situação da Página Feminismo Sem Demagogia

E NÓS NÃO SOMOS MULHERES

E AS MULHERES NEGRAS VITIMAS DE RACISMO, NÃO SÃO NEGRAS?

Há duas semanas aproximadamente, começamos a receber ataques de grupos misóginos e racistas que se organizam em páginas e grupos do facebook como: Goec, Cartola, QLC e uma rede Russa chamada VK.

No primeiro ataque, nossa administradora Gleide Davis/Fraga teve o seu perfil invadido por um grupo que disparou ofensas machistas e racistas contra a mesma na sua foto do perfil, em razão da sua clara demonstração de apoio a causa do aborto; foram xingamentos contra o seu cabelo, seus traços e inclusive ameaças de estupro. Não obstante, tentaram invadir a sua conta e divulgaram dados pessoais da mesma.

Alguns dias depois, outra adm negra da página, Shirley Silverio teve seu perfil invadido por um grupo que desferiu contra ela ataques racistas, os xingamentos mesclavam racismo e misoginia, num claro intuito de destruir a auto estima da mulher negra. Poucos grupos do movimento negro se manifestaram a respeito deste ataque, apesar da página Feminismo sem demagogia ter marcado vários grupos de combate a racismo e de feministas negras,

Muitas amigas e seguidoras também nos disseram que avisaram por in box feministas que estão em evidência e teriam facilidade de chamar um repúdio a ação machista e racista que atingiu a administradora da página, mas elas ignoraram as mensagens, o racismo, o machismo e calaram – se.

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A companheira Shirley que se organiza junto a militância negra classista recebeu apoio destes grupos, tal como Quilombo Raça e Classe e  partido que ela milita, que lançou um texto de apoio a companheira, a secretaria de negros e negras do partido também promoveu um vídeo em que a companheira dá uma entrevista comentando o acontecido e como sentiu-se.  (que pode ser conferido aqui https://www.facebook.com/pstu16/videos/981372721953358/), a organização também disponibilizou acompanhamento de advogados do próprio partido, para que fosse efetivado a denuncia em delegacia especializada.

Com relação ao racismo sofrido pela companheira Shirley e o silêncio das feministas negras e outras feministas, nós não só lamentamos, nós também queremos pontuar que neste momento a conivência com o racismo foi explicitada no silêncio que se propuseram, pois o ataque a uma mulher negra, a uma pessoa negra, é um ataque não individual, não é um ataque a coleguinha que você não gosta e por isso não vai defender, é um ataque a negritude, a todas as pessoas negras, um berro dos racistas de que a o ódios aos negros existe e persiste e será demonstrado publicamente sem medo de punição.

Muitas feministas falam de sororidade seletiva, principalmente de mulheres brancas com relação a mulheres negras, e é muito verdade, os privilégios cegam as feministas brancas que sentadas em privilégios ignoram as pautas das mulheres negras, mas o que explica a seletiva sororidade das mulheres negras diante de um ataque racista a outra mulher negra? Nada explica. Termos divergências teóricas e táticas, não pode ser motivo para calarem – se diante do racismo e machismo sofrido por uma mulher, ou ela não é mulher? Ou ela não é negra também?

Dito isso, seguimos explicando os fatos que sucederam.

Um grupo de homens organizados em uma rede social Russa, chamada VK,no ultimo dia 19/03 fez uma lista das nossas administradoras e numa postagem altamente misógina, expuseram dados pessoas das administradoras, como : Nome completo, CPF, RG, endereço de casa, telefones, e até dados pessoas de parentes delas. Fizemos print de tudo isso e levamos a delegacia para fazer B.O. Eles tentaram ainda jogar umas contra as outras, dizia o homem que uma das moderadoras havia combinado com ele que se ele não divulgasse seus dados, convenceria as demais a não denuncía-lo, eles também avaliavam quais era bonitas e quais eram feias, e davam notas as administradoras, inclusive com comentários objetificantes e racistas.

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Postamos uma denuncia na página feminismo sem demagogia a cerca destes homens e do absurdo que estavam promovendo. Eles organizaram se de madrugada, quando a página estava desprotegida devido a ausência das administradoras e nos atacaram em massa, derrubando este post de denuncia, e pela quantidade de denuncias, conseguiram também que o Facebook cancelasse a publicação da página.

O facebook aceita denuncias em massa, não só derrubando postagens que não contrariam as regras da comunidade como também cancelando as páginas de militantes dos direitos humanos, nossa página com mais de 1 milhão de seguidores é um mecanismo importante de disseminação de informação a mulheres para que as ajude a reconhecer relacionamentos abusivos, empoderarem – se para saírem destes relacionamentos, assim como, prestamos assistência presencial quando o caso requer, tala qual acompanhamento de mulheres vitimas de violência sexual no trâmite doloroso até aborto legal entre outras situações.

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O movimento feminista deveria indignar – se contra os ataques que recebemos, contra o fato do facebook ter cancelado uma página com este teor enquanto tantas páginas machistas, racistas , homofóbicas etc. com discurso de ódio claro, permanecem ali intactas. Até o momento apenas páginas como Nós madalenas, da Maria Ribeiro; Uma outra opinião do Wernner Lucas, Diarios de uma feminista da querida Lizandra Souza e a página Cartazes e Tirinhas LGBT, pronunciaram-se. Temos tido retorno positivo dos seguidores e seguidoras destas páginas que estão nos abraçando e oferecendo – se para ajudar, mas perguntamos, onde esta a revolta das demais feministas contra o ataque machistas que mulheres militantes receberam a ponta de serem silenciadas e retiradas de um lugar público?

Recorremos da decisão do Facebook de cancelar a página Feminismo sem demagogia há mais de 48 horas e até agora nada deles pronunciarem -se, como pode ser visto no print, eles avisam que se negarem nosso recurso, perderemos a página. Estamos no aguardo da decisão do Facebook, completamente impotentes. Mas não nos abateremos caso seja realmente cancelada a página, nossa militância seguirá, abriremos outra e seguiremos lutando, divulgando informações que ajudem as mulheres a fortalecerem se e libertarem – se de uma vida dominada pela opressão machista.

Agradecemos de coração o apoio de quem se revoltou conosco a cerca dos ataques racistas e machistas que nossas moderadoras receberam, esperamos que vocês sejam o futuro do feminismo, um futuro onde feministas não escolham que mulheres irão defender.

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Finalizamos este texto com Bertold Brecht

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

Bertolt Brecht

 

A ESPERANÇA COMO UM ATO POLITICO

Por: Gleide Fraga e Thomas Angelo

Vivemos épocas de grandes controvérsias sociais. Entre a militância que acredita na construção familiar católica, caucasiana, heterossexual e classe média, há desordem na ordem natural das coisas; pois para estes, o mundo anda cada vez menos aceitável e moral aos seus ideais de valores. Já para aqueles de militância realmente igualitária, encontramos cada vez menos espaço de acordo social que beneficie a todos, cada vez mais representantes perdem suas vidas em função das opressões sociais e cada vez menos encontramos razões para continuar lutando.

Por um lado, entendemos que existe o reforço capitalista para as opressões de raça, gênero, sexualidade e classe; sabemos que elas existem, sabemos que o pensamento que as favorecem são maioria e que ainda somos o diferencial em menor numero, entendemos cada vez mais a face do machismo; porque cada vez mais vemos noticias de homens que matam, estupram, agridem suas companheiras ou qualquer mulher que lhes convir, e cria motivos (como se motivos realmente pudessem existir) pifeis para justificar suas agressões morais, físicas, psicológicas.

Por outro lado, quero dizer-lhes que, existem ainda motivos para acreditar nas mudanças realmente efetivas na sociedade; essas mudanças virão gradativamente, através da conscientização das vanguardas mais jovens; das garotas periféricas e negras que com 15 anos de idade já sabem afrontar injurias raciais com muita convicção; nos jovens de 16 anos que assumem a sua sexualidade em espaços públicos. As novas gerações que virão em forma de revolução em sua existência, que visualizam o mundo de uma maneira mais libertária, pois contemplam a esperança na sua visão de mundo.

Não quero convidar-lhes a visualizar o mundo de uma maneira utópica, como quem visualiza a sua frente um paraíso perfeito e inapto a erros e opressões, mas mentalizar a nossa realização social com um caráter de fé, nos aprofundarmos mais no amor que não exige, não se apropria, mas liberta e encoraja; um amor que aliado a esperança nos dará cada vez mais força para redigir novas linhas de uma realidade social que se parece mais com uma arvore de bons frutos e menos com uma sociedade que permanecerá racista, elitista, machista e lgbtfóbica.

Realmente é bonito ser a exceção da regra, pra quem não é, quem é sabe o peso de se carregar esse fardo nas costas, o fardo de ser exemplo, o peso de ter de sempre provar a si mesmo que você não é um erro, que não foi um erro ter sobrevivido.  Seja lá o que for fazer, não seja “Bom” naquilo, seja o melhor!

A todo aquele que vem dos extremos da simplicidade de uma capital que segrega, saiba que acreditamos em você de todo coração… Poderemos e devemos ser tudo o que quisermos. Colecionem vitórias e lágrimas de felicidade junto aos seus, tenham em si a esperança que disseram que vocês não poderiam ter por vir daqui, ensinem a eles que humildade nada tem a ver com se humilhar.

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Construímos até aqui, uma militância de caráter realista, mas que se confunde cada vez mais com o pessimismo e a pouca percepção de que dias melhores realmente podem vir; de que conhecendo o inferno de perto, temos propriedade o suficiente para tecer novos caminhos de liberdade igualitária. A sociedade que idealizamos está por vir, ela irá demorar de acontecer, talvez a nossa geração não as veja em vida, mas somos nós, a semente da liberdade que está para nascer.

Cruzem os tecidos sociais, ergam a cabeça, e andem rumo a um novo amanhecer, onde veremos nossas mães felizes em nos ver vencer…

Dum spiro spero! [Enquanto há vida, há esperança!] … Se eu fosse um dos corpos celestiais, eu olharia com completo desapego para esta bola miserável de sujeira e poeira … Eu brilharia indiferente entre o bem e o mal … Mas eu sou um homem. (…) Enquanto eu respirar, eu lutarei pelo futuro, este radiante futuro no qual o homem, poderoso e belo, se tornará mestre do fluxo incerto da História e irá direcioná-lo para um horizonte sem fim de beleza, alegria e felicidade!”  – Leon Trotsky

“Esquerda branca” Não! Mais respeito com as Negras (os) da esquerda!

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Nós, mulheres negras, feministas e marxistas lutamos pela igualdade de todos e pelo fim da exploração e consequentemente pelo fim do racismo, machismo e lgtfobia, não podemos deixar de nos manifestar a respeito do texto que vem circulando na rede, que faz a critica a esquerda referindo se a opinião expressa a respeito de representatividade, onde acusa-se de ser “parte da esquerda branca” quem tem levantado a questão “Que tipo de representatividade importa”? Reivindicamos este questionamento e admitimos que não trata -se de uma parte da “esquerda branca”, mas sim negros e negras comunistas da esquerda revolucionária.

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Shirley Raposo – Administradora da página Feminismo sem demagogia – militante da esquerda no Ato “Fora Cunha!”

Nós existimos e partimos nossa análise de um outro ponto daquele que este texto que tem circulado pela rede defende. Para nós a questão negra está profundamente enraizada na estrutura social capitalista, não apenas regionalmente, mas internacionalmente, para nós somente a destruição das relações de classe existente com o poder sendo entregue a classe trabalhadora, classe esta que produz toda riqueza, atacará a raiz do problema.

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Joyce – Administradora da página Feminismo sem demagogia – militante da esquerda na Marcha das Periferias contra o genocidio do povo negro.

As mulheres negras trabalhadoras da esquerda comunistas estão na luta não é de hoje, muitos ativistas que hoje negam nossa existência e importância para luta, reivindicam Angela Davis, que foi uma revolucionária comunista integrante do partido conhecido como Panteras Negras e que teve sua luta e efeitos dela conhecido mundialmente.

Aliás, para que conste, Tratar a esquerda como “branca” é negar a luta de camaradas negros comunistas como:

– Samora Machel
– Paul Robeson
– Tereza Santos
– Diva Moreira
– Edna Roland
– Claudino José da Silva
– Minervino de Oliveira
– Frantz Fanon
– Abdias do Nascimento
– Solano Trindade
– Mumia Abu-Jamal
– Huey Newton
– Angela Davis
– Thomas Sankara

Nossa tradição Marxista teve suas falhas sim, mas os revolucionários da Revolução de Outubro demonstraram preocupação com o povo negro e reconheciam neste povo parte importantíssima da luta para emancipação do proletariado.
O avanço das pautas do movimento negro esta intimamente ligada as organizações de esquerda.

Se hoje temos os capitalistas dobrando – se para produção de bonecas negras isso deve se a a luta das mulheres negras, e somos nós parte desta conquista.Por conta da nossa militância diária que há décadas tais conquistas tem sido alcançadas. Portanto, não é vitoria reafirmarmos uma boneca desenvolvida para o lucro do patrão através de mãos negras e proletárias, mas sim que a nossa luta tem mudado a sociedade. Porém, enquanto ainda há exploração não há libertação da mulher negra. Por mais que TODAS as prateleiras estejam com bonecas negras, somos nós que ali estamos nas fábricas gerando lucro ao patrão.

Ressaltamos ainda que por detrás da fabricação desse produto, não estamos exercendo o direito que a tal representatividade caberia, portanto, a teoria de que a representatividade é abrangente não é tão verídica, tendo em vista que a representação capitalista oprime tanto quanto ou mais as crianças que ao invés de brincar, muitas vezes. precisam trabalhar. pra contribuir no sustento dessas famílias. A representatividade que importa, deve ser aquela que deve atingir a todas as camadas de classe da sociedade, logo, a representatividade não deve estar inserida e muito menos dependente do consumismo gerado por esse sistema.

Concluímos este texto reivindicando nosso lugar e voz na luta pela libertação do povo negro, exigimos respeito dos outros seguimentos da luta, que não nos tratem como “enbranquecidos” nem como “manipulados”, pois não estamos na luta de hoje e não pode ser nossa posição divergente motivo para sermos desqualificadas com ofensas e desonestidade. Sobre a militância da esquerda que é branca, sabemos que para a militância branca da esquerda é muito mais fácil, já que não tem a opressão do racismo em suas costas e reivindicamos a nossos camaradas que revejam constantemente seus privilégios e atuem conosco respeitando a nossa luta e protagonismo.

Assinam este texto as administradoras da pagina Feminismo sem demagogia – Original, mulheres negras, marxistas, da esquerda revolucionária.

Carolina Vitória
Gleide Davis
Joyce Camila
Shirley Raposo

Estupros x Xenofobia aos refugiados na Alemanha

Por: Verinha Kollontai

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Na Alemanha o caso dos estupros cometidos por refugiados traz de volta a velha conhecida dos tempos do Reich, a xenofobia. Já faz alguns dias que temos sido cobradas a nos posicionar sobre este assunto, inclusive alguns grupos reacionários vem acusando o movimento feminista de calar – se por tratar se de “homens de um grupo que elas gostam”.

Para quem não sabe do que se trata, na noite de Reveillon de 2015/2016 Segundo a BBC, cerca de mil homens agiram de forma coordenada para assediar e roubar múltiplas vítimas. A polícia recebeu ao menos 90 denúncias de mulheres que foram assaltadas, assediadas e atacadas sexualmente, incluindo uma acusação de estupro, na noite de 31 de dezembro. Uma da vitimas relatou que eles dividiam se em grupos de 5 homens para proceder os ataques. Houveram relatos realmente horrorosos, como de uma multidão de homens na frente da estação de trem abusando das mulheres, tocando seus corpos, sem chance nenhuma de defesa das mesmas ou de seus acompanhantes. Até dia 8 de Janeiro havia 120 denuncias de estupro, segundo o periódico El pais.

Bom…

Em Primeiro lugar nós não toleramos machismo, esteja ele onde estiver. Se um homem oprimido seja por questão de classe, raça, sexualidade ou identidade de gênero cometer uma violência machista será constrangido e repudiado. Não existe a possibilidade de defendermos homens de grupos oprimidos quando em flagrante de machismo. Que fique claro.

Em segundo lugar, quem estupra não são os refugiados, são homens socializados em uma cultura machista, ou será que os dados estatísticos de estupro da Alemanha eram nulos até a chegada dos refugiados? Não eram, tanto que dados de 2009, demonstram que foram notificados cerca de 7.314 casos de estupro, uma taxa de 9 para cada 100.000 pessoas. 96,1% das vítimas eram do sexo feminino. Somente em 1997 foi reconhecido como crime o estupro conjugal, ou seja a cultura do estupro esta lá entre os alemães também logo, tratar como se este crime estivesse vinculado a este grupo por serem REFUGIADOS por si só já demonstra xenofobia.

Para prosseguir é preciso constatar que existe uma tendência de associar fatos ocorridos na sociedade de modo generalista há um grupo oprimido. Por exemplo: Drogas x periferia, como se a classe dominante não se envolvesse nunca em delitos tais, e sabemos que isso é um a grande mentira contada para jogar a sociedade contra aquele grupo oprimido deslegitimando suas pautas. O ódio aquele grupo passa a ser o clamor e não sua libertação.

Dito isso, sigo analisando que…

Se bem me lembro a Alemanha estava numa dúvida cruel se abriria ou não as portas para os imigrantes e dai chegou a conclusão que abriria sim por que chegariam muitos técnicos de nível médio, para trabalhar em postos que os alemães não queriam trabalhar, e só para lembrar que, a xenofobia é uma forma eficaz de rebaixar salários, inferiorizar pessoas, tratando as como subclasse de seres humanos.

Nós como marxistas não acreditamos em natureza humana, não acreditamos que os homens sejam estupradores em potencial, que estuprem por ter um pinto, que estuprem por que são irracionais quando o assunto é sexo, acreditamos que é uma construção social misógina, que as condições para esta construção são dadas pelo mundo patriarcal, machista e capitalista, formulando seres humanos desprovidos de empatia e com a falsa compreensão de superioridade que os faz ver nas mulheres objetos que existem ao seu dispor. Homens estupram mulheres por que não a veem como suas iguais, mas com seres humanos inferiores isto é ensinado a eles e não há fronteiras que limitem este aprendizado da masculinidade.

Só para exemplificar o que estou falando sobre xenofobia, a extrema direita lançou um logotipo, parece um bando de brancos (sim sei que são verdes) perseguindo uma MULHER negra (que parece tratar se de uma refugiada?). Racismo e misoginia justificado, mas quem estuprou as mulheres alemãs foram homens não é mesmo? Por que uma camiseta com um logo mostrando uma mulher? Seria o pedido de um revide? Estupre as mulheres deles também?

Outro exemplo, ontem(29/01/2016), um centro de refugiados foi atacado com uma granada, lá estavam homens, mulheres e crianças, ao todo 176 pessoas, entre as quais poderiam estar alguns culpados dos crimes cometidos no reveillon, ou não.

É ÓBVIO que toda agressão machistas contras as mulheres deve ser repudiada, por todo o movimento feminista de todas as vertentes, aguardamos providências da Alemanha contra os culpados cabíveis por lei, e reiteramos que não compactuaremos com xenofobia.

Dia da Visibilidade Trans

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Hoje, 29 de janeiro, é Dia da Visibilidade Trans. Infelizmente, recebemos há poucos dias a triste notícia de que, nos primeiros 26 dias desse ano, já foram assassinadas 56 mulheres trans e travestis. Uma taxa de homicídio de mulheres trans que é 6 vezes aquela que foi registrada em 2014. Isso não é coincidência, afinal, ano passado, várias vezes os fundamentalistas fizeram campanhas contra as pessoas trans, assim como atacaram as mulheres, as pessoas negras e as LGBTs.

Os ataques contra as pessoas trans vêm de todos os lados. Desde cedo, muitas meninas e meninos trans são vítimas de agressão, levadas a “terapeutas” e colocadas de castigo pelos pais, que buscam, a todo custo, “curar” essas crianças. Mas ser trans não tem “cura”. Identidade de gênero não é uma “opção”, é uma característica humana como qualquer outra. Na escola, crianças e adolescentes trans são alvos de chacotas, agressões e às vezes até mesmo de estupros, violência esta que pode vir dos colegas de classe, funcionários, professores ou até do diretor ou diretora. Muitas vezes saem de casa e da escola, seja porque foram expulsas ou para fugir da constante violência que sofrem.

O mercado de trabalho também não acolhe pessoas trans. Por isso, elas, muitas vezes, acabam sendo empurradas à prostituição ou aos precarizados empregos nas empresas de telemarketing. Essa é a condição de vida da maioria das travestis. Para suportar ter relações sexuais com homens machistas, sendo tratadas com desrespeito e às vezes agredidas, muitas vezes recorrem ao uso de drogas, o que faz com que a polícia as trate como criminosas.

Nós, da página Feminismo Sem Demagogia, repudiamos a transfobia. Defendemos que o movimento feminista acolha as mulheres trans e as travestis, porque elas são nossas irmãs, vítimas do mesmo machismo. Assim como muitas mulheres pobres e negras, são empurradas à prostituição porque não encontram outro meio de prover seu próprio sustento. Também é fundamental repudiar a opressão sobre os homens trans, que são frequentemente vítimas de estupro corretivo dentro de suas próprias famílias.

Elas e eles, assim como todas nós, são atacadas constantemente pelos fundamentalistas, como Bolsonaro, Feliciano e Eduardo Cunha, assim como pelos governos, seja do PT, PSDB ou PMDB. Prestamos nossa solidariedade às famílias das vítimas das mulheres trans e travestis assassinadas nessa onda de ódio que tomou conta desse mês. Que esse ano seja um ano de luta contra a transfobia e contra toda forma de opressão e exploração!

 

A CONCESSÃO DE DIREITOS DAS EMPRESAS Á FAMILIA E A RELAÇÃO COM O CAPITALISMO

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Crédito: Manu Lira Ilustrações

No inicio de agosto de 2015 nos chamou a atenção os sequentes anúncios de algumas empresas que instituíram políticas mais humanistas dentro da perspectiva familiar para seus funcionários. A Netflix, empresa norte-americana que presta serviços de transmissão de filmes e séries, adotou a licença maternidade ilimitada para que mães e pais possam se ausentar do trabalho o tempo necessário durante o primeiro ano de vida dos filhos biológicos e adotados sem nenhuma redução na remuneração. No dia seguinte ao anuncio da Netflix, a Microsoft também anunciou o aumento da licença maternidade para seus funcionários de 8 para 12 semanas. Não ficando para trás, outra empresa de software a Adobe dobrou o tempo de licença oferecido às novas mães de 12 para 26 semanas e por final a Private-Equity KKR se disponibilizou em custear as despesas de seus funcionários na contratação de babás para que possam levar seus bebês nas viagens de negócios.

Nós da página FSD consideramos excelente a iniciativa dessas empresas, isso com certeza não só melhora a qualidade de vida de seus funcionários como também das crianças que podem ser acompanhadas mais de perto pelos pais, mas por que essas empresas não estão fazendo mais nada que obrigação?

Estudos comprovam que no primeiro ano de vida do bebê a interação com a mãe é fundamental, e nos primeiros seis meses há maior estimulação nas conexões do cérebro e aleitamentono desenvolvimento físico, como também no emocional e intelectual a curto e longo prazo, além disso, a amamentação é um dos fatores mais importantes para o desenvolvimento e crescimento, se for exclusivo os benefícios só aumentam e beneficiam também a mãe. Segundo dados comprovados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) o aleitamento exclusivo propicia à diminuição das internações e de morte por diarréia; infecções respiratórias; reduzem os riscos de alergias e os riscos de desenvolver hipertensão, colesterol alto e diabetes na fase adulta. Entre outros benefícios também, melhora a nutrição, o desenvolvimento da cavidade bucal. Para as mulheres se torna um fator de proteção contra o câncer de mama, pode evitar nova gravidez e promover maior vínculo afetivo entre mãe e filho.

Mesmo com todos os benefícios cientificamente comprovados, a mulher trabalhadora se depara com vários obstáculos para a realização do aleitamento materno exclusivo dentro do período recomendado pela OMS e demais instituições de saúde. A tripla jornada de trabalho que são submetidas, o acúmulo de tarefas domésticas, o trabalho fora de casa, à falta de políticas publicas e legislações trabalhistas para de fato estimular a prática do aleitamento são alguns fatores.

O prazo da licença maternidade, assim como demais benefícios que atendem a estrutura familiar estabelecidos na maioria dos países estão diretamente ligados aos interesses dos grandes capitalistas para aumentar cada vez mais o lucro das empresas, isso com amae conivência do Estado, impactando na qualidade de vida de seus funcionários mesmo comprovado que é insuficiente para uma vida saudável e digna das crianças, como também impede que mães e pais dêem aos filhos o acompanhamento necessário. Muito se fala de preservação da família, mas aos trabalhadores é negado o direito de gerir sua família dando estrutura e um acompanhamento eficiente aos filhos, os fazendo andar em corda bamba para alcançar a eficiência tanto no núcleo profissional como no núcleo familiar, com isso quanto mais explorada uma categoria mais esforço haverá para atender esses dois campos, pois para a manutenção do capitalismo é necessário o controle do proletariado.

Por mais que o Sistema necessite da mão de obra do proletariado é utilizada a lógica de desvincular ao máximo a responsabilidade que atinge a vida pessoal do trabalhador, pois são nessas esferas humanistas e de direitos que as empresas perdem a possibilidade de obter mais lucro, com isso na escolha entre angariar lucros e a possibilidade de promover uma vida mais saudável e digna ao proletariado entram em conflitos, e na balança dos interesses e privilégios, direitos fundamentais são ignorados ou reduzidos. E para mascarar esses mecanismos entra em jogo o discurso da meritocracia, onde possibilita uma pequena parcela alcançar a elite para servir de exemplo e atribuir aos demais à falta de esforço e perseverança, alienando as convicções da sociedade e deste modo reforça a responsabilidade daqueles que não alcançaram o sucesso financeiro e principalmente a eficiência no núcleo familiar que sempre acaba sendo abdicada em função da busca pelo próprio sustento, e isso atinge principalmente as mulheres que são vistas apenas como parte do maquinário que opera as empresas.

A exemplo do Brasil, a licença maternidade de quatro meses é insuficiente porque obriga as mães a introduzirem o uso da mamadeira ainda na fase essencial do aleitamento materno para alimentar seu bebê enquanto estão fora trabalhando e este fato na maioria das vezes resultava no desmame precoce perdendo assim muito dos benefícios que a amamentação exclusiva traz. Em 2008 foi sancionada a Lei 11.770 que prorrogou para mais 60 dias a licença maternidade, somando o total de 180 dias, porém ao critério da iniciativa privada, o Governo deixou como opção esta ampliação oferecendo como bônus de incentivo fiscal a quem aderir o programa Empresa Cidadã. Neste caso o Estado não quis contrariar os interesses dos empresários e deixou a cargo dos capitalistas a escolha de conceder ou não este direito as trabalhadoras, porém como o interesse do Capital é o lucro, até hoje poucas empresas aderiram ao programa que apesar da sua constituição há mais de sete anos ainda não é unânime para todas as mulheres.

Segundos dados divulgados pelo portal BBC Brasil, “apenas 34 países incluindo o Brasil cumprem a recomendação da Organização Internacional do Trabalho (OIT) de conceder ao menos 14 semanas de licença à mãe com remuneração não inferior a dois terços dos seus ganhos mensais no trabalho. A maioria das mulheres trabalhadoras do mundo – cerca de 830 milhões – ainda carece de uma proteção de maternidade suficiente. Quase 80% delas são da África e da Ásia, segundo a OIT.” Os países mais desenvolvidos concedem maior prazo da licença maternidade, grande parte deles se concentram na Europa, mas isso não é regra, já que os EUA, maior potência econômica, oferece um dos menores prazos estabelecidos mundialmente, apenas 12 semanas e sem nenhuma remuneração, o que afirma a relação direta com a exploração e os interesses do Capitalismo, já que se trata de um país onde se concentra as maiores e mais ricas empresas do mundo.  Malásia e o Sudão lideram a lista das piores licenças do mundo, concedendo apenas oito semanas de afastamento.

  • Noruega – Licença de 315 dias
  • Inglaterra – 52 semanas para mulheres com remuneração de 90% do salário e para os homens 2 semanas com 100% da remuneração.
  • China – 14 semanas ou 98 dias corridos para mulheres;
  • Itália– 5 meses incluindo para adoção, com 80% da remuneração podendo chegar em 6 meses e 100% da remuneração dependendo de alguns acordos de classe.
  • Suécia– Licença de 480 dias com remuneração integral. É o país que concede o maior prazo de licença maternidade e, além disso, apresenta políticas de bem-estar às famílias mais generosas do mundo. A licença parental é 100% remunerada e os pais podem dividir igualmente o tempo concedido justamente para maior igualdade e divisão das responsabilidades na educação dos filhos.
  • Espanha–Licença de 16 semanas para filhos biológicos ou adotados para mãe e 13 dias para o pai.
  • Índia – Licença de 3 meses
  • Líbano – 70 dias com remuneração integral

Cuba e Chile são os países da América Latina que oferecem as melhores licenças, com o afastamento de 156 dias e o pagamento integral do salário durante o tempo de afastamento para mulheres e 5 dias para os homens.

  • Costa Rica – 120 dias de licença com 100% de remuneração.
  • Colômbia – Licença de 98 dias com remuneração de 100%;
  • Argentina e Peru – 90 dias de licença
  • Paraguai, Equador, México, Uruguai, El Salvador, Honduras e Nicarágua– 84 dias de licença.
  • Porto Rico – 56 dias e o país com a pior concessão da América Latina

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Outro fato também justifica e deve ser considerado para a menor concessão de direitos é quando as grandes empresas se instalam em países mais pobres onde a mão de obra e mais barata e as leis trabalhistas mais omissas para estrategicamente ampliarem a oferta de trabalho e em contrapartida impor condições para se beneficiarem mais da exploração dos trabalhadores como cita François Chesnais crítico ao neoliberalismo e globalização;

“A Globalização é liberdade para o seu grupo de se implantar onde ele quiser o tempo que ele quiser, para produzir o que ele quiser, comprando e vendendo onde ele quiser, e tendo que suportar o menor número de obrigações possíveis em matéria de direito do trabalho e de convenções sociais”. (CHESNAIS)

Muito das políticas adotadas pelas empresas hoje ainda refletem a apropriação da cultura escravocrata. No livro “Mulher, Raça e Classe”, Ângela Davis aborda o tratamento dos senhores de escravos às mulheres negras que eram mães desconsiderando as condições das gestantes ou pós-parto e as submetiam ao trabalho no campo com fortes dores nos seios pelo tempo excedido da amamentação, ocorrendo o fato de algumas não suportarem a dor até desmaiar.

Noutras plantações, as mulheres deixavam as suas crianças aos cuidados das pequenas crianças ou de escravas de mais idade que não estavam capazes de fazer o trabalho duro nos campos. Incapazes de cuidar dos seus filhos regularmente, elas sofriam a dor causada pelas suas mamas com leite.(DAVIS, 2013, p.13)

Não só as mulheres negras eram submetidas ao trabalho forçado debilitadas, como também carregavam os filhos amarrados nas costas para estarem próximas deles no momento da amamentação.

“Os donos de escravos naturalmente começaram a assegurar que as suas “breeders” tivessem filhos tão frequentemente quanto fosse biologicamente possível. Mas nunca foram tão longe em excluir as mulheres grávidas e mães com recém-nascidos do trabalho nos campos. Enquanto muitas mães eram forçadas a deixar os seus filhos deitados no chão perto da área onde trabalhavam, algumas recusavam em deixá-los e tentavam trabalhar no local habitual com os seus filhos nas suas costas.” (DAVIS; 2013, p.13)

Debatendo a leitura do Livro de Ângela Davis com a nossa companheira e também administradora da página Feminismo Sem Demagogia, Verinha Dias, ela comenta; “A lógica do capitalista é: Pra que creches? Se as escravas carregavam seus filhos nas costas enquanto trabalhavam? É tipo como dar a mulher o “se vira”. O capitalismo segue os ritos cruéis da escravidão tanto quanto pode apropria-se dele, a intenção é lucrar o quanto for possível sobre a força de trabalho através da exploração. O controle de produção que o senhor de escravos fazia é muito semelhante ao que as centrais de telemarketing fazem hoje”. E de fato é exatamente isso, os tempos da escravidão não é muito diferente ao que algumas categorias submetem os trabalhadores. Se escravas aguentavam, por que as trabalhadoras não podem aguentar? São tantos casos de mulheres que sentem-se mal durante o trajeto do trabalho para casa, porque as condições do trabalho ou do trânsito as fizeram atrasar a chegada em casa para alimentarem os filhos, sem contar o constrangimento os incidentes em ter o leite vazado na roupa, desta forma as empresas que vendem bombinhas para retirada de leite ainda vão lucrar com essas situações. A apropriação do capital aos mecanismos escravocratas hoje transborda para as mulheres que pertence a classe trabalhadora em geral, sendo óbvio que as mulheres negras entram na linha de frente de exploração. É interessante notar como antes elogiavam a fragilidade feminina, hoje se elogia a mulher forte que supera estas situações e ainda mantém-se trabalhando num jogo perene de naturalização da opressão.

“Os especiais abusos assim infligidos sobre as mulheres facilitavam a crueldade da exploração econômica do seu trabalho”. (DAVIS, 2013. p.12) Nesta passagem podemos fazer um paralelo da condição da mulher negra na escravidão e nos tempos atuais, assim como as opressões naquele tempo alavancam a exploração econômica do trabalho, hoje em dia a exploração no mercado de trabalho nas consideradas subclasses que representam as linhas de trabalho mais precarizadas, a mulher negra é a principal mão de obra ofertada se tornando o peso de equilíbrio na balança econômica positiva aos interesses do Capital.

Com a globalização houve um aumento significativo em todo mundo à oferta de trabalho para as mulheres, porém marcando suas características veio com ele também o aumento da precarização das leis trabalhista, e esse interesse à mão de obra feminina justamente por estarem mais desprotegidas pela legislação do trabalho e organizações sociais, já que para os homens as ofertas de trabalho regrediram ou estagnaram. Deste o modo, a expansão do trabalho das mulheres não apresenta a mesma evolução quando se trata da remuneração e se apresentam ainda muito inferiores que os salários ofertados aos homens. Porém as empresa levam muita vantagem na escolha pela mão de obra feminina, já que são tão qualificadas quantos os homens por 30% menos do salário pago a eles e esse percentual pode ser reduzido em até 60% de acordo com as categoria mais desvalorizadas. Também deve ser levando em conta que pelo menos no Brasil, segundo dados do IBGE, as mulheres estudam em média 7 anos a mais que os homens, por isso as empresas não perdem nada em dar incentivos para as mulheres voltarem ao mercado de trabalho depois do período com o filho recém-nascido, pelo contrário, fazem a manutenção da centralidade da força de trabalho masculina que é melhor remunerada pela mão de obra feminina qualificadas e mais baratas e isso influência também a subcontratação e o sistema de trabalho doméstico e familiar.

Essa corrida amamentista ofertadas pela Netflix e demais companhias, não é exatamente por que essas empresas são mais generosas que as demais, mas porque se trata da resposta à pressão das funcionárias que cada vez mais pedem demissão para se esquivarem dessa cultura exploratória das empresas e conseguirem dar o suporte necessário à família. Quando percebem que a pressão do proletariado pode prejudicar os interesses da organização, de certo modo são abertas concessões em prol dos trabalhadores, exatamente como nos casos mais drásticos como as paralisações e  greves. Nenhuma concessão é realizada de modo tão democrático como as organizações adoram posar, como se a consciência e humanismo partissem espontaneamente dos patrões. Por isso se faz necessária a organização de uma classe trabalhadora cada vez mais consciente e articulada dentro das posições de classe.

 

Fontes:

BRUNO, Rodrigues. Benefícios da Ampliação da Licença-maternidade. Guia do Bebê e Gestante Ulo. Disponível em: http://guiadobebe.uol.com.br/beneficios-da-ampliacao-da-licenca-maternidade/. Acesso em: 07 de setembro 2015.

 

O estado sombrio das licenças de Neli, Amazona e KKR. Exame. 19 de agosto de 2015. Disponível em: http://exame.abril.com.br/carreira/noticias/o-estado-sombrio-das-licencas-de-netflix-amazon-e-kkr. Acesso em 25 de setembro 2015.

 

Planalto. Lei nº 11.770, de  9 de setembro de 2008. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11770.htm

 

HIRATA, Helena. Globalização e Divisão Sexual do Trabalho. Caderno Pagu (17/18) 2001/2: pp139-156.

 

Portal BBC Brasil. Quais países oferecem as maiores e as menores licenças maternidade. Disponível em: http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/08/150812_licenca_maternidade_paises_rm . Acesso em 25 de setembro 2015.

 

PUFF, Jeferson. Mais escolarizadas, mulheres ainda ganham menos e têm dificuldades de subir na carreira. Portal BBC Brasil.31 de outubro de 2014. Disponívelem:http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/10/141031_desigualdade_fd. Acesso em 30 outubro de 2015.

MOELLER, Ann.Inglaterra – Licença maternidade pelo mundo. Disponível em:http://www.brasileiraspelomundo.com/inglaterra-licenca-maternidade-pelo-mundo-410913529.Acesso em: 25 de setembro de 2015.·.